Para onde essa história vai? Para onde o futuro vai?

Depois de dois episódios fantásticos, o terceiro foi bem mais “normal”. Ainda um episódio muito bom, mas a animação não foi mais aquela coisa toda – compreensível porque animação incrível tem um custo incrível, e o enredo foi menos amarrado. Na verdade, foi bem pouco amarrado. O que também faz todo o sentido: depois da apresentação inicial, Fune wo Amu começou a contar sua história de verdade. Consegue imaginar uma história de 11 episódios (mais de 5 horas!) apenas de momentos de impacto e animação estupenda? Conseguir até consigo, mas acho que se tudo tiver impacto, no final nada vai ter. A história teria imensa dificuldade em se superar continuamente. Principalmente porque não é uma história sobre guerreiros alienígenas que nos protegem de ameaças galáticas, mas uma história comum sobre pessoas comuns.

Mas teve uma coisa que esse episódio fez muito bem!

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O Majime é tão desajeitado com pessoas quanto os episódios introdutórios fizeram parecer. Ele fica constantemente sem palavras, sem reação, perdido em pensamentos, e não é apenas por timidez ou insegurança, mas porque ele realmente não entende o que está acontecendo, o que está sentindo. Ele não entende muito bem a si mesmo. Ele é muito bom na habilidade especial que ele tem, mas é uma habilidade muito específica: ele é bastante observador e possui excelente memória, o que o permite aprender coisas e tirar conclusões a partir do que ele observa. Talvez ele nunca tenha observado muito a si mesmo, não é? Ou talvez tenha, mas como ele poderia aprender observando a si mesmo algo que em primeiro lugar ele não sabe? E como poderia aprender o que se passa com ele olhando para os outros? Não é à toa que ele passou metade do episódio se assustando:

O Nishioka, se você leu meu artigo anterior, deve se lembrar que eu escrevi que não tinha engolido muito bem o fato de ter sido preterido no trabalho de produzir o dicionário em favor de um novato. Quero dizer, até onde eu entendi eles estão no mesmo nível e talvez o Nishioka até receba mais por estar no cargo há mais tempo, mas a preferência dos chefes pelo Majime é visível. Principalmente por parte do Araki, que moveu mundos e fundos para encontrar alguém que o substituísse no departamento. E essa parte eu acertei, em mais de um momento o Nishioka demonstrou frustração com isso. Mas ele se mostrou uma pessoa muito melhor do que eu havia imaginado e não deu sinal nenhum de estar imputando a culpa por isso a outra pessoa. Está guardando para si. E está sinceramente tentando ajudar o novo colega de trabalho e não para de se impressionar com ele.

Nishioka disse isso em tom de brincadeira, mas em seu coração há algo de verdade nessas palavras

Nishioka disse isso em tom de brincadeira, mas em seu coração há algo de verdade nessas palavras.

Esse episódio revelou muito sobre seus dois protagonistas sem fechar ainda nenhuma possibilidade para a história. Os dois, Majime e Nishioka, são curiosamente semelhantes. Um inveja o outro, no bom sentido. Majime queria ter as habilidades sociais do Nishioka – e chega a pedir a ele que o ensine ao final do episódio. Nishioka, por sua vez, provavelmente gostaria de ter a habilidade de observação e memorização do Majime. Nessa altura da história, um acha o outro muito incrível e considera que está em um patamar inferior do qual jamais será capaz de alcançar o colega. A história comum de Fune wo Amu parece ser a de como um aprenderá muito com o outro ao longo do tempo. Mas não sem dificuldades, ah não, porque aí não teria graça nenhuma, suponho.

No Conto do Cortador de Bambu, Kaguya é a Princesa da Lua que desceu à Terra. Belíssima, culta, próxima, e ao mesmo tempo inalcançável

No Conto do Cortador de Bambu, Kaguya é a Princesa da Lua que desceu à Terra. Belíssima, culta, próxima, e ao mesmo tempo, inalcançável.

Um possível romance do Majime com a Kaguya (que “apenas nasceu sob a lua cheia”, mas sabemos que em ficção nada é apenas coincidência; vamos ficar de olho!) sem dúvida acrescentaria um conflito poderoso ao anime. A mulher parece determinada e centrada em seus objetivos, mas ao mesmo tempo é apenas um ser humano, não é? O que aconteceria, digamos, apenas por hipótese, se ela acabasse desenvolvendo uma queda pelo Nishioka? Mas isso é especulação selvagem de minha parte. Menos especulação é o conflito que o episódio introduziu no final (e que também ajudou a caracterizar o Nishioka, mostrando que ele se importa, sim, com seu trabalho, e não é pouco): a produção do dicionário está em risco, o projeto está à beira de ser cancelado.

