Tão certo quanto o pôr do sol é o fim da juventude

O anime cheio de “mistérios” chega ao fim sem revelar alguns de seus próprios mistérios. Sem revelar alguns mistérios levantados nesse próprio último episódio! Mas os mistérios sempre foram instrumentais para o enredo, nunca necessariamente importante em si mesmos – tanto que a maioria deles, sinceramente, é uma porcaria. Alguns além de ser uma porcaria eu sequer me importo com os personagens envolvidos.

E a música? Que música? Bom, esse episódio finalmente brindou a audiência com uma apresentação completa, bonita, mas até chegar aqui era só um detalhe. E quer saber? Nesse episódio foi só um detalhe também. Mas um detalhe importante para agradar a audiência, que esperou o tempo todo para ver isso.

Um anime de mistério cuja audiência esperou doze episódios para assistir uma apresentação musical? Então talvez o anime não fosse nem sobre uma coisa nem sobre a outra…

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Quando o tempo parou para Makoto

O título desse artigo envolve um bocado de raciocínio por ligação livre, mas funciona, quer ver?

A personagem principal desse episódio é Makoto Yamanobe, velha conhecida do professor Kusakabe (é neta de seu mentor). Quem está acostumado com cenários clássicos de fantasia medieval deve, como eu, ter achado suas vestes completas muito parecidas com as de um menestrel, um bardo. Sua passagem rápida e efêmera pelas vidas dos estudantes também é como a de um bardo errante. Ela até mesmo toca um instrumento portátil que carrega sempre consigo!

Ela é uma barda, e ela tem um grave problema de visão que já torna seus olhos imprestáveis – e pode piorar. A maioria das pessoas acha que cegos são apenas aqueles que não enxergam absolutamente nada, mas na verdade a maioria dos cegos enxerga algo (e por isso o termo deficiente visual é mais adequado, não por ser politicamente correto). Borrões sem contraste, apenas luz, coisas assim, varia de pessoa pra pessoa. Esse é o mundo de Makoto.

Ela é uma barda e ela é cega. Deixa eu te contar outra paixão minha além de animes: heavy metal. Em particular gosto muito de power metal, que inclui várias bandas que tocam temas ligados à fantasia, como Rhapsody of Fire e Blind Guardian. Em especial essas duas, mas pega a última. O Blind Guardian é chamado às vezes de “Os Bardos”, por causa da temática que aborda e porque uma de suas músicas mais famosas se chama “The Bard’s Song”. Bardos e Cegos. Oh! Bom, eu avisei que era ligação livre, não avisei? Tem mais, e juro que agora vai começar a entrar no tema do episódio!

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Ae!!!

Episodiozinho miserável hein? Não vi eles ensaiarem direito nunca, e agora já chegou a apresentação oficial no concurso! Mesmo assim, nada musical no episódio inteiro. Nem a apresentação começou ainda. Será que vai ter alguma apresentação? O trecho de música de outra banda escolar que tocou no episódio pareceu uma gravação de CD, não algo feito, arranjado ou sequer adaptado para o anime. O que quero dizer é que parece raso, bidimensional. Som também pode ter múltiplas dimensões, sabia? Por isso seu home theater, se você for rico e tiver um, vai dizer que é 8.1 ou algo assim.

São os canais de áudio. O som é diferente em cada um deles, e a disposição espacial dos auto-falantes (e o tipo de cada auto-falante e caixa de som) criam uma experiência única, como se fossem várias dimensões. Que pode, deve e é usada para criar efeitos de imersão em qualquer produto audiovisual, como animes por exemplo. Vai dizer que, usando fones de ouvido (ou mesmo caixas de som, se estiverem bem dispostas), nunca reparou que o som de um objeto se movendo lateralmente parece ir de um lado para o outro? A apresentação da outra escola pareceu plana, não respeitou o espaço onde estavam, as mudanças de câmera, nada. A câmera se afasta, vira para o outro lado, e o som permanece inalterado. Foi uma gravação pronta colada no episódio. Só isso. Só isso em um anime onde a música deveria importar pelo menos um pouquinho.

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Ela já removeu metade dessa tatuagem enorme - isso é doloroso e deixa uma cicatriz horrorosa

Antes uma explicação sobre o artigo de Bubuki Buranki que deveria ter saído ontem: ele sairá amanhã, e será sobre os episódios 8 e 9. Até então os artigos de Bubuki estavam sendo publicados no mesmo dia em que saíam episódios novos, e isso é ruim. Pulando um episódio para frente e mudando os dias corrijo (bem atrasado, é verdade) esse problema. Bubuki Buranki a partir de agora sempre será publicado segunda-feira.

