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Superada a crise das provas, agora é hora de excursão. E todas as excursões escolares no Japão são para Quioto, então não poderia ser diferente em Assassination Classroom. Exceto por viajarem na classe econômica e ficarem alojados em um hotel barato, nada sugere nesse episódio que eles sejam a turma 3-E, a turma do fim, dos párias. Imagino se no próximo ou nos próximos episódios, ainda durante a excursão, a diferença de tratamento entre eles e as demais turmas ficará mais clara. Enquanto isso, descobri que eles estão no ginásio ainda, e não no colegial (fundamental 2, ao invés de médio, eu sempre falo ginásio e colégio mas não sei se meus leitores mais novos entendem isso por não ser do tempo deles).

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A essa altura do anime, é importante apontar algumas coisas que ele corretamente afirma. A primeira é que o mundo é cruel. Existem os que estão em cima e os que estão em baixo, e nada vai mudar isso. Você pode tentar mudar a sua posição, mas não vai conseguir mudar o fato de que existem posições. Lembre-se de quando o diretor disse, noutro episódio, que em uma escola o normal é haver 20% de alunos de elite e 20% de alunos horríveis. Mesmo em boas escolas que tentam tratar todos como iguais é normal que os alunos de elite tenham privilégios, tenham mais oportunidades, entre outras coisas. E não só o mundo é cruel como ele é injusto. Às vezes não importa o quanto você se esforce, você não conseguirá subir. Ou será terrivelmente difícil, ou terrivelmente demorado, de uma forma ou de outra desestimulando o esforço. Enquanto outros nascem em berço de ouro ou com talentos natos e você nunca irá alcançá-los. Como aconteceu com Kanzaki, talvez você seja da elite mas não aguente a pressão e escolha cair. Cair é sempre fácil. E se arrepender depois é inútil. As injustiças são de diversas origens, mas as mais perversas são aquelas provocadas propositalmente por outras pessoas, como é o caso da 3-E. Nunca que os 20% piores de uma escola normal teriam que passar por metade do que eles passam. Eles são forçados a essa situação. Cair é muito mais fácil e subir muito mais difícil.

Todo mundo na 3-E tem a sua própria história de injustiça, de como caiu ali. Sugino se desanimou por ficar no banco na equipe de beisebol, suas notas caíram e ninguém fez nada por ele até que fosse tarde demais e ele acabou enviado para a Turma do Fim. Karma tem inteligência acima da média, ele não precisa estudar quase nada e se sai melhor que a maioria dos estudantes, mas ao mesmo tempo isso o deixa com muito tempo livre e uma grande falta de propósito, que, sem assistência nenhuma, ele canalizou em forma de violência e mesmo assim ele era perdoado graças as suas notas, até que ele bateu em um aluno com notas maiores que as suas e daí sim tomaram uma atitude e o transferiram para a 3-E. Muito poderia ter sido feito para evitar que ele se tornasse o delinquente que é hoje, e certamente ele tem a maior parcela de culpa pelas escolhas que tomou, mas o fato é que a escola o abandonou à própria sorte e nem tentou fazer nada por ele antes que fosse tarde. Nesse episódio mais um caso do tipo é contado: Kanzaki, uma garota com um pai exigente que a colocou na melhor escola e sempre a pressionou a ser uma boa aluna. Só que um dia ela não aguentou mais e criou uma segunda persona. A mesma Kanzaki que ia a uma escola de elite toda comportada também se vestia e se arrumava e ia para o fliperama e coisas do tipo. Ok, aqui no Brasil isso não parece muito impressionante, mas no Japão é, mangás e animes vêm me ensinando há anos que ir a um fliperama é praticamente o mesmo que ser um delinquente (exceto em Sailor Moon). Suponho que a notícia tenha chegado à escola em algum momento e ela tenha sido enviada para a 3-E. Posteriormente ela abandonou a vidaloka (LOL) porque, acredito, percebeu que aquilo era só escapismo vazio que não trazia satisfação (além de ter metido ela em encrenca). Mas o estrago estava feito. Como sempre, é muito mais fácil cair do que subir.

Diante de uma realidade cruel e injusta, ainda assim mantemos a liberdade de fazer nossas próprias escolhas diante das oportunidades que temos. Kanzaki chegou a ser algo que se costuma chamar de delinquente, mas duvido que tenha feito mal a qualquer pessoa que não ela mesma. Karma é violento, mas nunca vi ele bater em alguém que não merecesse – ainda que violência possa ser uma resposta exagerada para a situação, permanece o fato de que até onde eu sei ele nunca bateu de graça, apenas por vontade de bater em alguém. E de um jeito ou de outro, com mais ou menos engajamento (e com a enorme motivação do professor Koro) todos estão se esforçando para tentar subir. Mas há aqueles que fazem escolha diversa. Em baixo em ou cima, sempre existem aqueles que encontram diversão agredindo e prejudicando os outros. Nesse episódio há um tipo bem particular de pessoas que vivem para desgraçar os outros: aqueles que caíram, desistiram de subir e querem arrastar os outros para onde eles estão, e eles estão cada vez mais baixos.

Os alunos do colegial nessa situação que aparecem nesse episódio dizem literalmente que querem arrastar as garotas para o fundo junto com eles, nem sou eu interpretando demais aqui, foram eles quem disseram. E fazem menção o tempo todo à suposta condição de elite delas e seus companheiros de classe por estudarem em uma escola de elite. Eles não sabem a realidade da 3-E e não se importam. São apenas almas que caíram tanto que chegaram ao inferno e se transformaram em diabretes e agora tentam arrastar outras pessoas para o inferno junto com eles. Um contraste e tanto com a Turma do Fim, especialmente com o Karma, que também é um delinquente mas jamais faria o que eles fazem. Usando o que aprenderam com o professor Koro eles conseguem surpreender e chegar ao covil onde os colegiais delinquentes pretendiam sujar Kanzaki e Kayano para derrubá-las para onde elas não conseguiriam mais subir tão cedo. Ainda assim, mesmo com Karma do seu lado, a vantagem era dos colegiais, então muito apropriadamente o professor Koro os estava supervisionando e apareceu na hora certa para resolver toda a situação. E assim termina o primeiro episódio da excursão para Quioto. O que Assassination Classroom irá nos ensinar no próximo?

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