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Esse episódio foi excelente e pivotal para o anime, então porque não cinco estrelas? Bom, apesar de tudo foi um episódio que apenas jogou um monte de informações, ainda não deu para ver o quanto isso vai influenciar no resto da história – embora possamos especular e, como Yotaro, sentir a diferença só de pensar nela.

Eu não achava que a história sobre a morte do Sukeroku e da Miyokichi da primeira temporada fosse uma farsa. Bom, eu não descartava a hipótese e desde aquela época havia quem apontasse o óbvio: o Yakumo é um contador de histórias, ele contar essa história não significa que ela seja real. O que me fez decidir que deveria ser real sim foi não conseguir imaginar nenhum bom motivo para ele mentir. Mas existe um.

E que motivo! Quero dizer, eu pensava e pensava, será que na verdade foi mesmo o Yakumo que matou Sukeroku e Miyokichi? Não fazia sentido. Ele podia ter todas as desavenças com eles que fosse, mas no fundo ele amava muito os dois. Eram as pessoas mais importantes na vida dele. O fato dele assumir a culpa para proteger a Konatsu fazia todo o sentido. Inclusive nesse semana, ou recentemente, eu discutia exatamente sobre isso. Meu interlocutor tinha certeza que ou aquilo era mentira ou aquela cena não era verossímil! Ele estava certo, era mentira. E como eu disse, eu aceitava isso como possibilidade, embora não visse motivos para tanto. Mas verossímil foi sim! Tanto que a cena real conteve vários dos elementos por ele apontados como inverossímeis:

  • O balcão era realmente muito frágil. Não sou especialista em arquitetura tradicional japonesa mas tenho quase certeza que aqueles balcões não são sacadas. São só enfeites. Talvez dê para colocar objetos lá, mas não foram feitos para suportar pessoas.
  • O Sukeroku correu bastante para alcançar a Miyokichi antes que ela caísse sim, igual na história inventada pelo Yakumo. Ok que ele correu uma distância menor, mas o estado físico dele era muito pior.

O resto da cena a gente deduz. A Miyokichi certamente estava bêbada sim. O que muda é que ao invés de cair sozinha depois do Yakumo resistir aos avanços dela, o Sukeroku apareceu em algum momento e … coisas aconteceram. Talvez ele tenha brigado com o Yakumo e a Miyokichi defendeu o amor de sua vida? Não acho que seja muito a cara do Sukeroku, mas é uma possibilidade. Talvez os dois estivessem só tentando convencer a Miyokichi a deixar o Sukeroku voltar ao rakugo? Ou talvez o Yakumo estivesse quase cedendo aos avanços da Miyokichi quando o Sukeroku apareceu e estragou tudo? Ou pior, talvez os dois estivessem realmente, realmente em vias de fazer algo..? Não duvidaria. Acho que o Yakumo amava sim a Miyokichi, inclusive no sentido sexual. E como já venho especulando desde a primeira temporada, acredito que eles chegaram a ter relações sexuais. De todo modo isso não importa. A Miyokichi em sua loucura atacou o Sukeroku, a Konatsu chegou depois, viu o pai ensanguentado nos braços do Yakumo, achou que tivesse sido ele, e a mãe correu para abraçá-la e desfazer o mal-entendido – só que desfazer o mal-entendido significava confessar o crime para a própria filha.

E aí a menina, que já tinha motivos para não gostar da mãe, perdeu o controle e começou a atacar a Miyokichi. Não acredito que ela tivesse realmente força para ferir ou empurrar a mãe, acho que ela recuou sozinha, por reflexo, culpa, escolha aí o que achar melhor, e não percebeu que ia em direção à janela. Sukeroku se levantou, essa parte foi como na história inventada, segurou a esposa, o balcão cedeu e ele caiu junto com ela. A diferença é que Yakumo não tentou segurá-lo porque ele estava mais ocupado segurando a Konatsu. Depois disso a garota desmaiou com todo o estresse e meio que perdeu as memórias exatas. Aí entrou a grande peça da vida do Yakumo, assumindo toda a culpa.

