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Quando o episódio é ruim eu digo que ele é ruim. E quando ele é bom eu digo que ele é bom. Esse episódio de Youjo Senki foi bom. Muda o anime, agora passa a valer a pena assisti-lo? Olha, em primeiro lugar, eu nunca disse que não valia a pena. A menor nota que atribuí a um episódio de Youjo Senki foi a nota média, nem bom nem ruim, o que significa que pelo menos para entretenimento descompromissado ele sempre se classificou.

O que acontece com Youjo Senki é que ao contrário da maioria dos animes medianos, ele não é nem muito bom nem muito ruim: ele possui alguns elementos muito bons e outros tantos muito ruins. Por isso ele se encaixa perfeitamente no que muitos chamariam de “obra que desperta amor ou ódio”. Tudo depende do que você valoriza mais.

Mas nesse episódio em particular todos os seus elementos ruins estiveram minimizados ou ausentes, enquanto os bons brilharam. E teve interessantes desenvolvimentos da protagonista e da história, o que sempre é positivo.

Melhor piada pastelão do episódio

Em primeiro lugar, Deus está completamente ausente desse episódio. Ele foi legal no episódio dois, quando apareceu pela primeira vez, mas só lá. Levantou um punhado de questões e por isso foi interessante, mas nos episódios seguintes passou a ser apenas um ser super-poderoso invisível que gosta de se intrometer na vida da Tanya. Não gosto da Tanya, mas não é por isso que tudo o que a perturba automaticamente me agrada. O character design esquisito está lá, mas a essa altura eu já me acostumei, né. Fora que a bochechuda apareceu relativamente pouco e a Tanya na maioria absoluta das vezes apareceu em close-ups, e nesse enquadramento ela fica bem legal – e não contrasta com mais ninguém. Mas não vou perder a oportunidade de reclamar de novo do design dessas duas: nesse episódio pela primeira vez apareceu outra garota que não elas. E ela tem aparência normal! Porque a Tanya e a clone do Kiko têm que ser tão estranhas?

De bom, a primeira coisa a destacar é que esse foi um episódio de ação do começo até o fim. Mesmo que parte dessa ação tenha sido treinamento, não fez diferença nenhuma já que a Tanya estava enlouquecida tentando assustar seus recrutas. E isso me leva ao segundo elemento recorrente positivo que esteve presente nesse episódio: a Tanya fez por onde para atrasar ao máximo a formação do batalhão e seu consequente envio para o campo de batalha, mas suas tentativas de assustar seus homens tiveram efeito completamente contrário ao desejado, e assim mais uma vez ela foi a responsável pelo seu próprio fracasso. Bom, isso e a Viktoriya, né? Que se esforçou bastante para que a Tanya conseguisse formar logo seu batalhão – tudo o que ela não queria. Mas quando se considera que ela só chegou lá em primeiro lugar graças a ajuda que recebeu da Tanya para subir na hierarquia militar, então ainda pode-se dizer que a Tanya está apenas colhendo aquilo que plantou.

O Ducado de Daqui é a Romênia, não é? Tenho certeza que o Kondou não vai me deixar na mão. Dá uma ajuda aí! Pela posição geográfica acredito que seja, mas não lembro de que lado eles estiveram na Grande Guerra. E os uniformes vermelhos, estão fieis aos históricos? Meu leitor, minha leitora, não deixe de conferir essas respostas na sessão de comentários, porque água morro abaixo, fogo morro acima e o Kondou na sessão de comentários do Anime21 ninguém segura! Independente de que nação seja, contudo, a representação do momento histórico, da revolução nas artes da guerra, está bastante fiel sim. De fato, muitos exércitos não estavam preparados para lidar com novas tecnologias na época da Primeira Guerra Mundial. Os vermelhinhos foram para o abate por incompetência de seus superiores. E mesmo do lado do Império ficou visível que não estão totalmente acostumados com novas táticas e estratégias que as novas tecnologias permitem. Ver isso tudo no anime foi muito interessante.

A capital daquiana arde em chamas após o ataque do batalhão de Tanya

Por fim, achei curioso como nesse episódio pela primeira vez fiquei com a impressão que a Tanya gostou de ir para a guerra. Talvez ela ainda prefira ficar em segurança na capital, mas suas atitudes e decisões no campo de batalha revelam que ela estava sim satisfeita, animada mesmo, com o que estava fazendo. Terá a ver com o equipamento que usa, como ela mesma parece acreditar? Ele fez aos seus homens um discurso digno dos maiores generais da história, inflamando seus corações e conquistando de vez sua lealdade, e só depois percebeu que isso é tudo o que ela não precisa se quiser mesmo ficar afastada dos combates. Espero que o anime continue com esse bom nível de agora por diante. Mas quem estou enganando? Deus ainda vai voltar e estragar mais alguns episódios.

