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Quem assiste Durarara (anime que a Lidy está cobrindo a atual temporada) ou pelo menos assistiu alguma temporada anterior já sabe o que é um dullahan. Eles são uma criatura tão específica da cultura irlandesa, da qual o mundo só costuma conhecer leprechauns, trevos de quatro de quatro folhas e outras coisas relacionadas à sorte (a lenda dos irlandeses beberrões também corre o mundo, mas isso não é exatamente místico ou folclórico), que eu assumo que Monster Musume só tem uma dullahan porque seu autor é leitor de Durarara (que no original é light novel) ou pelo menos assiste ou assistiu o anime. Com isso quero dizer: você gosta de Monster Musume? Então experimente Durarara! Até o autor do mangá que você gosta curte Durarara, então você deveria dar uma chance, não acha? De volta ao episódio, é claro que a dullahan de Monster Musume também perdeu a cabeça!

Eu poderia dizer que ela perdeu a cabeça em primeiro lugar por ter entrado nessa história, se me permite o chiste. A essa altura acho que já ficou bem claro que eu não gosto muito de Monster Musume, não é? Hehe. Não importa. Não muda o fato de que os últimos episódios foram mais interessantes, mas eu jamais recomendaria a alguém um anime em grande parte ruim ou chato só porque o final é melhor. Mas tenho certeza que quem veio comigo até aqui ou é porque gosta ou porque, como eu, quer fazer um esforço final e terminar de assistir já que chegou tão longe mesmo. Em qual dos grupos você se encaixa? Esse episódio no entanto foi mais chato. Voltou a ser padrão Monster Musume de chato, quero dizer. Garotas monstro se apaixonando sem razão alguma pelo protagonista de olhos de rascunho só porque ele disse ou fez uma coisa legal decorado com fanservice de mau gosto.

Esse tipo de fanservice

Esse tipo de fanservice

“Mas todo mundo é ruim com elas, claro que vão se apaixonar por quem for legal!” está gritando aquele cara ali atrás com camiseta com uma personagem tsunderê de um anime que não me lembro o nome mas tanto faz porque elas são todas iguais. Você acha? Pode até não ser impossível, mas não é assim que as coisas funcionam. Primeiro que “ser legal” não é algo para se gabar. Você deve se preocupar é se você não for legal, porque isso é o mínimo do mínimo que todo mundo deveria ser. Garotas costumam se apaixonar pelo mínimo do mínimo? Deveriam? Inverto a pergunta: um garoto deveria se apaixonar por uma garota só porque ela é legal? Mesmo uma pessoa que passa muito tempo solitária ou sofrendo por um motivo ou outro não vai se apaixonar só porque apareceu alguém legal na vida dela – a não ser que ela esteja sofrendo em nível patológico, e aí provavelmente não é amor de todo modo. Se você estiver suficientemente solitário pode acabar tendo uma relação ocasional com outra pessoa só porque ela pareceu legal (ou adequada) e receptiva em um dado momento, mas isso também não é amor. Em segundo lugar não é como se todas as garotas do mundo estivessem procurando amor, não é? Deveriam?

A lobismina ali atrás só quer correr livre pelo mundo

A lobismina ali atrás só quer correr livre pelo mundo

A coisa é que haréns, principalmente os haréns ruins, não ligam para nada disso. Garotas são objetos que retribuirão o protagonista com seu afeto e dotes femininos se ele for legal com elas. E repare como nessas histórias quase sempre apenas o protagonista é legal; não fosse assim ele teria concorrência e o harém ruiria. Monster Musume não é diferente. Ele tenta dar um “motivo” para as outras pessoas serem ruins com as monstras: elas são monstras! Preconceito! Mas é só pretexto mesmo. A verdade é que aqui como em qualquer outro harém todos os homens exceto o protagonista são pessoas cronicamente ruins. Não são sequer cafajestes viris, porque até isso é concorrência demais para o protagonista. Você sabe como os virjões do mundo adoram dizer que as garotas preferem os “caras ruins que vão machucar elas no futuro”. É mesmo, talvez machuquem no futuro. Mas no presente estão deixando elas mais felizes do que o virjão com todo o seu poder de “cara legal” jamais poderá enquanto não deixar de ser um babaca ressentido e aprender a ser mais do que apenas legal.

Não me leve a mal, não estou insinuando que todo mundo que gosta de Monster Musume ou de haréns em geral é um virjão ou um babaca ressentido desses que vive postando piadas de “friendzone” nas redes sociais, tenho certeza que muita gente bacana de verdade também pode assistir e gostar de haréns. Mas estou sim dizendo que esse tipo de história com esse tipo de protagonista quase sempre tem esse tipo de gente como público-alvo.

Calma, não estava falando de você

Calma, não estava falando de você

Bom, e a dullahan, né? Era ela quem estava ameaçando o protagonista de olhos de rascunho no final das contas. Quero dizer, era e não era. A coisa toda foi um plano da Smith junto com a Doppel, a doppelgänger que trabalha para ela. A ideia era forçá-lo a ter encontros e a se tornar mais íntimo das suas garotas e, assim, tomar uma atitude. Quase funcionou com a Miia no aquário. Se a Mera não tivesse ido junto … alguém calculou errado a coisa. A sequência de incidentes com garotas monstro de espécies começadas com “D” também não ajudou. E ao mesmo tempo apareceu a dullahan e ameaçou de verdade o protagonista. Mas ela perdeu a cabeça e ele teve que ajudá-la a recuperar, naturalmente. O próximo episódio é o último e eu não boto fé nenhuma de que vá ser divertido, mas só falta esse, força!

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