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Esse episódio de Ao no exorcist foi tecnicamente bom, sem sombra de dúvida o anime pegou a guinada que precisava pegar e que sentia falta em seus primeiros 6 episódios, o pacing de informações está dinâmico, apesar de sofrer um pouco com infodump demais (primeiros 10 minutos só com informação) e as relações entre personagens (principalmente entre Tatsuma e Suguro).

Eu sou uma pessoa jovem, jovem demais, moleque demais, sinceramente acho quase uma afronta alguém como eu, um jovem universitário em graduação de Direito, que nem sonha com a possibilidade de ser pai pela próxima década dar lição de moral sobre o que é ser pai. Por isso esse artigo não vai ter nada a ver com o quão ausente foi o pai de Suguro, ou o quão bom pai ele foi. Bom e mal, afinal de contas, são muitas vezes meras facetas subjetivas.

Um pouco fora da subjetividade acho seguro dizer que o papel de um pai na educação de seu filho (e falo filho e pai porque é onde o exemplo do episódio cabe, mas  podia dizer a mesma coisa de uma mãe e filha ou mãe e filho) é educá-lo para que consiga ser tão ou mais feliz do que ele foi durante sua vida. Sim, felicidade é algo extremamente subjetivo, mas é exatamente por isso que pais e filhos brigam tanto, porque o que um julga que é importante para a felicidade do outro às vezes não é compreendido e, mesmo que compreendido, muitas vezes só não é compartilhado.

O que ocorreu entre Tatsuma e Suguro não foi só um erro de comunicação, foi uma legítima divergência de opiniões na qual o monge se via incapaz de entender porquê seu filho deveria partilhar o mesmo destino sofrido de passar a vida escondendo a existência do rei impuro e de seu dever como sacerdote central de selá-lo. Seu filho deveria seguir uma vida normal e feliz, sem se preocupar com exorcismos e problemas centrais da seita, só que Suguro não concordava com isso.

Basicamente, em meio a sua busca pela proteção e felicidade de seu filho, Tatsuma passou a ignorar os sentimentos dele, passou a evitar sua família e decidiu que o melhor a se fazer era aguardar o dia em que, quem sabe, usaria suas chamas da vida para selar o rei impuro de vez. Enquanto isso, Bon passou a viver para cumprir sua vendeta assassina contra Satã, tentando, dessa forma, salvar a memória de seu templo, arruinado depois da noite azul.

Pai e filho lutando por objetivos distintos em batalhas separadas não conseguiam se dar bem. Porém, no fundo ambos sabiam que só queriam o bem um do outro, por isso Ryuji decidiu que iria cumprir o fardo de seu pai independente do perigo, o impedindo, assim, de extinguir sua vida junto das chamas de Agni e selando O rei impuro enquanto Rin o destrói com o poder da espada Koma (que por qualquer razão não consegue usar agora).

Em uma ótica fraterna paternal diferenciada, nós temos o exemplo crasso de Yukio. O homem que seguiu todos os passos de seu pai para ser igual a ele mas que nunca conseguiu fazer nada que lhe fosse de mérito próprio, pois viveu à sombra de ambos, seu irmão e seu pai (que no fim era somente um padre que os adotara). Sendo permanentemente uma cópia de um homem incrível, as expectativas em Yuki são mais altas do que ele consegue suportar sem maiores problemas, o que é a razão das palavras de Todo refletirem tão bem nele. No fim das contas, Yukio não tem uma identidade que pode se chamar de própria, além do “homem que protege Rin no lugar de Shiro”.

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