Tanya faz um discurso digno de Mustafá Kemal quando o futuro pai da República Turca discursou para seus homens na Batalha de Gallipoli: “Homens, não estou ordenando a vocês que lutem. Estou ordenando a vocês que morram.”

  1. Este episódio a meu ver, foi o melhor episódio deste anime até agora. Ele conseguiu minimizar tudo o que costuma fazer de mal, para destacar tudo o que fazem de bem. Como eu fiquei de boca aberta, com aquela soldado que foi chamada para ir na selecção para o batalhão da Tânya, ela era normal, porquê que a Victorya e a Tânia não têm um design daqueles.
    Agora as duas partes melhores do episódio, começo já pela de treinamento, ele foi muito bom, não à nada melhor que ver uma chuva de projecteis de treinamento, misturados com projecteis a sério. A cara dos novos recrutas com este exercício é impagável. A Victorya, já conhece tão bem as tácticas da sua superior, que mesmo antes da Tânya ordenar o ataque de artilharia, esta correu para encontrar uma pá, e cavar um abrigo. Mas o grande destaque deste treinamento, foi quando o batalhão de recrutas é assolado por uma avalanche, tudo por culpa deles mesmos. Como foi bom ver a Tânya, a agir como superior e para-médica ao mesmo tempo, aquele recruta que estava a sufocar com a neve, deve ter ficado com uma coluna nova, depois daquela manobra de reanimação que a Tânya fez nele. Como foi bom, ver a Tânya se dar mal, ela nunca pensou que os recrutas fossem aguentar até ao fim, agora ela não tem desculpa para adiar mais o treinamento daquelas tropas.
    Meu caro Fábio, o tal país chamado Dáquia que invadiu o Império Alemão, é a Roménia mesmo, a tua linha de raciocínio não está errada em nada. Agora só uma pequena explicação histórica sobre a Roménia na Primeira Grande Guerra, eles foram aliados da Alemanha até 1914, pois o rei Carlos I da Roménia, era membro da Dinastia Hohenzollern e primo do Kaiser Guilherme II. Até que em 1914, quando explodiu a Primeira Guerra Mundial, o Rei Carlos da Roménia morreu e com ele a aliança com a Alemanha também morreu. O sucessor do rei Carlos, Fernando I, optou por aliar-se à Tríplice Entende (ou triplo entendimento, para os mais leigos em História), em troca da Transilvânia. A campanha romena na Primeira Guerra mundial, começou com a invasão destes à Alemanha, por isso este anime, aqui está bem fiel.
    Quando a Primeira Guerra Mundial começou, muitos dos países que participaram dela, não tinham exércitos preparados para aquilo, a maioria deles em termos de tácticas militares e armamento, ainda estavam no século XVIII/XIX.
    A maneira como Dáquia decidiu atacar a fronteira do Império Alemão em Youjo, foi bem verídica, os países mais pequenos que participaram na Primeira Guerra Mundial, pareciam que estiveram parados no tempo, muitos ainda usavam formações e uniformes da época do Napoleão. Neste caso, Dáquia é o exemplo disto, viste como eles usavam formações cerradas, todos muito juntos, esse tipo de formação era muito típica no século XVIII, principalmente para a saraivada de balas de mosquetes.
    O anime aqui só pecou em uma coisa, o que interessa o exército de Daquia começar uma invasão com 600000 homens se não tem artilharia, aqui cheirou-me a conveniência do roteiro. Mas o anime acertou muito, numa característica, dessa época da história, o senso de honra e cavalheirismo que muitos países tinham na Primeira Guerra Mundial, no anime , Dáquia, representa com perfeição, a forma como os países do velho continente Europeu travavam as suas guerras, desde as suas tácticas e equipamentos ultrapassados, à honra e ao cavalheirismo. Houve uma cena neste episódio, protagonizada pelos soldados e os generais de Dáquia, onde os homens se juntam todos e formam um quadrado quase perfeito, para dispararem contra o esquadrão da Tânya. Tal táctica já estava obsoleta, essa táctica era usada pela infantaria, quando um batalhão se via cercado por todos os lados, ou então contra a cavalaria, como a Tânya bem referiu, tal táctica já não se adequava para aquela altura. Isso e aquela parte, onde a Tânya invade o acampamento do exército inimigo e um dos generais de Dáquia dá a entender, que o esquadrão da Tânya joga sujo. Eu pensei para mim, mesmo, desde quando, numa guerra se joga limpo, eles simplesmente colheram o que plantaram. E aquilo do exercito de Dáquia não codificar as suas comunicações, também foi muito verossímil, quando dois países europeus entravam em guerra entre si, havia a questão da honra, tal honra muitas vezes levava, ao descuido na fuga de informações cruciais de movimentos do exército, pois os países envolvidos esperavam que os inimigos jogassem limpo durante as guerras. Quanto aos uniformes dos soldados de Dáquia,não posso afirmar nada, só tenho certeza que os capacetes estão certos, já a farda, não posso dizer nada, mas era bem capaz de ser assim, os países pequenos ainda usavam uniformes do século XIX. Quanto às armas, estavam certas, eram de disparo único e o pormenor das baionetas, foi nota 10. Simplesmente o exército de Dáquia é a melhor representação de um exército e país de um país que tenha participado na Primeira Guerra Mundial, no anime.
    O discurso da Tânya é mesmo digno de um general sem escrúpulos. A forma como ela protagonizou um ataque surpresa à capital de Dáquia foi muito boa, eu só me admira, como uma sádica e desprovida de decência moral, respeita tanto as leis internacionais sobre a guerra. A forma como ela, declarou o ataque, à capital de Dáquia foi muito boa, ela burlou as leis internacionais, ela ao anunciar o ataque surpresa, com uma voz de criança, foi um passo de mestre. A explosão da fábrica de armamento, foi um espectáculo pirotécnico à parte, mas tal explosão foi muito satisfatória. Agora só quero ver, se o anime vai manter a qualidade que este episódio teve (e aposto que não vai manter, aquela existência X ainda vai estragar alguns episódios).
    Foi uma honra ser mencionado no artigo, mas naquilo que envolver História, estou cá eu para comentar.
    Como sempre mais um excelente artigo de Youjo Fábio. Desde já peço desculpa pelo texto enorme, é que quando envolve história, eu não consigo me conter de escrever.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Com um bocado de atraso, finalmente respondo esse seu comentário =)