Claro que ele com certeza se sente culpado. Mas não foi só por causa disso que ele inventou essa história. Ele assumiu a culpa e inventou a história por causa da Konatsu. Como a garota poderia crescer sabendo que matou os pais? Bom, pelo menos a mãe, né, mas talvez até o pai pudesse sobreviver. Naquela cidade pequena que estavam, naquela época, duvido, mas não é de se descartar que ele pudesse ser atendido a tempo e sobrevivesse do ferimento à faca. O Yakumo devia acreditar nisso pelo menos, e talvez acredite até hoje. Ele chegou até mesmo a ter um breve instante de ódio pela Konatsu. Mas superou depois, como é bem sabido a essa altura.

Yakumo olhou assim para Konatsu com o cadáver de Sukeroku nos braços

É tanta coisa pra falar desse episódio que estou deixando de fora. Como a contagem especulativa sobre a idade dos personagens e os anos em que os fatos aconteceram baseados no relato do escritor. Ou o fato da Miyokichi ter ingressado na vida de cortesã relativamente tarde (eu acho). Ou ainda a demonstração tardia de afeto da Miyokichi pela filha, quando a abraçou. Talvez uma releitura das apresentações do dia fatídico à luz do que se sabe agora. É tanto assunto que me sinto até mal por não conseguir desenvolver tudo nesse texto. Enfim. Para adiante, o que pode-se esperar agora, além de um Yotaro extremamente sensível chorando mais do que nunca por causa da tragédia da vida da esposa que nem ela sabe? Bom, acredito que ela vá se lembrar disso. Talvez ela já se lembre no fundo de seu inconsciente – ela tem pesadelos ainda hoje, não é? Que tipo de reação ela teria se a verdade chegasse à superfície de sua consciência e ela se lembrasse de tudo? O que Yotaro e os demais poderiam fazer a respeito? Será essa a missão que ainda resta ao Yakumo nesse plano de existência, acalmar uma última vez a sua filha?

  1. OOlá! (sou a Chell do Not Loli!) Não tenho vindo comentar ultimamente porque sempre acabo ou lendo no celular ou não tendo tempo (é sempre mais 30 minutos pra comentar porque sou prolixa), mas os níveis de PQP desse episódio foram tão grandes que eu precisava compartilhar meus 2 cents. (Antes que você se pergunte se eu me inspiro pra essas teorias vendo novelão mexicano, não, BL mesmo. Talvez eu e Kou Yoneda nos entendamos.)

    Mas é, Dom Casmurro da animação japonesa, acertamos. Talvez Yakumo se sinta culpado por nem ter tentado segurá-los (uma boa metáfora inclusive do quanto se sentia fraco perto deles). A única coisa de que discordo de ti é quando admite que a Miyokichi fez o que ela disse. Eu acredito em uma ideia, creio que é a mesma do jornalista – Yakumo/Kikuhiko/etc ficou com ela sexualmente mesmo sendo ela a “mãe de família” do seu irmão, e aí ambos brigaram por Miyokichi. O olhar de raiva era porque ele odiava a Konatsu por existir (possível acidente que fez a Miyokichi ficar com Sukeroku e Sukeroku desistir do rakugo privando-o assim das únicas pessoas que ele amava), talvez, ou por se meter naquele momento horrível ou ambos afinal ela indiretamente teria causado o momento. A Miyokichi sempre teve afeto por sua filha, mas era certamente uma pessoa muito despedaçada para perceber isso, expressar mais ainda e expressar de forma saudável nem se fala, e ela certamente odiava o fato de ser mãe (em um lugar/tempo em que método contraceptivo não era um negócio, né) mas não a menina e me doi o realismo disso. Muitas mães com vidas complicadas e que só não deram certo não sabem cuidar dos filhos, naturalmente, se não tem experiências positivas como transmitir? Na cabeça dela o melhor a fazer devia ser colocar a culpa em si e não permiti-la ver a tragédia, afinal a Konatsu já a odiava mesmo, que continuasse odiando. Ela ingressou na vida de cortesã porque não teve opção na guerra, lembra? Foi logo depois de o jornalista conhecê-la que ela se viu totalmente vulnerável. Eu também não excluiria a possibilidade de uma chantagenzinha de “eu ou ela” que deu errado porque Sukeroku escolheria ela. Resumindo, temos mais pistas mas não a conclusão, ansiosa.

