Já que estamos falando sobre a natureza das coisas...

Me sinto profundamente enganado após assistir esse episódio. Tudo bem, em parte isso é culpa minha. Quando saíram as notícias semana passada de que esse episódio seria mais longo, eu achei que ele seria seriamente mais longo. Eu deveria ter lido com atenção. Eu li “25 minutos” e logo entendi mais 25 minutos, o que faria desse um episódio duplo, mas na verdade era só 25 minutos mesmo, ao contrário dos tradicionais 24 minutos. O episódio 18 de Re: Zero precisava do tempo das aberturas, encerramento, e ainda mais um minuto para contar sua grandiosa história.

Que foi dividida em dois atos bastante verborrágicos que poderiam muito bem ter sido reduzidos – pelo menos em um minuto, não é? Quero dizer, a culpa é minha sim por não ter dado a atenção devida ao noticiário, mas quem foi que achou que era uma necessário fazer propaganda sobre o episódio ter um mísero minuto a mais? Dica: não fui eu. Então tem isso, né.

No episódio não aconteceu (quase) nada mas eu tenho muito o que falar. Me acompanhe!

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Só para não dizer que não falei das flores, bom, apareceu o Pack em forma de gatão, legal. Quero dizer, todo mundo já sabia que era ele, mas agora sabemos que ele vive apenas pela Emilia e que seu contrato é destruir o mundo caso ela morra. Um pouco drástico, não é? Não vou dizer que não espero isso de um espírito porque não sei o que esperar de espíritos nesse mundo para começo de conversa, mas quem te viu quem te vê, hein Emilia? Ela sabe do contrato. Ela acha uma boa ideia destruir o mundo caso ela morra. Talvez a dupla seja assim imoral mesmo ou talvez eles saibam de “algo” que mais ninguém sabe, não é, Subaru?

Miau

Miau

Mas os mistérios do anime não me interessam. Quero dizer, ele vai acabar e a novel que o inspira irá continuar, então provavelmente o anime não terá um final satisfatório e com certeza quase absoluta não irá resolver todos os mistérios da história. A chance não é pequena de que não resolva quase nenhum. Por isso, pela quantidade de elementos, pela vagueza das pistas, pela característica episódica de cada arco (a assassina do primeiro arco sumiu para sempre, quem era seu mandante?) e pelo desinteresse do próprio protagonista em investigar mais a fundo, não consigo me importar com a história de Re: Zero. Gosto de seus personagens. Seu protagonista se provou fascinante nesse arco (e temo que jamais será novamente).

Enquanto Subaru berrava a plenos pulmões sobre como ele é fraco, inútil, e o quanto ele se odeia, eu quase podia imaginar que quem estava lá era o próprio autor a tentar enfiar na cabeça de seu leitorado que o Subaru é uma pessoa com defeitos sérios e quebrada, e não alguém em quem se inspirar ou a quem admirar. Porque protagonistas tendem a ser idolatrados, não é? Ou odiados. Raramente você encontrará um protagonista em uma história de ação para o público infanto-juvenil que é analisado de forma mais profunda que essa escala em preto e branco. Mas o Subaru precisa ser analisado em tons de cinza.

Não importa quem acreditamos que somos ou nossas intenções, tudo o que somos para as outras pessoas é inferido através de nossas ações. É um conceito mais complicado de se assimilar do que parece, mas a mecânica de Re: Zero provê uma metáfora perfeita para ela: os demais personagens não sabem tudo pelo que o Subaru passou nas demais linhas do tempo, toda a dor que ele sentiu, todos os erros que ele cometeu. Eles só sabem do resultado final, que pode-se comparar à superfície da personalidade de cada um de nós. E olhando apenas a superfície, para a Rem o Subaru não é menos que o maior herói do mundo, o homem que ela admira e que ela ama. Isso enlouquece o Subaru quase tanto quanto a Emilia que não acredita nele porque ela não sabe o que ele sabe – e ele não pode contar.

