O ambiente opressivo e insalubre para o espião que fracassa

E lá vamos nós! Ou lá fomos, já que o anime acabou? Enfim, me refiro ao fato de eu estar sugerindo que “faria melhor”. Estou brincando, ok? Não tenho pretensão de ser um autor (até tenho as minhas ideias, mas não para esse tipo de história). Faço questão de escrever isso porque o pensamento comum parece ser o de que críticos na verdade são autores frustrados. Enquanto um ou outro realmente possa ser, uma coisa não tem nada a ver com a outra. As habilidades necessárias para criticar algo são distintas daquelas necessárias para criar. E ambas são distintas das habilidades necessárias para consumir (ler, assistir). Não que eu me ache grande coisa, o super crítico de desenhos japoneses, longe disso. Mas é o que eu, de forma humilde e apenas como hobby, tento fazer aqui.

Às vezes quando especulo ou quando eu brinco eu entro no território da criação. Até certo ponto isso é normal. E nesse artigo vou só brincar! Joker Game foi um anime episódico então sinto que tenho mais liberdade para fazer coisas assim. Um bom anime episódico, acrescento, embora o final tenha sido um pouco abaixo da média. Por ser abaixo da média e por ser episódico (restando muito pouco o que falar sobre o anime como um todo) vou tentar tornar esse artigo mais divertido imaginando um final alternativo. Me acompanhe, por favor!

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Pra quê?

Já é o décimo primeiro episódio e eu ainda não sei se Joker Game é um anime anti-guerra. Eu sei que à favor dela ele não é, mas não consigo ainda ter certeza se está tentando ou se ainda pretende transmitir alguma mensagem pacifista ou se é apenas um relato fictício, ou documentário imaginário retratando algumas realidades da guerra de um ponto de vista que não é tão frenético e irracional quanto o do soldado nem tão desesperador e cheio de dúvidas do civil: o ponto de vista do espião, aquele que vai e volta de onde quer, que descobre segredos, que vê diariamente verdades inconvenientes. Talvez seja uma obra pacifista porém cínica; por um mundo sem guerra mas sem esperança de que isso seja realmente possível.

Esse episódio se passa na Alemanha, que a essa altura já é formalmente aliada do Japão (e da Itália), o que de forma alguma impede que hajam atritos entre os dois. Principalmente porque estamos falando da Agência D, que não se deixa impedir sequer quando arranja problemas em casa, que dirá no exterior, mesmo que seja um país aliado. E pela primeira vez o anime revela um pedaço do passado verdadeiro do Yuki.

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É você, Yuki?

O arco anterior foi dedicado a mostrar como militares não servem para ser espiões. Eles têm algo maior do que suas vidas: a pátria que defendem. Esse episódio mostrou outro tipo de pessoa que não serve para ser espiã: aqueles que têm relacionamentos afetivos e os colocam acima do próprio bem-estar. Nesse dia dos namorados, você ama alguém, leitor? Desistiria de tudo, ou de muita coisa, por essa pessoa? Caso sua resposta seja “sim” então sinto informar-lhe que não tem o que é necessário para ser um espião, segundo Joker Game.

Isso remete diretamente ao episódio no qual um espião da Agência D adotou uma garotinha. Quando chegar a hora, ele irá abandoná-la? O anime está quase acabando e não sei se irá “chegar a hora”, então essa pergunta me parece inútil. Mas uma pergunta muito mais útil permeou esse episódio inteiro: quem é o Tenente-Coronel Yuki?

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E o vento perdeu...

Eu tenho quase certeza que o autor de Joker Game não estava pensando em vocação profissional (ou qualquer outra vocação) quando escreveu esse arco. Mas eu acho que tem tudo a ver e é sobre isso o que vou falar. Se você é meu leitor habitual sabe que eu sempre faço isso, se não for, agora sabe. Ei, eu juro que é legal mesmo assim!

Desde o início do anime essa é a primeira (vá lá, segunda) ameaça real à Agência D. Uma segunda agência de inteligência foi criada, a Agência do Vento, por um militar que discorda do Tenente-Coronel Yuki. Os ideais da agência foram postos à prova e triunfaram, ou essa é a narrativa que o anime constrói, mas na prática a vitória da Agência D tem bem menos a ver com matar ou não matar e muito a ver com experiência e vocação.

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"Mamãe também?"

Episódio semelhante ao terceiro. Aqui também temos um traidor de seu país, dessa vez do Reino Unido ao invés da França. Mas com algumas diferenças importantes. E o que realmente tornou esse episódio impactante não foi suas semelhanças nem suas diferenças com o terceiro episódio: foi a retratação do sofrimento humano, das dificuldades que pessoas de verdade passaram durante a guerra. No final das contas isso tem a ver com o terceiro episódio também, mas foi o quarto que havia retratado isso de forma mais cruel até agora – nele o espião sequer teve grande participação na história, permitindo que os personagens daquela história em particular brilhassem sozinhos. De todo modo, quem está esperando por um episódio que comece a contar uma história que englobe todo o anime ao invés de histórias fechadas, episódicas, pode tirar o cavalo da chuva que ainda não foi dessa vez.

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Minha gata ficou babando assim essa semana quando tomou dipirona

Que frase de efeito bonita a do título desse artigo, não é? Bastou fazer uma série de conexões livres a partir desse episódio para chegar nisso. Faz sentido? Faz sim. Será que tem a ver com o que Joker Game quer dizer? Bom, a mensagem está lá, disso não tenho dúvida, e tenho quase certeza que é proposital. Se é a principal mensagem do anime eu não sei. Seria bom se fosse porque aumentaria a chance de Joker Game emplacar uma história menos episódica e que eu conseguisse acompanhar melhor, e que tornasse seus personagens mais fáceis de se apegar.

Talvez seja esperar demais só por ter aparecido uma metáfora mais bonitinha. O que Joker Game disse literalmente foi que, uma vez começada a guerra, os serviços de inteligência do governo (espionagem) se tornam inúteis pois são sumariamente ignorados quando descobrem coisas inconvenientes para a máquina de guerra, que só quer saber de se auto-justificar mais e mais.

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Robinson Crusoé

O espião desse episódio se viu na pior situação possível para um espião: descoberto e capturado. Não bastasse isso, ele não foi apenas descoberto: ele foi entregue, dedurado mesmo por seu próprio país. O que fazer nessa situação? Confrontar o inimigo sinistro levaria ele aonde, exatamente? É como você ser um funcionário que faz trabalhos externos e ser demitido por telefone quando está em um cliente. Só que o cliente quer te matar. E seu ex-patrão também.

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