Ao mesmo tempo, isso significa que preciso deslocar o artigo de segunda: BokuMachi. Para não me matar tendo que escrever quatro artigos em dois dias da semana (além de Bubuki na segunda, na terça eu tenho que escrever dois, um aqui e um para o OtakuPT, não se esqueça e me leia lá também!), BokuMachi fica para terça, Rakugo Shinjuu para quarta e assim por diante. Quando chegar sábado, não haverá nada, pois Bubuki não é mais de sábado: aí sairá o próximo artigo de Haruchika, que passará a ser publicado aos sábados. Domingo será o novo dia dos artigos de BokuMachi e a partir daí todo o resto volta para seus dias normais.

Agora sobre o episódio da semana de Haruchika: eu gostei dele! Não é genial nem nada assim, longe disso, nem é do tipo que super desenvolve seus personagens ou sequer avança na linha de enredo principal: o concurso de música. Mas, para um anime de mistério com colegiais, ele apresentou um mistério que colegiais e espectadores realmente podem resolver. Eu não consegui resolver tudo, mas passei dos 70% da professora, hehe.

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Que casal lindo!

Esse episódio só não foi de todo ruim porque eu meio que gostei da história da tia da Serizawa. Ainda assim, é a história do passado da tia de uma personagem coadjuvante que nem da banda é. Conseguiu acompanhar? Pois é. Se eu penso na história do anime em si, de seus protagonistas, da banda, tudo o que me vem à cabeça é a solidão do vácuo. Imagino que seria difícil um episódio mais desimportante, mesmo se eles quisessem!

Ah, e se for para fortalecer os laços entre a Serizawa e a banda? Tem que ter um jeito melhor de fazer isso né? E eu achei que o episódio dela já havia sido muito bom nisso, aliás. Se não foi, teve o episódio anterior, onde inventaram uma geóloga para escavar e levar para a banda o amigo de infância da … Serizawa!

Depois do filme com o DiCaprio cujo nome nem sei qual é porque não assisti nem filme nem premiação nenhuma mas que deu ao eterno Jack o Congelado seu primeiro Oscar, o urso atuou em mais alguns papeis pequenos até acabar fazendo o Benjant em Haruchika. Não se engane: ele matou todo mundo de verdade.

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Quanta angústia!

O episódio começou com uma versão feminina do Shinji (Evangelion) talvez até mais triste que o original, pois nesse anime ela não tem um robô gigante para o qual se negar a pilotar, nem tem problemas de família. Ok, talvez ela tenha problemas de família, pois o episódio acaba sem que o problema dela seja revelado. Ou que ela entre para a banda, porque afinal ela não é uma instrumentista nem quer ser, por que entraria para a banda?

A única opção que a resta, então, além de se matar, é ligar para uma versão Haruchika do CVV – uma rádio. A primeira coisa especial sobre esse CVV é que apenas idosos trabalham nele, e a segunda coisa especial é que eles são horríveis em aconselhamento. Está com vontade de morrer, jovem? Que coincidência, os conselheiros também estão! É só afogar as mágoas na bebida pois a ressaca é a resposta para tudo. Que pena que ela ainda não pode beber, então que tal tentar olhar para a vida de uma forma diferente?

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Serizawa tocando clarinete

O dramalhão da vez teve o mérito de ressoar com o tema do anime (e isso totalmente foi um trocadilho cretino, não se engane) e o outro tema tratado era bem mundano, normal, adolescente. Em Haruchika isso são dois pontos à favor em um episódio decente, que em si não foi muito melhor nem muito pior que os anteriores em termos de animação, movimentação, etc, e tematicamente foi superior.

O avô da Serizawa é um político, seu pai um industrial. E ela? Ela quer ser artista, abaixo o sistema, essas porcarias todas que não fazem sentido no longo prazo mas são importantes durante a formação da nossa identidade durante a adolescência. Queria fazer algo com “valor”, como se não houvesse valor nenhum no trabalho de seus parentes ou não fossem também funções necessárias na sociedade (à rigor, se for para escolher, é difícil argumentar que a sociedade – qualquer uma – precise de mais músicos e menos políticos e empresários; mas ah, isso rende uma boa frase de estêncil, né?). É bobagem, claro, como eu já disse isso é apenas auto-afirmação, algo bem normal.

A desgraça da Serizawa é ser membro do elenco de Haruchika, e pois, não possuir o direito de levar uma vida normal e normalmente abandonar as loucuras da juventude enquanto se encaixa na parte da sociedade que produz e permite que seus filhos tenham arroubos de insanidade utópica durante a adolescência – tudo isso enquanto altera seu discurso de forma lenta, sutil e certeira para justificar suas novas e normais escolhas de vida. Não, Serizawa não pode ter uma vida dessas. A vida da Serizawa é do tipo que a esbofeteia na cara enquanto ela ainda é bem jovem e a dá pouca esperança de superação (embora provavelmente ela vá se recuperar; da Narushima não se pode dizer o mesmo por exemplo – seu irmão não vai levantar do túmulo). Ela está lidando bem com isso e através de sua reação resignada todos os demais personagens do anime têm a oportunidade de crescer e aprender algo – bem como seus espectadores!

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