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Outro título possível para esse artigo seria “Yakumo já fez tudo o que tinha que fazer”. Mas trato disso adiante.

Dessa vez não escrevo propriamente uma introdução mas uma curiosidade. Meu amigo Vinicius, parceiro do blog finisgeekis, encontrou uma apresentação de rakugo muito interessante realizada por um canadense. Sim, um canadense! Em um trecho o artista interpreta uma variação (própria, acredito) da principal peça apresentada nesse episódio, Jugemu. Enfim, o Vinicius escreveu várias considerações a respeito, leia o artigo dele onde encontrará também o vídeo. Vale muito a pena!

E isso tem muito a ver com o que, acredito, seja o tema principal desse episódio: a evolução do rakugo. Ou acha que o Yakumo e todas as gerações que o precederam poderiam, nem digo aceitar, mas imaginar, que um dia haveria estrangeiros praticando rakugo?

Como representante da tradição, Yakumo é contra a mudança

O quarto episódio começa com o adorável Shinnosuke, filho da Konatsu. Criança alegre e educada, que conquista todos ao seu redor (e em um mundo adulto e cheio de velhos como o rakugo isso não deve ser muito difícil) e um pouco mimada também, talvez por estar acostumada a ser tão bem tratada por todos sempre. Ele também adora rakugo e já começa a decorar algumas peças, sendo nesse sentido parecido com sua mãe quando ela tinha a sua idade. O que grita “futuro” mais alto do que crianças, não é? Mas por enquanto ele é apenas potencial, uma promessa.

Veja, sua mãe apenas agora começa a dar passos muito tímidos no mundo do rakugo como instrumentista, e carrega ainda enraizado dentro de si tradições que já nada mais valem, em destaque nesse episódio a que diz que apenas homens podem ser contadores de histórias. Seu avô queria mudar o rakugo mas desistiu e abandonou a arte para seguir a Miyokichi, e quando parecia que iria retornar morreu no trágico acidente. A inspiração de Sukeroku para entrar no mundo do rakugo foi um artista injustiçado em sua época e que também não conseguiu realizar nada. Essa história toda deve corresponder há mais de um século de promessas de futuro para o rakugo que nunca foram cumpridas, e por isso é bom sempre sermos cautelosos com promessas, com potenciais.

Mas outras coisas estão acontecendo também e que podem contribuir de forma decisiva para que, dessa vez, o futuro chegue. Primeiro é importante destacar o sucesso do próprio Yotaro, aparentemente sempre com a agenda lotada nos últimos tempos. Isso é ótimo – enquanto ele permanecer fiel ao rakugo, e houve quem externasse essa preocupação. Convidado para se apresentar na escola do filho, foi junto com a Konatsu e acabou fazendo com que ela se apresentasse em seu lugar. Todos adoraram, crianças, adultos, e até o velho Matsuda. Como o anime deixou claro várias vezes na primeira temporada e nessa, inclusive nesse episódio, Yakumo nunca aprovou que a Konatsu entrasse no mundo do rakugo. Essa barreira ela já superou e está satisfeita, mas uma mulher se apresentar é uma grande inovação para a arte.

Não que para reinventar o rakugo seja necessária uma revolução, ou que seja algo possível apenas através de uma revolução. Higuchi, o escritor que assumiu para si a tarefa de empurrar o rakugo para o futuro escrevendo novas peças para ele, reconheceu isso. Não é preciso chocar e na verdade isso pode até acabar sendo contra-producente. Por outro lado jogar sempre no seguro é inútil. Há que haver ponderação. A palavra correta portanto não é revolução, mas adaptação: o rakugo precisa se adaptar aos novos tempos. Coisa que o Yakumo é totalmente contra, por isso rasgou os rascunhos que o Higuchi apresentou para ele.

E está tudo bem mesmo assim. Yakumo manteve sua promessa com Sukeroku e foi graças a ele que a arte permaneceu viva até os dias em que o anime se passa. O seu papel era manter a tradição e ele o cumpriu. E ainda fez muito mais do que isso. Criou uma filha, agora adulta e responsável, que tem sua própria família, seu próprio filho. Acolheu um pupilo que se tornou a nova sensação do rakugo – e também seu genro. É um escritor rejeitado por ele que está escrevendo o futuro do rakugo. Yakumo não poderia ter tido uma vida mais completa, mais cheia de significado e de realizações. Ele não poderia estar mais satisfeito. Ele não poderia estar mais cansado.

