Esse é o Nishioka que nós amamos!

Se os três primeiros episódios foram, podemos dizer, do Majime, esses dois foram do Nishioka. Assim, começo a acreditar que ele não seja apenas o deuteragonista, mas co-protagonista mesmo. É como o James Mays descreveu em um brilhante comentário no artigo anterior: um precisa do outro. O Majime tem o conhecimento necessário para que A Grande Passagem se torne realidade, mas é o Nishioka quem reúne as habilidades gerenciais e principalmente sociais para permitir que a produção seja realizada em primeiro lugar.

Depois da competência com palavras do Majime ser enfatizada de forma transcendental, mágica mesmo, no primeiro arco, esse segundo mostra a competência social do Nishioka de forma agitada, principalmente com os quadros que se alternavam rapidamente e até dividiam a tela no episódio quatro. Escolhas estéticas deveras adequadas para os diferentes momentos e diferentes ênfases.

Mas se a sociedade japonesa recebe de braços abertos pessoas com habilidades técnicas (desde que sejam necessárias no momento) como o Majime, o mesmo não se pode dizer sobre os pró-ativos como o Nishioka. Majimes são excelentes apertadores de parafusos. Já Nishiokas, é como disseram por suas costas no episódio quatro: pregos que se destacam são martelados.

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É como o Araki disse. E era o que o Nishioka queria ouvir faz tempo

É como o Araki disse. E era o que o Nishioka queria ouvir faz tempo.

E é compreensível que tenha sido assim, não é? Algumas empresas simplesmente têm uma cultura organizacional que enfatiza a hierarquia de forma muito rígida, e a simples ideia de que decisões que afetem toda a empresa possam ser tomadas por quem está em cargos inferiores causa arrepios em seus dirigentes. Fere o orgulho mesmo. Não é nem questão de ser melhor ou pior para a empresa: é questão de quem está realizando o que é melhor (ou pior, ou tanto faz) para a empresa. Você talvez conheça ou já tenha trabalhado em alguma empresa assim. Talvez tenha até tido problemas por causa disso (meus pêsames, eu sei como é duro). Agora transporte-se mentalmente para o Japão: lá essa é a regra, não a exceção – a maioria das empresas é assim (e que o James me corrija se eu estiver falando besteira).

É lógico que é bom para a editora, que já é mesmo famosa por produzir dicionários, criar mais um novo dicionário, e ainda por cima um com uma proposta tão grandiosa quanto A Grande Passagem. Mas os burocratas nos escalões superiores decidiram que o custo no curto e médio prazo não compensaria o provável lucro no longo prazo, e o projeto estava por um fio. Foi aí então que o Nishioka entrou em ação: entrando em contato desde cedo com colaboradores para o dicionário, ele o tornou um fato consumado. Pode causar prejuízo produzir o dicionário, mas causará mais prejuízo ainda a mancha no nome da editora provocada pelo seu cancelamento agora que várias pessoas importantes do meio, de fora da editora, já sabem sobre ele. Então é isso, o dicionário vai continuar.

Mas não sem consequências. Para começar, a editora empurrou a revisão de um dicionário recém-revisado para o departamento de dicionários. Não é só despeito, já que é um produto de sucesso da editora e uma nova revisão tende a ser bastante lucrativa. Mas é, como o Araki bem notou, uma forma da editora forçá-los a ganharem por conta própria o dinheiro que irá custear o projeto d’A Grande Passagem. E claro, quem pagou o preço mais alto foi o próprio Nishioka, que acabou transferido para outro departamento – o mesmo onde sua namorida Miyoshi trabalha. E agora vou falar mais dos personagens, começando pelo casal Nishioka e Miyoshi.

