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O Ikki venceu, conquistou sua inocência e Rakudai Kishi terminou com todos felizes para sempre. Bom, exceto quem não queria que ele vencesse em primeiro lugar, claro. E a família real de Vermillion (ou pelo menos o rei, o que já é ruim o bastante). Enfim, o cavaleiro teve seus momentos de dúvida e fraqueza, mas mereceu toda glória e ovação pelo que conquistou nesse dia, especialmente depois de tudo o que passou apenas por ser o Ikki Kurogane.

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É comum ouvirmos adolescentes (e adultos de vez em quando também) dizer que não pediram para nascer. De fato, quem estava assistindo Perfect Insider ouviu exatamente isso, não foi? Mas lá o sentido era diferente: como não pedimos para nascer, então a nossa existência em si é naturalmente anti-natural, portanto nada mais natural que nossa vida acabe também sem que precisemos pedir. É confuso, eu sei, mas você vai precisar desculpar a adolescente que se recusou a crescer nesse outro anime. Quando ficamos pensando demais em uma coisa tendemos a tirar conclusões sobre elas, não necessariamente corretas. Não pedimos para nascer. Nem o Ikki nem a Shizuku pediram para nascer na prestigiosa família Kurogane. O Ikki não pediu para ser “o pior”, e a Shizuku não pediu para ser mimada. O momento em que dizemos que não pedimos para nascer é aquele em que começamos a confrontar nossos pais e a querer sair de suas casas e a criar a nossa própria.

O problema, para o Ikki, é que ele nunca se sentiu em casa de verdade. Ele era um rejeitado, um estorvo, e não havia nada que pudesse fazer sobre isso. Havia? Ainda criança ele tentou fugir por causa disso e até mesmo aceitou a morte, mas encontrou nas palavras de seu antepassado a força para perseverar. Ele decidiu conquistar seu lugar em casa, provar seu valor para seu pai. Tanto tempo se passou que ele até já tinha esquecido disso, mas no episódio anterior ele se lembrou e tentou voltar para casa uma última vez. Agora ele já está velho o bastante para entender que não há nada o que possa fazer. Ele não pediu para nascer, mas seu pai o rejeitou desde seu primeiro suspiro de vida.

E de repente ele se viu de novo, metaforicamente, no meio daquela nevasca, pronto para morrer. Para onde ir? Não há lugar para ele. Se não há, por que continuar vivendo? Sem surpresa nenhuma ele encontrou a força que precisava em sua promessa para a Stella. Como quando criança, o céu e o caminho para o futuro voltaram a se abrir para ele. Só restava agora conquistar seu destino, um desafio por vez, e pelo menos pelo primeiro ele já passou.

Metaforicamente foi um episódio muito bonito, carregado de significado. Mas isso é uma história sobre adolescentes e para adolescentes. Toda a questão filosófica sobre sair de casa tende a ser entendida apenas como “rebeldia adolescente” ou “adultos são horríveis”, dependendo da sua idade, hehe. Exceto por algumas pessoas, e se ainda não era o seu caso agora é, graças a esse artigo! Não que isso seja tão especial assim. Não me importo tanto com o “entender direito” quanto me preocupo com o “entender errado”. E há uma coisa catastrófica para ser entendida errada nesse episódio em particular, e nesse anime em geral.

Quantos anos você tem? Já namorou? Com quantas pessoas? Ainda se lembra de seu primeiro namorado ou namorada? Ainda tem contato com ele ou ela? Acha que poderiam estar juntos até hoje? Preste bastante atenção que estou perguntando se você acha que daria certo vocês estarem juntos até hoje, não se você gostaria que estivessem juntos até hoje. O caso é que a maioria das relações estabelecidas durante a adolescência, principalmente as primeiras, tendem a não durar. E é assim não porque o mundo é um lugar horrível, mas muito pelo contrário: o mundo é um lugar tão maravilhoso que nós temos a chance de aprender aos poucos, crescer, amadurecer, até um dia finalmente podermos escolher com confiança a pessoa com quem queremos passar o resto de nossas vidas.

Mas o Ikki pediu a Stella em casamento! É o amor perfeito, amor à primeira vista! É bonito de assistir sim, mas as coisas nunca acontecem desse jeito na vida real. O Ikki pedir a Stella em casamento foi a declaração deliberada (e metafórica) de sua determinação de construir a sua própria casa ao invés de ficar tentando voltar para a casa de seu pai. E funcionou muito bem nesse sentido.

E termino esse texto comentando como a Touka é imprudente, irresponsável, meio burra mesmo, hehe. O orgulho e o desejo nublam nosso julgamento, não é? E essa impulsividade também é algo tipicamente adolescente. Se ela não tivesse escolhido enfrentar o Ikki de frente com certeza teria vencido. Mesmo se o Ikki tivesse usado sua tática normal ao invés de desafiá-la implicitamente para um tudo ou nada, e mesmo se o Ikki estivesse em sua plena forma física, a Touka quase certamente venceria. O Ikki consegue aprender os golpes e movimentos dos inimigos apenas observando-os, mas o problema é que o movimento da Touka consiste exatamente em fugir de seu campo de visão. Ele quase perdeu sua primeira luta porque não conseguia enxergar o inimigo invisível, deu sorte de conseguir, com a razão, descobrir o segredo para a vitória antes que estivesse completamente derrotado. A Touka é muito mais poderosa que aquele arqueiro idiota. Com sua capacidade de ampliar os sentidos talvez o Ikki tivese uma chance, mas tudo jogava contra ele. Principalmente as circunstâncias de esgotamento físico em que se encontrava. Era impossível para ele vencer se a Touka não aceitasse jogar exatamente com as suas regras. Ela aceitou. Ela continua feliz, então acho que está tudo bem, não é? Ela não é como a Ayase que desejava a vitória acima de tudo.

Rakudai Kishi no Cavalry - 12.mkv_001509.720

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