Curiosidade: além de ser obcecado por animes, tenho o costume de frequentar (apenas para ler) um fórum de infraestrutura para ver informações e discussões sobre obras de transporte em São Paulo em particular e no Brasil em geral, principalmente transporte ferroviário de passageiros. E coisa de pouco mais de um mês atrás publicaram por lá a foto do exato local da cena que escolhi como capa desse artigo e que apareceu nesse episódio. Veja:

O local real da imagem de capa do artigo

O local real da imagem de capa do artigo.

A publicação original no fórum é essa aqui. Alguns posts abaixo, outro usuário comenta, informando a localização: “Nessa foto acima, vemos duas linhas de trem metropolitano da JR East (Chuo-Sobu Line e Chuo Main Line) e uma linha de metrô da Tokyo Metro (Marunouchi Line).”

 

Revisado por Tuts

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  1. O episódio 3 de Fune Wo Amu foi mais calmo, a animação não teve nada de especial, mas ainda assim foi um episódio bom (pelo menos para mim). Adoro quando eles no final do episódio, põem em destaque as palavras e os seus vários usos numa frase, acho bonito e educacional, já para não da ending que é muito boa. Vou começar por falar do Nishioka, sinceramente neste episódio a minha visão sobre ele, ele é humano e como tal sente frustração e inveja (está mais para ciúmes que outra coisa). É natural que o Nishioka não se sinta bem com os elogios que o Araki dá ao Majime, já que ele está à mais tempo naquele trabalho e também se esforçou muito naquele projecto. A relação entre o Nishioka e o Majime não vai ser fácil e ainda bem que não o vai ser, senão perderia a graça toda. Quanto ao Majime, ele é pior do que eu imaginava, desajeitado, tímido, pensa demais nas coisas, retarda os seus pensamento, naquela parte em que ele vai sair da pousada e encontra a neta da senhoria foi a prova total que o Majime é péssimo em termos sociais, coisa que eu espero que melhore no decorrer do anime. Mas nem tudo é mau no Majime, a capacidade de memorização dele é incrível, o raciocínio lógico dele chega a ser assustador, aquela parte em que ele tem que ver e pesquisar as palavras para serem postas no dicionário é a prova disso, ao tempo que o Nishioka demora uma eternidade a fazer tal tarefa e o Majime faz a mesma tarefa muito mais rapidamente. Outra das coisas que destaco no Majime é a sua total dedicação ao trabalho, fico impressionado com a dedicação do personagem naquele novo ciclo de trabalho. O Araki é danado para implicar com o Nishioka, em principio ele não faz por mal, mas também aquele que o Nishioka mais quer agradar é ao outro senhor mais velho que ainda não decorei o nome.
    Agora falando da nova personagem do anime, a Kaguya, eu gostei dela, parece ser simples mas determinada, de certo ponto ela é parecida com o Majime, ela é dedicada ao seu sonho, que neste caso é ser chefe de cozinha, só aqui já gostei da personagem, no mundo da culinária, uma mulher muito dificilmente chega a chef principal num restaurante, principalmente quando este mundo é maioritariamente feito por homens. A dedicação da Kaguya ao seu sonho de ser chef, faz um contraste positivo com a dedicação que o Majime dá à sua nova jornada do trabalho (neste caso fazer o dicionário). É melhor não começares a conjurar teorias, neste caso de a Kaguya se interessar pelo Nishioka, nem quero pensar nessa hipótese, para mim se houver romance neste anime, que seja entre o Majime e a Kaguya eu acho que eles têm uma boa química. Se começares a fazer teorias ainda acertas metade do enredo do anime, já não seria a primeira vez que o fazes, mas a hipótese que colocaste no artigo de forma alguma pode acontecer.
    Obrigado pelo link da última imagem, gosto quando os estúdios se baseiam em infraestruturas reais para fazer os backgrounds dos animes, os japoneses realmente são exímios na arte de adaptar a sua rede de transportes públicos.
    Como sempre um excelente artigo Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Sobre a Kaguya, eu não sei o que vai ser daqui para frente. Talvez ela acabe nem sendo tão importante assim. De momento, acredito que os protagonistas são o Majime e o Nishioka, e só eles. Mas a mulher tem potencial, e as coisas em Fune wo Amu nunca foram jogadas à toa. Teve também aquele momento em que o Majime ficou listando os significados de “boa garota” que eu apostaria terão a ver com a Kaguya. Por enquanto nem há muito o que falar dela. É esforçada, ok.

      De resto, vamos ver como Majime e Nishioka enfrentarão a tempestade da ameaça de cancelamento do dicionário =)

      Obrigado pela visita e pelo comentário!!!

