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Falar de valor é algo muito relativo. É muito difícil saber quanto valor um objeto tem, seja comercial ou emocional. Assim como também é difícil fazer a avaliação medindo as qualidades e as virtudes de uma pessoa. Em Cavaleiros do Zodíaco: Ômega (Saint Seiya Omega), o grupo protagonista teve a chance de compartilhar um mundo novo durante o arco das Ruínas Antigas, e os roteiristas a chance de valorizar seus personagens.


Anime21 Diário

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Novo grupo, Novas Poses

Bronze, Prata e Ouro

Uma das características que mais marcaram o universo de Saint Seiya é a classificação das armaduras que os guerreiros de Atena vestem. No topo da hierarquia estão os cavaleiros de Ouro, lutadores que dominam a essência do cosmo em seu nível mais elevado. O nível intermediário é formado pelos cavaleiros de prata, com tarefas que variam desde líderes de missões a treinamento de aspirantes. E no mais baixo nível estão os cavaleiros de bronze, que propositalmente, são os protagonistas da série clássica e da série Ômega.

Colocando os protagonistas no nível mais baixo, Masami Kurumada escolheu fazer com que seus personagens percorressem um caminho que se tornou referência na hora de montar a base de um mangá shounen moderno: a superação de limites e o amadurecimento físico e psicológico dos personagens, fazendo com que o bronze alcançasse o ouro mesmo que ainda seja bronze.

Em Saint Seiya Omega, a escolha foi bem parecida para a construção da linha evolutiva da história: Kouga, o atual cavaleiro de Pégaso, enfrentou em Palaestra vários cavaleiros de bronze para chegar até o segundo arco da história apto para enfrentar cavaleiros de prata.

Se a linha de pensamento parece lógica e plausível, a execução da ideia demorou um pouco para ser transmitida corretamente ao espectador, mas todo o desenvolvimento do arco das Ruínas Antigas foi muito bom para o amadurecimento do roteiro e começar a fazer o que Kurumada sempre fez tão bem desde o primeiro capítulo do primeiro mangá de Saint Seiya.

O Vilão e seu Plano

Tendo início logo depois de Seiya de Sagitário salvar Kouga e os outros cavaleiros de bronze da morte pelas mãos do vilão Marte, quando este invadiu Palaestra, o arco das Ruínas Antigas começa quebrando mais paradigmas da série clássica e acrescentando novos elementos ao enredo.

Após destruir todo o Santuário da Grécia e erguer a Torre de Babel, Marte passa a utilizar cinco ruínas elementais para “sugar” o cosmo da Terra, e alimentar sua Torre com todo o poder que ele precisa para concluir seus planos malignos. Para que a vida na Terra não desapareça, é necessário que um cavaleiro do mesmo elemento que cada Ruína destrua seu núcleo após vencer os guardiões de Marte, pois em cada uma delas existem cavaleiros de prata traidores de Atena que apoiam a causa do marciano.

Dois novos personagens entram para a equipe de Kouga: Haruto de Lobo, um cavaleiro de bronze que Kouga libertou de Palaestra antes de serem salvos por Seiya, e Ária, a candidata de Marte para se tornar a nova deusa Atena.

Um cavaleiro que leva um grande peso consigo, disposto a defender a última esperança da Terra

Haruto é um ninja (que não usa bandana), o que pode parecer estranho num primeiro momento. Assumindo o papel de personagem frio da história, o passado do cavaleiro é marcado por muitas desgraças envolvendo seu irmão e sua antiga vila ninja. Mesmo sendo totalmente fora de contexto, o personagem serve para dar uma nova dimensão a Saint Seiya e novos laços com a cultura japonesa, que nunca foi colocada em primeiro plano (afinal de contas, você nunca se perguntou o que três garotos japoneses, um chinês e um russo estavam fazendo na Grécia?).

Ária não só é dona de um esplêndido cosmo do tipo luz, como alguém que completa o time perfeitamente, já que sua personalidade é o total oposto de Yuna, sempre muito calma, serena, bondosa e frágil. Além de ser a personagem um componente essencial para que os cavaleiros de bronze consigam desfazer as ruínas dos elementos, ela ainda é o gancho essencial para o início e o surpreendente final do arco.

Revelações com os cavaleiros do passado

Novos conceitos, novos personagens, novos vilões, tudo novo! Mas o que se destaca durante o arco das Ruínas Antigas é o encontro dos protagonistas com os personagens da velha geração.

