lol hagita 2

Acho que cada resenha é uma viagem diferente… Enquanto em Berserk o conteúdo objetivo e o sistema de lutas permitiram uma separação com intervalos regulares, Orange foi sempre recheado de mensagens e simbolismos, sejam eles amorosos ou psicológicos. Assim, essa é uma das razões para eu ter entregado, mesmo com tanto atraso, quase todos os episódios em artigos separados. Foram 12 artigos para esses 13 episódios (Ou 13 análises, se você contar meus comentários sobre a abertura). Portanto, Orange é o anime que mais falei, nessa, por enquanto, curta carreira de redator. Espero que no filme possamos explorar ainda mais esses personagens (cofcofSuwacofcof) que tanto adoro.

Curta o anime21 no facebook:

Longo. Confesso que me assustei quando percebi que teria de falar sobre um episódio de 40 minutos. Ele trata de muitas nuances no desenvolvimento de cada um dos personagens. Dessa forma, o episódio busca atar todos os nós que se formaram durante esses 3 meses de animação. Porém, isso foi necessário para demonstrar como a Naho supostamente saiu de sua zona de conforto, porém, chamar algo tão sério de zona de conforto seria um desserviço. O início do episódio foi dedicado a uma necessária transferência entre a vontade da Naho do futuro e a Naho do presente. A personagem não deixa mais as cartas ditarem o que aconteceria, e por isso, passa a fazer o seu melhor para tomar as iniciativas necessárias, ou seja, para fazer as pazes com Kakeru. Esse, que autisticamente acha que quem magoou a Naho foi ele e, portanto, não teria o direito de conversar com ela. No fim quem teve de puxar as rédeas da situação e ditar o que sua eu do futuro havia dito, foi a Naho. Quem tomou as iniciativas e se fez entender, foi ela também. O Kakeru gosta mais da Naho do que gosta de si mesmo (Bom… acho que ele gosta até mais do cara do ônibus do que de si mesmo) e a pessoa que gosta do Kakeru é a Naho, portanto, nesse contexto egocêntrico de mangás shoujo, ela é a única apta a salvá-lo de sua depressão com o magnânimo poder do amor e do pedido de namoro.


Em Orange existe uma distinta relevância sobre a noção do tempo. O anime brinca com isso e essa noção advém do encontro entre o passado e o futuro que podemos ver em diversos fastforwards e flashbacks. O uso desses recursos serve para representar o quão aparte estão as linhas do tempo nesse anime. O nosso honorável Hagita até explica: as linhas do tempo se afetam de formas separadas, então, são diferentes fragmentos do tempo. Por isso, o paradoxo que impossibilita a mudança do passado não precisa existir, pois, isso garante que, mesmo que o Kakeru do presente seja salvo, o Kakeru do futuro não deixará de estar morto.

Nesse momento, o dilema moral que vemos ser tratado é extremamente complicado. Basicamente, não importa o que você faça, pois o futuro não pode ser mudado. Porém, você pode fazer um novo passado, mas você não terá controle sobre sua existência. Ele somente servirá de eterna fonte de alivio e esperança.Acho perfeitamente válido comparar as cartas levadas ao passado às rosas que enviamos à Iemanjá no fim do ano. Ou quem sabe, até mesmo às fitas de Bomfim, que as pessoas vivem esquecendo o que diabos haviam desejado.“Será que isso muda mesmo alguma coisa? Quem liga! Só vai irá mudar se tentarmos”. O grupo, então, resolve apostar numa chance ridícula. Como se uma carta fosse aportar num mar onde, primeiro, alguém entendesse japonês e que, segundo, estaria intacta aos seus respectivos donos. Isso serviu apenas para lavar suas almas e pensar “Bom, fizemos tudo o que podíamos” para conseguir finalmente seguir em frente.


Começando a maior das piadas: o Hagita, basicamente, salvou o dia quebrando a bicicleta do Kakeru! Esqueçam todo esse building emocional, se o Kakeru tivesse uma bicicleta, ele não conseguiria desviar daquele caminhão, o que teria tornado todo o esforço do anime inútil.

Agora falando de forma mais concreta, a mesma lógica de proteção ao Kakeru usada por seus amigos no futuro é, consistentemente, usada pelo próprio Kakeru. Ele não pode contatar sua mãe através de uma mágica viajem do tempo e, também, nem têm como pedir desculpas para ela sobre o que ele fez. Não é como se, francamente, tivesse qualquer coisa que o Kakeru pudesse fazer para salvar sua mãe, pois qualquer empurrão para o lado errado a colocava em vigilância contra suicídio para o Kakeru se matar. Além de ser a única forma de se redimir por continuar vivendo, essa era, talvez, a única forma de ele obter contato com sua mãe e resolver as coisas com ela. Assim, ao se agarrar nessa esperança em meio ao desespero, Kakeru tenta se suicidar, mas, como da última vez, é compelido por seus sentimentos por Naho e seus amigos. Entretanto, esse ocorre mais forte do que nunca, pois, graças às cartas, eles se tornaram bem mais próximos.


E, dessa forma, a vida segue. Arrependimentos vêm e vão. Às vezes eles demoram a passar e outras vezes jamais nos deixam. Porém, não importa o quão horrível seja a situação, enquanto a pessoa puder achar uma reason d’etre para seguir em frente, não existe razão para desistir. Devo dizer que sou uma pessoa bem sucinta com meus arrependimentos. Eu sempre me arrependo do que faço, porém nunca deixo que isso importe mais do que o necessário. Às vezes, existem coisas que você não consegue pôr para fora, mas essas são somente as coisas que você mais se arrepende. Orange é um anime idealista e, francamente, óbvio nisso, mas a beleza dele se encontra justamente aí. Se você tiver um ombro amigo para ouvir seus problemas, a única coisa que você deve temer é o quanto os seus problemas realmente põem sua vida, social ou física, em risco, porém nunca a sua psicológica.

 

Gostou desse artigo? Compartilhe:

Deixe uma resposta