      • Também estou curioso com o que eles vão fazer em relação ao cancelamento do dicionário (o Nishioka quando ouviu os colegas a comentar esta hipótese pareceu-me ter ficado abalado). Espero que desenvolvam a mulher, ela tem potencial. Eu quero ver é como a relação do Majime e do Nishioka se vai desenvolver.

  2. O amor já alcançou (e até lhe derrubou) nosso personagem principal. No entanto, Majime precisa ter capacidade de, pelo menos, manter uma conversa com Kaguya, caso contrário, será difícil ter algum desenvolvimento amoroso. Acredito que Majime não esperava que Nishioka transmitisse ao restante que ele é virgem, mas mesmo assim não demonstrou vergonha ou algo semelhante. Matsumoto demonstrou experiência ao dizer sua perspectiva sobre isto, e concordo, saber o significado de muitas palavras não necessariamente significa já ter tido uma experiência real com elas. Veremos como eles resolverão o problema do cancelamento do dicionário no próximo episódio, espero.
    Fora isto, ótimo post. Até!

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Conhecimento adquirido por observação funciona bem para muitas coisas, mas certamente não funciona para entendermos a nós mesmos. A senhoria da pensão e o Nishioka, em momentos diferentes, já demonstraram entender o Majime melhor do que ele entende a si mesmo. E fez bem em mencionar a questão da virgindade porque o Nishioka tê-lo revelado virgem em público demonstra que o problema dele não é tanto de timidez – se fosse, ele teria se escondido embaixo da mesa naquela hora. É falta de auto-compreensão mesmo. Ele se afoga em um mar palavras por causa disso, está procurando os significados para si mesmo – mas esses ele jamais encontrará em um dicionário.

      Se for dado ao Majime defender a continuidade do projeto do dicionário já podemos considerá-lo encerrado. Estou bastante curioso com esse desenvolvimento da história.

      Obrigado pela visita e pelo comentário! =)

  3. Mas gente, o “episódio a episódio” parou nesse pq? Tá interessantissimo esse anime…

    Primeiro: há muito tempo não vejo um anime sem alguém vestido como colegial. Ou seja, um mundo só de adultos.

    Segundo: mostra uma atividade profissional que acho nunca foi tratada por qualquer tipo de midia que eu conheça nessas minhas muitas primaveras que é “como se faz um dicionário”. Ainda mais em japonês, que deve ser uma desgraça logística, pq os dicionários japas estão SEMPRE expandindo (a cada nova atividade humana tem de se arrumar os ideogramas que transmitam aquela palavra/idéia). Quando trabalhava para um zaibatsu vi muitos deles no escritório, o nosso Michaelis parece folheto de missa perto de um deles, fora a qualidade do papel, da capa e que sempre tinham as suas caixas para preservar do pó…

    Terceiro: vc pode jogar fora todos os seus livros de escola e colégio. Mas por incrivel que pareça o dicionário é aquele livro que sempre fica preservado, numa gaveta, num escaninho da escrivaninha…Tanto é que logo depois de ver o primeiro ep. fui conferir aquele Michaelis velhinho (ainda encapado com plastico verde da segunda série primária) datado de Mil e Novecentos e cof…cof….E comecei a viajar no trabalho enoooorrrmeee que é fazer um deles (não importa a lingua). Senhores dicionaristas do mundo eu humildemente vos saúdo!! E deixo meu muito obrigado pelas inumeras vezes que me ajudaram e que me revelaram o segredo oculto das palavras, na procura de um sinonimo de um antonimo e por aí vai.

    Quarto: voltando ao anime, tem muito a se notar da cultura corporativa japonesa neste. Vi muito disso, principalmente na disputa de projetos novos e antigos. Projetos que dão resultado rapido (mas não se sabe o que vai garantir a janta depois) os que darão resultado a longo prazo (mas mantem o povo comendo tres refeições por um longo tempo)…Vi muitos Nishiokas por lá, assim como Arakis como tambem vi muitos Majimes (quando começavam um papo daquilo que dominavam não paravam mais de falar e com cerveja então….)…O anime poderia ser ambientado numa indústria pesada (foi o meu ramo, alias gostaria de um anime ambientado numa empresa dessa. Bem na verdade só vi um ep. de Black Lagoon, o primeiro, o zaibatsu se chamava Asahi) ou qualquer ramo de atividade empresarial vc veria esses personagens.

    E um fato de que me deixa muito orgulhoso, que o primeiro dicionário bilingue que traduziu o japônes para o mundo foi um dicionário português japônes…Pois é…Abçus a todos!!!
    E desculpe o longo comentário…

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Olá James!

      Não parei não, é que o meu tempo anda complicado, hehe, mas deve sair um artigo sobre os dois últimos episódios em breve, prometo!

