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Apesar do cenário estranho e razoavelmente inesperado, esse sexto episódio fez muito mais sentido tematicamente do que o anterior. Sobre qual dos dois foi melhor, ou se os episódios antes do recap foram melhores ou piores do que esses dois que vieram depois, aí a coisa complica bastante. Sin: Nanatsu no Taizai é um anime trash, feito para vender mercadorias eróticas para seus fãs tarados, então de partida já não faz sentido esperar uma obra-prima. Mesmo assim, apesar de alguns escorregões e de um imperdoável brilho que tudo borra o tempo todo, o anime vem se sustentando com ideias interessantes, personagens bonitas e animação que já foi melhor sim, mas continua razoável.

Quero dizer, dado tudo isso será mesmo que importa, para o público-alvo de Sin: Nanatsu no Taizai, que Belphegor seja de fato o nome de um demônio associado ao pecado capital da preguiça por um teólogo e caçador de bruxas no século 16? Provavelmente não. Mas para mim isso torna o anime muito mais divertido!

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Peter Binsfeld foi um padre jesuíta e um caçador de bruxas que escreveu uma lista associando os pecados capitais a demônios – e eu adoraria encontrar os textos originais dele porque ele não se resumiu a escrever apenas essa lista. A lista de Binsfeld é idêntica à atribuição dos pecados capitais das Rainhas Demoníacas do anime, incluindo Lúcifer e Leviathan, o que me deixa bastante curioso com relação a esse material já que ele é um forte candidato à fonte primária dos autores do anime. Talvez explique a melancólica Astaroth! Enfim, não encontrei tais escritos em parte alguma, apenas infinitas repetições da lista que associa, entre outros, Belphegor à preguiça. No já citado Dicionário Infernal de Jacques Collin de Plancy (episódio 4), Belphegor é o Embaixador do Inferno na França – o que para o anime parece ter sido irrelevante.

Quem é relevante e também foi citada no artigo do episódio 4 (bem mais do que “citada”, aquele foi o episódio dela!) foi Mamon, espertamente metida nesse episódio 6, ainda que de forma indireta: ela é a responsável, junto com Belphegor, pelo jogo online onde a Rainha da Preguiça tenta corromper almas humanas. Faz muito sentido: preguiçosa, Belphegor jamais faria algo do tipo sozinha. A gananciosa Mamon, por sua vez, tinha muito a lucrar. Mas preguiça e jogos online juntos, faz sentido? Também faz todo sentido, pelo menos da forma como foram apresentados no anime (e que é de fato a forma como muitas pessoas se relacionam com jogos).

O confronto final entre Maria e Lúcifer

Preguiça não se trata de apenas não fazer nada, afinal, mas de negligenciar responsabilidades para fazer nada ou se abandonar à prazeres frívolos. Ao contrário dos demais pecados, que ocorrem quando o pecador faz algo, a preguiça ocorre quando o pecador deixa de fazer. Enquanto procrastina preguiçosamente, o pecador pode incorrer em outros pecados capitais simultaneamente. Outra forma de dizer a mesma coisa é que ao deixar de comportar-se virtuosamente (portanto, ao ter preguiça de ser virtuoso), o pecador pode incorrer em um pecado capital por negligir preguiçosamente uma das virtudes celestiais. Por exemplo, da preguiça de ser caridoso comete-se o pecado da avareza. Enfim, acho que me enrolei um pouco mas creio ter conseguido deixar claro que preguiça não é apenas não fazer nada, certo? Tomara!

Leviathan ficou bonitinha vestida de anjo (bom, não muito “vestida”)

E o que é trancar-se em seu quarto, isolar-se em seu próprio mundo virtual dentro de um jogo online, negligenciando-se todo e qualquer outro dever, senão preguiça? Esse era o grande plano de Belphegor – ou tão grande quanto sua própria preguiça permitia-lhe planejar. Em um jogo online não há morte ou derrota que seja definitiva, e quando ela dizia que prenderia Lúcifer para sempre não se referia a jogá-la em um calabouço e dar as chaves para a Rainha Demoníaca da Gula devorar, mas apenas repetir infinitamente o evento da Rainha Demônio tentando dominar o mundo e sendo oposta pela Heroína Mariri. Segundo seu plano, os jogadores permaneceriam para sempre conectados para assistir e participar dessa grande batalha, preguiçosamente negligenciando seus deveres e condenando suas almas à danação eterna. Lúcifer prometeu mais uma vez salvar os seres humanos e Maria compreendeu o que ela quis dizer.

Quando Maria se recusou a dar o golpe de misericórdia, encerrando o evento (o que imediatamente seria seguido pelo seu reinício), as pessoas começaram a deslogar. Começaram a sair do jogo, começaram a deixar de preguiça e ir fazer o que deviam fazer – ou a ir dormir logo para conseguir ir fazer o que deveriam fazer no dia seguinte. Isso exasperou Belphegor, que então abandonou seu próprio desleixo e falta de empenho para ativamente enfrentar Lúcifer. Como Astaroth antes dela, Belphegor foi derrotada no instante em que abandonou seu pecado capital.