    No mais, só agora eu percebi definitivamente como o garotinho da Miyokichi, que Yakumo até apelida Bon, também se parece muito com ele na infância, não só por ser mimado e tímido, meigo e etc. mas também sendo protegido de uma série de coisas complicadas e convivendo com rakugo. É interessante mesmo. Claro que cada um é cada um e isso é legal do anime, penso.

    Ah, preciso dizer também que berrei demais com o video. Eu queria demais que o Yotaro visse um video antigo da forma que nós vimos. Os rakugos também… Kikuhiko fez justamente aquele sobre homens não resistirem aos encontros de uma mulher, e Sukeroku… “nós três viemos juntos a Yoshiwara então veja o que acontece se você tenta sair sozinho”, e “agradeço por tudo que fizeste por ser quem eu sou hoje”. Auspicioso. A gente entende o que o jornalista disse sobre os estilos de ambos vendo as ceninhas animadas: Sukeroku é a pessoa que resume o seu rakugo em si, Yakumo faz toda uma arte de auto-expressão.

    Enfim, queria pedir desculpas novamente por não estar comentando muito, mas vou tentar comentar ao menos nesses últimos episódios (e prevendo a depressão pós-Rakugo Shinjuu quando acabar… ). Não tenho estado mesmo muito bem nem com muito tempo, mas adoro conferir os posts do celular quando dá, então agradeço! Até!

    • Não poderia estar mais de acordo com a maioria do teu comentário chellyluz. Só não concordei com a parte, em que te referiste à Myokichi como como cortesã, ela era uma gueixa, gueixa e cortesão são duas coisas diferentes. Só o imperador e os nobres é que tinham direito a cortesãs (muitas das vezes, para concubinato), o mero povo tinha que se contentar com as gueixas em casas de chá. A Miyokichi, foi para a Manchúria porque quis, ela foi acompanhar o mestre do Kiku, de livre vontade. Ela foi para a guerra, por livre vontade ninguém a obrigou (mas a pratica dos poderes em vigor naquela época, era enviar gueixas para entreterem as tropas, destacadas no estrangeiro), mas o caso da Miyokichi foi por pura conveniência mesmo. Naquela altura, uma profissional do sexo, raramente engravidava, elas usavam medicinas chinesas como método contraceptivo, não protegia das doenças sexualmente transmissíveis (DSTS), mas evitava uma gravidez indesejada. Muitas das vezes, estas profissionais ficavam incapacitadas de engravidar, por causa dos efeitos, secundários das medicinas chinesas. Já para não falar,que os Japoneses e os chineses, foram dos primeiros povos a usar o preservativo, muito antes dos romanos e os egípcios. Por isso acho que a gravidez da Miyokichi não foi um acidente, foi uma coisa premeditada, para ela amarrar o Sukerou a ela. Das coisas que eu mais desprezava na Miyokichi, era a indiferença que ela tinha com a sua filha Konatsu, lá por ela não suportar a ideia de ter tido uma criança,não é desculpa para descurar os cuidados especiais que ela deveria dar à Konatsu.

      • Obrigada por responder, Kondou, sua resposta resume por que eu gosto tanto de conferir os comentários de outras pessoas… apesar de ter estudado um pouquinho sobre gueixas na época da primeira temporada pra que pudesse comentar eu não imaginava, por exemplo, a respeito dos métodos contraceptivos, muito menos sei o que distingue uma gueixa de uma cortesã exatamente (lembro que li que depende muito da era o papel da gueixa, também). Vou procurar saber e agradeço de coração!
        São leituras possíveis, Rakugo Shinjuu é incrível justamente por permitir tantas, na minha opinião. Pensando dessa forma concordo que foi proposital, e portanto desprezível, mas gostaria de rever o anime um dia observando melhor a Miyokichi. Eu tendo a ler como feminista que a Miyokichi é despersonalizada ao extremo. De fato a sociedade é cruel com mulheres que desviam do padrão esperado do arquétipo feminino (boa mãe, dona de casa, etc) e que dão (tem aptidão, apreço, “dom” para etc) para ciências, por exemplo, ou artes no caso da Miyokichi. A sociedade japonesa da década de 1950 então nem se fala. Dá pra ver que ela era no mínimo uma trabalhadora OK e gentil e foi se degenerando moralmente com os chutes que levou até culminar no que vimos. Claro que não é legal pra qualquer pessoa ser cruel com uma criança, mas como personagem eu gostaria de entendê-la melhor tanto quanto o jornalista, Yotaro e até a própria Konatsu.
        Enfim, obrigada novamente e até mais!

