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Faz tempo que Lelouch não joga xadrez. Ele construiu toda a sua forma de raciocínio tático e estratégico à partir de sua experiência e maestria no clássico jogo de tabuleiro – que simula guerras, não menos. O problema é que em uma guerra de verdade não se conhece todos os elementos com que se está lidando. Ou em outras palavras, não se conhece todas as “peças” do adversário. Para complicar, peças novas podem entrar no tabuleiro a qualquer momento, e não adianta sequer ter grande sagacidade e capacidade de ler o inimigo porque em alguns casos o surgimento de novas forças e fatos é inesperado por ambos.

Lelouch sofreu com isso logo em sua primeira batalha (na qual ele próprio foi um elemento surpresa). Não parei para analisar agora, mas acredito que ele tenha sofrido com isso, em maior ou menor grau, em todas as batalhas que travou. E ele próprio aprendeu rápido a usar isso em seu benefício – ele é que entrou no tabuleiro como uma peça inesperada em várias ocasiões. Mas essa batalha final da primeira temporada (que nem acabou ainda, mas está em vias de acabar) foi campeã na quantidade e no poder ou efeito dos diversos elementos surpresa que surgiram – três deles, se não errei a conta, contra o governo. Todos os outros contra os rebeldes. Tóquio está em caos e Lelouch sequer está lá nesse momento – o Rei Preto foi embora! Está na hora de jogar o velho tabuleiro de xadrez no lixo; ele não serve para nada em situações reais.

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Na vida, quando percebemos que algo ruim está prestes a acontecer a alguém, avisamos e esse alguém dá de ombros. É comum que depois digamos “eu avisei!”. Não que isso seja exatamente certo. É errado, e tão mais errado quanto maior for a consequência negativa, jogar na cara de uma pessoa que acaba de sofrer um revés que nós, dotados de algum conhecimento superior, já a havíamos prevenido disso. É insensível, é indecoroso, e dependendo do caso é imoral. Por isso mesmo eu só costumo dizer que avisei quando é algo pouco importante ao fim e ao cabo ou de relativamente fácil resolução, mas em casos mais sérios eu me calo se não tiver nada melhor para dizer.

Em ficção não temos porquê ter essas reservas morais, não é? Não estamos lidando com pessoas reais. Assistimos um filme de terror e falamos para o adolescente idiota não subir as escadas, mas lá vai ele e sobe, e morre, e indignados gritamos para a TV: “eu te avisei!”. Lá no longínquo episódio cinco de Code Geass eu disse:

Euphemia que se cuide. Ela foi literalmente a princesa em apuros que o heroico Suzaku salvou (…). O anime está apenas no começo e ela está firmemente plantada do lado oposto ao de Lelouch. (…) Sendo esse um anime tão descaradamente formulaico, eu não apostaria que ela viva por muito tempo.

E Code Geass é apenas ficção. Mas apesar de previsível foi tão brutal, tão trágico, que não consigo dizer “eu avisei!”.

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Como foi difícil me segurar e não continuar assistindo o próximo episódio! Quero dizer, é agora que vai, não vai? Vai, com certeza vai. Todos os sinais se alinharam e agora apontam na mesma direção. Todos os personagens e elementos estão em seus lugares. Agora vai.

Por isso é agora que preciso parar e falar das irmãs Li Britannia. Se deixar passar, elas nunca mais serão as mesmas. Na verdade acho que com o final do episódio 21 elas já estão irremediavelmente mudadas, mas o foco que esse par de episódios deu para o comando britanniano no Japão, em grande parte graças à presença do Schneizel, me deram motivos de sobra para falar delas.

E claro que tentei escrever um pouco de outras coisas também. Afinal, nesse momento, todas elas giram ao redor da Euphemia. E vão passar para a Cornelia em breve. Bom, além das influências, digamos, ambientais, muito disso tudo é culpa delas mesmas.