O que é diferente do que aconteceu com Leviathan, Asmodeus e Mamon que foram derrotadas quando, ainda que brevemente, perderam a vontade de lutar após serem convencidas de que seus pecados não eram realmente pecados – essa é de verdade a maior mudança do anime antes e depois do recap. E falando na Leviathan, vale a pena ficar de olho nela – a asa que possuía em sua fantasia no jogo foi mantida por ela fora do jogo, e a situação toda não pareceu ser apenas uma piada. Considerando que ela foi a primeira a encontrar Lúcifer, e sempre foi tão solícita e tão dedicada à sua “mestra”, vislumbro a possibilidade dela ser uma espiã ou sabotadora enviada pelo céu.

  1. Este episódio de Nanatsu, de todos eles, foi aquele que demorei mais tempo a ver até ao fim. Eu a pensar, que já tinha me habituado ao estilo trash do anime, mas não dá (só pelo design das personagens e mesmo assim já foi melhor. Este episódio arruinou completamente tudo o que eu achava de jogos online. A Maria ou Maririn como ela se chamava no mundo online, até esteve razoável, mas aquele fanservice porco só arruína a personagem. Por momentos pensei que ele estivesse contra a sua mestre Lúcifer, mas foi tudo conforme o plano da Lúcifer. Por falar do pecado da preguiça, a Belphegor, eu gostei mais da versão de Bahamut. A versão da Bhelphegor de Bahumut, não precisava de usar roupa vulgar para ser sexy e bonita. Mas retornando à Bhelphegor de Nanatsu, ela é irritante, eu sei que ela é o pecado da preguiça, mas precisa falar tão devagar, até a música dela é monótona de tão lenta que é. A parte do jogo, até parecia interessante, com todo aquele clima, típico dos jogos online de fantasia, ver lá os jogadores com os seus equipamentos típicos desses jogos foi ok. Até que a Maria, é abduzida para dentro do jogo e a Bhelphegor a vê e decide fazer da Maria a sua yuusha para combater a malvada Lúcifer. Aquela armadura de ferro, era ridicularia, parecia mais uma carapaça de tartaruga que outra coisa. Eu achava a armadura estilo tartaruga ridícula, até que a Bhelphegor decide dar a típica armadura feminina nos jogos online de fantasia, uma espécie de lingerie com mais armadura que a armadura de ferro (nos jogos a lógica não conta e os animes copiam essa fórmula). Aquele monstro que a Maria enfrentou após receber a nova armadura mais leve, pode ter sido impressão minha, ou aquilo parecia um intestino, achei aquele monstro muito estranho.
    A Leviathan, essa está com os dias contados. Ela sempre desde o primeiro episódio que não larga a perna da Lúcifer, quase como se a Levi fosse uma stalker, Aquelas asas de anjo no final, levantaram muitas suspeitas. E a tua teoria da Levi ser uma espia dos céus e a parte do padre jesuíta foram as duas coisas, que mais me interessaram neste artigo.
    Como sempre, mais um excelente artigo de Sin: Nanatsu no Taizai Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Gostei bem mais desse episódio do que do anterior. E se todos eles tivessem sido desde o começo nesse nível eu não acharia ruim também. O ecchi que teve foi ecchi de câmera só, não de garotas se pegando, que é algo muito mais constrangedor e teve em todos os episódios antes do recap. Claro que “armaduras” que são apenas um biquíni são constrangedoras também, mas isso é um problema dos games que o anime apenas retratou (e exagerou), ele não inventou nada, hehe. E achei a Belphegor menos pervertida que a média das Rainhas Demoníacas, tanto na aparência quanto nas vestimentas, e é bastante bonitinha. Me divirto até com a voz enjoada de preguiça dela, hahaha!

      Sobre a Maria, eu acho que ela realmente estava sim lutando contra a Lúcifer e chegou a se frustrar de verdade quando achou que ela quisesse apenas dominar o mundo (ainda que fosse um mundo virtual), mas algo clicou na mente dela quando escutou Lúcifer dizer que iria “salvar” as pessoas. Ela não deve ter entendido ou compreendido plano nenhum, mas deu um voto de confiança para a companheira com quem viaja já há tanto tempo, e que carinhosamente roubou seu coração (literalmente), a sequestrou, molestou sexualmente em mais de uma ocasião e está sempre mentindo e enganando-a. Como ela pôde perder a confiança em alguém assim!? Estou pasmo, LOL

      A Leviathan eu não sei, pode ter sido ainda só piada, vamos ver. Eu achei que não foi e continuo achando isso. Talvez seja algo como “vá, a vigie e faça-a voltar para o caminho da virtude” também. De qualquer jeito, a lógica manda que a Leviathan se torne de fato a Rainha da Inveja no final, então se ela ainda for um anjo, deixará de ser em algum momento.

      Obrigado pela visita e pelo comentário! =)

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