    • A diferença bastante marcante entre um gueixa e um cortesã (oiran), é que as gueixas, maikos e geikos, trabalhavam em casas de chá. Nessa casas de chá, geralmente serviam, para tanto homens e mulheres, passarem um serão bem animado, com danças tradicionais das gueixas. Mas geralmente estas mesmas casas eram casas de prostituição. Geralmente as casas de chá, só eram frequentadas, pela plebe, comerciantes abastados e samurais em geral. Já para não falar que as, gueixas eram consideradas prostitutas de baixo escalão. No caso das cortesãs ou Oiran, estas eram prostitutas de alto escalão, que só serviam aos nobres, damayos e ao Imperador. Para contratar os serviços destas cortesãs, era necessário muito dinheiro, logo a clientela delas, só podiam ser damyos (senhores da terra), comerciantes ricos e o Imperador (no caso deste, era mais para concubinato). Outra das diferenças entre gueixas e oirans, é que as oirans dominavam as artes da caligrafia, dança tradicional, música, poesia e tinha que saber falar bem, para os seus clientes. Já a gueixa dominava mais as artes mundanas (ou plebeias), só dançavam e conversavam com os seus clientes. Uma pequena curiosidade, com a ascensão das gueixas, a era dourada das cortesãs entrou em declínio e extinção da arte das oirans. A última cortesã registada no Japão data de 1761. Já o conceito e tradição das gueixas perdura até aos dias de hoje.