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A Nina está tentando inventar a bomba atômica. Em que pese ser curioso que ela ainda não tenha sido inventada (na verdade parece que sequer técnicas de refino de urânio em escala suficiente para uma bomba foram inventadas), não é nenhum espanto que, caso uma dessas venha a surgir no anime, seja através do gênio de inimigos do Japão. A única ironia é que pelo menos parte do processo de desenvolvimento se dê em solo japonês ocupado.

Mas fugi do tema que eu próprio me propus e que observei nesses dois episódios. Coletivismo e individualismo. E sim, eu escrevi ocidental mesmo que no anime a oposição ao Japão venha de Britannia, mas é porque Britannia não existe e está lá apenas como um substituto para uma potência estrangeira ocidental genérica. A Inglaterra é apenas um dos bons candidatos para isso e foi a escolhida como molde. E não vá me dizer que não concorda que em maior ou menor grau a valorização da individualidade, da ação individual e do mérito individual não é disseminada por todo o ocidente?

Só não consegui descobrir ainda se Code Geass critica o Japão, o ocidente, ou se tentou propôr um caminho intermediário. O que você acha?

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O Mao sobreviveu àquele fuzilamento! E como ele disse, a medicina britanniana é mesmo incrível, considerando o pouco tempo que ele levou para receber alta, ainda que continuasse cheio de ataduras, gesso, e andando manco. Mas não importa, ele só esteve no episódio 16 para revelar o passado de Suzaku.

O Toudou, por sua vez, foi condenado à morte. E claro que sobreviveu. Me impressionou que a execução de um condenado de tão alto nível estivesse tão mal protegida. Achei que a Cornelia fosse estar lá. Onde ela foi, se não estava no complexo penitenciário onde dar-se-ia a execução, nem ao lado de sua irmã na inauguração do Museu do Clovis? Bom, outra pergunta retórica, já que isso também não importa: Toudou só esteve no episódio 17 para mostrar o caminho para o futuro de Suzaku.

E o Lelouch? Bem, o Lelouch…

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Eu não acho que esses episódios mereçam de verdade a nota máxima que estou lhes atribuindo, mas eles foram sim muito bons e o build-up até eles foi excelente. Sem falar que eles próprios estão apenas servindo de construção para o que vai vir a seguir, não é? Quero dizer, quem é que liga para o Mao, um stalker sem nome que de repente participou de forma intensa da história mesmo sem pertencer a lado nenhum – mas por apenas dois episódios?

E depois do incidente com a Shirley o Lelouch está furioso, achando que sofreu de algum tipo de penalidade inerente ao geass. Pobre coitado, ele fracassa de forma retumbante em perceber que o plano que levou o pai da Shirley à morte poderia ter sido concebido e executado por qualquer um, o geass era irrelevante – como ele foi de fato irrelevante para aquela batalha, aliás. Está se deixando levar pelos sentimentos, Lelouch. Existe sim uma espécie de maldição para usuários do geass, como o Mao exemplificou bem, mas ainda não é o caso do protagonista. Não ter percebido isso vai levá-lo de braços abertos para o colo da maldição – e confesso que devo estar com uma expressão maníaca no rosto enquanto penso nisso, semelhante às que o Mao fazia para a C.C. Ai Lelouch, e você se acha tão inteligente, tão racional. Você e seu anime são tão simplórios … quer ver? Aposto que vou fazer com você o mesmo que você fez com o Mao no episódio 15!

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Eu cheguei a questionar no artigo sobre os episódios 10 e 11 se depois daquela imensa avalanche que tantos danos diretos e colaterais causou o apoio à Ordem dos Cavaleiros Negros e ao Zero, continuaria igual (em uma legenda de imagem apenas, mas está lá dada a questão). E não demorou nada para vir a resposta: lógico que não poderia continuar igual!

Mas a reação veio de um lugar que eu não esperava, embora, admito, previsível. Os japoneses no geral ainda são “invisíveis” em Code Geass e o anime tem focado muito mais em seus personagens do que em sentimentos de massa. Nesse caso achei a escolha certeira, devo dizer.

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