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Eu deveria ter escrito esse artigo antes, mas estava ocupado. Mentira, dormi hoje até tarde e fiquei procrastinando com coisas interessantes como assistir um detonado de E.T. para Atari. Não tenho o jogo, nunca joguei nem pretendo jogar, mas esse é o jeito certo de procrastinar: se assistir esse vídeo fosse minimamente útil para mim eu não poderia dizer que estive realmente procrastinando. Superman também é um clássico (e esse eu jogava quando criança! Eu consegui descobrir o que precisava fazer para ganhar nesse maldito jogo antes de completar 10 anos de idade, acho que venci na vida). Mas ahn, ok, Arslan Senki. Não foi um episódio ruim, e também não foi um episódio bom. Foi um episódio mediano para apresentar um personagem que no final se uniu ao Arslan (não é como se fosse possível ser diferente, de todo modo). Eu entendi, ele é um estrategista e tanto (e faz o ex-rei parecer ainda mais idiota), mas fiquei curioso mesmo foi com seus quadros.


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Infelizmente não foi nesse episódio que saciei minha curiosidade. Quero dizer, Narsus é um grande estrategista e um flashback adequadamente demonstrou isso sem sombra para dúvidas. Então tá. Ele provavelmente é um bom guerreiro também, porque todo mundo que se une ao Arslan com certeza é um bom guerreiro. O Elam deve destruir os inimigos usando suas habilidades com tarefas domésticas; ah é, ele sabe usar arco também, lembrei agora do final do episódio anterior! Mentira, lembrei nada, fui pesquisar imagens e encontrei ele com arco na mão mesmo. Enfim, o ponto é: não resta dúvida do quanto Narsus será útil como estrategista. Mas uma coisa foi martelada o episódio inteiro (e desde o anterior, e isso eu me lembro de verdade): os dons artísticos de Narsus. E embora muito se tenha dito e ele até tenha aparecido pintando durante o episódio, não vi uma mísera pincelada de sua lavra. Considerando o quanto ele valoriza a arte, a ponto de só ter sido convencido pelo príncipe após ele lhe prometer fazê-lo o pintor da corte, acredito que o grande tema que será recorrente e importante para a série, que descobriremos aos poucos, é a arte de Narsus.

Não, brincadeiras à parte, eu entendo: Narsus está sendo pintado (trocadilho intencional) como um personagem sensível e inteligente. Ele é alto, esbelto, de cabelos compridos e olhar gentil, diferente do rei Andrágoras III que tinha um rosto duro e um olhar sempre carrancudo, ou mesmo de Daryun, Vahriz, Karlan, ou, sério, qualquer outro personagem que apareceu até agora. O personagem mais semelhante a ele é – adivinha só – o príncipe Arslan. Claro, um rei precisa ser sensível e inteligente! Como é sensível e inteligente, Narsus também gosta de arte, e na verdade prefere afiar suas habilidades artísticas longe da civilização do que ter fama, posses e dinheiro. Que personagem incrível! Se alguém assim diz que o erro do rei foi não ter abolido a escravidão, então com certeza foi esse o erro do rei! Todo o resto ou foi consequência direta, indireta, ou nasceu da mesma linha de raciocínio insensível e rude que o fez, em primeiro lugar, banir alguém tão grandioso quanto Narsus.

Na verdade isso tudo é bastante forçado. Sim, escravidão é uma coisa ruim pra caramba, mas o anime não desenvolve isso, não transforma isso em argumentos para convencer. Não que precise, quero dizer, não acredito que haja alguém hoje assistindo Arslan Senki que pense o contrário ou que seja capaz de relativizar a escravidão, não é? Mas dentro do contexto do anime isso é sim tema de um debate vivíssimo. Sem que esse debate dentro do anime seja apresentado ao espectador vai ficar parecendo forçado – é ruim porque é ruim. No mundo real houve debate até chegarmos a essa conclusão, não é como se alguém da noite pro dia tivesse apenas dito “escravidão é ruim” e o mundo começou a mudar a partir daí. Os homens e mulheres que libertaram escravos no mundo real não eram rasos como o Narsus. O único argumento do anime contra a escravidão é a suposta sensibilidade e inteligência do homem que a combate e está ao lado dos mocinhos. Esse acaba sendo também o único argumento dentro do mundo do anime.

É notável, nesse sentido, como durante toda a sequência em que Arslan Senki explicou como Narsus provou seu gênio derrotando uma aliança de três nações com centenas de milhares de soldados, a única parte que ficou sem consequência nenhuma foi a libertação dos próprios escravos, o primeiro ato de Narsus após tornar-se um chefe feudal e militar. Todo o resto se encaixou como movimentos perfeitos de um jogo de xadrez vitorioso. Narsus pinta quadros e nunca os vemos, porque os quadros que ele pinta não são importantes, o importante é o fato de que ele pinta quadros. De maneira similar Narsus é contra a escravidão mas o porquê disso nunca ficamos sabendo, o importante não é a razão de Narsus mas sim o fato de que Narsus é contra a escravidão. Os únicos argumentos são a compleição gentil e o corpo esbelto com os quais ele derrotou um exército gigantesco que ameaçava Pars alguns anos atrás, muito embora isso não tenha nada a ver com arte ou escravidão até onde pudemos ver.

Narsus joined the party.

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