Ikuta faz a maior aposta de sua vida para fugir de trás das linhas inimigas

Algumas pessoas reclamam de protagonistas que sempre vencem contra todas as chances, que são incríveis por qualquer razão inexplicável além de serem protagonistas, ou que genericamente são imbatíveis naquilo que fazem. É algo tão generalizado e comentado que ganhou até um nome: poder do protagonismo.

O Ikuta é um protagonista imbatível e ele derrota todos os seus oponentes suave e facilmente nesses dois episódios, mas há algo de diferente no caso dele: ele não é o escolhido, o líder, nada assim. Ele apenas é alguém que realmente estudou muito desde muito cedo. E é bastante inteligente também, mas até agora ele não fez muito mais do que usar o básico com maestria, ou seja, fez coisas teoricamente ao alcance de qualquer um que se esforce para aprender como ele. Será isso também “poder do protagonismo” ou será que deixa de ser porque faz parte da construção do personagem ao invés de ser apenas um recurso de enredo para que a história siga em frente?

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Yatri parece bem próxima a Ikuta - e a princesa Chamille, com apenas 12 anos, está com ciúme??

Yatri parece bem próxima a Ikuta – e a princesa Chamille, com apenas 12 anos, está com ciúme??

No episódio dois Ikuta e seus companheiros (que incluíam dois nobres e nada mais nada menos do que a princesa real) conseguiram sair de trás das linhas inimigas e voltar para o território de Katvarna em segurança. Nesse episódio eles estiveram com suas vidas em risco de verdade, ao contrário do terceiro onde o Ikuta precisou enfrentar oficiais mais velhos com inveja da ascensão veloz dos cinco à cavaleiros após salvarem a princesa que estavam tentando intimidá-los na academia. Mas se no primeiro caso eles ganharam a promoção para cavaleiros após um único ato de bravura que poderia ter sido apenas um grande golpe de sorte, que ninguém testemunhou e que no fundo foi mais político do que meritório, no segundo o Ikuta dá demonstrações de conhecimento tático e estratégico consecutivas e à vista de várias pessoas. O episódio três termina com o iminente começo de uma batalha simulada que tinha tudo para ser um desastre para a equipe do Ikuta mas que ele inteligentemente inverteu as chances completamente – e o anime já disse que aquela batalha simulada foi o começo da fama do Ikuta.

O Rei Morto-Vivo

O Rei Morto-Vivo

Ao lidar com militares inimigos o Ikuta roubou o uniforme de um deles (mataram alguns, afinal), fingiu ter capturado os seus demais companheiros e inventou uma história sobre o balão que capturaram – o balão só carregaria três pessoas, não poderiam usá-lo para a fuga, afinal. Por sorte o oficial inimigo acreditou, porque foi uma aposta bem grande, e o Ikuta conseguiu fugir com todo mundo, princesa inclusa, de volta para Katvarna. Apesar de ter sido talvez um pouco forçado (o Ikuta chegou a quase ameaçar veladamente o oficial), o clima de tensão do episódio e o fato do anime estar apenas começando compensou e não foi particularmente difícil aceitar o que aconteceu. Foi bastante divertido até e foi ali que o anime começou a apresentar o Ikuta como alguém extraordinário para sua idade (e até mesmo quando comparado a algumas pessoas mais velhas).

Outros pontos dignos de nota nesse segundo episódio foram as disputas ideológicas, a política por trás da guerra e o medo de matar do Tolway. Ah, e a origem do Ikuta, que está ligada a vários outros elementos do anime: ele é filho de um ex-general de Katvarna que foi de herói a traidor quando se recusou a manter uma frente de batalha condenada para salvar seus soldados. Vive citando um “mestre” que teve, e esses detalhes ajudam a explicar a formação dele. Seu pai foi um general notável e, se esse mestre misterioso não for a mesma pessoa, ele teve dois professores notáveis que lhe ensinaram muito sobre estratégias militares desde muito cedo. Está explicada sua enorme competência. E imagino como reagiria o establishment militar e político se descobrissem que Ikuta é filho do traidor.

