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Estou hoje meio acabrunhado, macambúzio, sorumbático mesmo. Já passo dos 30 e ainda não sei se passarei todo o resto de minha vida sozinho. Ao contrário de Omasa, eu não estou preparado para isso. Mas é verdade que a situação dela é diferente da minha: ambos estamos sozinhos, mas ela ama alguém – Heizou. Eu sou apenas vazio. Ela não pode ficar com ele porque ele já é casado e porque provavelmente nunca teve interesse mesmo. Por precisão, devo dizer que creio que, se ele quisesse, ele poderia sim tomá-la como sua concubina. Assim eram as coisas naquela época. Um homem que pudesse sustentar, poderia ter várias. Os tempos mudaram. Eu só queria uma de todo modo…

Omasa e Heizou, vinte anos atrás

Essa coisa de amor é um troço complicado mesmo. Por acaso estava a ler mais cedo sobre Freddie Mercury, o lendário líder do Queen. Nunca havia lido muito sobre a vida pessoal dele, apenas sabia curiosidades como ele ter nascido em Zanzibar, então colônia britânica e hoje parte da Tanzânia. Não que eu tenha ido muito mais a fundo do que isso dessa feita, mas descobri algo que me pareceu bastante triste: ele teve uma namorada nos anos 1970 e ela rompeu com ele quando ele revelou que era bissexual. Continuaram amigos a vida toda e coisa e tal, mas ele nunca teve outro amor como o que teve por ela. Love of My Life, uma das músicas mais famosas do Queen, foi composta para ela. Ele deixou muita coisa para ela em seu testamento, incluindo os direitos de propriedade intelectual de suas músicas.

Note a força de vontade da Omasa para deixar um rastro para Heizou a encontrar

Diga-me se isso não lhe parece triste: passar uma vida amando alguém que, no entanto, jamais poderá ter. Jamais há de ser. Pensando bem talvez eu esteja em situação melhor do que a Omasa. Heizou, tudo indica, só está interessado em sua própria esposa, ainda que tenha bastante carinho e consideração por Omasa e, talvez, até tenha percebido os sentimentos dela (se bem que dizem que homens são muito ruins para notar essas coisas, e tirando por mim posso confirmar isso, mas por outro lado não sou muito normal então não acho que sirvo de exemplo).

Heizou Olímpico para o resgate!

Uma das coisas mais divertidas desse episódio foi prestar atenção à atitude da esposa de Heizou: no começo do episódio ela estava claramente com ciúme. A situação já era tensa, e a hora que ela disse que a comida havia esfriado, de forma seca, deixou bem evidente o desconforto que sentia. Mas no final ela mudou, foi até compreensiva e deixou Omasa e Heizou a sós. Por quê? Ora, ainda que Omasa tenha, de forma oblíqua, deixado claro seu interesse por Heizou, ele permaneceu inamovível e até sugeriu a ela que deveria se casar – com outro. Essa era a segurança que sua esposa queria ter. Sabendo que seu marido não a trairia e que Omasa não ultrapassaria os limites, ela pôde deixá-los sozinhos – como amigos de longa data – com a mente tranquila.

E para mim esse foi o tema principal desse episódio: relações românticas de longa duração. Teve toda a história dos bandidos lá, mas o fato dela ter apenas repetido a dicotomia entre bandidos honrados e desonrados – inclusive citando as tais três leis – serviu para me fazer acreditar que aquilo não era importante. Afinal, em uma histórica episódica o importante de cada capítulo está no que ele tem de único, não nos elementos formulaicos que repete de outros capítulos.

Por fim, deve ter sido mais ou menos uma grande surpresa para Heizou reencontrar aquela menina que ela conhecia quando ela tinha apenas dez anos de idade. Vinte anos depois, agora já mulher feita, ela não havia se esquecido dele. E ele também não havia se esquecido dela. Cada um manteve o carinho e os sentimentos que tinham um pelo outro mesmo depois de duas décadas de separação. Para ele, provavelmente a Omasa era algo parecido com uma irmã mais nova. E foi para salvar a vida de sua “irmãzinha” e proteger sua honra que ele arriscou a vida contra um bando inteiro de ladrões – e teria morrido se o velho espião não tivesse sido rápido o suficiente. Enfim. Sentimentos sinceros imutáveis. Amores não realizados. Esse foi mais um bom episódio de Onihei.

Esse artigo está saindo em data aleatória porque deveria ter saído na última terça-feira (7/2), mas como quem leu aquele artigo já sabe, eu me confundi e assisti o quinto episódio achando que fosse o quarto. O resultado é essa confusão, que desfaço agora. A desvantagem é que terça-feira que vem não haverá artigo de Onihei. Desculpe-me pelo engano e obrigado pela compreensão.

