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Antes de entrar no conteúdo desse episódio mesmo, que cara foi aquela do Sukeroku na prévia do próximo episódio, hein? Vou ter pesadelos hoje com ela, com certeza! E estou ansiosíssimo para que tal episódio chegue, parece que finalmente Rakugo Shinjuu irá mostrar a cena da morte de Sukeroku e Miyokichi do ponto de vista da Konatsu. Só digo que, vendo aquele rosto do Sukeroku, qualquer trauma dela está mais do que justificado!

Já sobre esse sexto episódio mesmo podemos nos aliviar que Yakumo não morreu. Quero dizer, será que há mesmo motivo para alívio? Será que ele sobreviverá ao final do anime? Estamos apenas na metade. A única coisa certa é que, no que depender do Yotaro e de tantos outros ligados ao ofício, o rakugo vai sobreviver.

Yakumo desperta – ainda não!

Graças ao ex-rakugoka que já havia aparecido nos primeiros (no primeiro?) episódios dessa temporada, Yakumo pôde ser salvo. Ele teve um infarto e recebeu algum tipo de primeiros-socorros que certamente mais ninguém ali poderia ter prestado. Bom, na verdade talvez alguém da plateia pudesse? Estava lotada, era bastante gente, mas jamais que os artistas e técnicos por trás das cortinas iriam revelar algo assim para seus convidados de honra. Até mesmo abaixaram as cortinas para ocultar o colapso do mestre. No mundo real não faço ideia de qual deva ser o comportamento mais comum, mas em ficção esse é um clichê muito comum: não desapontar ou frustrar a plateia não importa o que aconteça. Moulin Rouge é um filme que faz uso brilhante desse clichê. No mundo real, a última música do último álbum do Queen gravado com o Freddie Mercury ainda vivo se chama The Show Must Go On (e é interpretada em Moulin Rouge, aliás, em uma das sequências mais bonitas do filme).

A morte iminente (ou não) de Yakumo não é o único patrimônio ameaçado do rakugo. O próprio teatro onde eles se apresentam em Tóquio, construído há séculos e apenas reformado aqui e ali em algumas ocasiões, vive seus últimos dias. Por conta de novas exigências de resistência de edificações contra terremotos não há mais reforma que resolva e o prédio vai precisar ir inteiro para o chão antes de ser reconstruído. E com isso vai-se toda a sua história, mesmo que outro idêntico seja construído no mesmo lugar. Serão outras paredes, outros tatames, um outro palco onde os artistas se apresentarão, e não aqueles por onde Yakumo e tantas gerações de artistas já passaram.

Yotaro passou uma semana chorando em qualquer lugar e em qualquer situação

Os mestres do passado se vão. Os obras do passado mudam e novas obras estão em produção, como bem sabemos, desde o começo dessa temporada. Até mesmo os lugares serão novos – bom, alguns já são, não é? A televisão sem dúvida não existia ainda no Período Edo… E em meio a tantas transformações e novidades, que ocorrem em paralelo às mudanças da própria sociedade japonesa, outra novidade surgiu: o estilo sem ego de contação de histórias do rakugo. Ou pelo menos segundo Higuchi, o escritor, parece ser o caso. Ficou subentendido isso, na minha interpretação. De um lado existem artistas que se expressam através do rakugo, que se transformam em seus personagens e ao fazer isso revelam um pouco de si próprios. De outro existem aqueles ao invés de se adaptarem aos personagens, adaptam os personagens a eles próprios – e nesse caso também se descobre muito sobre o artista através de sua atuação. Mas existe um terceiro tipo: aquele que não coloca nada de si em seus personagens e apenas permite que eles vivam através dele. Acho que não é surpresa que esse seja o mais sensível, não é? É preciso um nível enorme de empatia para conseguir algo assim. Eu sei que você assistiu o episódio e já sabe, mas escrevo aqui apenas por rigor: o primeiro tipo é o Yakumo, o segundo é o Sukeroku. E o terceiro, claro, é o Yotaro.

Em Rakugo Shinjuu Yotaro continuou com sua apresentação normalmente após a remoção de Yakumo para o hospital e a plateia presente no teatro só descobriria depois, pela imprensa, o que aconteceu de verdade ali. Isso era algo que o Yotaro tinha que fazer, e que só ele poderia fazer. Ele estava nervoso, ele queria chorar, ele cortou a introdução e a despedida, mas ele apresentou a peça que ele foi lá para apresentar naquele dia sem erro. Eu, assistindo ao anime e sabendo de tudo o que estava acontecendo, e vendo Yotaro tão de perto, enxergando o suor em seu rosto, não pude evitar a sensação de que algo estava errado naquela apresentação. Mas parece que não houve erro nenhum; a plateia gostou e ninguém reparou em nada estranho. Apesar de seus próprios sentimentos Yotaro deu tudo de si naquele palco. Só depois correu ver o estado de seu mestre. Só depois chorou. E como chorou, mais de uma semana se passa até que Yakumo desperte e Yotaro chora a cada oportunidade que tem. Sem descuidar de seus trabalhos e obrigações, porque o espetáculo tem que continuar.

