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Nada de música ainda, mas esse episódio se construiu sobre dois temas importantes para o desenvolvimento de seus personagens (um deles virou o título desse artigo), e ainda contou o que foi e como foi afinal a tal briga entre novatos e terceiranistas no ano anterior. Mesmo sem música, que foi o motivo pelo qual escolhi assistir esse anime, eu posso me entreter bastante com esse tipo de desenvolvimento. No final até terminou em um gancho que pode virar um triângulo amoroso no futuro, e dá-lhe drama!

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Logo no começo do episódio o professor Taki pressiona a Aoi, a terceiranista amiga da Kumiko que está estudando feito louca no cursinho e não está se dedicando à banda tanto quanto os outros, e ela decide abandonar. É tudo muito simples, na prática: ela quer muito passar na faculdade que escolheu e por isso está estudando bastante. Ela ainda diria ao longo do episódio que o colégio Kitauji não era sua primeira escolha para o ensino médio mas não conseguiu passar no de sua preferência, então decidiu que dessa vez não iria falhar de novo. Ela pode até gostar de tocar com a banda do colégio, e eu aposto que gosta mesmo, mas ela não tem tempo e energia para gastar com isso. É um hobby para ela e ela sabe que é preciso ter prioridades na vida. A adolescência é o primeiro momento em nossas vidas que descobrimos a dura realidade de que não podemos fazer tudo o que queremos ou gostamos. Claro, somos assombrados por isso durante a infância inteira, mas em geral acreditamos que assim que formos adultos tudo será diferente e nada mais irá nos impedir. Muito pelo contrário, é quando nos tornamos adultos que podemos fazer ainda menos coisas, com todas as responsabilidades que a vida nos traz. Como a história se passa em um colégio, um lugar cheio de adolescentes, é lógico que apesar de simples a coisa toda foi chocante e quase arriscou mesmo o futuro da banda.

A presidente Ogasawara foi quem mais insistiu com a Aoi que reconsiderasse, como amiga dela, próxima a ela não só porque ambas estão no terceiro ano mas porque ambas estão no mesmo naipe da banda e tocam o mesmo instrumento. A presidente, com toda a insegurança de que sofre, com uma banda que está mais ou menos nos trilhos agora mas que ela sabe que está a uma faísca de entrar em combustão até não sobrar nada além de cinzas, não conseguiu segurar nem mesmo uma pessoa assim tão próxima a ela na banda. É claro que a pressão foi forte para outros membros também, especialmente a protagonista Kumiko, que é amiga de infância da Aoi. A Ogasawara começou a questionar sua própria adequação como presidente, e claro, questionou furiosa a Asuka porque ela não aceitou ser presidente quando todo mundo queria que fosse ela. Asuka disse que apenas não quis, e quando a presidente reclama dizendo o como isso foi injusto com ela que acabou se tornando a presidente, a Asuka dá a resposta que encerra essa questão de forma definitiva: a Ogasawara só precisava ter dito “não”. É isso o que é ter prioridades, é isso o que é saber o que se quer fazer de verdade. É isso o que todo mundo que não está gostando do treinamento exigente do professor Taki deveria ter feito quando ele perguntou se queriam entrar no concurso. É isso o que eles precisam aprender antes que sejam obrigados a fazer isso não por escolha, mas pela força das circunstâncias.

Curiosamente, mas provavelmente nada coincidentemente, ao desenvolver seu segundo tema o anime implica que a decisão da Asuka de não se tornar a presidente pode ter sido na verdade boa para a banda. Começando pelo início, Kumiko perguntou a Natsuki qual foi afinal a crise entre primeiro e terceiro ano na banda no ano anterior, e ela conta tudo. Os alunos de terceiro ano só queriam relaxar, a banda para eles era um local de encontros sociais, de se aliviarem do estresse do colégio e do que viria depois dele, basicamente como era a banda no começo do anime, e estavam felizes assim. Mas os novatos não queriam apenas isso. Lógico que não, como novatos, eles queriam mirar no céu, queriam tudo, queriam o máximo. Queriam uma banda que se esforçasse, ensaiasse, fosse boa e ganhasse concursos. Os terceiranistas não queriam saber de nada disso, por diversas razões, e usaram sua influência de veteranos para que toda a banda ignorasse esse grupo de novatos. E foi assim que eles desistiram da banda. Nada inesperado, certo? Alguns primeiranistas continuaram, como a Natsuki, e alguns segundanistas tentaram apaziguar os ânimos e negociar as divergências, com destaque para a Ogasawara e a Kaori, que hoje é a líder do naipe das trombetas. Mas a maioria dos segundanistas ficou neutro ou apoiou os formandos. A Asuka foi uma dos que permaneceram neutros.

