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Já disse noutros artigos o quanto a semelhança de Bahamut com RPG me agrada. Nesse episódio percebi que é mais do que isso. Bahamut não me agrada apenas por ser semelhante a um RPG. Claro que isso sozinho já é suficiente para cair na minha simpatia, mas Bahamut tem um detalhe a mais que, admito, me é muito caro pessoalmente: o protagonista é um ladino. Favaro não é um guerreiro, um cavaleiro, um mago. Favaro é um safado de um ladino. Em todos os meus anos como jogador de RPG eu provavelmente joguei muito mais como ladino do que qualquer outra classe. Há algo neles que me atrai, me fascina. Bom, eu não fazia ladinos cafajestes de fala ligeira como o Favaro, eu preferia o tipo soturno que quando tem que falar encarna um personagem. Favaro é do tipo que sequer consegue fingir ser o que não é – e sempre que tentou se deu mal. Acho que o único segredo que ele conseguiu guardar bem foi que nunca havia traído Kaisar. Mas convenhamos, Kaisar é o tipo de pessoa mais fácil de enganar que existe e, como ficou claro no episódio que resolveu as diferenças entre os dois, ele queria ser enganado, ele precisava disso para ter um motivo para continuar vivendo. Será que o destino do mundo estar nas mãos de Favaro é uma coincidência?


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O destino como tema nesse episódio complementa aquela conversa que Favaro teve com Joana D’Arc. Dentro da história, Favaro se descobre de repente com o peso inimaginável de ter que escolher entre sua lealdade e seu senso de justiça ou a salvação do mundo. Na estrutura narrativa de Bahamut, nós descobrimos que Favaro é mesmo o salvador, conforme os sonhos premonitórios que ele teve e a história sobre a profecia do Bahamut que Joana D’Arc contou especialmente para ele. Só que ao invés de um cavaleiro ele é um ladino, e ao invés de uma espada sagrada ele tem um pelo do próprio Bahamut. Será que ele irá perceber todos esses sinais?

É certo que ele não matará Amira (ficarei de queixo caído se eu estiver errado sobre isso), mas ainda assim o dilema que Favaro enfrenta irá ser determinante para suas próximas ações. Talvez isso seja uma pista falsa e ele se mantenha mais uma vez fiel a suas convicções, que foram antes de seu pai, e ignore toda essa história de destino para escolher ele mesmo o que acha certo fazer. Mas talvez ele fraqueje como já fraquejou antes, como quando vendeu Amira para os Cavaleiros de Órleans. Se ele fizer isso sei que o destino irá se encarregar de levá-lo de volta para o caminho correto, como seu cavalo fez naquela ocasião. Nos meus tempos de RPG, no lugar de Favaro, eu sequer cogitaria matar Amira. Mas é fácil para um jogador tomar essa decisão, assim como parece óbvio para um espectador do anime que esse não é o melhor caminho. Mas e se eu realmente estivesse no lugar de Favaro? Não importa o quanto eu pense, não consigo encontrar uma resposta.

A questão se resume a: matar uma pessoa querida e salvar o mundo, ou deixá-la viver e deixar o mundo acabar? A primeira coisa é: não quero que o mundo acabe! Mas é certeza que o mundo vai acabar? Não basta a tal pessoa viver, é preciso que uma determinada condição seja atingida afinal. Mas eu não posso garantir que jamais permitirei que essa condição seja atingida. Na verdade, já tive provas demais de que a minha vontade sozinha não resolve quase nada. Há pessoas poderosas lá fora atrás dela: para matá-la ou para destruir o mundo, o que é exatamente o meu dilema. Então talvez matá-la eu mesmo seja a melhor opção. Eu só não conseguiria viver comigo mesmo depois disso, sem falar que outras pessoas que também me são caras poderiam me odiar para sempre por agir dessa forma. Falando em outras pessoas, eu não poderia procurá-las? Amigos próximos, ou pessoas poderosas em quem confio? Pense bem, isso seria apenas dividir a responsabilidade. Serviria para eu deixar o mundo acabar ou para matá-la com menos culpa, mas não resolve o problema principal e ainda faria outras pessoas passarem pelo mesmo dilema que eu. O problema é que não quero nem que uma coisa aconteça nem outra. É dilacerante. É inimaginável o que Favaro está passando.

E os demais personagens? Bom, não há muito desenvolvimento de personagem aqui, mas coisas interessantes acontecem. Joana D’Arc como esperado foi acusada de trair o rei e está presa aguardando julgamento. Em sua cela, foi tentada pelo demônio Martinet a beber a mesma poção que envenenou a mente do rei, o que por enquanto ela vem resistindo a fazer e creio que resistirá até o fim, ela parece encarnar bem a imagem popular que temos da santa que lhe empresta o nome. Lavalley parece não estar mesmo trabalhando com os demônios, caso contrário ele não teria razão nenhuma para enviar Kaisar atrás de Favaro e Amira. Rita encontrou o laboratório de Martinet e foi encontrada por ele, sem que seja revelado o que acontece em seguida. É importante lembrar aqui que os demônios tinham conhecimento de Rita, mas não me lembro se foi Azazel ou Martinet quem a citou antes, e isso faz toda a diferença. Por fim, Baco reaparece na história indo até Anatae para, suponho, o julgamento de Joana D’Arc. Creio que ele terá papel importante na libertação dela, porque, bom, ela será libertada, o anime simplesmente já a teria matado se seu destino fosse mesmo morrer e duvido que ela ceda à tentação demoníaca.

E eu estava mais ou menos certo sobre uma coisa: tanto Joana D’Arc quanto Amira são receptáculos. No caso, receptáculos das chaves que selam Bahamut. No caso, Amira se tornou o receptáculo que Michael pretendia que Joana D’Arc se tornasse. E para que servem os receptáculos, afinal? Através deles Satã e Zeus, que se tornaram as chaves, podem se manifestar. O porém é que eles só podem se manifestar através de seres humanos, o que faz algum sentido se Anjos e Demônios há dois mil anos atrás quando da criação das chaves não queriam que elas pudessem ser livremente usadas por seus inimigos naturais. Mas um plano ousado de demônios, encabeçado, suponho, por Belzebu, fez com que um não humano se tornasse o receptáculo da Chave Celestial. Será que aquela criatura azul que já apareceu saindo de dentro de Amira é Zeus? Será que é assim tão simples? Porque me custa acreditar que, fosse assim, Lúcifer caísse no truque de Belzebu. Mais do que isso, Michael ainda está esperando por Joana D’Arc.

Importante notar o tamanho da vantagem dos demônios nesse momento: os anjos perderam totalmente o controle sobre a Chave Celestial e estão aguardando sua escolhida para se tornar o receptáculo mas uma maquinação demoníaca fez os humanos colocarem-na atrás das grades. Mas mesmo que ela não estivesse presa, o que Joana D’Arc poderia fazer a essa altura? Talvez o plano desde sempre fosse matar Amira para obter a chave de volta, apenas não fizeram isso antes porque a manifestação do poder contido na chave não pode ser feita impunemente e ainda não era a hora de usar a carta trunfo. Do lado dos demônios, talvez pretendam depositar também sua chave em Amira? Ou talvez acreditem que o simples despertar de Bahamut poderá libertar Satã? Qualquer que seja a intenção de anjos e demônios, ambos já estão pegando em armas e se preparando para marchar. Tenho muitas dúvidas sobre o que acontecerá no anime, mas nada que se compare a única dúvida de Favaro. O fio da barba de Bahamut que está em sua posse determinará o destino do mundo, e cabe a ele decidir como.

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