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Como símbolo máximo da superação na saga clássica, Saint Seiya Ômega criou uma nova subida às 12 Casas do Zodíaco, mostrando que a diferença entre cada metal, ouro, prata ou bronze, está somente no coração de cada cavaleiro.

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O final do arco das Ruínas Antigas causou uma grande reviravolta. Se no começo a série, ainda que criada num universo distante do que pode ser considerado uma continuação canônica, parecia resgatar a emoção que a série clássica com Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki causavam nos fãs, o desenvolvimento dos elementos da série sempre acabaram sendo mal utilizados. Mas com um final de arco que resgatou a essência das lutas clássicas, e ao mesmo tempo um final muito chocante com a morte de Ária, parecia que iria provocar uma extrema mudança de postura nos cinco bronzes protagonistas e também em Éden de Órion, que era apaixonado pela moça.

Além disso, os produtores tomaram uma decisão arriscada, porém bastante previsível para a continuação da história. Após Marte possuir o báculo reconstruído de Atena, o pseudo-deus subiu as novas 12 Casas do Zodíaco, por um caminho que o mesmo construiu até o seu templo indo da Terra até o ponto mais próximo do planeta Marte, fazendo com que Kouga & Cia subissem as moradas dos Cavaleiros de Ouro como a série clássica. Se no começo parecia estranho que Marte tivesse tido tempo de juntar uma equipe de 12 poderosos cavaleiros para montar sua guarda pessoal mais poderosa, a personalidade de cada um era o que mais intrigava, visto que a possibilidade de existirem cavaleiros de ouro perversos sempre foi relativa, mas agora com Marte, 100% maligno, não sabíamos o que esperar.

Um início imponente: Áries, Touro, Gêmeos e Câncer

A nova subida às 12 Casas pode ser divida em três momentos completamente diferentes: Seu início imponente, um meio regular, e um final decepcionante.

Motivados pelo desejo de justiça e vingança por conta da morte de Ária, os cavaleiros de bronze têm uma reação no mínimo prepotente, ao se depararem com o desafio das 12 Casas impostas por Marte, realmente considerando a possibilidade de que poderiam subi-las e vencer os seus 12 protetores. Quem assistiu aos arcos anteriores não poderia ter aceitado isso pois, diferente de Seiya & Cia, que tinham seus desenvolvimentos muito destacados a cada batalha, os protagonistas de Ômega sempre tiveram muitas dificuldades para vencer até mesmo cavaleiros de prata sozinhos, sempre com ajuda externa ou da união de seus cosmos para vencer inimigos, fazendo com que uma derrota fosse super previsível logo na primeira casa.

Felizmente, os produtores também perceberam esse erro e deixaram a primeira casa para servir de alerta aos jovens cavaleiros. Em um equivalente ao que Mu fez na série clássica, Kiki de Áries consertou as armaduras, explicou sobre o sétimo sentido e ainda ficou encarregado de segurar todos os outros cavaleiros de Marte na porta da Casa de Áries para que nenhum outro guerreiro atrapalhasse os cavaleiros de bronze em seu caminho.

Um bom começo para uma saga irregular

A boa impressão causada por Kiki aos Cavaleiros de Bronze, com uma postura de coragem, sabedoria e onisciência que seu mestre Mu tinha, foi o começo que a saga precisava, fazendo da 2ª Casa um novo treinamento para o que viria a seguir. Amante do terror que suas vítimas passavam ao ter seus ossos esmagados, Harbinger de Touro num primeiro momento se mostrou um cavaleiro cruel, mas sua aparência agressiva começou a nos mostrar um novo ponto de vista a medida que suas atitudes curiosas no meio das batalhas começaram a testar os cavaleiros de bronze, ao invés de tentar matá-los, algo que logo no primeiro golpe Harbinger já mostrou que poderia ser capaz de fazê-lo (primeiro cavaleiro de ouro brasileiro a honrar a pátria!!!).

Com a justificativa de querer brincar com seus destinos, Harbinger manda cada cavaleiro de bronze para a frente de cada uma das três casas do Zodíaco que viriam a seguir, sobrando apenas uma batalha com Kouga, o qual permite atravessar a casa quando percebe que seria muito melhor esperar o cavaleiro despertar seu sétimo sentido por completo para ter um prazer maior ao quebrar seus ossos.