  1. Este anime, continua épico como sempre, já nem me lembra a última vez, que fiquei tão embrenhado numa história de anime. E Fábio, ou é impressão minha, ou eu nunca te tinha visto dar tantas 5 estrelas em artigos de anime, até agora todos os artigos da segunda temporada, de Shouwa tens dado 5 estrelas em todos, mas também Shouwa merece isso e muito mais.
    Começando com o gancho, que deixaste no primeiro parágrafo desde artigo. que preview foi este, que Shouwa nos mostrou esta semana. Nele aparecem o Bon e o Sukerou quando ainda estavam em inicio de carreira. Eu fiquei um pouco assustado com a presença do Sukerou do passado. O próximo episódio com certeza vai ser muito bom e ao que tudo indica vai ter um flashback com o passado da Konatsu. A Konatsu nesta segunda temporada tem tido um desenvolvimento muito bom.
    Agora, falando mesmo do episódio, o velho Yakumo não morreu, mas podia ter morrido se não tivesse tido o auxilio do seu ex-pupilo que acabou por se formar em medicina. Como eu não pensei, no episódio anterior, quando o Yakumo se tinha sentido mal, ele dava grandes sinais de estar a ter um enfarte, a forma como ele hiper-ventilava e tinha as mãos no peito, o estúdio está de parabéns nessa cena. O Yakumo, mesmo tendo sobrevivido, a meu ver já não será o mesmo, um enfarte do miocárdio, é uma complicação de saúde grave que deixa sequelas permanentes. O velho Yakumo se quiser viver mais uns tempos, não poderá fumar, beber, nem fazer apresentações de rakugo, já que estas exigem muito em termos físicos e psíquicos.
    A Konatsu, parece que já ultrapassou aquela, fase do ódio mortal que ela sentia, pelo Yakumo. Quando as cortinas do palco, baixaram, ela foi das primeiras pessoas a acudir o Yakumo e a cara de preocupação dela era verdadeira. Ela parece que está num dilema, por um lado desde de criança que deseja a morte ao Yakumo e chegou mesmo a afirmar que um dia, seria ela mesma a matar o Yakumo. Isto na fase mais jovem e rebelde, mas agora depois de ter sido mãe, ter se casado e descobrir a sua vocação ela mudou muito e digo mesmo, mudou para melhor. E pelos vistos, ela vai tomar conta do velho Yakumo, no próximo episódio. Só espero que eles se entendam de uma vez por todas, o velho merece morrer sem ressentimentos.
    Ver o Yotaro, continuar a apresentação do seu Inokori, no lugar do seu mestre, deve ter sido bastante difícil para ele, já que ele queria estar ao pé do seu mestre. Aquela troca de olhares que houve entre o Yakumo e o Yotaro, no início do episódio, foi um toque de mestre da direcção do anime. Os olhos com que os Yakumo olhou para o Yotaro, foram de, tens que continuar, com o espectáculo, não interessa se eu estou aqui quase a morrer, as apresentações têm que continuar, aconteça o que acontecer. O Yotaro teve nervos de aço, quando apresentou o sei inokori, ele estava tão nervoso e preocupado com o seu mestre, que ele pulou a introdução e a despedida. Mas que no meio disto tudo, ele fez uma das suas melhores apresentações de sempre, quiçá a melhor, ele por breves momentos superou tudo o que tinha feito até então. E no meio disto ele descobriu o seu próprio estilo de Rakugo, e diga-se de passagem, ele é muito bom. O Yotaro gosta e respeita muito o seu mestre e isso notou-se bem, quando ele se esvaiu em lágrimas no final da sua apresentação, e nos outros dias, em que o seu mestre ainda não tinha acordado.
    Este episódio apresentou-nos uma das maiores apresentações de Rakugo, foram quase de 10 minutos a ouvir o Yotaro a contar a história, e o mais estranho nisto tudo, é que se tal coisa acontecesse num anime genérico padrão tal cena seria aborrecida, mas em Shouwa, foi tão boa que eu nem dei pelo tempo passar. Este episódio também tocou um ponto importante, o velho teatro onde os grandes mestres do Rakugo actuaram durante as suas vidas. Eu até percebo, que ele já não tenha a segurança e as condições mínimas que a era moderna exigem para o bem estar das pessoas. Agora destruir para remodelar não, aqueles tatamis, aquelas paredes do teatro têm séculos de história, se por uma eventualidade, o teatro for destruído e construído de novo, já não será a mesma coisa. A cara de felicidade do pequeno Shin,quando o seu avô acordou do coma, não tem preço, a alegria do garoto foi contagiante. Já para não falar da Konatsu, ela está cada vez mais próxima do homem que ela odiou a vida inteira, o que para o espectador é uma coisa muito boa.
    Como sempre mais um excelente artigo, de Shouwa Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Pois é, eu estou sinceramente preocupado com esse negócio de 5 estrelas. Quero dizer, mesmo que eu diga que são todos 5 estrelas, alguns foram melhores e outros nem tanto, mas onde está esse detalhe? Mas não consigo fazer nada a respeito, os episódios estão todos muito bons, acima da média não só de Rakugo Shinjuu, como de todos os episódios de todos os animes da temporada! Eu dou notas pessoais para todos os episódios de todos os animes que assisto, e além dos seis episódios até aqui de Rakugo Shinjuu 2, dei nota perfeita apenas para um de Onihei (esse eu escrevo também então você sabe qual foi), dois de Maid Dragon (o 4 e o 5) e dois de Kuzu no Honkai (o 1 e o 4). Como pode ver, some todo o resto da temporada e, na minha avaliação, não se obtém um Rakugo Shinjuu 2!

