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Está tudo errado no além. Não consigo mais pensar em nada que salve. E vendo tanta e tamanha injustiça, sou levado a refletir e concluir que não haveria possibilidade nenhuma de um julgamento justo desde o início. Não é novidade essa conclusão de todo modo, é algo que eu já disse em artigo de outro episódio: as almas são atiradas no vazio ou reencarnam e fatalmente morrem e são julgadas de novo onde as únicas opções, outra vez, são o vazio ou mais uma volta nesse ciclo inútil de reencarnação e morte. A vida não é inútil, lógico, só estou colocando as coisas em perspectiva. A tendência, dado tempo suficiente, é que toda alma seja jogada no abismo. É como se almas estivessem eternamente caminhando sobre uma corda bamba e a queda fosse sempre fatal. A perspectiva de julgamentos diferentes e juízes mais humanos, dada por Nona, nublou o meu julgamento, mas esse episódio me fez perceber, mais uma vez, que esse sistema está errado desde sua concepção.

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Muito bela a patinação e o flashback da Chiyuki. Sem quebrar a arte, o clima, as imagens sozinhas contaram a história, devidamente confirmada vocalmente pela própria patinadora depois, em um resumo breve e sem interromper uma das mais belas cenas do anime até agora. Quando comento sobre certos animes musicais dizendo que eles não deveriam interromper sua música, é disso que estou falando. No fim das contas eu estava errado mais uma vez (bom, era um chute selvagem de todo modo) e Chavvot é mesmo só um nome. Chiyuki gostava muito do livro infantil onde a garota Chavvot patinava, quis se tornar uma patinadora e conseguiu, chegando mesmo a ganhar prêmios. Viveu sua vida em função da patinação (essa parte pelo menos eu acertei, mas era bem óbvia já) e quando uma lesão a tirou do esporte para sempre sua vida acabou. Como sua vida havia acabado, ela decidiu acabar com a própria vida, e assim chegou ao Queen Decim.

Mayu teve seu momento mais belo e mais triste. Ginti armou para ela um falso julgamento, forçando-a a escolher entre seu ídolo e um desconhecido para que um deles fosse jogado no vazio. Suponho que Ginti já estivesse decidido a jogar Harada no vazio de qualquer forma e talvez a outra pessoa nem existisse, ele só queria vê-la condenar uma outra pessoa que nem conhecia para que ele pudesse, então, a condenar. Talvez se ela tivesse decidido abandonar o ídolo ela tivesse reencarnado, mas àquela altura acho que o Ginti consideraria ela mentirosa ou coisa do tipo por não ter protegido a pessoa que dizia ser tão importante no fim das contas e a condenaria de qualquer jeito. Mas ela escolheu um terceiro caminho: ela própria tomaria o lugar do Harada no vazio, mesmo depois de ouvir a descrição horrenda do lugar. E com essa terceira opção, ela … foi condenada. É bonito como ela se apega ao que ela acredita que dá valor a sua vida (ainda que seja algo tão tolo) até o fim, mesmo quando provavelmente percebeu que foi enganada. E em seus instantes finais, ela ainda segurou Harada pelas mãos, e se as luzes eram suas almas, é digno de nota que elas tenham se tornado uma só antes de desaparecer no abismo.

Ginti, como você pôde ver, não é um juiz. Não merece ser chamado assim, pelo menos. Ele só faz o que ele foi criado para fazer sem nenhuma reflexão a respeito. Em sua defesa, ele provavelmente não tem escolha, mas mesmo assim a forma como ele despreza os seres humanos que cabe a ele julgar me causa repulsa. Não me espantaria se ele enviasse todos para o vazio, sem exceções. Mas mesmo que não seja assim, mesmo que alguns reencarnem, duvido que ele coloque muito esforço em tais julgamentos e que realmente considere-os pessoas dignas da salvação temporária da reencarnação. E o Decim, o que dizer? Depois dos últimos episódios de revelação, depois de perceber os erros em seus métodos, depois de ouvir toda a história da Chiyuki … ele a engana. O que deveria ter sido o julgamento dela julgamento não foi, no final ela está mais uma vez desacordada e me pergunto se teve suas memórias retiradas de novo. Parece que ter sentimentos fez o Decim se apegar indevidamente à garota e agora ele a está prendendo ali.

Mas o Oculus está de olho nisso tudo, descobriu o que a Nona fez e já foi atrás dela. A encontrou no momento exato em que ela pretendia fazer … alguma coisa. Será que nenhum juiz ali tinha emoções e ela só estava usando Decim para transformar a Chiyuki em uma juíza, ela sim, com emoções? É só mais uma possibilidade (um chute selvagem meu), e nem um pouco melhor que todas as alternativas. De todo modo, Oculus a alcançou, e não irá mais permitir que ela faça o que quer que estivesse armando fazer. Agora Decim está sozinho com uma Chiyuki que talvez tenha tido suas memórias roubadas de novo, ou talvez tenha sido transformada em boneca. Aposto que Oculus irá chegar lá também. Mas como o próprio chefe por ali disse, Deus nos abandonou. Vivemos nossas vidas como queremos e como podemos, sendo responsáveis por nossas escolhas, e um dia morremos. Daí, depois de nunca terem dado um pingo de atenção para nós, eles, que não são como nós, que não nos entendem, que não se preocupam conosco, ousam nos julgar. Essa casa de bonecas inteira merece a danação eterna.

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