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Esse é o primeiro artigo do blog no servidor novo. Como me faltou tempo, ele está sem imagens ainda, mas peço que me desculpe por isso. Vou corrigir isso assim que tiver tempo, bem como publicarei os demais artigos atrasados o quanto antes. E agora ao que interessa.

Desde o começo da segunda temporada, a inspetora Shimotsuki está lá para contrariar a Tsunemori. É só isso que ela faz, mesmo quando as evidências ou os resultados demonstram que a Tsunemori estava certa. Não vou dizer que a Tsunemori sempre esteve certa quando Shimotsuki discordou dela. Embora estivesse certa sim na esmagadora maioria das vezes esse não é o mérito da questão: ocorre que o comportamento da Shimotsuki era inadequado, anti-profissional mesmo. Quando discordamos, especialmente quando discordamos no ambiente de trabalho, existem formas bem mais sensatas de resolver o problema do que desprezar, passar a realizar serviços paralelos em segredo e ir falar mal do desafeto para o chefe. Não obstante, a Shimotsuki foi o único personagem novo que não era novo de verdade: já disse aqui, mas ela era apareceu na primeira temporada como estudante colegial em um dos casos mais importantes da série. Essa ligação com a primeira temporada me atraiu nela (tá bom, admito, as sardas também), mas nunca foi desenvolvido na história. Era só um fetiche a mais, uma pena. E não consigo ignorar que todas essas qualidades negativas dela soaram artificiais para mim. Quero dizer, lógico que a história dela foi escrita para ser assim por um propósito, mas achei tudo forçado demais. O resultado é que não posso evitar sentir pena dela, e me pergunto se era essa a intenção do anime; suspeito que sim. Esse oitavo episódio faz o trabalho de terminar as revelações que começaram no episódio anterior e colocar (quase) todos os personagens em posição para o arco final. Disse quase todos porque o Kamui e sua gangue não apareceram nesse episódio, deixando em suspense o que exatamente será seu ataque final.

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Voltando à Shimotsuki, ela provou seu valor como detetive nesse episódio. Na investigação sobre o Dr. Masuzaki, o médico que operou Kirito, cujos registros estão inacessíveis por causa de patentes, ela faz o sensato e vai até o escritório de patentes pesquisar sobre ele. Na verdade, ela já estava um passo adiante. Como visto nos episódios anteriores, ela já desconfiava do Togane e sabia de sua ligação com um dos maiores laboratórios médicos. Até onde eu entendi ela não havia encontrado nada que ligasse a Fundação Togane ao Dr. Masuzaki, mas isso pode ter sido falha da tradução ou falha minha, mas mesmo se não for nada disso, pode-se atribuir essa linha de investigação adotada pela Shimotsuki à “intuição de detetive” (além do despeito dela pelo Togane e pela Tsunemori). Infelizmente ela descobre muito mais do que é permitido a uma pessoa descobrir nesse mundo, e embora ela não tenha percebido o que estava vendo diante de seus olhos porque estava cega de raiva pela Tsunemori, Sybil não está disposto a correr riscos.

Veja bem, os segredos que Shimotsuki descobriu dizem respeito não só à operação pela qual Kamui passou, mas à própria concepção do Sistema Sybil. Esse detalhe obviamente não estava disponível para ela, mas tenho certeza que se ao invés de manter o que descobriu para si mesma e mandar uma mensagem para a sua chefe (que ela não sabe que é apenas uma interface de Sybil) Shimotsuki tivesse compartilhado com Tsunemori as duas juntas chegariam à conclusões muito maiores e talvez o destino dela tivesse sido outro. Mas ai! Shimotsuki estava lá apenas para antagonizar Tsunemori e no final narrar o segredo de Sybil para o espectador. E o pior é que essa função era desnecessária, dado que o Dr. Masuzaki estava no mesmo instante revelando tudo para Saiga e Tsunemori em seu “interrogatório” que interrogatório não era porque ele se deixou prender para passar essa mensagem para a Segurança Pública.