Além de justificarem o porquê de estarem fora de batalha, dar um pequeno panorama da Guerra Santa e da luta contra Marte, revelar que um meteoro trouxe Kouga e Ária do espaço, e de quebra ampliar os poderes do vilão de cabeça quente e alterar a forma das armaduras para joias, são eles que fazem o papel de amadurecer os jovens cavaleiros em sua jornada rumo ao encontro de Atena.

Shun de Andrômeda, que virou um curandeiro de um vilarejo perto da Ruína da Terra, é quem mostra a Ryuho de Dragão a importância de se valorizar e confiar na amizade durante uma batalha.

Jabu de Unicórnio, que, ao que parece, se aposentou de ser cavaleiro após receber a maldição do golpe de Marte, faz com que o ódio que Souma de Leão Menor sente por Sonia, a filha de Marte, seja controlado.

Shiryu de Dragão, que permanece sem os sentidos nos Cinco Picos Antigos de Rozan, é quem motiva Haruto de Lobo a enfrentar seu passado e tomar o controle daquilo que acredita.

E por fim, é Hyoga de Cisne que precisa mostrar a Kouga que de nada adianta se lamentar por ter perdido tudo o que ama, pois é na fé e na esperança de um mundo de paz que os cavaleiros fazem elevar seu cosmo ao máximo (finalmente depois de décadas chamando pela mãe, o Hyoga superou isso)!

Apenas Yuna foi quem ficou dependendo de um exemplo original da série. Sua mestra Pavlin de Pavão foi assassinada por três cavaleiros de prata numa luta injusta e covarde, fazendo com que a guerreira acredite mais em seus ensinamentos do que em regras do Santuário impostas às mulheres. Além disso, é com o jeito infantil e curioso de Ária que Yuna aprende os valores femininos e como uma mulher, mesmo lutando pela justiça, deve manter seu lado frágil para não acabar perdendo sua sensibilidade com os pequenos, porém belos, detalhes da vida.

As ligações de Yuna e Haruto com Marin de Águia e Nachi de Lobo são ignoradas, provavelmente nem existam. Ikki de Fênix só apareceu nas lembranças dos outros cavaleiros, e mesmo Geki de Urso estando preso na armadilha de Marte, um quinto elemento da turma das antigas aparece para ser sensibilizado por Ária, pois diferente de seus nove companheiros de Guerra Galáctica, Ichi de Hidra Fêmea acabou se rendendo ao lado negro da força.

Tá, Ichi nunca foi um personagem muito popular, mas que os roteiristas pegaram pesado com sua participação, isso sim, pois mesmo ele não teria se submetido ao que se submeteu em Ômega, onde teve sua personalidade totalmente refeita.

Sonhando em se tornar o cavaleiro mais forte (e mais belo, por que não?) de Atena, o antigo cavaleiro de bronze de Hidra Fêmea aceita de Marte a armadura de prata de Hidra Macho para vencer os cavaleiros de bronze enquanto estavam indo à Ruína da Água. No fim, o cavaleiro parece se arrepender, mas mesmo pegando o fã das antigas desprevenido com esse contexto para o personagem, é muito contestável até que ponto uma nova série deve alterar a personalidade original do personagem para apresentá-lo para uma nova geração de fãs.

Se adaptando ao horário

Mesmo passando às seis e meia da manhã de domingo no Japão, Saint Seiya Ômega rendeu boa audiência durante a exibição do arco das Ruínas Antigas, tendo seus picos nos episódios com participação de Shun e seus amigos. Isso fez com que a Toei esticasse um pouco o arco, trazendo alguns episódios desnecessários, sendo o principal o episódio em que os seis protagonistas viram empregados em um estabelecimento comercial (se bem que parando pra pensar, na saga clássica isso era feito nos filmes da franquia né…).

Outro ponto é a banalidade com que os inimigos aparecem e desaparecem. Muitos cavaleiros de prata foram criados, mas mal puderam mostrar a que vieram, pois, se no início os primeiros trios de prata que enfrentavam os cavaleiros duraram três ou quatro episódios, muitos outros morreram facilmente com um ou outro golpe dos bronzes, algo que além de estranho, não parece ter sido aplicado no tempo correto para o desenvolvimento de poder dos personagens.