Eu lembro que a Miyoshi apareceu, ainda anônima, logo no primeiro episódio, olhando meio torto (pena? desdém?) para o Araki enquanto ele caçava um sucessor para si próprio na editora. No episódio quatro é revelado que ela e o Nishioka têm um caso. Mais que um caso: moram juntos. Daí eu ter usado o esquisito neologismo “namorida” no parágrafo anterior, uma fusão entre namorado(a) e marido(“a”), que vejo muitas pessoas usarem para descrever casais como eles, não formalizados no papel e às vezes até mesmo mantidos em segredo de outras pessoas. Como aliás é o caso dos dois. Pela reação da Miyoshi ao seu chefe no episódio cinco, suspeito que tenha a ver com a empresa. Talvez não vejam com bons olhos que um casal trabalhe junto? Será isso também um costume japonês? Me ajuda aí, James!

Encontre alguém que olha para você como a Miyoshi olha para o Nishioka. Não tem piada não, é sério.

Encontre alguém que olha para você como a Miyoshi olha para o Nishioka. Não tem piada não, é sério.

Pelo que a Miyoshi contou, chuto que eles se conheceram na faculdade e estão mais ou menos desde então juntos. Por todo o seu comportamento, eu suspeito que tenha sido ela quem tomou iniciativa, quem escolheu entrar na mesma empresa indo atrás dele, quem no geral se importa e se preocupa mais. Não que o Nishioka não deva gostar dela também, é apenas que ele está em um momento da vida em que tem várias outras preocupações, muitas coisas bem mais pessoais, e talvez apenas não perceba a dedicação e o carinho da Miyoshi na maior parte do tempo. Mas nesse quinto episódio ele percebeu, e me pergunto se isso irá mudar algo nele. Essa realização veio no momento em que ele lia a carta de amor do Majime, afinal. Quinze páginas!

Queria conseguir colocar em palavras o que o anime fez nessa cena, aliás, mas não sei descrever. Acho que tudo bem, esse é um anime que usando a criação de um dicionário como pano de fundo trata justamente sobre a dificuldade de encontrarmos as palavras certas, não é? O Nishioka não conseguiu ainda dizer aos seus colegas que será transferido. O Majime sempre fica sem palavras na presença da Kaguya, e todo esse sentimento acumulou em 15 longas e prolixas páginas. Eu não consigo colocar em palavras, mas conforme o Nishioka folheava e lia a carta do Majime eu cheguei sozinho à mesma conclusão que ele: aquelas palavras eram os sentimentos reais do Majime, o melhor que ele poderia fazer era transmiti-las exatamente daquela forma, sem tirar nem pôr. Ele quer que a Kaguya aceite a ele, afinal, não a uma máscara criada com palavras doces mas que não são as dele.

E é isso aí. A carta está entregue. O projeto do dicionário vai continuar, enquanto a revisão já começou. O Nishioka vai fazer o que puder para ajudá-los, presumivelmente mesmo depois de ser transferido de departamento (ele começou a gostar da coisa, afinal). Tudo isso está só começando. A sorte está lançada.

 

Revisado por Tuts

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  1. “Talvez não vejam com bons olhos que um casal trabalhe junto? Será isso também um costume japonês? Me ajuda aí, James!”
    Bem essa vai ser boa…Quando estive lá (e olha não muito longe dos cenários mostrados no anime), as regras eram que o casal que quisesse se relacionar podiam se relacionar desde que trabalhassem em setores diferentes separados e não no mesmo local ou o trabalho de um dependesse do outro. Nos zaibatsu devido ao pouco tempo de lazer devido a massacrante rotina de trabalho, muitos deles (inclusive ao qual trabalhava) tinham Clubes de Encontros (tinha um nome para esse evento que pelo que me lembro chamavam de ‘specials’ speciaru dayso que acontecia sabado sim sabado não, era um day off com umas 2000 pessoas num auditorio enorme e muito bonito. Só para constar esses eventos eram realizados por uma empresa do grupo! O Diammond Club (se procurar no goggle vão saber de que zaibatsu estamos falando). Funcionava como uma quermesse,haviam jogos, comidas gostosas e sempre um Karaoke (haviam varios) e bebida de baixo teor alcoolico. Eu não pude participar por causa da minha cara ocidental, se bem que até arrastei umas asas para umas kaguya por lá….As pessoas estão brilhantemente vestidas e perfumadas e tentam mostrar o melhor de si. E o tempo passa e os casaisinhos vão se formando acompanhados de seus “anjos” para ver se tudo vai bem….Já no final vc encontra uns no metro dando umas bitoquinhas carinhosas na plataforma do metro em Maruonochi…Foi muito legal e tirou de uma vez a impressão de que o povo japones não é gregário.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      O problema é só não ser no mesmo departamento? Imagino qual a razão de terem mantido isso em segredo até agora então (mas acabou sendo bastante útil). Talvez seja porque o Nishioka ainda queria ir para aquele departamento?

