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Pouca coisa aconteceu nesse episódio, e ao mesmo tempo muita coisa aconteceu. Foi um episódio sem ação, mas foi um episódio denso. As diversas movimentações de Bernard para fazer o povo se voltar contra Maria e sua reunião à socapa com Galfa para planejar um ataque à bruxa, a mudança de opinião do povo, motivadas em parte por Bernard mas não só, a própria família da Ann, a própria Martha que sempre a defendeu a abandonando, as conversas de Maria com seus familiares, Ezequiel e Joseph, os únicos que restaram ao lado dela, a tensão romântica nascida do desespero de Maria, o movimento de Cernuno (e Ezequiel descobrindo assombrada sobre sua existência), a consolidação de Galfa como marionete de Bernard e como líder de seu bando de mercenários. Ufa, quanta coisa! E talvez eu ainda esteja esquecendo de algo. E nos momentos mais importantes para Maria a câmera não parava quieta. Se movia lateralmente, verticalmente, se aproximava e se afastava, até mesmo girava. Tudo isso para criar uma sensação de grande tensão. É muita tensão em toda parte, mas especialmente, é tensão psicológica demais para a própria Maria lidar.

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São tantas coisas sem correlação causal direta que fico até com dificuldade de lembrar a ordem em que aconteceram. Mas bom, isso não é lá muito importante. Vou fazer uma reconstituição dos fatos que estão perturbando a mente de Maria: no episódio anterior ela tentou impedir a batalha na qual franceses planejavam aniquilar os ingleses, e quase conseguiu, mas a tensão entre as duas nações já era tal que nem mesmo na presença de Maria, que eles conheciam muito bem, pararam de lutar completamente dessa vez. O recrudescimento da batalha fez Maria usar uma magia maior, que ensejou a intervenção de Miguel que teria matado Maria não tivesse ela sido poupada por Ezequiel e depois salva por Viv. Depois da queda da bruxa a batalha se tornou caótica e o que deveria ter sido uma vitória esmagadora francesa foi um empate amargo para ambos lados. Maria foi tratada e se reconciliou com Ezequiel, e volta para sua casa para terminar de se recuperar. Encontra-se com um grupo de criaturas inumanas que veio de longe procurar tratamento, pois não podem ter contato com humanos e as bruxas locais parece que não estão disponíveis. Depois Maria descobre que Martha, a avó de Ann, quase morreu enquanto ela esteve fora mas foi salva pelos remédios fornecidos pela Igreja. Até aí tudo bem, mas o monge aproveitou para dizer que Martha na verdade estava sendo envenenada por Maria e que os remédios dela remédios não eram, mas venenos. Ann fica abalada com isso embora ainda não acredite, e pergunta aos prantos para Príapo se o que Maria enviava era mesmo veneno. Descobrir essa baixaria do monge contra ela deixa Maria profundamente irritada, e não fosse pela presença de Joseph ela provavelmente teria ido à vila ver Martha e Ann naquele momento, o que seria uma péssima ideia porque Bernard já havia convencido a população de que Maria era maligna e havia feito Martha se confessar e prometer nunca mais se encontrar com a bruxa. Ela se pergunta e pergunta a todos ao seu redor porque todos a rejeitam ainda que ela queira coisas boas: o fim da guerra e da doença. Ezequiel responde com lágrimas nos olhos que é assim apenas porque ela é uma herege, porque ela não conforma-se ao resto da sociedade. Totalmente abalada, Maria inesperadamente escuta Joseph prometer que jamais a abandonará mesmo que todo o mundo faça isso, ao que ela reage abraçando-o por impulso. Quando volta a si ela o solta, constrangida. Ainda cheia de dúvidas, Maria seria confrontada mais tarde por Cernuno, que diz que ela, como ele e como as criaturas inumanas que vieram procurá-la não tem mais lugar no mundo e que deveria se unir a ele. Mas ele não chega a dizer o que ela ganharia com essa união porque ela e Artemis o expulsam antes que termine de falar.

