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O título se refere a algo que à rigor nem é importante para o episódio. Quero dizer, começa nisso e termina nisso, mas todo o resto é conteúdo diverso e sem dúvida mais importante no longo prazo. Em resumo: o Suzako até agora é só um instrumento do enredo. Não sabe-se nada sobre ele, não há o que entender, não se conhecem suas motivações, suas circunstâncias. Sabe-se apenas o que ele é para os outros. Para os britânicos ele é um japonês que naturalizou-se britânico, abrindo mão de sua antiga nacionalidade, e serve no exército. Para o Lelouch é um amigo de infância que ele está disposto a proteger. Para mim é uma incógnita.

Lelouch achou por bem matar seu meio-irmão Clóvis depois de arrancar dele a informação que queria: quem matou sua mãe? Bom, ele não descobriu quem matou porque Clóvis não sabia, mas deu uma pista apontando para príncipes de numeração mais baixa. A informação não foi imediatamente tornada pública e, quando finalmente foi, veio junto com a notícia (falsa) de que haviam capturado o culpado: Suzaku. O mesmo Suzaku que traiu sua pátria, lutou contra o sangue de seu sangue e salvou a pele do exército britânico quando ele estava sendo dizimado por um moleque que sabe jogar xadrez muito bem. Ele não traiu os britânicos, ele não matou Clóvis, mas mesmo assim ele está recebendo a punição devida a um traidor. Irônico, não é?

Agora sobre o resto do episódio.

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Karen, a terrorista, é mestiça de britânica com japonesa, o que é muito conveniente para o enredo pois permite que ela curse o mesmo colégio que o Lelouch. Bom, conveniente mesmo seria não haver colégio algum, essa é uma história sobre guerra e política afinal, mas a gente sabe como se fazem os animes e as salsichas, então o protagonista tinha que ser um colegial, estudar, esse episódio precisava ter uma cena no banho, essas coisas. Então deixe-me ser mais exato: é conveniente para o anime (entendido como um produto, não como uma narrativa) que a Karen seja mestiça. E mais convenientemente ainda ela estuda na mesma classe que o Lelouch. Acho que aqui acabam as conveniências exageradamente convenientes para o meu gosto.

Que grande coincidência!

Ela nunca vai para a escola, o que é compreensível. Ao contrário do Lelouch, que está apenas começando nesse negócio de se opôr ao Império Britânico e coisa e tal, ela já é uma rebelde profissional, e das competentes. Não que o Lelouch não tenha começado bem, né? Nada menos que a cabeça de um príncipe logo em sua primeira incursão, que além de tudo foi feita de supetão, inesperadamente, no improviso. Não se duvide da capacidade do Lelouch! Enfim, Karen nunca vai a escola, o que é compreensível, mas um dia após o terrível massacre de Shinjuku (porque mesmo com Lelouch e com a morte do Príncipe Clóvis aquilo foi muito mais um genocídio do que uma batalha) ela foi para a escola. Mesmo sem o telefonema em que o chefe rebelde explicitamente diz a ela que seu irmão gostaria de vê-la na escola eu acharia bastante razoável que ela estivesse lá. Aí vem a parte suspeita que não sei se é só conveniência ou haverá algo por trás (a essa altura desse anime ainda não dá para sacar muito bem quando é o quê):

A cena mais necessária do episódio

Ela foi convidada (convocada é mais correto, creio) para fazer parte do Conselho Estudantil, aquele mesmo do qual Lelouch faz parte. Aí vem a questão que coloquei: será apenas mais uma conveniência para o anime, aproximando forçosamente ela e o protagonista? Ou será que, como é de se esperar nesse tipo de situação, há algo a mais? Quero dizer, não me parece impossível que haja uma pessoa em posição de poder com motivo suficiente para duvidar da Karen (certamente outros sabem que ela é mestiça, o que compreensivelmente a tornaria um alvo de inteligência) e que tenha mexido os pauzinhos para colocá-la em uma posição de onde poderá ser observada de mais perto. Mas que não se descarte a possibilidade de não haver nada demais e ser só mais uma forçada de barra de Code Geass.

E finalmente a irmã de Lelouch dá o ar de sua desgraça! Me desculpe o trocadilho besta, mas me parece que é isso que ela coleciona em vida mais do que qualquer outra coisa: desgraças. E se entende agora o ódio de Suzaku pelos britânicos. A mãe deles foi morta em um atentado forjado. O bom e velho jogo político rasteiro. Creio que Nunally, esse é o nome da irmãzinha, tenha ficado cega e paralítica nessa ocasião também. Depois disso se tornaram instrumentos de pressão diplomática e, de algum modo, conseguiram passar por mortos depois da invasão do Japão – contando para isso com a ajuda do diretor da escola onde estudam. Esse senhor Ashford ou deve favores à falecida família do Suzaku, ou é uma pessoa muito altruísta, ou tem lá sua própria agenda. A conferir. Encerrando o assunto irmãzinha, Lelouch e Karen são parecidos nisso, não é? Quero dizer, pela forma como o líder rebelde falou com Karen tenho quase certeza que o irmão dela está morto. Então ambos, Karen e Lelouch, são vítimas do Império e carregam consigo tragédias familiares envolvendo seus irmãos.

A trágica irmãzinha de Lelouch. Pelo menos ele não pode dar ordens nela

Sobre a história, é isso aí que tem pra hoje, mas não posso encerrar esse artigo sem falar sobre o poder do Suzaku e o mistério que o cerca. Bom, em primeiro lugar, parece que recuperaram a garota que deu-lhe o poder, ela ainda está viva de alguma forma (bom, se ela pode dar poderes desse tipo para os outros eu consigo aceitar que ela esteja viva depois de um tiro na cabeça) e está de novo sujeita à experimentação pelos britânicos. De todo modo, o poder que Suzaku ganhou não é tão útil assim já que só pode ser usado uma única vez em cada pessoa. Bom, como o protagonista claramente tem uma inteligência de uns dez Einsteins tenho certeza que isso não será problema para ele, mas que me parece uma limitação esquisita, artificial, ah, isso parece – como tantas outras coisas em Code Geass em meros três episódios, aliás. Mas pensando por outro lado, isso embute também a interessante possibilidade dele “queimar” o poder com ordens mal pensadas ou pior ainda, ordens que resultem no exato oposto do que ele desejava. É como soltar a peça no xadrez: você não pode desfazer o movimento.

Você não tava morta?

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Achei uma solução forçada, não consigo pensar em uma lógica por trás dela que faça sentido, mas é sem dúvida um tremendo facilitador para a narrativa. Se no final das contas irá valer a pena ou não ainda irei descobrir.

      Obrigado pela visita e pelo comentário =)

Comentários