      • E cara brigadão pelas elogiosas palavras…Como diz um grande autor japones “oro para que a vida seja gentil contigo”….KKKKK

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Esse é mesmo um grande autor, ultimamente tem sido meu preferido, hahaha!!

        E que nada, você merece cada um dos elogios. Esse artigo, sem seus comentários certeiros no anterior, teria sido muito diferente – e pior.

        Obrigado de verdade =)

  2. O departamento editorial de dicionários está comportando-se cada vez mais como uma equipe, onde cada membro expõe suas habilidades e forças para desenvolver o dicionário e superar as dificuldades, o chamado “progresso contínuo”, a qual o episódio deu significado ao iniciar à finalização. E é fato que, por enquanto, os que mais demonstraram importância ao desenvolvimento de “À Grande Passagem” foram, sem dúvida, o Nishioka, usando o seu “talento” para a comunicação e Majime, ajudando o Mestre Matsumoto com palavras e guias de escrita. ‘Um precisa do outro’, como o James disse em um comentário do artigo anterior e você citou neste, e ‘Todos precisam dos dois’, como dito por um amigo meu. Apesar de ser o protagonista do anime, o Majime nem sempre será o protagonista do episódio, mas é ele quem proporciona o incremento de outros personagens, como foi comprovado no episódio cinco. Apesar de atencioso com os demais membros, a paixão de Nishioka em trabalhar na criação do dicionário só revelou-se devido à chegada de Majime. Afinal, a paixão é dramática. E seu tamanho é desconhecido, quinze folhas podem não ser capazes de descrever este sentimento.

    Fora isto, ótimo post. Perdoe-me pelo longo texto. Até!

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Ah sim, sem sombra de dúvida é a chegada do Majime que dispara os eventos registrados pelo anime. Mas a essa altura ainda acho que Fune wo Amu tem como protagonistas ambos Majime e Nishioka – se isso vai se comprovar como realidade para a série inteira ainda está para ser visto. É verdade que o Majime tem um subenredo pessoal muito mais interessante (sua relação com a Kaguya), mas não é como se isso também não afetasse o Nishioka de algum modo, como bem vimos. E no terreno amoroso como no profissional, o Nishioka tem potencial para ter uma história própria tão interessante – e importante para Fune wo Amu – quando o Majime, ainda que seja bem diferente em tudo. Os dois são bem diferentes, e essa é toda a graça do anime!

      E eu agradeço pelo comentário, como sempre, não há pelo que se desculpar! Obrigado pela visita e pelo comentário =)

  3. Só deixar registrado um elogio as musicas do anime. A da abertura (bem upbeat, legalzinho, não enjoativa e que não te obriga a pular a abertura depois de ver um ou dois episodios) e as musicas incidentais (a da cena do Majime entregando a carta, cena e musica se casando num momento extremamente tocante) vai entrar para o meu hall da fama dos momentos mais antologicos em anime que eu já presenciei. Fora a animação em si, bem caprichada, não é daqueles animes que se vê colegiais apenas movimentando a boca ou aqueles movimentos padronizados (desde quando vc um cara vestindo um paletó no quadro? Ou simulando um chute de brincadeira no seu amigo). Parece que o problema de financiamento do Daitokai não aconteceu com o depto de animação e musica. O que é um colirio para os olhos…Pq até que enfim gastaram uma prata para propiciar esta historinha que era para ser melosa e se torna um simposio de estudos sociologicos do Japão atual.
    Vai saber…

    • Concordo com tudo o que escreveste James, este anime é dos mais bonitos desta temporada, tem uma boa trilha sonora (aquela ending é muito bonita) e acima de tudo é um anime de cultura, ele ensina alguma coisa, ao contrário daqueles animes clichês que mais parecem lixo lixo industrial. Parece que quem planeou este anime não se deixou afectar pelas tendências dos animes actuais, que na sua maioria são medíocres. Antes que me esqueça, excelentes comentários James, ao lê-los já aprendi mais um pouco sobre o Japão.