Maria só quer fazer o bem para todo mundo, acabar com as guerras, acabar com as doenças, e mesmo assim cada vez mais pessoas a odeiam. A última família normal que ela tinha ao seu lado, a família de Martha, agora a renegou. Soldados da França e da Inglaterra, civis de toda parte, a Igreja do Céu e a Igreja da Terra, todos a reprovam. E no entanto ela só quer fazer o bem para todo mundo. É difícil se conformar quando tudo o que você faz é não apenas bom, mas obviamente bom para outra pessoa, e ela no entanto te rejeita mesmo assim. Maria está perdida, ela não sabe mais porque ela quer ajudar as pessoas. Aliás, por que ela quer ajudar as pessoas? Eu lembro de já ter feito essa pergunta por aqui e especulado sobre a natureza do altruísmo dela. Mesmo se ela fosse totalmente altruísta e abnegada seria difícil lidar com esse tipo de rejeição, mas será que ela se entrega tanto assim? Porque, eu já disse isso, há pessoas que fazem o bem para outras pessoas sim, mas esperam como recompensa que sejam reconhecidos. É uma forma de altruísmo egoísta. Claro que melhor que altruísmo nenhum, nem é isso que estou criticando. Se Maria fosse egoísta talvez mais fácil fosse ela ficar enfurecida contra os que a rejeitam e atacá-los ou abandoná-los ou coisa assim. Talvez Maria esteja no meio do caminho entre a abnegação e o egoísmo. Mas, dado o nome dela, uma óbvia e intencional referência a mais importante mulher santa cristã, talvez ela tenha sim a abnegação que costuma acompanhar os homens e mulheres santos em sua vida na terra. E aí, no caso de Maria, a rejeição é recebida primeiro com tristeza, e depois, quem sabe? com sacrifício. A bem da verdade ela já demonstrou algum grau de disposição para o sacrifício ao desafiar de novo e de novo o Arcanjo Miguel, e ao se reconciliar com Ezequiel dar a entender que estaria disposta a fazer tudo de novo, mesmo que custasse a própria vida. Entre o estado em que ela se encontra agora e a determinação para dar o próximo passo, seja esse o auto-sacrifício ou não, há muita coisa na cabeça da Maria e ela vai ter que lidar com isso.

A resposta fácil e errada já se apresentou na forma de Cernuno, contudo. Um deus antigamente, hoje um ser sem forma definida que não pode fazer mais do que repetir o mesmo mantra dos emissários do novo deus da Igreja do Céu, aparentemente resignado mas que talvez possua algum tipo de plano. E ele quer Maria para ele. Apenas por ela ser uma bruxa? Pelos poderes específicos dela? Pela determinação específica dela? Ou, importante: por que ela é bruxa e virgem? Cernuno talvez queira enviar seu próprio Jesus Cornudo para o mundo? Senão, o que ele planeja? Dominar um punhado de terra para os abandonados da antiga religião? Atacar o Céu? Atacar a própria Terra e os homens com a fúria destruidora suicida dos que nada mais têm a perder? Pressionando Maria pelo outro lado está a Igreja da Terra, por intermédio de Bernard, que aproveitando-se do momento logo após a batalha que disseminou a desconfiança e a raiva contra Maria, peregrinou pelas vilas pregrando contra a bruxa, conquistando corações e mentes por onde passou. E para evitar que Maria ainda assim se atreva a usar seus poderes de novo, independente da motivação, Bernard trata Galfa à pão-de-ló para comprar a colaboração do mercenário. Galfa já planejava isso decerto, mas o próprio Bernard sugere a ele que estupre Maria para acabar com seu poder mágico. Se unir a Cernuno? Ser estuprada por Galfa? Maria não quer nada disso, mas o que fazer? Ela não pode nem mais usar suas magias mais poderosas pois da próxima vez é provável que seja morta por Ezequiel. Não acho que a anja conseguiria falhar com Miguel de novo, mas depois de ouvir Maria conversando com Cernuno talvez ela nem queira mais poupar Maria se houver uma próxima vez. A saída é desistir de tudo e ficar com Joseph? Não acho que ela queira isso. Nem foi pela Maria que desiste que Joseph se apaixonou, de todo modo. E mesmo que ambos queiram isso eventualmente, será que terão mesmo essa opção?

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