      E realmente, agora que você mencionou, acho que não me recordo de nenhum anime que retrate a realidade de uma grande empresa japonesa. Não que esse seja o foco de Fune wo Amu, mas seus personagens fazem parte de uma e seu dia à dia tem tudo a ver com ela, então essa acaba se tornando uma dimensão a mais da obra. Em Black Lagoon é só o pretexto para o começo da história mesmo, depois nunca mais se vê da ex-empresa do Rock/Rokuro.

      Mas em uma história sobre pessoas reais, vivendo vidas reais, acho que seria impossível ignorar seus empregos, não é? Inclusive me parece verossímil que a vida social de um trabalhador médio japonês gire em torno de seus colegas de trabalho. Já é assim por aqui mesmo no Brasil, em grande parte, que dirá por lá, a ser verdade tudo o que ouço a respeito. É muito interessante que você tenha experiência pessoal com isso para compartilhar!

      Obrigado pela visita e pelo comentário, e volte sempre! =D

  4. Bom gente, passo mais uma vez aqui para deixar mais umas palavrinhas de como este anime é interessante e me pegou na veia…
    De novo, notei uma outra faceta relacionada a “cultura corporativa” de lá…Mas por um olhar diferente: o das gerações e como elas estão enfrentando os tempos atuais no Japão, explico:
    Primeiro há de se explicar a ambientação do anime (este anime é um dos casos raros que primeiro veio a adaptação de uma novela para filme e depois para anime), o livro foi publicado em 2011, mas claramente ambientado no final dos anos 90 inicio dos 00 (notaram a TV de tubo na casa do Nishioka?). Vamos aos personagens:

    Mestre Matsumoto: um senhor digamos nos seus 70/80 deve ter vivido o periodo pós guerra (se é que não esteve nela). É um representante do Japão da artesania. Tradicionalista, usa uma caneta tinteiro (e é uma Montblanc). Apenas quer deixar no mundo, com mais uma obra antes do derradeiro inverno chegar.

    Araki: é aquele que viveu os grandes periodos de crescimento economico do Japão. Acredita ainda em industria, foi um grande tocador de projetos. Sacrificou a sua vida pessoal por eles. Foi um heroi corporativo dos idos passados (quando o Japão era um dinamo industrial), mas sabe que a sua era tambem passou. Como Matsumoto quer deixar a sua obra, mas no seu caso ele já está cansado das lutas. Seu objetivo: a aposentadoria junto a familia.

    Majime: é um carinha desorientado, como uma geração de jovens japoneses, encontra prazer num mundo só seu. Se não fosse seu emprego na editora seria quase um NEET. Vive na sua ilhazinha construida de palavras, mas deve vez em quando visita o continente do mundo das pessoas normais (e até sente prazer nisso, mas sabe que aquele mundo não é muito a praia dele). Como muitos é extremamente habilidoso e cuidadoso no que faz, mas sua habilidade não encontra apoio no mundo. Ninguem o festeja por ser o que é e ele desistiu de ser festejado. Ele é um naufrago dos dias atuais a procura de uma boia nesse oceano de pessoas.Despreza a tecnologia. Eu diria que ele é o Mestre Matsumoto que nasceu na era errada.

    Nishioka: esse para mim é o heroi do mundo corporativo atual japones. É arrojado, objetivo, flexivel e sociável. Não trabalha de acordo com o “manual”. Ele não tem “manual”. Ele reage de acordo como os cenários vão se apresentando. Não liga muito para regras sociais (mora com a Miyoshi numa boa). É ambicioso, mas nem tanto, quer o lugar do Araki, mas sabe que no tempo certo o seu trabalho dará frutos. Vê o conflito entre o imediatismo e os projetos de longo prazo e ele tem de escolher…Ele é o Japão atual ele não lamenta os tempos passados e não perde tempo conciliando o passado com o futuro que virá. Sabe que é o protagonista para levar o Daitokai a frente, mas que precisa de um Majime para isso.

    Agora as moças:

    Sasaki: é aquela senhora dos seus 40/50 que vc vê em todo escritório de zaibatsu. Cuida da papelada para que os homens andem com seus projetos. Mas sem ela a coisa não vai, pois é eficientissima (conselho: trate as muito bem pq se uma delas não for com a sua cara…). Muito discreta e não reclama de NADA. Acredita-se que seja ainda solteira. É o contraponto da Remi e da Kaguya.

    Miyoshi: é o par do Nishioka em modo de ser. É uma tipica corporate girl japonesa. Eficiente como a Sasaki, mas não sacrifica vida pessoal a ponto de se tornar uma.

    Kaguya: uma garota totalmente independente tem um objetivo definido e ninguem no mundo (nem se Godzilla invadir Toquio) vai tirar ela do caminho. Muito disciplinada, mas com mais habilidades sociais que o Majime.

    Take: a vovó mais fofinha que já vi…Sem mais…

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