Subaru ficou um pouco alterado

Subaru ficou um pouco alterado

O Subaru sempre foi fraco e covarde. Enxergou na viagem para outro mundo a oportunidade de tentar recomeçar sua vida de uma forma diferente, mas não foi o mundo que o tornou fraco e covarde em primeiro lugar (não apenas o mundo, pelo menos). O Subaru tem uma porção de defeitos e eles foram determinantes para torná-lo um hikikomori. E no outro mundo, esses defeitos foram determinantes para a espiral de decadência em que ele se meteu nesse arco até chegar a esse ponto lastimável do qual seria impossível ele sair sozinho. Um nível de desarranjo mental do qual qualquer pessoa só conseguiria sair com ajuda psicológica.

Mas isso é anime e animes não têm psicólogos. Acredito que o Japão não valorize muito os psicólogos e não dê muita atenção para patologias mentais também, mas esse é outro assunto. Animes não têm psicólogos. Se ao invés de se tornar um soldado Eren tivesse passado o resto da infância em um orfanato com acompanhamento psicológico para o trauma de ter visto a mãe ser devorada Ataque dos Titãs meio que não teria o mesmo apelo. Subaru estava além do ponto de retorno, ele precisava de ajuda e ela não poderia vir na forma de um tratamento para estresse pós-traumático. Estava na hora de Re: Zero invocar um clichê.

É impossível salvar a Emilia por tudo o que o Subaru sabe, mas a Rem o ama então tudo vai ficar bem!

É impossível salvar a Emilia por tudo o que o Subaru sabe, mas a Rem o ama então tudo vai ficar bem!

O mais comum em animes de ação é o soco na cara ou algo do tipo. Mas o Subaru já tinha passado por isso alguns episódios atrás (um pouco mais extremo que um soco, mas costuma funcionar e era a intenção declarada de seu assaltante de todo modo) e ao invés de curar, aquilo acelerou sua queda. Com seu cenário de harém e com uma haremete perdidamente apaixonada à disposição, a escolha então foi a cura através do amor. É um clichê muito comum em romances shoujo, como Ookami Shoujo to Kuro Ouji, Ao Haru Ride e até mesmo Orange, anime dessa mesma temporada. Acho esse um clichê bastante problemático no mais das vezes e quase sempre que usado, e não foi diferente com esse caso em Re: Zero (ainda assim, acho que nada jamais será pior que Ookami Shoujo, pelo menos em obras mainstream).

Beijinho na testa pra sarar

Beijinho na testa pra sarar

Todo o destaque que teve essa cena, que tomou a maior parte do episódio (precisando até mesmo do tempo da abertura, encerramento, e um minuto extra!), me faz crer que Subaru esteja mesmo curado de sua, er … síndrome de hikikomori covarde? Enfim, de todo esse conjunto de defeitos que ele sempre teve e que o colocaram na enrascada atual. Se não curado, pelo menos sabendo lidar melhor com tudo isso. Se você ainda precisa de um motivo maior para acreditar na cura do Subaru, que tal esse: no final do episódio ele cita literalmente o nome do próprio anime e diz que “agora vai começar”. No episódio 18, isso significa recomeço – que oh! está no título do anime também.

Agora vai!

Agora vai!