Porque Shimotsuki não revelou ainda no episódio passado o que ela descobriu sobre Togane para a Tsunemori é um mistério insondável para mim. Sim, Tsunemori vinha concordando com Togane e discordando de Shimotsuki, mas foram em questões profissionais, tenho certeza que se ela contasse para a colega que nada menos que todos os inspetores que já trabalharam com Togane acabaram tendo seus estados mentais sujos e morreram sob fogo de uma dominator, e mais ainda, que o Togane vinha monitorando o estado mental de Tsunemori diariamente desde que havia chegado lá, a inspetora sênior haveria de concordar com a novata que algo de muito errado estava acontecendo e que esse executor não era confiável. Mas acho que nesse momento a inveja falou mais alto, porque sim, não consigo ver de outra forma senão inveja da Shimotsuki pela Tsunemori, e ela tentou usar isso que ela pensou ser um trunfo contra a inspetora que ela enxergava como uma rival. E por que Shimotsuki teria inveja de Tsunemori? Só posso imaginar. Pela história, talvez tenha a ver com o fato dela sempre discordar da sua sênior mas mesmo assim todos darem razão a ela. Isso aos olhos da Shimotsuki, claro, porque desde o começo do anime Ginoza vem discordando com frequência da Tsunemori, e a falecida Aoyanagi também discordava dela praticamente nos mesmos momentos e com os mesmos argumentos que a própria Shimotsuki. Mas talvez ela se sentisse insegura por ser novata e quisesse mostrar serviço. Caiu nas garras de Sybil e viu seu lado mais sombrio de perto.

Um pouco da história do mundo é contada nesse episódio, e pelos fragmentos vistos aqui e ali montamos a história do próprio Sistema Sybil. Em algum momento há mais de 15 anos atrás ele foi implementado. Se já tinha todo o poder que tem hoje eu não faço a menor ideia, mas acho provável que não, devia ainda ter poucos cérebros e acredito que se limitasse a fazer leituras cimáticas para apoiar os métodos de investigação tradicionais. Sybil foi projetado parcial ou integralmente pela Fundação Togane, e como sabemos é constituído por vários cérebros de criminosos assintomáticos, assim chamados aqueles que mesmo capazes de cometer crimes jamais têm seus estados mentais prejudicados. Se na primeira temporada isso parecia só uma ideia tola, agora deram uma explicação para ser assim: apenas criminosos assintomáticos suportam uma operação de transplante de cérebro. Oh, bem, pela legenda deu a entender que isso valeria para o transplante massivo de qualquer parte do corpo, mas prefiro acreditar que a chave, aqui, seja o cérebro.

Duas coisas são importantes para a construção de Sibyl, portanto: o transplante massivo e a criminalidade assintomática. Durante as pesquisas a então presidente da Fundação Togane, Misako Togane, criou um ser humano criminoso assintomático, que viria a ser seu filho, Sakuya Togane. Uma coisa que não ficou muito clara para mim é que aparentemente o Sybil já estava em operação antes do acidente e da operação de Kamui, mas ao mesmo tempo a operação dele não faria sentido se não fosse uma prova de conceito para a construção da própria matriz de cérebros humanos que constitui o sistema. Uma hipótese é que Sybil tenha nascido sem essa “rede neural”, usando ao invés supercomputadores eletrônicos comuns para suas tarefas. O que aliás ele afirma ser até hoje, aumentando a probabilidade de que fosse mesmo assim no começo: facilitaria sua implantação. Uma observação sobre isso é que aparentemente Sybil planeja revelar a verdade sobre si mesmo para o mundo, ou pelo menos foi isso que o Togane deu a entender no final do anime. Com que propósito não consigo nem imaginar.