E aí nasce a questão: pode um líder ficar neutro em uma situação dessas? Não só isso, mas considere o comportamento dela como líder do naipe dos baixos e a forma como ela impõe sua vontade sobre os outros. Claro, ela é muito inteligente e é uma excelente instrumentista. Mas isso faz um líder? Imagine se ela tivesse se tornado a presidente e impusesse seus caprichos não só aos membros dos baixos, mas a todos os membros da banda. Imagine quão pior a situação ficaria quando a banda começasse a ter que ensaiar seriamente graças à mão forte do professor Taki. Se ela não mudasse acredito que seria uma péssima presidente. O que manteve a banda funcionando apesar do péssimo professor (que pode até ser um excelente maestro e músico, mas como professor é sim horrível) foi a presidente Ogasawara. Sempre que surgia um foco de insatisfação ela estava lá para acalmar os ânimos e tentar negociar uma solução. No geral o professor Taki sempre conseguiu impôr tudo o que quis, mas a simples atitude apaziguadora da presidente bastou para evitar grandes crises. Agora troque ela pela Asuka: ou ela iria se impôr sobre a banda, inflamando ainda mais seus membros, ou ela iria se voltar contra o professor, o que também não teria resolvido nada. A presidente Ogasawara teve uma grande crise de insegurança nesse episódio, e provavelmente ainda não se acha adequada para o papel, mas eu, que estou assistindo, sei que dificilmente poderia haver alguém melhor do que ela naquela posição.

As protagonistas ficaram meio de lado nesse episódio, mais como espectadoras e narradoras na maior parte do tempo. A Kumiko também tem suas crises de insegurança e voltou a ter aquele flashback estranho em que está levando uma bronca no depósito de instrumentos de outra aluna. E bom, ou aquilo aconteceu em outra escola (e pode ter sido um dos motivos dela ter desistido de tocar no colégio) ou elas estavam com uniforme de educação física, porque aquele não era o uniforme regular do Kitauji. Mas isso ainda não importa. O episódio terminou com uma divertida Hazuki apaixonada perguntando à Kumiko se ela e o trombonista Shuuichi, amigos de infância, estão namorando. Dada a personalidade intensa da Hazuki isso ainda pode gerar muita confusão.

  1. “O episódio terminou com uma divertida Hazuki apaixonada perguntando à Kumiko se ela e o trombonista Shuuichi, amigos de infância, estão namorando.” Não querendo se chata e acabar com o shipp alheio, mas Kumiko demonstra claramente que não sente nada pelo garoto, nem odiá-lo ela odeia. Ela fala com ele normalmente, mais nada que demonstre um sentimento a mais.
    Shuuichi é personagem meio nulo no anime, só ta lá pra preencher elenco. Se Hazuki tá interessada nele, espero que ela fique, não que eu tenha sentido interesse da parte, mas pode ser um bom casal.

