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Com a presença de mais um professor vindo de fora, um companheiro (ou conhecido) do Karasuma chamado Takaoka, Assassination Classroom apresenta em primeira mão um método pedagógico e uma moral que o suporta que não por acaso é muito semelhante ao da própria escola. Com isso é demonstrado, apenas um episódio depois, que o professor Koro e o diretor Asano não são nada parecidos. Não dá para comparar os dois apenas pela inteligência que possuem e pelos resultados que obtém. Mas eles foram apenas coadjuvantes nesse episódio, metaforicamente substituídos por Karasuma e Takaoka, respectivamente. E os resultados foram melhores que uma mera comparação!

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Takaoka é um militar que se formou no exército na mesma turma que o professor Karasuma, então eles já se conhecem de vista, mas o Karasuma sabe bem pouco sobre ele exceto que é considerado um excelente treinador militar. O primeiro contato do Takaoka com os alunos da 3-E não poderia ter sido melhor: gordinho bonachão, que busca a intimidade com seus alunos (e compra eles com doces), foi logo identificado a uma figura paterna, como era a intenção dele. Isso contrasta com a abordagem mais fria e distante do Karasuma, e tanto alunos quanto ele percebem isso imediatamente. Karasuma descobriria logo em seguida, através de fotos, e os alunos um pouco depois, na pele, que essa é só a fachada do Takaoka. Na verdade ele é um instrutor extremamente violento, adepto de castigos físicos à vista de todos para punir quem se opôr ou falhar com ele e para servir de exemplo aos demais. Ele literalmente controla suas turmas através do medo.

O diretor Asano reconhece ao final do episódio, como não poderia deixar de ser, que o medo é um fator importante no ensino. Após o episódio anterior isso não é algo que qualquer um assistindo Assassination Classroom tivesse dúvidas, mas é importante que ele diga isso porque a construção da personalidade e do método do Takaoka até aquele momento foi feita de forma a parecer que fosse uma terceira via, algo diferente do professor Koro e da própria escola. Por exemplo, Takaoka pensa para si mesmo que não se importaria se metade dos seus alunos fracassassem se a metade restante se tornasse um grupo de assassinos poderoso o bastante para matar o professor Koro. Aí quem se lembra do diretor Asano dizendo que ele almeja justamente diminuir a relação entre fracassados e bem sucedidos de 20%/80% para 5%/95% e compara à relação 50%/50% admissível pelo Takaoka (que segundo o que disse o diretor Asano, seria pior que o natural) pode achar que eles sejam diferentes. Não são. O objetivo deles é diferente, apenas isso. Enquanto o diretor Asano quer formar o maior número possível de alunos de elite que entrem em faculdades de elite (e por isso faz sentido maximizar o número de bem sucedidos) o Takaoka quer apenas assassinar uma única pessoa. Teoricamente, ele só precisa de um assassino muito bom, o resto da turma inteira pode explodir que ele não se importa. Se viesse ao caso, eu chutaria que no exército ele objetiva taxas bem melhores que 50%/50%.

Takaoka e Asano são iguais. Para eles alunos não são pessoas, são matéria-prima para eles produzirem o que eles necessitam. No fim das contas, são estatísticas. E é aí que o professor Koro é fundamentalmente diferente: cada aluno é uma pessoa para ele e merece todo o respeito do mundo por isso. Não é à toa que ele se enfurece com o Takaoka. O diretor Asano também se frustrou com o Takaoka, mas apenas porque considera seu método muito primitivo, insuficiente, superado. Karasuma (e Jelavic) não sabe direito quem está certo ainda, mas a repulsa que ele sentiu naturalmente aos métodos do Takaoka o coloca um passo mais perto do professor Koro. O que o afasta de seu objetivo final. Talvez.

Permanece o fato que os alunos estão sendo educados não apenas nas disciplinas normais, mas para se tornarem assassinos também. Karasuma percebe a melhora de todos eles nesse aspecto. E percebe que Nagisa parece possuir talento natural para a profissão, o que lhe desperta dilemas éticos. Por um lado esse é o objetivo do mundo inteiro para conseguir matar o Koro, mas de tudo o que uma pessoa pode ser, será que é certo ele estimular o Nagisa a se tornar um assassino? Talentos devem sempre ser estimulados de forma acrítica e independente das possíveis consequências? Como o Karasuma deveria lidar com o Nagisa? E se ele se tornar um assassino de verdade no futuro? Por enquanto ele ainda não tem a resposta para nenhuma dessas perguntas, mas pode se confortar com o fato que seus alunos o acolheram mais do que ele acreditava. Ser querido por seus alunos e vê-los melhorarem na disciplina que você ministra a eles são sinais inequívocos de que se é um bom professor, disso pelo menos Karasuma pode ter certeza.

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