      Do ditado-chave de Onihei 5, o episódio que você não assistiu ainda e que foi a espinha dorsal do meu artigo, se pode inferir outro: há males que vem para o bem. No caso, o mal de eu ter me confundido com os episódios de Onihei veio para o bem de, na falta de comentário para eu responder nele, eu ter tempo de te responder esse comentário aqui que já estava a enrolar há dias!

      (nossa, que raciocínio confuso, espero ter conseguido me fazer entender, LOL)

      É bastante irônico que os soldados do batalhão da Tanya tenham tido muito mais risco de vida durante o treinamento do que durante uma batalha real. Mas ironia é o pão de cada dia em Youjo Senki conforme sua protagonista se mete em cada vez mais encrencas quanto mais se esforça para sair delas – e tudo por resultado de suas próprias ações, não de acidentes ou outros acontecimentos fortuitos!

      E tudo funcionou nesse episódio, até o humor da Viktoriya foi engraçado. Eu ri quando a bochechuda calmamente pegou uma pá e começou a se enterrar enquanto os demais soldados ainda estavam aturdidos e confusos, sem saber o que esperar da Tanya. Pelo primeiro episódio eu esperava algo mais sério, acreditava que ela fosse ter reservas e desconfianças de ordem moral de verdade em relação à Tanya, mais ou menos como aquele poderoso manda-nada do exército alemão que não confia nela desde o episódio em que ela quase matou um seu aluno. Mas para algo sério estava bem fraco. Tendo se assumido como comédia, porém, a coisa muda de figura. A Viktoriya pode mesmo ser um personagem engraçado! E para isso até sua cara de sapo colabora.

      Pesquisei depois e descobri coisas interessantes sobre a participação romena na Grande Guerra. Com o desaparecimento de dois impérios tradicionais (o Austro-Húngaro e o Otomano), a derrocada de um terceiro (o Russo) e o consequente redesenho do mapa da Europa após o fim do conflito, a Romênia foi premiada territorialmente com a Transilvânia e a Bessarábia (que após a Segunda Guerra ela perderia para a URSS), ainda que sua participação na guerra tenha sido, na melhor das hipóteses, apenas uma distração. Embora despreparados, porém, não foram aniquilados como foi o caso em Youjo Senki. Acho que os Poderes Centrais não tinham feiticeiros voadores no mundo real, né? Para a sorte do povo de Vlad, o Empalador. E já que falei dos Poderes Centrais, noto que, aparentemente, a Áustria-Hungria não existe nesse mundo alternativo de Youjo Senki; ao invés, ela faz parte do Império, junto com a Alemanha. Não é algo absurdo ou historicamente impossível, o único porém disso é que se tivesse ocorrido dessa forma em nosso mundo, acredito que seria Viena a capital do império unificado dos germanos, húngaros e seus vassalos eslavos, ao invés de Berlim. Mas tudo bem, isso é só uma curiosidade e especulação histórica. Nem tem mais a ver com o anime o que estou falando =D

