Duas pessoas tão diferentes

Majime gosta de muitas coisas. Ele gosta de ler, gosta de palavras, gosta de dicionários. Gosta de observar pessoas, gosta de observar detalhes, gosta de entender significados. Gosta de poesia, gosta de escrever. Gosta do trabalho que ele tem. Gosta da Kaguya.

Apesar de gostar de muitas coisas, ele não tem o costume de esforçar-se muito por todas elas. O “estudo de pessoas” de que gosta se satisfaz com uma mera observação das filas de passageiros saindo de trens e lotando escadas rolantes. Ele não tem o costume de escrever. Ele trabalhava em uma editora de livros sim, o que parece perto de seus gostos, mas era mero vendedor, o que não combina nada com ele, e nada fazia para mudar isso – estava mais próximo de ser demitido do que de receber qualquer promoção ou chamar a atenção de algum chefe. Foi a providência divina que colocou Nishioka e Araki em sua vida.

E ele gosta da Kaguya, mas não foi capaz de se declarar de frente. Escreveu uma longa carta (na hierarquia das coisas, essa certamente lhe pareceu menos difícil), a entregou e fugiu. Fugiu mas ficou esperando que as coisas acontecessem sozinhas. Mas as coisas do mundo teimam em não acontecer sozinhas.

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Esse é o Nishioka que nós amamos!

Se os três primeiros episódios foram, podemos dizer, do Majime, esses dois foram do Nishioka. Assim, começo a acreditar que ele não seja apenas o deuteragonista, mas co-protagonista mesmo. É como o James Mays descreveu em um brilhante comentário no artigo anterior: um precisa do outro. O Majime tem o conhecimento necessário para que A Grande Passagem se torne realidade, mas é o Nishioka quem reúne as habilidades gerenciais e principalmente sociais para permitir que a produção seja realizada em primeiro lugar.

Depois da competência com palavras do Majime ser enfatizada de forma transcendental, mágica mesmo, no primeiro arco, esse segundo mostra a competência social do Nishioka de forma agitada, principalmente com os quadros que se alternavam rapidamente e até dividiam a tela no episódio quatro. Escolhas estéticas deveras adequadas para os diferentes momentos e diferentes ênfases.

Mas se a sociedade japonesa recebe de braços abertos pessoas com habilidades técnicas (desde que sejam necessárias no momento) como o Majime, o mesmo não se pode dizer sobre os pró-ativos como o Nishioka. Majimes são excelentes apertadores de parafusos. Já Nishiokas, é como disseram por suas costas no episódio quatro: pregos que se destacam são martelados.

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Para onde essa história vai? Para onde o futuro vai?

Depois de dois episódios fantásticos, o terceiro foi bem mais “normal”. Ainda um episódio muito bom, mas a animação não foi mais aquela coisa toda – compreensível porque animação incrível tem um custo incrível, e o enredo foi menos amarrado. Na verdade, foi bem pouco amarrado. O que também faz todo o sentido: depois da apresentação inicial, Fune wo Amu começou a contar sua história de verdade. Consegue imaginar uma história de 11 episódios (mais de 5 horas!) apenas de momentos de impacto e animação estupenda? Conseguir até consigo, mas acho que se tudo tiver impacto, no final nada vai ter. A história teria imensa dificuldade em se superar continuamente. Principalmente porque não é uma história sobre guerreiros alienígenas que nos protegem de ameaças galáticas, mas uma história comum sobre pessoas comuns.

Mas teve uma coisa que esse episódio fez muito bem!

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A animação de Fune wo Amu é fantástica!

Está acompanhando o mais incrível anime da temporada até agora? Espero que sim! Mesmo que a história não seja exatamente do seu gosto, mesmo que você não se identifique tanto com o tema (e eu me identifico enormemente), é impossível não reconhecer o espetáculo audiovisual que Fune wo Amu entregou nesses dois episódios. A fotografia, a expressividade das cenas, a trilha sonora. Estou assistindo muito menos animes do que gostaria até agora, mas duvido que haja outro no mesmo nível. Talvez Yuri!!! on Ice? Pretendo, mas não assisti ainda. Espero muito das cenas de patinação, mas como em todos os esportivos acredito que as demais cenas não devam ser mais do que apenas competentes. Assistir Fune wo Amu por outro lado não te deixa desgrudar os olhos da tela por um instante que seja.

E nada disso é apenas colírio para os olhos: o enredo é contado mais pela animação do que pelas palavras dos personagens, o que é uma deliciosa ironia para uma história sobre a produção de um dicionário. Não tem pontas soltas, ao final de cada episódio tudo se encaixa de forma lógica e harmônica. E sobre o que é, afinal, Fune wo Amu, que desceu dos céus para salvar o mundo do anime?

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A sobreposição do protagonista à lua crescente foi outra sacada boa do episódio

Outra estreia excelente da temporada! Pronto para mais um artigo de primeiras impressões? Eu poderia resumir Fune wo Amu da seguinte forma: o Vinicius do finisgeekis disse que a obra original é boa, então vale a pena assistir o anime. Mas isso é um pouco preguiçoso demais de se dizer, não é? Então vou elaborar mais um pouco.

Foi uma estreia muito empolgante, e é incrível que consigam empolgar com uma história sobre um vendedor que se torna editor de dicionário. A trilha sonora e a animação foram sensacionais. A grande questão é que ao fim e ao cabe é uma história de um vendedor que se torna editor de dicionário, então eu totalmente entendo quem queira ficar desconfiado, preocupado que talvez possa ser apenas mais um anime com um enredo pretensioso. Mas ele é de verdade bastante inteligente! Quer ver só?

Comparar um dicionário com um barco usado para atravessar um oceano de palavras durante a maior parte do episódio pode soar críptico demais, ou talvez uma bobagem qualquer que apenas parece profunda. Mas eis que uma cena revela (mostra, não conta, como muitos diriam) que é na verdade uma metáfora bem simples: o oceano de palavras são os livros, e você usa dicionários para descobrir o significado das palavras que não consegue entender, assim “navegando” com sucesso.

E eu já disse que a animação e a trilha sonora são sensacionais? Para um anime cuja primeira cena, que mostrou, não contou o potencial do protagonista para seu futuro papel, tratou-se dele aleatoriamente pensando alto sobre os vários significados da palavra “clima”, Fune wo Amu sem dúvida acertou em cheio na construção de seu clima.

No resto do artigo, veja uma galeria de imagens desse primeiro episódio. Ah, e eu vou escrever sobre os episódios de Fune wo Amu aqui no blog!

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