  1. Este episódio foi muito bom, como sempre, Onihei, mesmo sendo episódico, as suas histórias são sempre boas. Gostei da analogia que fizeste sobre o amor. Eu felizmente, consegui ficar com a pessoa que eu amo (e por sorte, um amor de infância), por isso não posso opinar, sobre o sofrimento de na eventualidade passar o resto da vida sozinho. Quanto à Omatsu, eu tive bastante pena dela, ela pareceu-me sentir algo pelo Heizou e não o estava a disfarçar, mas como sabia, que o Heizou era casado, fechou-se em copas. Na era Edo, só os imperadores e os damayos é que podiam ter concubinas, o mero samurai ou ronin, só podia estar casado com uma mulher e para casos extra-conjugais iam às casas de chá, agora ter uma concubina era impensável. Só espero, um dia quando me casar, que a minha mulher seja, que nem a esposa do Heizou, compreensiva e tolerante. Eu até compreendi, a crise de ciúmes que ela teve com a Omasa, afinal ela era uma mulher bonita e que já conhecia o Heizou à bastante tempo, mas aquela cena final, onde a Omasa e o Heizou conversam e ela decide não entrar no meio da conversa, ganhou pontos comigo. Eu já tinha reparado, mas é impressão minha, ou as mulheres no mundo de Onihei são todas bonitas, o estúdio está de parabéns. Eu acho que o Heizou, em altura alguma, iria trair a sua amada esposa, ele já é um homem vivido, a certo ponto acho que ele percebeu o que a Omasa sentia por ele, mas preferiu fazer-se de desentendido. Fábio, diz-me apenas o que achas desta teoria, quando a Omasa apareceu, eu lembrei-me de outro personagem que já tinha aparecido antes, a Onzu, que é filha adoptiva do Heizou. Se repares bem a Onzu é bem parecida com a Omasa, o Heizou disse que a Onzu era filha do seu amigo Kumehachi, mas se isto for apenas uma desculpa, para uma eventual, salto da cerca do Heizou, com a Omasa, nada disto era anormal na era Edo.
    Agora em relação ao episódio, nele houve a mesma problemática dos ladrões, e o anime falou outra vez nas leis dos ladrões, não sei o que o anime quer com isso, mas só sei, que essas leis são muito bonitas na escrita, mas na realidade nunca são cumpridas. Quando a Omasa, foi raptada pelos bandidos, eu pensei que ia acontecer o pior, toda a gente sabe, que os ladrões não tinham o mesmo sentido de honra e dignidade que os samurais/ronin tinham. E o meu medo provou ser verdadeiro, depois de torturarem a Omasa os bandidos pretendiam fazer pouco da Omasa. Foi incrível aquilo que a Omasa fez, para criar um trilho, para o Heizou apanhar o rasto dos bandidos, ela estava disposta a sacrificar-se pelo bem da sua missão, que mulher louvável. Ver o Heizou, desesperado para salvar a Omasa, foi muito bonito, vê-lo a saltar o muro com uma vara de bambu foi épico. Notava-se bem o semblante de preocupação na cara do Heizou em relação à Omasa, então quando ele ouviu um dos bandidos a dizer que iam fazer pouco da Omasa, parece que despertaram o demónio dentro dele. O Heizou daria um excelente shinobi, a forma como ele limpou o caminho até ao sitio onde a Omasa estava, é digno de se referir. Aquele bandido que ia fazer pouco da Omasa, foi aquele que teve a melhor, morte, eu acho que ele não podia esperar sair vivo dali, depois daquilo que o Heizou viu (o Heizou matou sem piedade, afinal homens que fazem pouco das mulheres, merecem o pior tipo de morte). Os combates entre o Heizou e os bandidos, foram muito boas, este anime não se coíbe de mostrar sangue e amputação de membros. Por alguns momentos, pensei que o Heizou, ia desta para melhor, mas o velho espião chegou a tempo com os reforços. Veja-se a atitude cavalheiresca e honrada que o Heizou, teve quando pediu ao velho espião para, ir buscar e levar roupas à Omasa, pois ele sabia que ia ser prejudicial, para a privacidade e honra como mulher, se a Omasa fosse vista naquela situação pelos seus homens (e quiçá impedir um mal entendido, já que à homens que não se conseguem controlar quando vêem uma mulher nua).
    Aquela última cena entre o Heizou e a Omasa, foi muito bonita, notou-se que o Heizou se preocupava com ela, como tu bem referiste, eu acho que o Heizou olhava para a Omasa, como irmã, ele foi bem atencioso, quando perguntou se o machucado dela estava melhor. Agora é só esperar para ver a Omasa como espia outra vez. E ainda tenho na cabeça que a Onzu é filha dela como o Heizou. Ou então a Omasa tem um caso com o Kumehachi e ambos têm uma filha. Ambas as hipóteses são plausíveis.
    Como sempre mais um excelente artigo de Onihei Fábio.

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