      Sobre o estado de saúde do Yakumo, depende da época em que está se passando também, não é? Infelizmente não consegui identificar direito, mas acho que é no máximo década de 1980. Se bem que eles citam “terremoto no oeste” e isso me faz pensar no Terremoto de Kobe de 1995, então talvez seja metade da década de 1990, mas aqueles trens e estações me parecem mais velhos do que isso. Se bem que se a primeira temporada terminou na década de 1970, como acredito que tenha sido o caso, umas duas décadas para o Yotaro chegar onde chegou faz bastante sentido. Enfim, essa especulação toda é porque quanto mais longe no passado, menos remédios, operações e tratamentos modernos, menor a sobrevida para uma vítima de infarto e pior a qualidade de vida no pós-recuperação. Acho que se fosse hoje em dia alguém com infarto conseguiria continuar sua vida mais ou menos bem, claro, abandonando hábitos e vícios como o cigarro e fazendo um acompanhamento bem de perto, mas quero crer que uma profissão como artista de rakugo possa continuar sendo exercida (com alguma redução na carga, se for o caso) após um infarto. Mas esse não é o caso do Yakumo.

      O protagonista do episódio foi o Yotaro e o tema principal foi a passagem do velho para o novo – e a inevitável dor desse processo que é, de todo modo, necessário. Aliás esse parece ser o tema principal dessa segunda temporada inteira, mas se existia um só episódio, até agora, cujo artigo merecia destacar isso sobre qualquer outro aspecto, foi esse sexto episódio.

      Gostei muito da Konatsu nesse episódio. Além de não ter nenhum sinal de ressentimento, o que é o mínimo esperado para uma situação tão grave assim, ela esteve o tempo todo na linha de frente dos que estavam preocupados com o mestre. O Yotaro é um chorão, sensível, com certeza estava muitíssimo preocupado também, mas ele não tem a história que a Konatsu tem com Yakumo. Não é justo fazer campeonato de preocupação, mas se fosse fazer, acredito que a Konatsu sagraria-se campeã. O sentimento honesto de quem foi segurando as mãos de seu pai na ambulância é imbatível. E ela só não era a primeira ao lado dele quando despertou porque crianças são intrusivas assim mesmo, mas ela era a primeira logo atrás do Shin e o alívio e a alegria advinda dele transbordavam de seu rosto. Isso me deixa especialmente ansioso pelo próximo episódio (e que nota darei a ele, céus? seis estrelas? precisarei modificar a escala só por causa de Rakugo Shinjuu??).

      Obrigado pela visita e pelo comentário!! =)

      • A era Shouwa foi até 1989, por isso é certo, que o anime ainda se passe nos anos 80. Este anime, como tu bem referiste, ainda te vai obrigar a refazer a escala das notas. Rakugo continua imbatível em termos de qualidade de história e de roteiro.

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Tem toda razão! Olha eu me atrapalhando e esquecendo do próprio título do anime! Bom, devem ter se referido ao Terremoto de Otaki, em 1984 então (https://en.wikipedia.org/wiki/1984_Otaki_earthquake), embora não tenha sido um terremoto especialmente destruidor (o que até faz sentido, fosse uma grande tragédia e os trens exibiriam noticiário sobre ele, e não sobre o estado de saúde do Yakumo).

Comentários