    • Fábio Mexicano Godoy

      Oh, eu sei. Quero dizer, a Kyoto Animation pode ser lerda para muita coisa e produzir animes menos do que ótimos, mas uma coisa que eles sabem fazer é desenvolver relacionamento entre personagens. Desde o primeiro momento estava claro que a Kumiko não sente nada pelo Shuuichi, e cada interação subsequente entre eles manteve essa impressão. Da mesma forma, dá para ter certeza que a Hazuki está interessada por ele; o quanto eu não sei, ela é uma garota muito intensa e pode estar só exagerando, mas está interessada. E do jeito dela, foi perguntar à Kumiko (porque se está claro para nós, audiência, nunca está claro o suficiente para os próprios personagens, gosto disso também) qual a relação entre ela e o garoto. Se ela só queria saber mais sobre ele ou se sente ciúme da amiga, de novo, não dá para saber porque a Hazuki é muito intensa. Enfim, gosto de episódios assim em que consigo analisar os personagens e seus relacionamentos =)

      • Na verdade queria também ler o novel, pena que não tem em português. Pode ser que a Kyoto Animation tenha visto algo que não foi demonstrado no novel, e só deixou mais visível, como muitas vezes acontece nos acontece com animes que não são originais.
        Sobre a Hazuki, realmente ela muito intensa, se interessou pelo garoto sem nem ao menos ter conversado uma vez sequer com ele.
        Asuka, ela é uma ótima líder, mas não gosta de tal cargo, mas faz com que ela(junto com Reina) seja uma incógnita. Não pra se saber ao certo se tem algum motivo por trás da rejeição do cargo de presidente, mas sua liderança e comprometimento pela musica, faz com que as pessoas fiquem confusas com sua recusa.
        Sei que esse anime só tem 12 episódios, pode ser que ele só mostre até a competição de classificações para as nacionais, isso será meio tenso, porque com certeza eu irei uerer ver o que acontecerá já nas nacionais.

      • Fábio Mexicano Godoy

        Eu não acho que a Asuka seja uma boa líder. Ela certamente sabe dar ordens e arrancar resultados das pessoas, mas isso o professor Taki também sabe! Ela não é política, não é flexível, não tem jogo de cintura. Enquanto tudo está bem, ela pode ser uma líder reverenciada mesmo, mas quando as coisas começam a desandar ter ela no comando pode fazer mais bem do que mal. É só ver o comportamento impositivo dela com relação ao seu próprio naipe, a forma como ela “capturou” a Kumiko, entre outras coisas. Imagine ela fazendo isso com a banda inteira. Não consigo imaginar que ela seja capaz de gerenciar essa quantidade de pessoas em uma crise – e isso, aos trancos e barrancos, morrendo de insegurança, a Ogasawara vem fazendo muito bem. Desde que o professor começou a se impôr só houve uma defecção na banda, e isso, ao contrário do que a depressão dela faz parecer, é positivo.

      • Asuka é do tipo que manipula as pessoas, mas a Ogasawara é muito insegura. Na verdade não sei o que seria da Ogasawara se a Asuka e a Kaori não tivessem ali para dar apoio. Mas temos que concordar que os alunos pedem mais sugestões a Asuka do que Ogasawara, isso porque ela não parece isso como uma líder. Se ela se mostrasse mais na linha de frente, não só apaziguando, mas não deixasse a voz de comando com a Asuka, talvez poderia ser mais respeitada como líder.

      • Fábio Mexicano Godoy

        É verdade. Mas acho que é mais fácil aprender a lidar com insegurança (e esse episódio teve muito a ver com isso) do que deixar de ser manipulador; na verdade, nem imagino a Asuka mudando nesse sentido. O que ela poderia fazer é aprender a ser uma líder que sabe usar isso a seu favor, mas isso é bem mais difícil e a negativa dela em se tornar presidente indica que ela nem pensa nisso, pelo menos por enquanto.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Ah, desculpe, estou tendo que fazer mudanças no sistema de comentários do blog e tive alguns problemas que eu não esperava (demorei a ver que não estava aparecendo a caixa de comentários em alguns artigos, não vi que seu comentário aqui tinha ficado preso em aprovação, etc). Estou resolvendo isso aos poucos.

      De todo modo, você perguntou lá pelo Facebook também, não foi? Repito a resposta aqui por via das dúvidas e também para todos os que porventura tenham a mesma curiosidade que você:

      Em japonês essa música se chama Ai wo Mitsuketa Basho ( 愛を見つけた場所), da cantora Hanako Oku.

      E nesse vídeo tem ela inteira (ignore o vídeo em si): https://www.youtube.com/watch?v=CRvvgmlFezw

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