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Não é? Os comentários do James no artigo anterior me fizeram ver muitas coisas que eu ainda não tinha visto no anime!

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Tecnicamente vem sendo um anime belíssimo, de fato. Eu achei que depois dos primeiros episódios iria cair a qualidade, como é comum em animes seriados, e bom, cair um pouco até caiu, mas mesmo assim continua notavelmente acima da média. Um casamento perfeito para um enredo contado de forma tão interessante!

      Obrigado pela visita e por todos os comentários! =)

      • Acho que ainda vamos aprender muito com o James. Eu acho que o anime vai manter a sua boa qualidade técnica até ao final, também vão ser só 11 episódios, se calhar nem vamos ver a cena da publicação da Grande Passagem, além de que uma segunda temporada para este anime é impensável, já que os japoneses não compram muito este género de anime cultural e bem feito, eles preferem o lixo indústrial, cheio de ecchi e lolis.

      • Eu acredito numa segunda temporada…O anime tem bons indices de audiência por lá, embora não seja um smash hit como Fullmetals ou Narutos é um produto muito bem elaborado, afinal é a adaptação de algo que foi sucesso como livro (dos livros mais vendidos em 2011) e o filme foi premiado pela Academia Japonesa de Cinema (só o trailer do filme é masterclass), foi selecionado ao Oscar de melhor filme estrangeiro (não concorreu). E acho que se mostra na melhor forma como anime…Ou tem uma segunda temporada ou uma sequencias de OVAs pelo menos. Veremos…Mas que seria uma injustiça para com o público não ter uma segunda temporada isso seria….E a droga é que não tem manga (ainda) para acompanhar a continuação da historia…Mas isso é conjeturação…Mas viajando na maionese…E uma historia extremamente adaptavel a qualquer cultura ocidental (logico que com as devidas adaptações) pois ela tem todos os componentes de um excelente filme. Poderia ser aqui no Brasil como em Portugal ou Inglaterra. Num mundo em que cinema só se resume em herois da Marvel DC até 2020 esse filme seria uma lufada de ar fresco para o mundo.

