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Esse era o poderoso rei Andrágoras III? Pelo visto, ele só tinha muito dinheiro graças a sua posição privilegiada em uma grande rota comercial e com isso podia sustentar um grande e bem armado exército. E tinha muitos generais excepcionais, seja na inteligência, seja na força. Bastou que um deles especialmente astuto o traísse para que uma batalha que deveria ser uma vitória fácil se transformasse em um pesadelo. Forçados a correr em direção a uma armadilha vários de seus generais morreram. O próprio rei estava atônito e incapaz de tomar decisões. Oh, bem, eu nunca gostei dele mesmo para me decepcionar. Esperava que ele fosse um pouco mais competente que isso, ou melhor, esperava que ele fosse competente o suficiente para justificar sua reputação, mas que nada.


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O reino de Pars certamente é mérito completo dos antecessores de Andrágoras III e ele só não caiu antes porque não houve quem conseguisse juntar um exército suficientemente poderoso com um plano minimamente inteligente para derrotá-lo. Claro, quando você sofre alta traição as coisas costumam desandar com muito mais facilidade, e é possível que mesmo sendo um grante guerreiro e estrategista ele ainda assim tivesse caído. Mas ele não se mostrou nada disso. Ao invés de escutar um de seus generais quando ele estava coberto de razão e sugeriu o recuo até que as condições se tornassem favoráveis ele o humilhou apenas por ter dado a sugestão. Um bom líder tem o direito e até o dever de recusar sugestões com as quais não concorde, mas não deve punir alguém apenas por ter dado uma sugestão. Pior ainda se a sugestão recusada se provar correta. Não me admira que uma pessoa com um pensamento tão tacanho seja facilmente enganada. Hurr durr honra de guerreiro! Honra de guerreiro teu rabo, Andrágoras. Você tinha muito mais o que proteger do que algo etéreo e inútil como “honra”. O que vai ser do teu reino agora, hein?

E aí surge outra questão. Não acho que Pars fosse um bom lugar de qualquer forma antes da derrota. Pode ser próspero sim, mas quem garante que essa prosperidade está bem distribuída? Para começar é um reino escravista, e isso só me dá mais certeza ainda na aposta de que é um reino enormemente desigual. A riqueza deve estar quase toda concentrada na capital e uma parte menor nos castelos dos vassalos do rei. O povo mesmo deve viver à míngua, explorado no mais das vezes. Talvez a única boa opção de carreira para alguém nesse reino seja entrar para o exército, já que não apenas Pars é militarista, mas é militarista de um jeito burro. E preciso repetir: é um reino escravista. E como pelo menos três personagens já deram a entender, em diferentes intensidades, Andrágoras é muito bom em gerar ressentimento: o general Karlan, que traiu o rei nessa fatídica batalha e disse que fez isso pensando no bem do reino (infelizmente o Daryun não deixou ele se aprofundar nesse tema, estou curioso), o General da Máscara de Prata, que veio junto do exército lusitaniano e guarda rancor de Andrágoras há 16 anos (e tenho certeza o rancor é justificado, embora eu obviamente discorde de sua forma de descarregar tal rancor) e Narsus, que de nobre caiu a morador de cabana no meio da floresta graças ao rei.

Agora não adianta ficar com essa cara de merda

Agora não adianta ficar com essa cara de merda

Pars é um reino horrível com um rei horrível, e agora cairá sob o jugo dos lusitanianos. Que são tão horríveis quanto ou piores! Veja só, eles foram retratados como fanáticos religiosos infanticidas. Eles venceram a batalha graças a uma traição, o que sempre é considerado algo ruim por natureza. Poderia até mesmo ser melhor para Pars, se os lusitanianos não quisessem implementar uma teocracia assassina, mas não importa quão bom fosse, permaneceria compurscado pela traição na origem. Para deixar mais caricata a maldade lusitaniana, o traidor tem olhos ofídicos, sombrancelhas e bigodes fininhos. Já viu um herói assim? Personagens assim são sempre malignos no imaginário popular. E o que dizer de mascarados vingativos? Até mesmo a única pessoa sensata que apareceu nas fileiras lusitanianas serve mais para queimar o filme dos invasores. Certo, o general Montferrat acha que talvez seja errado queimar criancinhas. Mas ele é uma exceção! O general Baudouin está ali para nos lembrar disso: Montferrat é uma exceção. A maioria esmagadora deve ser como Baudouin: carecas com cicatrizes e olhares esbugalhados e gananciosos, e devem pensar o tempo todo nos ganhos materiais que terão com a guerra – ou seja, o que estão roubando de Pars.

Ficamos assim então, entre escravistas e infanticidas. O herói inocente e o general sensato e provavelmente muito mais humano que o protege fazem a balança pender para o lado parsiano, mas sério? Os dois reinos são horríveis e é uma vergonha que tenham os governantes que têm. O povo vai viver na merda não importa qual deles esteja no poder. A não ser, claro, que o príncipe passe por uma longa jornada de descoberta, aprendizado e humanização antes de ascender ao poder. O que será dificultado pelo simples fato dele, enquanto príncipe, ser um estandarte do antigo regime. Comerciantes de escravos e toda esbórnia exploradora que perderá privilégios com o domínio lusitaniano tende a se aglutinar ao redor do príncipe só porque ele é o príncipe. Como Arslan conseguirá salvar seu reino?

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