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As vezes tenho enorme dificuldade em dar títulos aos meus artigos. Coisas como minha disposição pessoal, estado mental e tempo disponível afetam, mas o episódio em si é sempre o fator preponderante. Pode ser porque não aconteceu nada digno de nota, pode ser porque não consigo achar o tom correto para dizer o que precisa ser dito, ou pode ser como no caso desse episódio, em que aconteceu uma coisa, mas o significado dela é totalmente diferente e difícil de sintetizar em uma frase. No final fiquei com esse título meia-boca, e um pouco besta por seguir a mesma estrutura dos títulos dos episódios do anime. Se eu quisesse traçar um paralelo entre os dois faria muito sentido, mas como foi sem querer fica essa sensação esquisita. Prometo que o texto está melhor que o título, contudo, então me acompanhe por favor!

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O Migi morreu. E a internet estava mais uma vez infestada de spoilers antes que eu assistisse o episódio. Esse não é um spoiler pior do que o do episódio anterior? A Lidy, minha companheira de blog, me disse exatamente isso. Aliás, preciso agradecê-la pela discussão que tive com ela antes de escrever esse artigo ter dado tantas ideias para o mesmo. Se você gostar do que ler, agradeça a ela também. Voltando ao spoiler desse episódio: para o enredo em si, sim, entrega o episódio inteiro. Mas dado que era algo muito mais previsível do que o sexo do episódio anterior (as dicas que garantiam que haveria sexo eram indiretas, vindas da abertura do anime e do título do episódio), não considero um spoiler tão grave quanto. E ah, não estou tentando reclamar de spoilers de novo, me desculpe se tiver passado essa intenção. Só queria mesmo dizer que a morte do Migi era uma das possibilidades óbvias para o desenrolar da trama principal de Kiseijuu.

E agora vou mandar a modéstia às favas e dizer: eu disse, eu avisei que essa era uma história sobre o Shinichi. Quero dizer, só isso explica porque a morte do Migi foi tão rápida, tão simples, recebeu relativamente pouco espaço no episódio (comparativamente, a morte da Kana pareceu muito mais impactante). Esse episódio se dedicou mais ao Shinichi do que ao Migi. Sim, ao Shinichi lidando com a perda do Migi, mas não tão simples assim. Até porque, como vimos, parte do Migi ainda está dentro de Shinichi e ele sabe disso (em torno de 20% do Migi original, lembrando o que o próprio parasita disse vários episódios atrás). O que morreu foi o Migi consciente, o quase-indivíduo que coabitava o mesmo corpo que Shinichi. Mas Migi não era isso, ele não era um outro ser plantado no braço direito do Shinichi. Ele era, como defendi várias vezes, a visão de futuro que o próprio Shinichi tinha. O Migi era a materialização do tudo o que o Shinichi acreditava que havia de pior na vida adulta e no mundo governado por adultos. Os últimos episódios se concentraram em mudar essa visão do protagonista, e no episódio anterior ele já acreditava que o Migi era igual a ele. Migi mudou sim, ao longo da série, mas Shinichi também mudou e muito. Se o Migi era só uma metáfora para o amadurecimento do Shinichi, então a partir do momento que o Shinichi enxerga o Migi como um igual significa que um já amadureceu o suficiente para não precisar mais do outro. Por isso a morte dele pareceu tão pouco importante: a mensagem real é o amadurecimento do Shinichi.

Mas há um outro lado para isso também. Se o Migi é, segundo a intenção do autor, apenas uma metáfora, do ponto de vista do espectador ele é indiscutivelmente um personagem único, individual. Não sei se havia forma melhor de conciliar os dois pontos de vista, mas mesmo eu, que sempre vi o Migi como um ser sem existência própria, senti um leve estranhamento na forma fria com a qual sua morte foi tratada. Para alguém que fosse fã do Migi, então, deve ter sido um tremendo choque. A narrativa então é ruim? Não vou tão longe a ponto de afirmar isso, afinal, como já disse, não sei se poderia ter sido de outra forma. Quero dizer, se ele morre e tem uma despedida emocional como Kana a individualidade dele seria exacerbada, e essa não era a intenção. Outra alternativa, que mudaria completamente o enredo, seria ambos morrerem, Shinichi e Migi. Era uma das minhas hipóteses fortes para o final do anime antes desse episódio, e agora não acredito mais que Shinichi irá morrer (isso sim renderia toda a narrativa até agora, inclusive a morte do Migi, inútil). Mas entendo que possa haver dificuldade em gostar desse episódio por parte de algumas pessoas, e por isso não acho que ele poderia ser considerado perfeito mesmo que todo o resto tivesse sido perfeito.

Falando em “todo o resto”, Shinichi é acolhido por uma senhora idosa que é o estereótipo de idosa japonesa tradicional e bondosa. Ela o segurou em sua casa por vários dias, nada é muito revelado sobre essa estadia ou sobre essa senhora, mas suponho que ela apenas se sentisse sozinha e achou que o Shinichi era uma boa companhia, além de achar que ele precisava de alguém para ajudá-lo a esquecer o que quer que ele estivesse passando. Funcionou mais ou menos. Shinichi não enlouqueceu, não cedeu à depressão ou ao desespero, e isso é bom. Mas emocionalmente ele continua sentindo falta do Migi e o procura em seus sonhos. Até que encontrou. Shinichi conseguiu se comunicar, em sonho, com parte das células parasitas que ainda existem em seu corpo. Elas não conversam mais com ele quando está acordado, não pensam por conta própria, mas isso é apenas natural: elas não são o Migi, elas são o próprio Shinichi, que amadureceu o suficiente para agora ser ambos. Falta pouco para ele ser completamente capaz de controlar essas células parasitas e, portanto, torná-las definitivamente parte dele. Isso irá marcar o final do ciclo de amadurecimento do protagonista e será fundamental para que ele consiga derrotar o Gotou.

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