Em algum momento, provavelmente já com as pesquisas para a matriz de cérebros em andamento (supondo que Sybil tenha nascido sem ela), foi proposto um novo sistema de segurança pública para substituir Sybil: monitoramento total. Simples e eficiente, todo e cada cidadão seria monitorado o tempo todo, todo o tempo, e ainda que não fosse possível evitar todos os crimes com um sistema altamente invasivo desses, pelo menos se pode confiar que nenhum crime ficará sem solução (o que não significa que alguém com poderes para tanto não possa fraudar tal sistema para esconder seus crimes acusando outras pessoas, mas chega de especular sobre o que nunca aconteceu). Esse sistema chegou a começar a ser implantado. Como teste, ele no começo seria apenas um controlador de tráfego terrestre e aéreo. Muitos acidentes ocorreram sob o controle desse sistema e ele acabou definitivamente engavetado. Opa, o que eu havia dito sobre fraudar o sistema? Vamos falar mais sobre isso sim. Há a suspeita forte de que esses acidentes tenham sido provocados por falhas inseridas propositalmente no sistema. E a quem interessaria o fracasso dele? A ninguém menos que os partidários de Sybil, e especialmente a Fundação Togane que certamente lucrava muito com isso.

No contexto desses acidentes, houve o fatídico acidente aéreo fatal de Kamui. Ele só sobreviveu após passar por uma cirurgia complicadíssima, nova, patenteada pela Fundação Togane, que consistia no transplante massivo que já mencionei. Seu corpo é composto por nada menos do que partes de 198 outros corpos, ou seja, todas as crianças à bordo de seu avião. Até mesmo seu cérebro (e essa é a parte mais importante) recebeu enxertos de outros dois cérebros. O que é Sybil, senão um monte de corpos transplantados no mesmo indivíduo? Sustento minha crença de que Kamui foi o último grande teste antes da implantação da matriz de cérebros de Sybil. Ele era adequado para isso porque era um criminoso assintomático. Como era apenas um teste, após constatado seu sucesso, ele foi abandonado. O azar dele é que por ser composto por pedaços de corpos de tantas pessoas ele passou a não ser reconhecido como uma pessoa pelos sensores de Sybil, mas apenas uma pilha de cadáveres. Essa é a motivação de sua vingança. Mais tarde naquele mesmo ano a mãe de Togane “morreria”. Na verdade, ela provavelmente foi o primeiro cérebro de Sybil.

A Inspetora Shimotsuki descobriu quase tudo isso, só faltava a ela os detalhes que ligam o próprio Sybil à Kamui, à Togane, e a informação sobre o que Sybil realmente é. Curiosamente quase tudo isso a Tsunemori sabia, entre coisas que ela descobriu na primeira temporada e outras reveladas pelo Masuzaki. Só ficaria faltando o pedaço sobre Togane, mas que ele era mais do que suspeito a própria Shimotsuki já tinha provas, então teria sido muito produtivo se ela tivesse ido contar tudo o que descobriu para Tsunemori. Mas ao invés, ela contou tudo para a chefe, sem saber que ela é o próprio Sybil e que Sybil é que está por trás de toda essa conspiração. Como era de se esperar, ela foi pega, e por ninguém menos que o executor Togane. No episódio anterior eu cometi o erro de dizer que ele deveria estar agindo por conta, mas me retifico agora e noto que eu já havia aventado a possibilidade dele e Sybil estarem agindo de forma orquestrada. Mas como aparentemente o estado mental de Shimotsuki também é quase imutável (e talvez essa tenha sido uma das razões dela ser indicada para trabalhar como inspetora em primeiro lugar), e isso desperta o interesse de Togane, ele a mantém viva, mas suspeito que ela irá preferir ter morrido. O triste é que ela nunca foi um personagem com profundidade, tendo sido sempre esse dispositivo de enredo destinado a antagonizar Tsunemori e descobrir parte importante da verdade sobre o mundo, e agora ela já cumpriu essa missão. Sua próxima missão parece ser ainda mais subalterna, provavelmente servindo de refém ou qualquer coisa do tipo com apelo emocional. Mas sabe o que me incomoda mais do que tudo? Saber que ao final dessa temporada Tsunemori ainda continuará trabalhando para Sybil. A sinopse do filme já garantiu isso.

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