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  1. Este episódio foi muito bom, sinceramente nunca pensei que fosse dizer isto, mas foi o melhor episódio parado/lento que já vi até hoje (em comparação a outros animes em que as cenas de diálogos longos são monótonos e chatos). O Subaru finalmente admitiu que é fraco, foram precisas não sei quantas mortes e 17 episódios para ele próprio admitir que é uma merda, mas agora dou-lhe um ponto positivo por ter admitido que é fraco e só faz merda, eu não sei onde o dublador dele arranja tanta voz, ele deve ficar rouco cada vez que dubla o Subaru. O Pack além de ser um espírito, ele deve saber muitas coisas que a própria Emilia não sabe, o Pack em forma de gato gigante dá medo, para quem está acostumado a vê-lo em forma kawai deve ser um um choque vê-lo em monstro. Adorei aquela cena em que o Pack mata o Betelgeuse lentamente, foi uma cena muito satisfatória, a morte do Subaru veio por tabela, o Pack já estava fora de controle mesmo. Agora vamos falar da Rem, ela sim foi o destaque do episódio, a dubladora dela está de parabéns, em momento algum o monólogo dela a exprimir os sentimentos para o Subaru, ficou chato, a voz calma e serena esteve muito boa. Aquela cena em que ela, começa a dizer, se eles fugissem, ela podia arranjar emprego na cidade vizinha,o Subaru provavelmente teria que arranjar um trabalho braçal, depois disso podiam criar família, envelhecer juntos e ver os filhos a crescer e seguirem o seu caminho foram cenas tocantes, a forma como ela dizia isto, mesmo envergonhada nota-se que foram frases sinceras. O Subaru é um asno, como ele pôde recusar um pedido de namoro tão sincero da Rem, mas em parte concordo com a resposta dele, não seria justo ele ficar com uma pessoa que ele não gosta, mas ainda assim dizer na cara da Rem que ama a Emilia foi um pouco demais. O olhar do Subaru mudou um pouco, agora vamos ver como ele se vai comportar daqui para a frente. Eu continuo a achar que aquilo que o Subaru sente pela Emilia não é amor, mas sim uma obsessão/protecção que ele tem com ela, se formos a ver bem tudo isto começou quando a Emilia salvou o Subaru nos primeiros episódios e agora ele tem aquele sentido de ter que devolver o favor à Emilia.
    Como sempre outra excelente matéria de Re: Zero.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Gosto é gosto né, eu sinceramente não gostei nada desse episódio =D Mas com certeza ele deu muito pano pra manga, e está aí meu artigo enorme para não me deixar mentir.

      Também acredito que o Subaru não esteja verdadeiramente apaixonado, mas obcecado. Mas isso não é algo que ele vai conseguir perceber longe dela, e nada impede que se transforme em amor verdadeiro de todo modo – só espero que, em qualquer caso, ele melhore seu comportamento. Não acho também que ele foi cruel com a Rem. Ela já meio que esperava essa resposta, e foi um dos poucos momentos em que ele foi corajoso nesse episódio (e na série inteira, se descontar as vezes em que ele agiu por impulso, talvez tenha sido a única vez em que ele foi realmente corajoso). Ele sabia que precisava por um ponto final ao invés de alimentar qualquer esperança da Rem. Acho que foi o melhor que ele poderia fazer.

      Sobre o sonho da Rem, provavelmente é o conteúdo exato do spin-off =D

      O Pack com certeza sabe mais sobre a Emilia do que ele conta, mas ainda acho que ele não sabe sobre o Subaru – mas não descarto que ele saiba.

      Não gosto da voz do Subaru, mas sem dúvida é um trabalho estafante para seu dublador e pelo qual ele merece elogios. E repito os seus elogios e comentários sobre a dubladora da Rem =)

      Obrigado pela visita e pelo comentário mais uma vez! =D

  2. Depois de toda aquela falação, a conclusão a que chego: Rem, Waifu do Ano!
    Se um dia essa light novel acabar, bem que o final poderia ser o Subaru ficando com a Rem independente do que aconteça com a Emilia!

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Tem novel (ou mangá, não tenho certeza) spin-off que é slice of life da vida de casados do Subaru e da Rem =P

      Não acho que esse deva ser o fim e mais importante, não quero que isso seja relevante para o fim. É um mistério/suspense em mundo de fantasia, e não só mais um harém, certo? De todo modo discutir isso enquanto falamos sobre o anime é inútil porque o anime não vai chegar nem perto do final da novel, e provavelmente não vai ter final próprio também.

      Obrigado pela visita e pelo comentário =)

      • Tenho a impressão de que esse autor vai enrolar por muitos anos para acabar essa light novel. Tomara que ele não se perca desenvolvendo essa história…
        Até hoje, não a entendi direito e nem a importância do Subaru nela!

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Bom, o Subaru é o protagonista, essa é a importância dele, ué =D

        Mas como eu gosto de dizer, o suspense é legal e há bons momentos de desenvolvimento de personagem, mas como um mistério Re: Zero é uma droga.

        Obrigado pela visita e pelo comentário =)

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