Se Harbinger causou curiosidade nos fãs, Gêmeos era a casa que mais causava apreensão, por seu representante da série clássica ter marcado para sempre como se encara um cavaleiro de ouro. Para a surpresa e alegria geral, a batalha vista na Casa de Gêmeos foi a mais surpreendente e a que mais se aproximou dos combates de Seiya & cia. Dona de uma personalidade oscilante e bipolar, Paradox de Gêmeos é uma mulher que foi salva por Shiryu antes dele ter sido atingido pela maldição de Marte, o que a tornou uma fiel seguidora, fã e aspirante a Amazona observando os movimentos de Shiryu, o que a fez desenvolver todas as técnicas do discípulo do Mestre Ancião.

Uma das melhores lutas da saga, se não a melhor

Em uma luta frenética e que surpreendia por cada movimento inusitado de Paradox, Ryuho teve uma disputa de golpes espelhados que arrancou suspiros e alívios dos fãs. A qualidade de Paradox como Amazona foi a prova da qualidade que as personagens femininas têm em Ômega. Yuna, Pavlin, Ária, Sonia e agora Paradox: todas elas foram personagens acima da média não somente para a série, mas para Saint Seiya como um todo, merecendo serem criações oficiais de Masami Kurumada.

E por falar na nova Amazona de Águia, que até então não mostrou o porquê de assumir a armadura de Marin, que era de prata, em uma veste de bronze, Yuna foi a oponente de Schiller de Câncer. É, parece que a armadura de Câncer tem a tendência de escolher psicopatas assassinos malucos para serem seu representante. Com uma infância tão dura quanto a de Harbinger, Shciller teve que aprender a sobreviver depois de ter seus pais mortos, vítimas de uma guerra.

Tão interessante e entusiasmática quanto a luta contra Paradox, Yuna conseguiu mais uma vez se mostrar a personagem mais carismática e talentosa dentro dos novos bronzes defensores de Atena, sendo a primeira a conseguir vencer completamente o adversário de ouro. Sua luta apenas não foi melhor porque Ryuho resgatou vários elementos da série clássica que Yuna não fez por não ter nenhuma ligação com o passado clássico.

Um meio regular: Leão, Virgem, Libra, Escorpião e Aquário

Uma das características mais marcantes da saga das 12 Casas clássicas era a capacidade de cada uma das lutas centralizar todas as informações, embates e atenções para si, fazendo com que mesmo sequências de pouca repercussão, como tirar Hyoga do esquife de gelo na casa de Libra, se tornassem ponto chave para o desenvolvimento geral do que acontecia única e exclusivamente dentro das 12 Casas.

Ômega parecia ir por um caminho parecido nos primeiros combates, porém, a falta de um contexto sólido em torno dos acontecimento das batalhas, fez com que o enredo principal fugisse das 12 Casas e estas se tornassem mera distração para fãs que gostam de porrada entre personagens com armaduras. O início de todo esse processo começou ainda na quinta casa, quando seu guardião, Mycenas de Leão, protagonizou a primeira sequência de acontecimentos fora dela.

Se quando a sua rápida aparição no fim do arco inicial despertou dúvidas aos fãs, visto que uma das maiores características do Cavaleiro de Leão era a justiça, que o aliado de Marte não projetava com sua atitude combativa e irresponsável, a figura do personagem passou por uma transformação quando, antes de iniciar sua luta contra Haruto e Souma, foi contado o seu passado como treinador de Éden de Órion, e como seus ensinamentos incentivaram o cavaleiro a também mudar de postura.

A partir daqui que as coisas começam a desandar

Melhor amigo de Marte, Mycenas sempre acreditou nos ideais de amizade e justiça, e sempre esteve ao lado do amigo quando ele resolveu mudar o mundo. Porém, ao iniciar a Guerra dos Anos 2.000 contra Seiya e os outros, ele ficou em dúvida das reais intenções do amigo, mesmo decidindo continuar ao seu lado. Conforme os anos se passaram, vendo o exemplo de luta de Kouga e dos cavaleiros que escaparam do massacre da Palaestra, Mycenas passou a deixar de acreditar no que seus olhos viam para investigar Marte, deixando Haruto e Souma passarem por sua casa assim que eles mostraram para ele como podem trabalhar em equipe.