Aqui, Shun assume um papel de destaque, como um guia para os jovens cavaleiros

Na série clássica, um dos pontos importantes sempre foi como o vilão era marcante. Não é bom para uma história como essa, em que os fãs aguardam fervorosamente que uma nova constelação apareça junto com o inimigo para poder conhecê-la, que acabe tão rápido, devido ao formato de episódio fechado que foi escolhido para fazer a história, sempre com começo, meio e fim, no enredo próprio do episódio, deixando uma curta linha de raciocínio para o próximo.

Além disso, a Toei pecou várias vezes ao acabar ampliando os destinos dos personagens fazendo-os se separar de Ária, que em teoria é quem mais deveriam proteger, tanto por sua fragilidade quanto porque sem ela não é possível desfazer o funcionamento das ruínas (se bem que os bronzes clássicos nunca foram especialistas em proteger Atena, tanto que a moça vivia sendo raptada). A coisa chega a tal ponto que Kouga e Yuna ficam sozinhos com Ária, abrindo brecha para Éden de Órion recuperar sua noiva e levá-la de volta até a Torre de Babel, onde está a família do cavaleiro, sua irmã Sonia, e seus pais Marte e Medeia.

O relacionamento do garoto com sua família é um dos destaques do arco. Éden sempre admirou a força e a sabedoria de seus pais, e sempre cresceu tendo sua irmã Sonia de Vespa, amazona de prata que lidera todos os cavaleiros abaixo da classe de ouro, como exemplo a ser seguido. Porém, enquanto seus laços com Ária e a experiência com Kouga e os outros se intensifica, Éden em muitas situações fica em cheque ao julgar as atitudes do pai.

Os flashbacks que vão contando a personalidade do cavaleiro revelam sua personalidade fraca por trás do título de cavaleiro de bronze mais poderoso. Éden está em uma busca constante por aprovação dos pais, quer ser reconhecido e quer, no fim das contas, formar uma família melhor que a sua, embora o condicionamento sofrido durante sua juventude tenha o tornado em alguém tão parecido a Marte.

Fim de temporada, enfim Cavaleiros!

Uma característica marcante nos mangás shounens, e principalmente em Saint Seiya, é a superação de obstáculos. Mesmo mais fracos que aqueles que enfrentam, Seiya & Cia sempre tiveram a determinação que era exigida para aprender a controlar o infinito cosmo que todo ser humano tem para conseguir, nem que por um milésimo de segundo, superar e vencer o inimigo.

Um dos incômodos no arco das Ruínas Antigas foi a falta de superação dos personagens. Se for para refletir os acomodados jovens dos anos 2010 ao invés dos revolucionários dos anos 1980 foi algo genial, mas se for apenas algo aleatório da série foi um erro. Kouga e os outros venciam, mas não por superação, sim por contar com a ajuda de um cavaleiro veterano (como Shun de Andrômeda) ou por unirem seus golpes para vencer em dupla um único inimigo.

Felizmente, no fim do arco, que também marcou o fim da primeira temporada, os protagonistas finalmente puderam ganhar a honra de serem chamados de Cavaleiros de Atena.

Enfim ocorre a coroação. Agora sim, verdadeiramente Defensores de Atena!

Enfrentando Marte aos pés da Torre de Babel, os elementos coletados nas Ruínas Antigas geram uma espécie de báculo para Ária. A confiança de Ária em assumir a linha de frente na batalha que parecia estar perdida para Kouga, Souma, Yuna, Ryuhou e Haruto começa a ganhar vida e os cavaleiros de bronze passam a ter uma postura heroica num texto muito mais próximo ao de Masami Kurumada.

E para finalizar com chave de ouro, a surpreendente morte de Ária pelas mãos de Marte, que diz ter conseguido o que queria ao pegar o báculo da garota, finalmente consegue refletir o que é esse anime para a nova geração de fãs: uma série extremamente criativa, mas também cheia de razão de ser, pois não está amarrada a propósitos vazios, mas nos sentimentos que movem o ser humano a sempre ir em frente, independente das perdas sofridas.

O arco como um todo foi uma chance que os roteiristas tiveram, ao somar tudo o que aconteceu com os personagens, para amadurecer a personalidade de cada um deles e prepará-los para possíveis novos combates que exijam muito mais deles como personagens para conseguir prosseguir a série. Mais que isso, foi uma oportunidade dos próprios roteiristas amadurecerem seus conceitos sobre o universo de Saint Seiya para continuar com uma história tão épica quanto foi a de Saori, Ikki, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya.

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