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No reino de Dowa, os 5 chefes da ACCA são os responsáveis diretos pelo sistema de inteligência que permeia os 12 distritos, cada distrito possui representantes da ACCA para atuar em investigações ativas quanto a possíveis problemas e então avisar os representantes do distrito sobre burburinhos que estejam havendo e com membros representantes de seus respectivos distritos no congresso para responder pelos interesses de seus povos. Um sistema que parece, em condições normais de temperatura e pressão, bem direto e difícil de dar errado.

Só que não. Não é preciso ir muito longe para notar o quão ruim esse sistema se torna. Se existem 12 distritos basicamente autônomos e o único papel da ACCA neles é o de se reportar para seu próprio distrito, a menos que ocorra algum grande incidente no qual o quartel general seja forçado a intervir (como por exemplo a situação atual com Jean Otus), é extremamente fácil que o governo de cada distrito cresça de forma diferente do outro. No caso do distrito Suitsu, que acabou abandonado para os cuidados da baixa nobreza, isso não podia ser pior.

A frase “nem tudo que reluz é ouro” é uma variável razoável de “as aparências enganam”, que parece ser um tema recorrente nesse anime por razões óbvias, esses chefes. De primeiro relance o distrito Suitsu é um distrito fechado em que nada entra, seu povo nunca viu um celular sendo até proibido por lei e tampouco teve acesse aos caríssimos cigarros. Viver em um regime tão fechado enquanto na capital o uso de celulares é extremamente casual mostra o quanto um governo federalista que parece um mundo de paz e igualdade em seu cerne pode se tornar extremamente desigual quando observamos sua periferia.

ACCA também pode ser definido com essa frase, com arte estonteante e osts excelentes o anime parece muito melhor do que realmente é. Apesar de ser perfeitamente assistível, a estagnação do roteiro e mistérios não resolvidos se amontoando  (por que o Jean ficar fumando cigarros em todos os distritos é algo que o Grossular devia temer?) fazem com que o anime seja bem difícil de se compreender na íntegra.

Gente de fora não pode ir a certos lugares para não afetar a economia e cultura. Suitsu no fim é o exemplo perfeito de um distrito “bairrista” por imposição, seus moradores têm interesse nos costumes trazidos de fora mas o estado das coisas lhes impede de conseguir tal acesso. De forma similar a como a Alemanha oriental foi cortada do resto da Alemanha, apesar de seu povo não ser socialista, Suitsu se tornou mais e mais separado do resto de Dowa sem nem mesmo ter a chance de se aproximar ou a oportunidade de crescer, ficando pior e pior.

Mas no fim, seu próprio bem não importava, não dava mais para dizer que aquele lugar fazia parte da área anexada ao reluzente Reino de Dowa , não dava pra dizer que eram parte de uma mesma coisa. Seja culturalmente ou economicamente, tudo em Suitsu era um imenso ponto fora da curva. Se o reino de Dowa é um bloco político de muitos países que se unificaram, Suitsu é o país decadente que em teoria não tinha razões para permanecer para seu próprio bem mas… nada disso importava.

O brilho de Suitsu estava apenas no sorriso das pessoas, em sua cultura pitoresca, na experiência turística que o distrito proporcionava, mas nunca em sua economia, nunca em sua qualidade de vida, nunca em nada que servisse pra ninguém fora os ricaços e nobres, o povo sofria enquanto os nobres representantes de Suitsu se escondiam com o rabo entre as pernas e não faziam nada para melhorar o distrito pois não era conveniente para eles.

Representatividade, isso é outro problema tratado nesse episódio de ACCA. Um anime que tem uma veia política bem enraizada está destinado a falar de representatividade, porém o que ACCA faz é mostrar o que acontece quando não existe nenhuma representatividade no político que se elege. Enquanto observamos tantas pessoas interessadas em mudar o distrito, justamente aquele que estava na política por conveniência, mas tinha o discurso mais bonitinho foi o eleito, justo aquele que ia se assentar no centro de Dowa e não mover um dedo pra fazer qualquer coisa.

Trágica e nada cômica. É assim que a situação de Suitsu se demonstra. O povo se une para buscar mudanças, mas elas  não vêm. Presos pelo voto que realizaram em um congressista inútil, o reino de Suitsu se estagna enquanto os demais sobem e enriquecem em um ritmo assustador. O pior é que não é como se houvesse como adivinhar, eles acreditaram nas palavras daquele homem e depositaram seu voto nele. Em um sistema normal, nas eleições seguintes, Suitsu só escolheria um outro representante, porém, por razões aleatórias, o reino de Dowa não parece ter trocas em seus membros parlamentares. E uma escolha errada condenou o reino de Suitsu ao estado atual, o que motivou o pequeno golpe de Estado que observamos nesse episódio.

 

  1. Esse episódio faz você se perguntar se existem outros distritos que estão descontentes com o seu modo de vida, interessante. E com as recentes auditorias de Jean, ele é capaz de ver os estados das pessoas e como o reino está realmente. Pacífico, com certeza, ele não está. Jean me pareceu sorridente demais neste episódio, apesar de sua calma já ser rotina. Também tenho suspeitas que Nino está contatando alguém, e esse alguém não é Grossular.

    Fora isto, ótimo post. Até!

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