Motivado pelos valores de Mycenas, Éden enfim entra na batalha das 12 Casas a partir da casa de Virgem, onde todos os bronzes estão perdidos numa luta contra Fudou de Virgem. Se na Casa de Leão a atenção simplesmente foi mudada de foco, na Casa de Virgem uma das coisas mais bizarras ocorre. Em uma demonstração muito fraca de seu grande poder, Fudou se mostra o atual cavaleiro mais próximo de Deus. Com a chegada de Éden, ele deixa Kouga e os outros passarem pela casa, justificando que o pedido foi do filho de seu superior.

Por motivos sem sentido, egoístas, ou quem sabe o que passava em sua cabeça, Éden decide enfrentar Fudou, que frustra todos os espectadores ao decidir sentar para meditar dizendo que não faz sentido lutar com quem ele quer proteger. Se as duas casas anteriores foram mais focadas em acontecimentos que as fariam passar batido, Libra não seria diferente.

Odiado por todos a partir do momento que foi mostrado uma origem conflituosa com a série clássica, o ex-discípulo do Mestre Ancião e colega de treinamento de Shiryu, o atual cavaleiro de ouro Genbu de Libra mostrava ser o principal e mais marcante oponente de Ryuho, que já mostrou um show de protagonismo na luta contra Paradox. Porém, mais uma vez as esperanças dos fãs foram frustradas quando ele se revelou um aliado infiltrado que procurava informações de Marte para passar aos cavaleiros.

É nesse ponto que Medea, mãe de Éden e esposa de Marte, começa a ter uma participação mais ativa do que ser uma simples comentarista das batalhas. Com medo que os bronzes atravessassem as 12 Casas antes do tempo que Marte precisa para o cosmo da Terra ser sugado, ela decide destruir o caminho que liga Libra a Escorpião, obrigando Genbu a utilizar seu cosmo o resto da batalha para impedir que as 12 Casas sejam destruídas.

Um ótimo cavaleiro, seu único problema foi ser colocado no momento errado, em todos os sentidos

Mas é ainda em Libra que acontece a primeira e mais frustrante Batalha de Mil Dias, aquela em que dois cavaleiros de ouro se enfrentam. Tokisada de Aquário, rival de Haruto e ex-cavaleiro de prata de relógio, é promovido por Medea a cavaleiro de ouro e é mandado para a Casa de Libra, para impedir a passagem dos cavaleiros, mas é facilmente vencido por Genbu, e logo depois disso é morto por Haruto em uma batalha realizada em outra dimensão, visto que a armadura de Aquário foi amaldiçoada (?) com o controle do tempo. Ou seja, mais uma vez, o que mais influenciou na história foi o que aconteceu na tangente das 12 Casas. Forçado ao extremo, os acontecimentos da casa de Libra foram usados para que uma ordem de “chefões” fosse criada nas últimas casas.

A luta em Escorpião poderia ter sido épica e o grande destaque das 12 Casas, porém, as frustrações dos acontecimentos anteriores e a consciência que Souma ainda não tinha condições de protagonizar uma luta final como um cavaleiro de ouro, acabou desmotivando a admiração pela batalha.

Podia ser a melhor personagem da saga. Podia…

Também promovida por Medea, Sonia de Escorpião, a ex-Amazona de prata de Vespa e filha de Marte, enteada de Medea e meia-irmã de Éden, se tornou a representante da armadura da nona casa do zodíaco (meu signo, por sinal). Dona de uma personalidade assombrosamente devota e submissa aos interesses do pai e da madrasta, Sonia sempre quis ser reconhecida pelo seu trabalho para ter a admiração e o carinho que seus responsáveis sempre deram a Éden. O desejo por sempre melhorar, e o excesso de inveja, faziam da personagem uma das mais interessantes para um desenvolvimento psicológico a longo prazo, ainda mais após os flashbacks que mostraram o sofrimento dela ao matar o pai de Souma, Kazuma de Cruzeiro do Sul.

Talvez pelo excesso de protagonistas ou pela falta de planejamento da série a longo prazo, os roteiristas decidiram matar a personagem em sua cega vontade de mostrar seu valor ao pai, logo após Souma despertar o seu sétimo sentido. Mesmo que vilã, a personagem se tornou uma segunda mártir da batalha desmedida de Marte e voltou a chamar a atenção para o fim dessa Guerra sem sentido, ainda que, com sua morte, sua participação se tornou vazia se avaliarmos um plano geral e sem idealismo algum na série, que perdeu uma oportunidade de dar uma importante lição de paternidade à grande maioria de espectadores da velha guarda da franquia.

