Minas demais, temas demais, neblina demais, foco de menos

Algumas coisas importantes começaram nesse episódio. Ou melhor: muitas coisas importantes começarem nesse episódio. E algumas pouco importantes também. A única resolvida foi a mais absolutamente irrelevante, a piada do episódio. Esse episódio de Haifuri foi cheio de elementos de enredo assim como o mar estava cheia de minas.

Não foi um episódio particularmente divertido, embora não tenha sido ruim, e eu normalmente dou notas entre médias e altas para episódios medianos que revelam ou começam a resolver elementos importantes para o anime, mas quando é coisa demais pode acontecer de nada ter foco ou nada conseguir passar a verdadeira importância que deveria passar. Foi o que aconteceu.

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Se me perguntar “qual foi o principal acontecimento desse episódio?” eu não vou saber responder. Será que foi a descoberta pelas garotas de que é o rato que está causando todos os problemas? Será que foi a travessia do campo minado? Será que foi o desafio aberto à autoridade da capitã e sua consequente crise de confiança? A questão do rato é a mais importante do anime até agora, é o que está movendo o enredo, e a crise de confiança da capitã faz parte do desenvolvimento da personagem mais importante de Haifuri. O campo minado pode parecer pouco importante frente a esses dois, e é mesmo, mas é o conflito principal do episódio, é o equivalente às batalhas contra navios que o Harekaze já teve até agora. Nada disso teve foco, o tempo do episódio foi mais ou menos dividido entre tudo isso, sem que as prioridades fossem claramente percebidas, sem que nada fosse concluído, sem que houvesse certeza sobre o que vai continuar no próximo episódio ou não. À rigor, tudo deveria continuar, mas daí teremos mais um episódio confuso como esse? Enfim, crítica feita, só me resta agora analisar tudo isso.

Finalmente descobriram que a culpa foi do rato. E isso é estranho, porque para mim, que estou assistindo, isso já era blatante faz tempo, de forma que não há impacto nenhum quando a médica de bordo revela sua “descoberta”. Mas ao mesmo tempo, dentro do mundo do anime é uma coisa tão louca um rato estar causando tudo isso que é inusitado demais que sequer tenha sido cogitado, quanto mais descoberto em tão pouco tempo. Não apenas isso, mas uma droga para combater o vírus transmitido pelo rato já foi desenvolvida e já está sendo testada. Isso é importante embora a velocidade com que aconteceu seja improvável demais e desafie os limites da minha suspensão de descrença, mas algo muito mais importante eu não sei se foi feito: o Harekaze informou a escola da descoberta? A impressão é que falta pouco para que se ordene o abate dos navios “rebelados”, isso não é algo trivial que possa ser postergado. E se já entraram em contato e já informaram a escola eu me sentirei traído por uma conversa tão importante ter se dado fora da tela.

Prosseguindo com o desenvolvimento pessoal da Misaki, me espanta que a Kuro tenha a audácia de afrontar de forma tão direta a sua capitã. Elas podem ser alunas, podem estar em treinamento, mas aquilo ainda é um navio militar e hierarquias militares devem ser respeitadas mesmo quando a capitã é alguém como a Misaki – e mesmo se a capitã fosse muito pior do que a Misaki. Mas a Kuro desafia a autoridade da Misaki repetidas vezes e sem nenhuma consequência. Eu sei, eu sei, elas são todas amigas e coisa e tal, mas mesmo amigas não fariam aquilo, não é? Ou melhor, elas não são amigas, Haifuri tenta ser um anime escolar (o que faz sentido), então não é como se todas fossem obrigadas a ser amigas, a Misaki deseja isso mas realmente nenhuma das garotas é obrigada a aceitar a amizade da Misaki. Mas todas são obrigadas a aceitar a autoridade da capitã. Pense nisso como parte do treinamento militar: nem sempre você estará respondendo a um líder que você considere adequado, não é? Ou aprende a lidar com isso ou uma instituição de caráter militar, como é o caso das Blue Mermaids, não é para você.

A vice-capitã Mashiro não ajuda também mas eu posso mais ou menos aceitar a abordagem dela – a única vez que ela exagerou foi quando gritou com a Misaki para o navio inteiro escutar no episódio anterior, mas aquela foi mesmo uma decisão estúpida demais para uma capitã. De todo modo, ignorando o quão bizarro e inacreditável seja a Kuro poder agir impune da forma que age, espera-se que a Misaki após uma crise de auto-confiança cresça como personagem. Ela já não tinha muita confiança em si mesma desde o primeiro episódio quando foi perguntar à instrutora Furushou porque afinal foi escolhida a capitã, e de lá para cá nada mudou. Sabendo disso eu realmente não precisava de uma Kuro a desacatando para aceitar que ela entre em crise depois da bronca que levou da Mashiro. O que eu gostaria de ver é ela começar a superar ou começar a encontrar em si mesma as razões para ser uma capitã. E isso não começou a acontecer ainda, nesse aspecto esse episódio foi um desperdício.