Yatri acalma Tolway depois dele quase entrar em pânico por ter vacilado em matar um soldado inimigo

Yatri acalma Tolway depois dele quase entrar em pânico por ter vacilado em matar um soldado inimigo

E isso está diretamente ligado às disputas ideológicas do anime. O Ikuta compreensivelmente não dá a mínima para os assuntos de estado de Katvarna e preferiria ficar longe do exército pela vida toda se assim pudesse – e de alguma forma a prova que ele ia prestar antes do naufrágio no primeiro episódio era sua esperança de se livrar para sempre das obrigações militares. Mas não poderia ter dado mais errado e, ao salvar uma princesa que estava à bordo do mesmo navio por razões ainda não explicadas, ele acabou alçado a cavaleiro e assim se tornou obrigado a ser um militar em tempo integral. Tudo bem pensado, até que Ikuta é bastante tranquilo considerando que o Império matou seu pai (e não duvido que tenha sido de alguma forma indiretamente responsável pela morte de sua mãe também).

Após conseguirem entrar de volta em Katvarna, Ikuta conversa com o general da fronteira e ele tem um diagnóstico muito preciso e negativo para aquela frente de batalha: Katvarna não está dando a mínima para aquele território. De verdade, parece que querem perdê-lo. E a resposta do general não faz o menor sentido para o Ikuta: ele sabe disso mas vai cumprir seu dever até o fim. Fim que chega, o general consegue de alguma forma salvar a maior parte dos soldados, e Ikuta e seus companheiros são alçados a cavaleiros para contrapor a notícia ruim da derrota com uma notícia positiva ufanista. Há algo de podre nos subterrâneos do Império e a princesa Chamille parece saber disso – e parece disposta a querer mudar, nem que seja de forma destrutiva.

Sarihasrag odeia Tolway por ele ter um nome mais fácil de pronunciar e vem zombar do irmão e do Matthew na academia

Sarihasrag odeia Tolway por ele ter um nome mais fácil de pronunciar e vem zombar do irmão e do Matthew na academia

O terceiro episódio não aprofunda nenhum desses temas, só mostra a rotina de Ikuta e companhia na academia, culminando na batalha simulada. Em mais de um momento eles são zombados, principalmente os membros plebeus do grupo e o Tolway, nobre de uma família de gente de cabelos verdes e cabeça dura, e que por acaso têm dois de seus irmãos como instrutores na academia. O Ikuta, naturalmente, se livra de todas as dificuldades que lhe são apresentadas (e ao Tolway) sem problema nenhum. Sua maior dificuldade foi outra: após o treinamento básico, a cada um deles é atribuída uma unidade militar, e a chefe da unidade do Ikuta é uma garota filha de uma mulher com quem ele já teve um caso. Deve ser bem constrangedor mesmo, mas acabou sendo inconsequente para a história e ela deve passar a admirá-lo após essa batalha simulada, suponho. Serviu apenas para mostrar que ele é sexualmente ativo – e aparentemente seu sucesso na cama é comparável ao seu sucesso em campo de batalha.

Ikuta conversa com Suuya para tentar resolver sua situação com a garota, filha de uma mulher com quem já teve um caso

Ikuta conversa com Suuya para tentar resolver sua situação com a garota, filha de uma mulher com quem já teve um caso

E esse artigo vai terminar assim, sem conclusão nenhuma, porque eu ainda não sei direito sobre o que se trata esse anime. Vai ser a história de como o Ikuta se tornou um grande comandante? Ou ele vai se tornar um grande comandante nos próximos episódios e aí começa a história de verdade? Vai ser mais ação, militar, ou mais política ou mesmo drama pessoal? Até aqui estou me divertindo com o anime, mas ficaria mais empolgado se soubesse o que esperar, se tivesse ideia de para onde estamos indo.