Um Final Decepcionante: Capricórnio e Peixes

Capricórnio teria sido incluído na parte anterior, se não fosse o fato das batalhas voltarem a ser o foco do enredo com sua participação. Se Genbu foi uma decepção ao se mostrar aliado, Ionia de Capricórnio conseguiu superar qualquer decepção que a série poderia criar, até pior que Ichi de Hidra se voltando contra Atena no arco das Ruínas Antigas: o cavaleiro é um idiota devoto de Atena, com uma ideia distorcida do que é ser um cavaleiro fazer Atena parar de sofrer. E qual a melhor maneira de fazer Saori Kido parar de sofrer? Matá-la e deixar Marte tomando conta do mundo que está um verdadeiro caos (por causa do próprio).

Deixando o Cavaleiro de lado, a luta valeu a pena por mostrar a Kouga o seu cosmo das trevas que Atena havia ocultado ao adotá-lo. Ainda melhor, a batalha ressaltou a importância de Yuna de Águia como amiga do protagonista, já que ela que impediu que ele se entregasse a força das trevas. Prova que Yuna é uma personagem tão interessante, que deveria estar na série oficial, é que apenas ela e Kouga passaram pela Casa de Sagitário e leram o antigo testamento de Aiolos: “Aos valorosos cavaleiros que chegaram até aqui, eu lhes confio Atena”. Além disso, é Yuna também que compra a briga na última das 12 Casas.

Se todo cavaleiro do mal fosse assim….

Amor de Peixes é a concepção ideal do que deviam ser todos os cavaleiros de Ouro inimigos da série: sangue nos olhos, o irmão de Medea mata Mycenas de Leão quando este descobre que ela está manipulando Marte para que ele ressuscite um antigo deus da Mitologia. Além disso, O Cavaleiro que “governa a fascinação e a orientação”, como ele mesmo se denomina, ainda cria avatares dos Quatro Reis Celestiais que combateram junto com Marte na Guerra contra Seiya & Cia (Romulus, Diana, Bachus e Vulcanus) para dar conta de Kouga, Ryuho, Souma e Haruto enquanto ele luta apaixonadamente contra Yuna. Com a audácia da amazona de Águia, ela consegue abrir uma brecha para que Kouga e Éden passem pela casa, abrindo caminho para o arco final, igualmente com o fim de Amor.

Uma pequena viagem interplanetária

A batalha final contra Marte e a conclusão da primeira temporada de Saint Seiya Ômega ficaram para um arco próprio, fazendo da Batalha das 12 Casas uma sequência de acontecimentos apenas para as batalhas contra os cavaleiros de ouro. Apesar de interessantes até certo ponto, os dourados de Ômega e o próprio arco, foram cheios de oscilações, desde a personalidade dos cavaleiros, passando pelo objetivo geral do arco e a própria motivação dos roteiristas, que muitas vezes, pareceram perdidos criando situações que mesmo em um spin-off ficam difíceis de se traduzir como algo que conta o futuro da batalha de Seiya e os cavaleiros de bronze do século XX.

Se em certos pontos os protagonistas puderam se sobressair à falta de razão para sua existência dentro do universo de Saint Seiya (como a batalha de Ryuho contra Paradox ou do papel de Yuna dentro do desenvolvimento da batalha de Kouga contra Ionia), muitas das batalhas serviram apenas para cansar suas imagens, como foi o caso de Haruto e suas “batalhas” contra Mycenas e Tokisada, onde mesmo tendo relações tão próximas de Tokisada com seu passado, o contexto ficou amarrado em demonstrações de poder como fazem uma porrada de shounens padrão por aí.

Se aproveitando do interesse antigo dos fãs que sempre esperaram ver uma nova subida às 12 Casas, esse arco da série Ômega conseguiu se sobressair em audiência, licenciamento e faturamento, algo cada vez mais comum na franquia que cada vez mais parece querer entreter e repercutir, deixando os valores, as lições e, principalmente, os exemplos de amizade e perseverança que cada uma das batalhas contra um signo do Zodíaco tinha no passado.

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