  4. Estes dois episódios foram muito bons, já fazia um bom tempo que não via um anime que me despertasse tanto a atenção (não é qualquer anime que desbloqueia esta proeza na minha mente e disposição de ver anime). Começando pelo episódio 4, só tenho a dizer uma coisa, eu estava errado em relação ao Nishioka, ele é melhor do que parecia nos primeiros 3 episódios de Fune Wo Amu. O plano que o Nishioka engendrou para impedir o cancelamento da Grande Passagem foi um golpe de mestre, gostei da reacção dele quando recebeu um elogio do Araki (quem não gosta de ouvir um elogio de uma pessoa que admira). O Nishioka e o Majime estão a começar a entrar em sintonia, sinto que mais para o final do anime eles se tornarão grandes amigos. Gostei do facto Majime ter ido ao parque de diversões com a Kaguya, já fazia tempo que eles deviam ter saído para dar uma volta (como não gostar da avó da Kaguya, ela dá a entender que caso o Majime peça a Kaguya em namoro ela aprova). Para mim a melhor parte do episódio 4 foi o da roda gigante, aqueles diálogos entre a Kaguya e o Majime de certa forma serviram para expressar o que os dois estão a tentar e a trabalhar para alcançar.
    Quanto ao episódio 5, vou começar pela carta de amor que o Majime escreveu para a Kaguya, o Majime está apaixonado pela Kaguya, aquela carta de amor que ele escreveu prova isso. Mas ainda assim fiquei admirado de ele ter pedido ao Nishioka para ler a carta de 15 páginas, para este ver se estava tudo bem, para um pedido formal de namoro. Concordo quando dizes que chegaste à conclusão que o Nishioka quando estava a ler carta ele viu nas palavras de Majime que aquelas palavras eram os seus verdadeiros sentimentos pela Kaguya. Voltando ao Nishioka, as coisas para o lado dele não estão fáceis, mas ele desde o inicio que ele sabia, que quando começa-se a arranjar patrocinadores e gente famosa para ajudar na produção do dicionário da Grande Passagem, que a vida na empresa não seria mais a mesma. Eu achei a atitude da empresa, em mandar o departamento dos dicionários a revisarem um dicionário para crianças uma merda, eles simplesmente querem obrigar o departamento do Araki e do sensei Matsumoto a pagarem os custos de produção da Grande Passagem. Voltando ao Nishioka, agora a situação dele é difícil, ele sabe que vai ser transferido para outro departamento, mas ainda assim ele quer começar a grande obra que vai ser a Grande Passagem (uma atitude louvável, para um personagem que a uns episódios atrás parecia que não gostava daquele trabalho, mas desde a chegada do Majime parece que ele mudou). Eu já sabia que o Nishioka tinha uma relação com a Miyoshi (que no episódio 5 se veio a descobrir que tal relação já poderia vir da faculdade). O facto de eles morarem juntos nem me faz diferença, mas acredito que no Japão tal coisa não seja bem vista e ainda por cima pelo facto dos dois trabalharem na mesma empresa. Aqui quando um homem e uma mulher vivem na mesma casa sem namorar nem casados, nós aqui dissemos que eles vivem num regime de coabitação, tal situação é até admissível no acto da entrega dos dados dos ganhos e propriedades numa repartição de finanças (aqui vulgo IRS). Tal regime também é aceite nas grandes empresas, aqui em Portugal, mas se esse mesmo homem e essa mulher viverem juntos nas mesma casa as empresas não empregam os dois. Acredito que o facto de a Miyioshi ocultar o facto de viver junto do Nishioka da empresa deve ser esse mesmo, já que eles não são casados. Realmente também queria encontrar alguém que me observasse como a Miyoshi observa o Nishioka. Nota-se que a Miyoshi sente alguma coisa pelo Nishioka, senão não o aturava bêbado. Agora ao acontecimento que eu já esperava a algum tempo, o Majime deu a sua carta de amor à sua amada Kaguya, quando vi esta cena até dei um pulo da cadeira, finalmente o Majime teve coragem para dar a carta à Kaguya, se bem que esta parecia estar confusa (será que ela vai perceber o vocabulário caro que o Majime pôs nos seus sentimentos, até um poema chinês ele colocou lá).
    Como sempre mais um excelente artigo de Fune Wo Amu Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Na circunstância em que se deu a entrega da carta era impossível a Kaguya recusar, e ainda existe a chance bem real de ela simplesmente não ter entendido que se tratava mesmo de uma carta de amor. Depois que ela ler é que eu quero ver como vai reagir. Talvez não entenda alguns kanjis ou o poema em chinês, mas com certeza, como o Nishioka, ela vai entender a intenção. Ela parecia nutrir algum afeto pelo Majime já faz um tempo, mas se era amor ainda vamos ver.

      Por aqui no Brasil viver junto sem ser casado é a coisa mais comum do mundo. No geral, as pessoas simplesmente moram juntas e exceto quem é bem próximo ninguém sabe se elas são casadas ou não – e ninguém liga. Em ambiente trabalho a aceitação de qualquer tipo de relacionamento afetivo varia muito de empresa para empresa, mas é quase certo que não trabalhando no mesmo ambiente e não sendo ligados por relação de subordinação hierárquica não haverá problema nenhum.

      O Nishioka fez o movimento dele, foi um grande movimento pelo qual ele pagará um preço alto, e agora o anime volta para o Majime. Estou bastante curioso com o que irá acontecer a seguir. Imagine um Majime rejeitado e deprimido em um departamento que acaba de perder o Nishioka?