      O ataque surpresa à versão youjo-senkiana de Bucareste foi um espetáculo para os olhos, de fato. Mas estou curioso com as implicações políticas e militares disso. Não fazia parte da missão dela, será que corre risco de reprimenda, embora tenha sido super bem sucedida em tudo o que fez? Não seria a primeira vez que ela faz algo em um sentido e a reação a empurra para o lado oposto – o tema central do anime até agora. Noto porém que ela realmente pareceu estar começando a gostar dessa história de guerra, a ponto de ter comemorado impulsivamente com uma interjeição japonesa o sucesso do ataque à capital da Dáquia. E ela foi enviada para lá em primeiro lugar para mudar mesmo, não foi? Não em relação à guerra, claro, mas a Deus. Exagerando um pouco na interpretação dá para enxergar um presságio disso – verdadeiro ou apenas para enganar, mas de qualquer forma intencional.

      Obrigado pela visita e pelo comentário, como sempre, e pela paciência aguardando pela resposta =)

      • Com o teu primeiro parágrafo, já fiquei curioso com o episódio 5 de Onihei. Obrigada, pela explicação melhorada, sobre a Campanha Romena, durante a primeira Guerra Mundial, eu de cabeça só sabia alguns acontecimentos, mas não tantos como tu bem referiste (e eu agradeço, a tua resposta, ao meu comentário, foi um excelente material de leitura). Quanto à Tanya, eu só quero ver como vai ser a sua trajectória , depois desta grande batalha.

  2. Esperava que o Ducado de Daqui tivesse um trunfo, uma emboscada ou armadilha, mas não é errado dizer que alguns países foram lentos para se adaptar à modernização da guerra no início dos anos 1900. O treinamento durante o episódio foi agradável.

    Fora isto, ótimo post. Até!

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Cheguei a ficar tenso esperando por algum tipo de armadilha, mas no fundo fazia sentido que Daqui/Romênia fosse apenas primitivo no que diz respeito à táticas de guerra. E era só isso mesmo.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!! =)

      • Foi um episódio legal.
        Eu também fiquei desconfiado esperando algo inesperado, mas no final era apenas um país despreparado para um novo tipo de guerra.
        E aquele respeito inesperado a tratados internacionais?
        Aquilo foi zoeira dela, avisando com aquela voz de menininha!
        Mas pareceu suspeito os superiores terem dado ordens ao batalhão para atacar Daquia.
        Será mesmo que eles não sabiam que os daquianos eram inferiores?
        Teria sido na realidade uma ação de propaganda?
        De qualquer forma, essa missão da Tanya será supervalorizada e ela vai ser enviada para outras piores.

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Foi propaganda ao mesmo tempo em que apenas reproduziu o fato histórico conhecido como Campanha Romena. Aguarde pela entrada dos russos na guerra agora 😉

        Obrigado pela visita e pelo comentário!

  3. Pelo entusiasmo do K-San vou dar uma olhada neste…O cara faz uns relatos dignos de Canal História…Tally-hoo!!!! Aproveitando a ocasião, não querendo atrapalhar mas já atrapalhando vcs sabem me dizer se há por aí algum documentário sobre anime que seja bom? Sabe algo que conte a história dessa arte pop…Não consigo achar nada que valha (são fragmentos de história e as vezes meio mal editados por amadores).

    • E eu James, já estou enferrujado, o meu sonho é ser professor de História ou então arqueologista, eu quando iniciei o meu percurso universitário, eu sabia tudo e mais alguma coisa, sobre os variadíssimos acontecimentos históricos. Mas como eu dei uma pausa nos estudos, já estou a ficar meio esquecido das coisas, mas acho que ainda não estou, mal de todo, a explicar a história. Se quer que lhe diga, arrisque a ver Youjo, ele não vai ser a melhor coisa que você já viu, mas tem lá algumas coisas interessantes. Quanto à tua pergunta, sobre um documentário sobre anime, eu não conheço nenhum.

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