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Se teve uma coisa que sempre disse de ACCA, foram minhas reclamações constantes sobre o pacing chato e o quanto eles sabem esgotar um certo tema até finalmente revelá-lo. Isso não necessariamente é uma coisa ruim, mas definitivamente é uma coisa com potencial para ser muito boa. No episódio de hoje, o monotematismo quase episódico de ACCA serviu para mostrar como em relações humanas apostas são bem mais difíceis do que parecem.

Jogos de azar e certas apostas são usualmente proibidos aqui pelo Brasil, a menos com permissão especial de um órgão federal do governo ou quando são feitos entre parentes. Isso ocorre muito mais porque o governo tem interesse em monopolizar tais sistemas, porém, a proposta já é bem antiga e se estende desde os anos 40, quando qualquer jogo de azar era proibido.

Mas enfim, fora das apostas convencionais e do mundo dos jogos de azar, esse episódio de ACCA fala de uma coisa bem mais metafórica e interessante. Basicamente, esse episódio é  um ensaio sobre o que é confiança no potencial de outrem. De um lado o jovem e inexperiente Jean está sendo apostado e representado pelo movimento do golpe e dos líderes do distrito, do outro, pessoas como o Grossular, que juntou sua vontade de unificar a ACCA com sua grande capacidade cognitiva e contatos com a superintendente Mauve, que sempre sonhou em um sistema uno como Grossular idealizava (até para cumprir os objetivos dele, que tinha seu mais profundo respeito).

Não obstante, não precisou de muito para Grossular convencê-la a se juntar ao golpe. A aposta e os ganhos são claramente bem válidos e consistentes (ou a ACCA e o país são destruídos em meio ao governo autoritário de um príncipe idiota, ou a ACCA sobrevive e rege o país a partir de um golpe legitimado por Jean Otus), a escolha é clara e a única variável razoável é o comportamento de Jean Otus quanto a formação do golpe.

Afinal de contas, como diria Maquiavel, um governante precisa passar confiança e legitimidade em seu governo. Um homem do povo como Jean Otus, que ainda possui sangue real, poderia tranquilamente apelar às massas. Devido a sua própria passividade, chegar ao ponto em que os planos da família Furuwa se tornariam realidade ao usá-lo como um fantoche não deveria ser impossível.

Ainda assim, Jean Otus não é um sujeito realmente idiota. Até agora ele pôde agir como um tolo sem maiores relevâncias, mas, se ele chegou  onde ele chegou, em um sistema de indicação e contatos, é porque ele tem carisma e inteligência para acabar com os planos da família Furuwa (ou ao menos é capaz de não ser um fantoche). Só o tempo dirá se Jean fará uma tática à la episódio 2 ou só deixará as coisas rolarem até não dar mais.

Foi por isso que sempre disse que o carisma do Jean era sua completa e total falta de carisma. Ele é um personagem que faz tudo o que quer e pode fazer sem quase mudar sua expressão, uma pessoa que simplesmente é de poucas palavras mas que tem um charme que atrai as pessoas. Não dá pra se dizer que ele é muito proativo, mas que ele é um homem de ação acho inegável, inclusive não duvido nada que ele fará seu melhor para ajudar Prapita e Suitsu, além de outros distritos que necessitam de ajuda.

Basicamente, Jean é um exemplo perfeito de uma pessoa que faz com que os outros apostem nele. Ele é um imã de apostas que move ricos e pobres a confiarem suas vidas a ele, ao ponto que distritos pobres ainda foram capazes de lhe oferecer seus cigarros. Em suma, quando for apostar, aposte no pássaro de cabelos loiros.

Mesmo esse cigarro representava tudo

 

 

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