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Da rápida altercação entre Rita e Martinet, passando pela queda de Joana D’Arc e culminando na captura dos heróis em Helheim, eu mal consegui respirar durante o episódio dessa semana. Não que ele tenha sido muito movimentado, infelizmente devo apontar que depois do hiato para o episódio de recapitulação Bahamut perdeu muito de seu caráter de aventura, deixando de ser um viagem que nós vemos acontecer, para se tornar um épico, uma história grandiloquente que é quase literalmente narrada para o espectador. Foi, sim, uma queda de qualidade. Nesse episódio o que me manteve petrificado foi a tensão latente e a sensação de impotência ou pequenez dos personagens principais enquanto o mundo desaba ao seu redor. Se Bahamut tivesse mais episódios talvez pudesse ter um roteiro mais clássico e o Favaro poderia ter sido o protagonista de uma legítima Jornada do Herói. Eu adoraria ter assistido esse anime. Ainda assim Bahamut continua sendo o melhor da temporada, junto a Kiseijuu (que terá, veja só, uma temporada dupla).

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Favaro nem teve muito tempo para ficar preocupado com as palavras sombrias do dragão que ele encontrou no episódio anterior sobre ele ter que matar Amira para evitar o despertar do Bahamut. Como era óbvio e ululante, eles estavam indo diretamente para uma armadilha e não tiveram chance alguma. A mais poderosa entre eles é a mentalmente mais fraca, e ela foi feita para ser assim. Sim, feita. Já era sabido que os demônios haviam feito Amira crescer até um corpo adolescente em apenas cinco anos, mas nesse episódio é revelada uma verdade ainda mais sinistra: Amira não era fruto do amor entre uma deusa e um demônio, ao invés disso a deusa foi capturada e um clone seu foi feito magicamente com poderes demoníacos. Essa é Amira. Todas as memórias dela são falsas, implantadas com uso do pingente que ela carregava. Ainda não consigo ter certeza se Lavalley é inocente nessa história ou se também é um conspirador, e a semelhança dele com Belzebu é perturbadora, mas em sua defesa diga-se que também carregava um pingente desses então não é demais supôr que também teve suas memórias manipuladas.

Martinet e Belzebu torturaram mentalmente Amira para que ela sucumbisse emocionalmente, estado que parecia ser necessário para que ela fosse transformada no chave do selo para libertar Bahamut. Lembra-se como os anjos já haviam dito antes que a agitação emocional de Amira estava enfraquecendo o selo de Bahamut? Talvez tenha sido esse tipo de “proximidade” a que a criatura dracônica tenha se referido no episódio anterior. Ele vive noutra dimensão separada e possui vida eterna, agindo como mero observador. Para ele o tempo e o espaço como entendemos são conceitos muito pequenos, insuficientes. Assim, talvez estar próximo de Bahamut seja estar mentalmente ou emocionalmente próximo. As emoções de Amira se tornaram puro caos, e caos é tudo o que Bahamut traz para o mundo em suas fúrias destrutivas. Especulação: será Bahamut da mesma “raça” que o observador? Teria sido ele também um observador que enfureceu-se com alguma coisa? Enfim, não importa. O fato é que, cada um a seu modo, deuses e demônios buscam a ordem, e Amira nesse momento não poderia estar mais distante disso.

Foi doloroso assistir o reencontro entre Amira e sua “mãe”. A anja foi mantida cativa por todos esses anos e parecia aterrorizada, mas não proferiu uma só palavra até o fim então não é possível saber se ela realmente estava aterrorizada com Amira e se, como Martinet disse, ela a odiava. No final as palavras de Favaro condenaram Amira: ela acreditou que não importa o que diziam, se ela abraçasse sua mãe tudo ficaria bem. O que era uma armadilha óbvia para Favaro e para o espectador não era nada óbvio para uma criança de cinco anos perdida de sua mãe. Ela a abraçou, e meu coração torce para que eu esteja certo em ter interpretado a reação da deusa nessa cena corretamente: no começo continuou com o mesmo olhar aterrorizado, mas em seguida ficou um pouco mais serena. Terão os sentimentos de Amira atingido sua mãe? Bom, ela foi lentamente reduzida a pó nos braços de uma Amira desamparada logo em seguida, mas mesmo assim quero estar certo. Quero desesperadamente que o último pensamento de Nicole tenha sido de compaixão por sua “filha”. Independente do que tenha sido, porém, o fato é que essa foi a gota dágua para que o coração de Amira não aguentasse mais. A pobre criança mergulhou no desespero e assim foi transformada por Belzebu em uma grande esfera inanimada, a chave para despertar Bahamut.

Favaro e Kaisar assistiram a tudo isso impotentes, e não consigo começar a imaginar o quanto isso destroçou seus próprios corações. Mas Favaro ainda encontrou forças para tentar um último truque. Em vão, pois Martinet não só é estupidamente poderoso como já conhecia Favaro e sabia o que esperar dele. No fim, Martinet transforma Favaro em um demônio, desse vez de corpo inteiro. Conforme Baco, Martinet é capaz de controlar e manipular pessoas, então espero o pior disso. Por outro lado, Favaro parece ser um escolhido do próprio Bahamut (ou de alguma entidade da mesma ordem de grandeza), pois desde o começo da série ele tem esses sonhos estranhos com Bahamut e ele foi o único capaz de remover o pêlo de Bahamut do observador. Isso talvez seja o último trunfo, a última carta na manga do anti-herói desse anime.

Quanto aos demais personagens, Joana D’Arc foi mesmo enviada para a fogueira, sob intensos protestos do povo, ao que o covarde rei Charioce respondeu mandando que seus soldados matassem todos os que se rebelassem contra sua decisão, e assim foi feito. Amarrada na estaca com chamas aos seus pés, assistir o povo que ela dedicou a vida a proteger foi o que bastou para quebrar o coração de Joana D’Arc. Um punhado de ilusões de fogo de Martinet foram suficientes para convencer a santa de que os deuses não se importam com os humanos, usando-os apenas como ferramentas, por isso jamais iriam se dar ao trabalho de impedir a chacina que o rei promovia. Joana D’Arc bebeu da poção e, como Favaro, transformou-se em um demônio. Foi uma conspiração perfeita, a ex-santa escolhida por Michael se transformou em um demônio. Ela agora é inútil como receptáculo, perdeu sua confiança nos Céus e ainda possui a espada que recebeu, capaz de matar até mesmo os deuses. Só não tenho certeza se isso é parte do plano de Belzebu também ou se Martinet fez isso em segredo do poderoso demônio. Eu não confiaria em Martinet nem para me trazer rolo de papel higiênico no banheiro.

Já Rita encontrou-se com Baco (dois dispositivos de enredo) e partiram para salvar Favaro, Amira e Kaisar. Coincidentemente isso significará salvar o mundo também, mas ela só se importa com seus amigos. Kaisar realmente deixou uma baita de uma boa impressão na necromante-zumbi, hein? No caminho, a carroça de Baco atropela Azazel, que não morreu mas só se lasca nessa merda, pelo visto. Ele em seguida é capturado e Rita força-o a colaborar. Eles acabam selando um acordo de cooperação e agora estão todos indo em direção à Helheim tentar mudar o destino.

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