Depois de uma longa vida, Yakumo olha com pesar para o leque que um dia foi de Sukeroku

  1. Este quarto episódio de Showa, foi aquele que mais gostei até agora, este episódio foi lindo. Antes de avançar mais no meu comentário, vou só fazer um pequeno reparo, no segundo parágrafo, onde falas do Shinnosuke, ele tem lá alguma incoerência na escrita, quando te referiste ao facto de ele ser mimado e está acostumado a ser mimado por todos, tu usaste estas terminologias no feminino, se o Shin é um garoto, as mesmas, deviam acabar com “o” e não com “a”.
    Eu li o artigo do blog finisgeekis e gostei bastante. A apresentação do rakugo por um canadiano, foi algo que me surpreendeu, mas como é bom, ver uma arte com séculos, ser feita tanto por japoneses como estrangeiros. Eu ao ver a actuação do canadiano, do Jugemu, até me senti cansado ao assisti-lo, esta peça deve ser muito exigente em termos físicos e vocais para quem a encene.
    Passando ao episódio em si, o Shinnosuke, é super gente boa, ele por todo o lado que passe, cativa as pessoas, aquela cena em que ele começa a encenar a peça de Rakugo, Jugemu, para os funcionários e eles ficam surpreendidos, como ele já ter decorado tal peça, o orgulho dos seus pais, Konatsu e Yotaro era o mais evidente na plateia.
    O Yotaro, parece que finalmente entrou nos eixos, como é bom ver este personagem ter sucesso e ter a família perto de si, vê-lo a actuar com a peça Jugemu neste episódio, foi épico, eu nem sei como o seyuu não se enganou, esta peça parece um trava línguas.
    Agora a Konatsu, como ela fica linda a tocar o Shamisen, ela parecia tão orgulhosa ao tocá-lo na peça do marido. A actuação dela no jardim de infância do filho, foi das coisas mais bonitas, com que este anime nos presenteou, eu até fiquei emocionado quando ela acabou a peça e agradeceu ao público, ela tem uma voz linda e acima de tudo sabe actuar. Vê-la abraçar o Yotaro quando acabou de quebrar um dos tabus do Rakugo, aquele onde as mulheres não devem fazer Rakugo, foi muito bonito, não é a toda a hora, que a Konatsu se apresenta mais frágil como o Yotaro, os dois juntos fazem um casal muito bonito. Eu nem sei como a seyuu da Konatsu conseguiu fazer a peça “Jugemu” tão depressa, houve partes em que se notou que ela teve um pouco de dificuldades em recitá-lo, pudera esta peça é um autêntico trava línguas.
    Talvez o Higuchi não seja tão mau, como eu pensava, ele apenas quer que o Rakugo se modernice, para se adequar mais à época em que vivem, mesmo com a desaprovação do Yakumo.
    O Yakumo, como bem referiste no artigo, cumpriu com rigor a promessa que fez com o seu irmão Sukerou, criou com todos os cuidados a sua filha Konatsu e ainda conseguiu um pupilo (mais tarde genro), digno de receber os seus ensinamentos do Rakugo e com este a ficar famoso também, o Yakumo não poderia querer mais nada, ele teve uma vida mais do que completa. A cena dele no teatro com o neto foi muito bonita, foi preciso chegar a velho, para mostrar o seu lado mais afectivo (o Yakumo é um avô babado). Aquela última cena do episódio 4, foi de reflexão, ver o Yakumo ver o leque que o seu irmão Sulerou lhe deu, quando fizeram a promessa de não deixar o Rakugo morrer, foi tocante, pelo menos para mim.
    Como sempre mais um excelente artigo Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Até sei a qual trecho do texto você se refere quando diz que tratei o Shinnosuke por garota, porque eu mesmo fiquei confuso quando escrevi! É esse aqui: “Criança alegre e educada, que conquista todos ao seu redor ( … ) e um pouco mimada também, talvez por estar acostumada a ser tão bem tratada por todos sempre.”. O sujeito dessa oração é “criança”, substantivo feminino, por isso a concordância ocorre sempre no feminino. Mas sem problemas, como eu disse, até eu fiquei confuso depois de escrever e ler =D

      E o rakugo hoje em dia é tudo o que o Sukeroku sonhava, aliás, provavelmente até mais do que isso! Obras novas, maior alcance, mulheres contadoras de histórias e até estrangeiros! A arte se adaptou aos tempos!