  2. Este episódio, para mim foi uma espiral de sentimentos, tive que rever o episódio duas vezes, para poder comentá-lo aqui. Eu concordo com a nota que deste a este episódio, para mim foi o segundo melhor episódio de Shouwa, mas tenho que concordar, que este episódio jogou para o espectador muitas informações (se bem que não me incomodou em nada). Vou começar por uma das muitas coisas, que me fascinaram neste episódio. A animação neste episódio, estava nas alturas, aquele cenário do parque do hospital, dava para ver o reflexo da Konatsu na poça de água, a fluidez nos movimentos dos personagens, aquela cena onde o Yakumo pede um cigarro à Konatsu esteve cheia de fluidez. E aqueles cenários da vila onde o Yakumo 30 anos antes, tinha feito a sua melhor performance em palco de sempre, tudo neste episódio a meu ver foi lindo. São tantas as coisas boas que eu poderia referir sobre este episódio, mas vou focar-me mesmo nas coisas que me chamaram a atenção. Começando pela cena do inicio, como eu fico feliz de ver o velho Yakumo e a Konatsu a entenderem-se, por uns momentos pareciam pai e filha, juntos no banco do jardim. Eu já respeitava e admirava o Yakumo, mas depois deste episódio, já não o vejo da mesma maneira. Aquilo que o Yakumo fez, pelo bem estar da Konatsu, praticamente ninguém nos dias actuais faz por outra pessoa. Ele aceitou ser odiado, pela Konatsu e outros, pela morte da Yurie e do Sukerou, tudo para que a Konatsu não vivesse com o estigma, de ter matado os pais. Nem tenho palavras para descrever o Yakumo depois deste episódio. Ele conseguiu enganar meio mundo, com a versão dele, sobre a morte dos pais da Konatsu, se bem que eu já fazia tempo que eu desconfiava que aquela versão que ele contou, não fosse 100% verdade. Já que os contadores de histórias, por norma fazem algumas alterações nas suas histórias. E com a versão real, da história, é que se percebe os porquês do Yakumo ser um homem tão amargurado, que sofreu muito na sua vida. O Yakumo, viveu as últimas décadas, com o sentimento de culpa, pela morte da sua amada Miyokichi e o do seu irmão Sukerou. Não bastando esse acontecimento traumático, ele assumiu para si, a culpa da Konatsu em relação à morte dos seus pais. Como o Yakumo poderia ser uma pessoa alegre e de bem com a vida, depois destes acontecimentos. Ver o velho Yakumo, sentado no banco do jardim do hospital, a disser que ia deixar de fazer Rakugo, foi uma coisa que me deixou triste. E pelo que percebi, o Yakumo não sofreu apenas, um enfarte do miocárdio, ele também deve ter sofrido um pequeno derrame cerebral, já que a sua fala foi afectada.
    Eu estava receoso, do que fosse sair daquela viagem, onde o Higuchi, o Yotaro e o Matsuda-san foram para a vila, onde outrora o Yakumo e o Sukerou fizeram uma apresentação. Além de que se descobriu que essa mesma, vila foi onde a Miyokichi nasceu e ficou até ao vinte e poucos anos. Eu achava que o Higuchi, estava a remexer no passado do Yakumo por maldade e vingança, e não estava 100% errado. O Higuchi pelos vistos gostava da Yurie (forma carinhosa, que ele arranjou de chamar a pessoa mais importante para ele). Eu mais um pouco, já me estava a irritar com o Higuchi, aquelas indirectas que ele mandava sobre o Yakumo ser o responsável pela morte da Yurie, até parece que ela era uma santa. Mas acho que ele admitiu a si mesmo, que o Yakumo não foi o responsável pela morte da Yurie, quando descobriu a história verdadeira, sobre o acontecimento fatídico que levou à morte da sua amada. Finalmente explicaram neste episódio, como o Higuchi, ficou fã do Yakumo e do Rakugo, afinal ele ficou fascinado com a postura e elegância do Yakumo, afinal aqueles olhos do Kiku quando era mais novo, conquistavam as pessoas.
