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Esse foi um episódio razoável, no mínimo parece ter mantido o curso dos episódios anteriores e ainda teve o bom gosto de adicionar uma piada até que bem espontânea: a existência de Patsuyan, o entregador de pão de Yakisoba. De um jeito ou de outro, a constante ereção que Gintama tem pelo saudosismo da guerra permeia forte esse arco (até mesmo por razões óbvias ouso dizer) e, embora eu julgue que focar demais no passado em detrimento do desenvolvimento futuro dos personagens como se “eles nunca poderão superar a magnanimidade da guerra” seja algo bem ruim, não posso deixar de dar os parabéns por ainda acharem coisas pra explorar.

Um tópico interessante desse episódio é o vazio, que no dicionário indica a falta de “algo”.  Ou seja, a partir do momento que nos sentimos completamente vazios, nossa mente se torna incapaz de processar uma motivação razoável para seguirmos com nossa existência. Por razões óbvias, ninguém deveria se matar pelo mero fato de se sentir vazio, porém, é muito mais fácil de se chegar a pessoas depressivas a partir da procura por aqueles com a sensação de um vazio profundo em suas vidas. No episódio em questão, a sensação de vazio na mente dos samurais constantemente mortos pelo nosso ciclope/triclope favorito, vinha muito provavelmente da certeza absoluta no que faziam, que lhes permitiam partir para outro mundo com a certeza de que lutaram ao máximo pela causa que julgavam certa.

A partir dessa perspectiva, podemos dizer que um Samurai que está prestes a ser morto em batalha, mesmo que seja somente para atrasar o inimigo, está dando o máximo de si e põe sua “Raison d’etre” (a razão de viver) em fazer o seu melhor para pará-lo. No momento em que estão prestes a morrer essa razão de viver cai por terra e dá espaço para um completo vazio mental, que pode tanto ser porque o Samurai fez tudo o que acreditava ser possível para cumprir seu objetivo e portanto partia honrosamente sem qualquer arrependimento, ou porque ele se arrependia tanto que entrou em completo desespero. Dada as reações vistas em flash back, e a mensagem que esse anime constantemente passa sobre o orgulho de um samurai, eu concluiria que a primeira opção é mais plausível, mais bonita inclusive.

Ainda nessa pegada de “Raison d’etre”, temos o Shoyo. Enquanto certas pessoas procuram alcançar sua razão existencial e são capazes de concentrá-la ao máximo na missão que têm em mãos, outras pessoas são inerentemente vazias. Não é sobre  alcançar seus objetivos. Shoyo simplesmente não acredita em absolutamente nada nem tem um objetivo apropriado em mãos, sendo imortal e tendo vivido mais do que todos os humanos da atualidade, para Shoyo, até mesmo sonhos são enfadonhos e efêmeros. Para sonho a razão de ser acaba se misturando com o fato de que ele é incapaz de encontrar um sentido para seu “estado de ser”. Para quê buscar uma razão para existir quando você mesmo existe sem razão? O vazio de Shoyo é basicamente um reflexo do que acontece quando vivemos sem nem mesmo poder morrer.

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