      Obrigado pela visita e pelo comentário =)

      • Nem coloques essa hipótese, se o Majime ver o seu pedido de namoro à Kaguya rejeitado, ele vai ficar um traste, e se juntar a isto ele descobrir que o Nishioka vai ser transferido acho que ele não vai aguentar. Aqui as grandes corporações não admitem que um casal trabalhe, ou se então mesmo solteiros tiverem filhos ou companheira já não podem ter o emprego na mesma empresa. ou então no mesmo departamento, é parvoíces de um país conservador (se bem que nas empresas familiares se possa ver estes casos). Aqui as pessoas só toleram que um casal viva junto sem serem casados quando são jovens, depois dai as pessoas olham feio, aqui como pais católico uma situação destas fica muito mal vista.

      • Eu acho que a quimica da Kaguya para com o Majime está ainda meio crua…A Kaguya está ainda se recuperando do susto que o Majime deu, no caso da entrega da carta (parecia quando trabalhava no zaibatsu quando o diretor financeiro ia entregar os resultados financeiros do trimestre a diretoria executiva, não chegou a ser de joelhos mas a voz que o cara fazia era muito parecida a do Majime e sempre olhando para o chão e detalhe os resultados estavam bons se estivessem ruins eu acho que ele se ajoelhava com a testa no chão). Mas acho que a Kaguya (que vive num ambiente competitivo – e masculino – de se tornar chef) ela vai ponderar as coisas, fora a fofinha da obachan Take fazendo a maior propraganda do Majime…Eu aposto que ela vai sucumbir aos escritos do Majime…Mas japoneses que são (desculpe a expressão nossa do Brasil) não vai entregar essa rapadura assim de cara não…

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        É mais ou menos a impressão que eu tenho da Kaguya também. Ela está definitivamente interessada (no sentido de curiosa) pelo Majime. Ela vai querer ver onde isso vai dar, mas com cautela.

  5. Bom gente, agora já saiu o legendado em português….Geeeennte está bom demais!!!!! Sem spoilers, mas a cena da Kaguya com o Majime foi ANTOLÓGICA!!!! Só isso…Emocionante, tocante, sem ser melosa (daquelas que matam qualquer diabético pelo nível de açúcar). Esperando a resenha do amigo “Mexicano” com extrema ansiedade…

    • Se todas as cenas de romance fossem feitas de forma mais adulta, como Fune Wo Amu fez, de certeza que eu não teria a raiva que tenho, daqueles animes onde o protagonista se vai declarar a outro personagem e acaba chutado entre outras coisas, esses animes têm que aprender como se faz com o Majime e com a Kaguya.

      • Entendo a vossa frustração…Mas temos de lembrar que a origem deste anime é uma adaptação de uma novela de uma escritora premiada: Shion Miura. Ou seja, é uma obra original, sim, é um slice-of-life (mas este rotulo é vago, preferiria adaptação de obra). Animes adaptados de mangas (que é o que geralmente acontece), ou vice versa, sofrem da pasteurização de ambas indústrias (infelizmente não há como classificar melhor pq são realmente indústrias). Então como indústria se vê obrigada a entregar uma miríade de produtos em muito pouco tempo e qual a solução? A padronização (ou como dito a pasteurização)…Acho que as reuniões para começar um projeto de anime deve ser mais ou menos assim: chega o chefe na sala de reunião e diz “pessoal temos de fazer a adaptação do anime tal que é um slice-of-life, no colégio, faixa de uns 16 anos, tem romance, nivel fofura 5 (numa escala de 5) com um fanservice (que eu odeio) ali e aqui. E não se esqueçam que a janela para a TV é de uns 24 episódios. Agora voltem as suas mesas e me tragam este treco pronto!” Deve ser (e não sou uma autoridade no assunto como muitos resenhistas pelo blog) mais ou menos assim. E é assim que se produz esse tal de entretenimento.
        Mas quando esse entretenimento lhe causa reações profundas aí, meu caro, estamos elevando à categoria de arte.
        Assim como a cena da Kaguya com o Majime no final do ep. não é cena de um anime qualquer ela é digna de arte cinematográfica. A melancolia do Majime, a serenidade da Kaguya, a musica incidental (fantástica), a musica dos dialogos (e aqui vai um grande elogio aos dubladores) e o encerramento da cena. Uma torrente de referências nos vem a mente: Woody Allen em “Annie Hall”, Adam Sandler em “Punch drunk love”, John Cusack em “Say anything” e Trevor Howard em “Brief encounter”…E não me canso de dizer foi ANTOLÓGICA!!!!