    Já a Miyokichi, surpreendeu-me neste episódio, quando o Higuchi contou como conheceu a Yurie, nem quis acreditar, a Miyokichi era tão diferente, daquilo que se tornou. Como o Higuchi bem referiu, a Yurie já era bem bonita quando trabalhava numa casa de termas, mas quando foi para a capital e regressou, ela ficou belíssima. As dúvidas que eu tinha,se aquilo que a Miyokichi sentia pelo Yakumo era amor ou obsessão, desapareceram neste episódio. A Yurie amava mesmo o Yakumo, a maneira como ela se referiu dele, para o jovem Huguchi mostrou que ela amava e tinha orgulho do Yakumo. Geralmente o treinamento de gueixa, deve ser feito desde criança, por isso certo que a Yurie já começou tarde nessa arte. Acredito piamente que ela e o Yakumo, numa fase quente do seu relacionamento, tenham tido relações sexuais, afinal os dois amavam-se. E tenho uma prova para isso, num dos episódios da temporada 1, onde a Yurie foi apanhada pela dona de casa de chá, aos beijos com o Kiku, essa mesma dona. advertiu-a que ela não podia ter relacionamentos com os clientes (já dando sinal que ela já tinha dormido com o Kiku).
    A felicidade que o Yotaro sentiu ao ver o seu mestre quando era mais novo, foi muito boa. Mas foi com a apresentação daquele que ele mais admirava, o Sukerou, que o deixou mais feliz. O Yotaro, não estava em si, quando acabou de ver os filmes dos seus idols (se se pode fizer assim). Aquela última cena, onde ele chega a casa e abraça a sua amada, depois de descobrir a verdade sobre o passado dela, foi uma cena linda. O Yotaro é um ser humano incrível, ele parece meio bobo da corte, mas ele preocupa-se com as pessoas que ama. O pequeno Shin, continua adorável, é impossível não gostar dele. Uma coisa que reparei no Shin, neste episódio, é que ele tem a mesma, mania do seu pai biológico de ter os olhos fechados, às vezes a genética não falha.
    O Matsuda-san, é daqueles personagens, impossíveis de não gostar e respeitar. Ele já serve a família Yakumo, à muito tempo, ele é como se fosse parte da família. Ele mesmo velho, não abandona o seu mestre, ele é como se fosse um companheiro para a vida toda. Ele preocupa-se tanto ao mais, com a família do seu mestre, do que com a dele.
    Não é impossível, imaginar os momentos que antecederam à morte dos pais da Konatsu. A hipótese mais plausível, para mim, é que quando o Yakumo depois da sua apresentação, tenha descobrido o seu estilo próprio de Rakugo. E quando o descobriu. decidiu tentar mais uma vez, uma relação com a Miyokichi. Mas o seu irmão Sukerou apareceu, e ele voltou atrás na sua decisão. A Miyokichi estava bêbada e por ventura num momento de raiva e descontrole emocional tenha tentado esfaquear o Kiku e o Sukerou se colocou na frente para defender o seu irmão. Mas também pode ter sido a situação que referiste no artigo (com qual eu também concordo). No momento que a Konatsu apareceu, foi normal ela ter achado que o Kiku tivesse matado o seu pai, por isso a raiva dela era normal. Mas o pior foi quando a Miyikichi, num momento de auto-culpa, confessa que a autoria daquela facada, tinha sido ela, claro que a Konatsu que já não gostava dela, entrou num estado de choque e euforia. Eu também acho que a Konatsu não tinha força para empurrar a mãe até à varanda, a Miyokichi é que recuou muito para trás, a cada golpe da Konatsu e não viu que estava a ir para a varanda. O pobre do Sukerou, que finalmente tinha entrado nos eixos, tinha uma boa relação com a sua filha, com a mãe nem tanto, mas estava quase lá, num último momento de desespero, ele tentou salvar a sua amada, mas não conseguiu salvar a Yurie e ele acabou por morrer também. Aquilo que mais me surpreendeu, nesta verdade, foi o facto de o Yakumo, não ter ajudado o seu irmão e a sua amada como na sua versão dos acontecimentos. Ele preocupou-se em salvar a Konatsu, que ficou em choque, um choque tão grande, que a sua memória que a mesma distorceu essas memórias. Mas foi um choque para mim, descobrir que a Konatsu, foi a responsável pela morte dos seus pais, mesmo, a meu ver, não tenha sido de propósito. Dai percebo, a atitude, que o Yakumo tomou em relação a este assunto, ele não poderia deixar uma criança, carregar tal estigma.
    Agora só quero, ver se estas revelações, vão ter impacto nos futuros episódios de Shouwa.
    Como sempre, mais um excelente artigo Fábio.

