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Uau, uma vírgula no título! Acho que nunca usei uma antes aqui no blog, já usei? Bom, talvez em um artigo com título ridiculamente longo porque é uma frase completa, mesmo assim não tenho certeza. Sinto-me desbravando novas terras – que provavelmente eu não deveria desbravar de todo modo. Tenho certeza que devem haver toneladas de manuais de redação (jornalística, publicitária, e outros que possam levemente se relacionar com a função dos títulos dos artigos de um blog) que dizem que vírgulas são um grande não.

Algo que eu tenho certeza que não deveria fazer é escutar a ending de BokuMachi em repetição com fones de ouvido no último volume. Se ouvir qualquer coisa em fones no último volume já é ruim o bastante, pense em ouvir a Sayuri no último volume, com suas notas altíssimas. Fora o instrumental barulhento. Mas essa música acabou de sair e é simplesmente boa demais e eu sou simplesmente retardado assim mesmo. Eu sei que vivo falando adolescente isso e adolescente aquilo, mas com algumas coisas sou tanto quanto ou pior que seu adolescente médio, admito – mas por não ser mais adolescente de verdade já acumulei tantos anos de agressão auricular que em mais de uma ocasião fiquei dias com a audição no ouvido esquerdo diminuída. Ele sempre se recupera para níveis semelhantes ao ouvido direito, mas tenho certeza que está permanentemente danificado. De modo que, enquanto escrevo esse artigo isso é exatamente o que faço. E começo agora a pensar em escrever um artigo dissecando a letra da tal música e analisando-a à luz de Boku Dake ga Inai Machi. Acha que seria legal? Você leria?

Bom, por enquanto leia esse meu artigo sobre o episódio 6 de Ajin, que voltou depois de um hiato!

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Nesse episódio foram reveladas duas coisas importantes: ajins podem morrer (não de verdade) e o Kei é “lógico e frio ao extremo” (palavras de sua irmã). Quão importantes elas são? Bom, o dado sobre a morte de ajins tem a ver com a mecânica desse mundo, seu funcionamento. É bem direta e objetiva, não há muito o que pensar ou interpretar, pode-se apenas imaginar nas interferências que ela poderá causar na história. É algo tão importante que talvez jamais venha a ocorrer (não é uma “arma de Chekov” – instrumento ou regra narrativa segundo a qual se algo é citado ou aparece na história, deve ser usado e de forma relevante). Já a informação sobre o protagonista é caracterização de personagem, ajuda a explicar algumas ações passadas, mas além disso é muito mais escorregadia.

Pelo menos ele está aprendendo a ser badass

Pelo menos ele está aprendendo a ser badass

Vou começar com a morte: o ajin não morre de verdade, eles são imortais até o fim. O que acontece é que a imortalidade deles funciona regenerando o corpo, preferencialmente reunindo ou curando partes perdidas ou danificadas, mas se não for possível ele recria essas partes ao redor do maior pedaço que houver restado. Assim, se um ajin é decapitado e tem sua cabeça impedida de se reconectar ao corpo (e basta segurá-los separados para isso), uma nova cabeça será gerada, com um novo cérebro e uma nova consciência virá à luz enquanto a antiga morre. Infelizmente ajins não são planárias. Para todos os efeitos o ajin continua vivo, exceto para ele próprio. É perceptível como logo após resgatar o Kei o Satou hesitou por alguns instantes com sua faca na mão: certamente estava ali considerando decapitar o Kei, na esperança de poder manipular a nova consciência já que a atual ele considera uma “falha”. Apenas curiosidade o impediu disso (como ele pensou depois, queria observar um pouco mais o Kei apesar de tudo).

Sua camiseta não te ajuda, moço

Sua camiseta não te ajuda, moço

Talvez isso explique a relação entre o Tosaki e a Izumi também: quem sabe ela não tem medo dele por causa da ameaça de ser decapitada? Talvez até tenha um dispositivo para tanto já implantado no pescoço em posição que ela não poderia remover sem se decapitar e ele ficar sabendo. Uma bomba? Talvez o Tosaki possa acioná-lo a qualquer momento. Talvez o dispositivo esteja ligado à vida dele – se ele morrer, babau para ela também. Isso efetivamente a impediria de matá-lo. Mas claro, como diabos ele poderia fazer isso? Um pescoço quebrado seria consertado sem danificar o cérebro… talvez seja uma bomba implantada no meio do cérebro? Ela teria convulsões e sabe-se lá mais o quê, não parece boa ideia. Enfim, segura a ideia porque deve ter a ver com a relação deles.

Oh, você acha

Oh, você acha

E temos o super lógico Kei. Consigo entender como uma pessoa assim pode ser irritante e de várias outras formas perturbar uma família. Agora entendo porque a mãe dele parecia sem vida e porque a sua irmã Eriko o odeia. Também entendi porque ele bateu na cabeça do Kaito. Reclamei da desnecessidade disso noutro artigo mas agora faz todo o sentido: ele realmente queria garantir que de forma alguma o Kaito o impediria ou seguiria. Por pouco provável que fosse que o garoto acordasse, a chance existia. Pancada na cabeça dele então. Um golpe bem medido seria só um hematoma, e o que é um simples hematoma se isso garantir a segurança do Kaito? Só não dá para saber ainda porque ele é assim. Má formação nas áreas do cérebro relacionadas à empatia? Ou de qualquer outra forma um problema de saúde? Duvido. A ficção científica adora personagens lógicos e nunca os explica (mentira; pelo menos Jornada nas Estrelas explica: os vulcanos adotaram essa filosofia, se não me engano, depois de guerras sangrentas no passado), o Kei deve ser apenas mais um de uma longa tradição.

A mudança de expressões nessa cena sugere que a Eriko se preocupa com o irmão. Mas é lógico, pessoas normais se preocupam com os irmãos!

A mudança de expressões nessa cena sugere que a Eriko se preocupa com o irmão. Mas é lógico, pessoas normais se preocupam com os irmãos!

Entendendo um pouco melhor o protagonista dá para imaginar mais o que esperar dele – e parece um pouco assustador. Quero dizer, ele jogou uma pessoa de um prédio nesse episódio com a maior indiferença do mundo. Fez sentido: se o cara ficasse lá em cima ele com certeza morreria, caindo havia uma pequena chance de sobreviver. Mas o problema não foi ele ter feito isso (um pai jogou seus filhos no incêndio do Grande Avenida e pulou em seguida – todos sobreviveram; aliás, é desgraçadamente comum que pessoas pulem e joguem outras pessoas em incêndios), foi mesmo a, como já disse, indiferença com que fez isso. Pessoas normais são levadas a tanto por desespero. Para o Kei foi apenas o resultado de uma equação. Pelo menos alguém o educou bem, ensinando-o a ser “uma boa pessoa”, senão ele poderia ser um monstro muitas vezes pior que o Satou. (e já estou com o ouvido esquerdo dolorido e escutando menos de novo, ao contrário do Kei não sou quase nada lógico…)

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