    • Das coisas que mais gosto e posso mesmo afirmar que amo neste anime, é o trabalho e dedicação dos dubladores, eu acho que a dubladora da Kaguya e o dublador do Majime naquela cena que já referiste, foi excelente. Aliado a isto, a trilha sonora, o cenário, que é simples, mas muito eficaz e detalhado e depois a entrada daquela ending linda, sempre com o significado da palavra em destaque, é simplesmente uma daquelas cenas que ficam na memória, eu vi esta cena uma 10 vezes, e sempre fico admirado com os diálogos dos dois, a maneira que cada um deles se expressa, tudo neste anime foi bem pensado e faz jus ao material de que foi adaptado.

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Parem de me deixar curioso com o próximo episódio, tenho tanta coisa pra fazer antes de poder assisti-lo ainda =~~

        Sobre histórias mais verossímeis como Fune wo Amu vs animes mainstream, tem a questão da padronização também (consequência de modismos passageiros; o romance adolescente padrão de hoje não é o mesmo de 10, 20 ou 30 anos atrás), mas acho bom notar que vocês estão comparando histórias escritas para públicos-alvo diferentes. Fune wo Amu é uma obra adulta, escrita sem dúvida para o consumo de outros adultos normais. A maioria dos mangás e animes é produzida para adolescentes ou para jovens adultos otakus. Isso leva necessariamente a uma diferença de gostos, estética, abordagens, etc.

  6. Só mais uma coisinha…Desculpa gente tô abusando, né? A cena da Kaguya com o Majime deste episódio é muuuuiiiitttto melhor no anime do que no filme original…Pronto fui…

    • Concordo eu vi o filme original, mas a cena do anime foi muito melhor, aliás não desmerecendo o filme ele é muito bom, mas o anime está a fazer um trabalho superior em tudo. A cena do Majime e da Kaguya no anime é inesquecível.

  7. Pessoal…Bom dia!
    Concordo em tudo o que o “Mexicano” comenta…Claro é uma indústria a serviço de um enorme mercado. Mas esse é a exceção que confirma a regra…

  8. E aí pessoal…Só mais umas…Coisinhas que eu notei:

    Coisinha que eu notei 1: Atentando nos créditos de abertura, notaram que na cena do Majime despertando sempre tem um livro diferente na mesa. Sabe o que livros são esses? Dicionários…Só consegui identificar o Sanseido e o Daijirin…A cada cena um dicionário diferente. Agora se é merchandising de dicionário aí só o pessoal da ZEXCS para responder…”Easter egg” deixo para o “Mexicano” essa…

    Coisinha que eu notei 2: Assista os filmetes após os créditos de fechamento de episódio…Se vc não viu o filmete do ep. 4 talvez não entenda o que a Kaguya diz no ep.6. Atenção a eles…

    Coisinha que eu notei 3: Estamos em mais da metade da série e um personagem do filme ainda não apareceu (mas está na lista dos personagens do anime) será que tem algo a ver com a carta recebida pela Take no ep. 6?

    Abraço a todos e vamos ao ep.7!!!!

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Vou prestar atenção nessa dos dicionários, embora provavelmente seja bem pouco útil para ocidentais, hehe.

      Eu sempre assisto os animes do segundo zero até o player parar, isso inclui aberturas e encerramentos completos, e o que quer que venha antes ou depois deles. Fune wo Amu de fato escolheu contar parte da história no pós-encerramento.

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