    • Queria apontar outras coisas depois de ler seu comentário: 1) Higuchi é o nome dele então. Grata, pra minha cabeça é só o jornalista chato. 2) Eu não estava entendendo por que a Miyokichi estaria bêbada, seria por causa de garrafas no quarto? Não que ela não pudesse estar, mas quem bebia a ponto de se alcoolizar com frequência era Sukeroku. Subitamente, passei a considerar outra possibilidade: que ele tenha efetivamente tentado se matar ao ver os 2 juntos. Ele pretendia sangrar até morrer e Konatsu apareceu. Ninguém sabendo lidar com aquilo, Miyokichi diz que foi culpada e o resto é história. Faz sentido? Talvez para Sukeroku se jogar era o que ele podia fazer para provar que a amava. Miyokichi esfaqueando Kiku… não existe hipótese impossível mas narrativamente é difícil, não? E claro que não foi um empurrão, o espaço era pequeno e a varanda era frágil. Adorando o Ace Attorney que está rolando e fiquemos na expectativa dos próximos episódios!

      • O Higuchi é mesmo um jornalista chato e impertinente. O Sukerou,sempre foi muito egoísta e mimado. Ele sabia que o coração da Miyo era do Yakumo desde o inicio. Ele é que era o intruso na relação já conturbada do Yakumo e da Miyo, ele só piorou as coisas. A Miyo só ficou a saber que o Kikuhiko ia se apresentar naquela vila um dia antes. Ela quando soube, dessa noticia ela ficou extremamente abalada emocionalmente, ela pensava que o Kiku tinha lá ido buscá-la. Depois de o Kiku e o Sukerou terem acabo as suas apresentações e subiram, para os seus aposentos, a Miyo podia já lá estar, para ver o Kiku. Mas os três juntos no mesmo sitio, já era de ver, que aquilo ia correr mal. A Miyo bebia muito também, o Sukerou nem digo nada, o único dos três que não deve ter tocado numa gota de bebida foi o Kiku. Com os três juntos, todos eles amargurados pelos seus sentimentos não correspondidos, tal situação já se previa que ia ser um barril de pólvora prestes a explodir. Acredito que Shouwa, ainda nos vai mostrar, os motivos reais daquele trágico acidente.

  3. Fábio
    Fábio "Mexicano" Godoy

    Gostei muito de ver a conversa entre vocês dois, Kondou e Chell, obrigado, de verdade!

    A primeira coisa que eu vi foi o enorme comentário de uma, depois o enorme comentário do outro, e já fiquei preocupado pensando que passaria o dia inteiro respondendo comentários sobre Rakugo Shinjuu! Não que eu não goste disso, mas é tantas coisas mais pra fazer que acho que eu não teria conseguido mesmo. Então vocês começaram a conversar entre si e isso me aliviou bastante. Isso é egoísmo de minha parte? Se for, me desculpem, por favor =D

    Mas era de se esperar, não é? Há tanto o que se falar sobre esse episódio. Não só pelo que aconteceu nele, mas pelas implicações óbvias e as não tão óbvias que ele tem para todo o resto dessas duas temporadas do anime. Tenho certeza que a Chell tentaria esgotar todos esses temas caso estivesse escrevendo sobre o anime, mas acho que eu não teria conseguido produzir um bom texto se tivesse feito isso. Acho que as duas maiores questões são:

    – O que aconteceu naquele quarto antes do começo da narrativa do Matsuda?

    – Por que o Yakumo segurou a Konatsu e não o Sukeroku?

    Só podemos especular sobre as duas, e meus chutes (alguns deles dados no artigo) são tão bons quanto os seus. Se levarmos esse próprio episódio em conta, acho que a probabilidade é grande de que todos nós passemos bem longe da verdade, não é? Quero dizer, quem poderia imaginar que na verdade era Konatsu a assassina, quando ela passou décadas acusando o Yakumo? Essa foi uma reviravolta e tanto! E agora vou digredir um pouco.

    Porque o Yakumo mentiu em primeiro lugar não está em questão. Parece bastante óbvio: para proteger a Konatsu. Podem haver outras razões, mas nesse momento sinceramente acho que isso importa menos. O realmente incrível é que a mentira dele tenha passado por verdade por tanto tempo. O próprio anime tratou isso como verdade. É uma forma genial de fazer isso funcionar e mereceu o título do artigo. A questão, como já sabíamos desde a primeira temporada, é que o Yakumo é um contador de histórias, seu trabalho e sua especialidade é tornar a ficção em realidade, nem que seja por um curto período de tempo. Foi ele que contou a história, e por isso era verossímil que ela não fosse verdadeira ainda que todos acreditassem e ela se parecesse muito com a verdade. Isso tudo era um dado do jogo. O que me leva a outro ponto até agora negligenciado por todos nós: o Higuchi também é um artista. Um escritor, no caso dele. O trabalho dele também é criar histórias. Por isso não sei se devemos levar a ferro e fogo a história que ele contou sobre a Miyokichi.

    Então no que podemos acreditar??? Acreditemos no Matsuda. Ele não é um artista. Ele é uma pessoa muito simples, de vontade fraca, não é a função dele contar histórias, ele não conseguiria contar uma mentira nem se ele quisesse. O que ele narrou sobre o que aconteceu naquele quarto com certeza corresponde à realidade. Pelo menos a realidade que ele, naquele momento de profundo estresse, conseguiu captar e manter memorizada.

    Sobre o Yakumo ter segurado a Konatsu e não o Sukeroku … vem aí artigo especial, aproveitando a ausência de episódio novo de Youjo Senki nessa semana, fiquem ligados por favor!

    Obrigado pela visita e por todos os comentários, Chell e Kondou!! =)

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