Misaki está com sua auto-confiança abalada, igual eu em relação a minha confiança em Haifuri

Misaki está com sua auto-confiança abalada, igual eu em relação a minha confiança em Haifuri

Esse episódio teve coisa demais porque focar em uma travessia de campo minado seria tedioso, ou houve a tediosa travessia do campo minado porque se pretendia que o episódio tivesse coisa demais? O Dilema Tostines dessa edição de Haifuri. Mas falando sério, não é como se uma travessia de campo minado precisasse ser tediosa. Claro que não seria tão movimentada quanto uma batalha contra navios ou submarinos, mas há um sem número de outras coisas para se explorar, como o próprio episódio deu a entender sem se aprofundar demais. Com o devido enredo, acredito que um episódio de campo minado poderia sim ser tão divertido como uma batalha contra um cruzador. O aparente descaso do próprio anime com esse “adversário da vez” é incongruente com o fato de que essa foi a primeira “batalha” onde uma das garotas realmente poderia ter morrido. Falando sério, não poderia, é impossível um anime como Haifuri matar alguém, mas esse foi o episódio onde elas estiveram mais próximas da morte quando a mina explodiu. Ainda bem que tinha aquele equipamento de proteção super-tecnológico, né? Fora isso, há uma questão nada irrelevante que também nem começou a ser respondida: por que minas aquáticas antigas estão no mar, e no caminho do Harekaze? Quem as pôs ali e por quê?

Mas pelo menos uma trama teve começo, meio e fim nesse episódio: as desventuras culinárias da Wilhelmina. Ela não gosta de comida japonesa (eu me identifico com ela) então as cozinheiras do Harekaze a prometeram um jantar alemão! Pena que elas não sabem fazer comida alemã. Mesmo assim se esforçaram e fizeram algo muito parecido. E do que a alemã mais gostou? De batatas (sério, eu me identifico muito com ela)! Pena que não foi a chefe da cozinha que fez isso, coitada. E pena que isso era só a piada (ruim) do episódio e completamente dispensável. Coitado de mim.

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  1. Excelente matéria como sempre, este episódio para mim não teve nada de que me impressionasse, das coisas poucas deste episódio que me agradaram foi a tentativa da cozinheira chefe a fazer pratos alemães e a travessia do campo minado. Também achei desrespeitoso da Kuro com a sua capitã, em termos de hierarquia militar deve-se respeitar aqueles que têm um escalão maior, mesmo que se tenha uma opinião diferente e nunca defrontar a autoridade da capitã em frente do resto da tripulação (mesmo com a auto-confiança abalada, para mim a Misaki é uma boa capitã).

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Olá de novo =)

      Bom, agradável ou não as tramas da capitã e do rato são importantíssimas para o anime, e não foram tratadas muito melhor que o paladar da alemã… Sobre a competência da Misaki eu continuo tendo sérias restrições, mas nada justifica o comportamento da Kuro.

      • Calma, pessoal!
        Os roteiristas estão cuidando da Kuro, pois a esconderam num canto do convés para ouvir os elogios que as outras davam à capitã. Com certeza, mais tarde rolará um remorsinho para ela mudar de opinião.
        Poderiam ter sido mais discretos, não gosto de perceber essas manipulações.

        Sobre os ratos, a Mashiro até falou para avisarem a escola, mas aí apareceram as minas e mudou-se de assunto.
        Provavelmente, no próximo episódio, os adultos estarão comentando a mensagem recebida.

        As personagens são péssimas, até agora, não simpatizei com nenhuma das garotas.
        E que médica irresponsável! Como que ela testa a vacina nela mesma!
        E se ela morresse (é óbvio que ela não morrerá!), quem cuidaria da tripulação?
        Achei muito besta e ficou pior nos fazendo crer que a outra garota seria a cobaia.

        Melhor personagem masculino é o Isoroku, pois não dava nada por aquele gato gordo!
        xD

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Quem diria que o gato viraria um elemento de enredo hein? Gatos caçam ratos, portanto… que grande porcaria.

        Sobre o resto, pois é, ficou tudo pela metade. Foi coisa demais, tudo incompleto. Um episódio estranho.

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