      Me lembro que na primeira temporada eu achava que a Konatsu queria se tornar uma contadora de histórias. Esse episódio me surpreendeu um pouco ao revelar como ela é bastante tradicional nesse aspecto. Mas que ela gostou de apresentar, ah, ela gostou! Não sei se ela ainda se profissionaliza mas de todo modo foi muito legal ver uma apresentação dela, ainda que amadora. Quanto a dubladora ter dificuldades com Jugemu, acho que foi proposital, não? A Konatsu não é profissional, é de se esperar que ela não consiga fazer uma apresentação perfeita. E ela estava bastante emocionada também, não cabia em si mesma de tanta satisfação.

      Quanto ao Higuchi eu não sei. Ainda acredito que ele não seja mal intencionado de forma alguma, mas por que ele tirou uma foto do Yakumo no final? Aquilo foi tão aleatório e estranho. Um pouco perturbador.

      E finalmente o Yakumo. Ele já fez tudo o que tinha que fazer, já viveu tudo o que tinha que viver, e é sim muito divertido ver o seu lado de avô carinhoso – justo o Yakumo, aquele Yakumo, sempre tão rígido! Mas não dá nem para dizer que o que quer que ele viva agora é lucro, porque seu corpo já não está mais em condição de aproveitar esses lucros todos e sua mente já está sobrecarregada com décadas de arrependimento, e sem nada mais com o que se preocupar deve estar sendo bastante difícil para ele evitar esses pensamentos sempre que está sozinho – o que com Yotaro fazendo sucesso, Konatsu trabalhando com ele e Shinnosuke já em idade escolar deve acontecer com bastante frequência. A morte para mim é sempre algo triste, mas ver o Yakumo sofrer está sendo quase tão triste quanto.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

      • O Yakumo, já cumpriu o seu papel, ele agora tem é que descansar e aproveitar o tempo que lhe resta, ao lado do seu neto e da sua família. Tens razão a cena em que o Higuchi, tira uma foto do nada, ao Yakumo foi um pouco pertubador. A apresentação da Konatsu foi muito boa, ela soube cativar o seu público, além de que deixou o seu filho orgulhoso da apresentação dela. Nunca pensei, que a Konatsu fosse tão tradicionalista no que toca ao Rakugo, mas ela tem um pouco de razão, já que tal arte sempre foi feita por homens. Mas ainda assim, ver a Konatsu, tão dedicada na arte do shamisen, é muito bom, ela fica muito bem a tocar e acompanhar o Yotaro. Uma das melhores cenas, neste episódio, foi acena do ônibus, a Konatsu e o Yotaro juntos, o Yotaro com aquele jeito dele e a Konatsu sempre séria, eles pareciam um casal de adolescentes. A última cena do episódio foi linda, ver a família do Yakumo na mesa, o Yotaro a insistir que a Konatsu devia dedicar-se ao rakugo e a Konatsu sempre a dizer que não, e o pequeno Shin a rir-se daquela situação.Não posso me esquecer do Matsuda-san, ele também é da família.
        Já agora Fábio, quando pensas continuar com os teus artigos de IBO, ele está a ficar muito bom (mas nada, que não tinhas previsto).

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Eu preciso voltar a ASSISTIR Gundam Orphans antes de tudo, tem me faltado tempo, hehe. De todo modo não pretendo continuar com a cobertura episódio a episódio, não vinha mais rendendo. Talvez eu escreva artigos especiais ou uma resenha no final.

  2. O episódio teve maior foco em Konatsu e seu filho. É visível que ela tornou-se uma mulher mais madura nesta temporada e sua relação com o Yotaro é sempre divertida de se ver. A conversa entre o Higuchi e o Yakumo esclareceu o que defendem, além de poder notar que o Higuchi é meio estranho. Aliás, é engraçado como o nome Jugemu é tão longo ao ponto de se tornar parte da finalização de um anime (Joshiraku).

    Fora isto, ótimo post. Até!

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Nossa! Assisti Joshiraku na época em que passou, boa comédia, mas eu jamais saberia! Divertidíssima informação, muito obrigado por compartilhar =D

      E obrigado pela visita e pelo comentário!

Comentários