Ikuta, Tolway, Mathew e Suuya aguardam triunfantes a chegada dos inimigos em posição privilegiada

Ikuta, Tolway, Mathew e Suuya aguardam triunfantes a chegada dos inimigos em posição privilegiada

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  1. “…e a princesa Chamille parece saber disso – e parece disposta a querer mudar, nem que seja de forma destrutiva…” bota destrutivo nisso rsrs, ela tem um plano mirabolante e quer a ajuda de ikta pra realizá-lo…

    pelo que eu pude ver no mangá terá ação, batalhas até interessantes, sempre com um contexto político de pano de fundo… ^^

      • pois é, tipo, parece que esse será o forte do anime, até porque como você mesmo mencionou pode ser a historia de ikta e sua ascensão como general (você reparou que é até a princesa que conta a historia né) as batalhas que eu pude ver realmente será o ikta mostrando suas habilidades ^^

  2. Este anime até agora não tem me decepcionado até agora, até está a cumprir aquilo que prometeu, o inicio é sempre lento mas lá mais para a frente é que deve ter as batalhas a sério. O episódio dois, foi bom, serviu para demonstrar que o Ikuta tem tudo para ser um génio militar, mas também demonstrou que o Ikuta também é humano, principalmente em que ele recolhe os companheiros espíritos dos soldados de Kyoka que morreram. Achei bem interessante a estratégia do Ikuta para atravessar a fronteira, nunca pensei que tal estratégia mirabolante fosse resultar mas resultou, afinal a preocupação máxima do oficial do exército de Kyoka era recuperar o balão de ar quente que era super caro. Neste episódio não gostei nada da participação da princesa Chamille, ela é prepotente e arrogante, diz tudo o que lhe vem à cabeça, mesmo sendo ainda criança devia pensar antes de falar o que quer que seja. O cúmulo da atitude irresponsável da princesa deu-se quando ela insinuou que a mãe do Ikuta era uma rameira, claro que o Ikuta se ia descontrolar, mais um pouco ele era capaz de a matar. O descontrolo emocional do Tolway no segundo episódio dois foi bastante normal, ele nunca tinha matado ninguém dai o abalo psicológico dele, parecendo que não nos exércitos actuais os snipers são aqueles que apresentam a maior taxa de stress pós traumático em comparação aos seu companheiros de companhias regulares. Aquela última cena do episódio dois em que a Yatri vai ter com o Ikuta foi muito bonita, pessoalmente acho que a relação deles é de companheirismo, não tem qualquer cunho sexual entre eles e acho que fica melhor assim. Agora o episódio três, ele não teve muita acção, mas serviu perfeitamente para preparar o terreno para as tretas que estão por vir, o Ikuta neste episódio esteve insuperável, não se assusta com centopeias, aliás até as come como se fossem uma iguaria, enfrenta os maus da fita, humilha o professor e os colegas de classe com o seu intelecto, o que se pode querer mais de um bom personagem principal. Eu acho que o Ikuta não tem o poder denominado protagonismo como tu bem referiste no artigo acima, ele desde cedo estudou tácticas militares com o seu pai e mais tarde com o seu mestre, ele aparenta ter uma capacidade de raciocínio acima da média, além de uma boa capacidade de memorização. Neste episódio também achei interessante a formação dos esquadrões cada um deles deve ter a sua especialidade. O Ikuta tinha que calhar logo, num esquadrão onde estava uma filha de uma das suas amantes, mas ele não teve vergonha nenhuma, nisto também se percebe que este anime quebra aquele cliché dos protagonistas masculinos nunca se terem envolvido com mulheres sem fazer cenas constrangidas, acho que isto é mais um ponto positivo para este anime. O episódio três tinha que acabar na parte boa, mas posso afirmar que uma batalha com um rio do meio é das mais difíceis de ganhar, principalmente quando o Ikuta já está com uma posição defensiva e mais privilegiada como tu bem referiste.
    Como sempre mais uma excelente matéria Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      O Ikuta com certeza tem seus ressentimentos com o império, mas prefere deixar isso para lá. É apenas rebelde e petulante (pelo menos ele compensa isso sendo muito competente em tudo o que faz). Fiquei morrendo de medo dele falar bobagem na cena na sala do trono =D

      A princesa parece estar farta com as corrupções do império, sei lá porque, e quer fazer algo, nem que seja acabar com tudo. Os caminhos dos dois devem convergir, e vai ser interessante assistir isso.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

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