Até mais!

Os episódios anteriores construíram uma tensão absurdamente alta para esse embate final: a própria vida de todo mundo estava em jogo. E mesmo se uns ou outros sobrevivessem, não conseguiriam mais do que apenas sobreviver. Parece um final bastante amargo para todo o povo do Koutetsujou que está desde o primeiro episódio buscando um refúgio seguro. E mesmo assim o anime conseguiu terminar com um clima positivo. Nem parece que eles ainda estão perdidos em um mundo horrível, com suprimentos escassos e sem saber se encontrarão abrigo ou auxílio em qualquer lugar. A essa altura eles mal sabem se existe alguém por aí que os possa abrigar ou auxiliar.

Teria sido muito mais adequado Kabaneri terminar de forma trágica. Combinaria muito bem com o que foi construído nesse arco. E por mais que eu esteja acostumado a mocinhos milagrosamente se safarem, sobreviverem e salvarem a todos os bons ao seu redor (e eventualmente alguns maus também) simplesmente porque se esforçam bastante, não foi o que aconteceu aqui. O Ikoma se esforçou, o Kurusu se esforçou, todo mundo se esforçou, até a Mumei se esforçou, mas eles jamais teriam o final feliz que tiveram se três pessoas não os tivessem ajudado de forma consciente e deliberada: o cientista que o Kurusu tinha feito de refém (não lembro o nome dele), o Uryuu, e o próprio Biba.

E o pior é que, com exceção talvez do Uryuu, nenhum deles fez sentido. Acho que esse é o preço a se pagar quando se tem vilões subdesenvolvidos, não é?

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Alguém dá uma Wilson pro Ikoma e chama ele de Tom Hanks

O mais notável desse arco final de Kabaneri é como ele abraçou definitivamente a forma em detrimento do conteúdo. Não que o conteúdo seja ruim, nada disso. É apenas o mínimo necessário, é apenas ok, e acaba sendo bastante previsível. Mas a forma! Ah, a forma. Uma trilha sonora incrível, efeitos de som, enquadramentos, expressões faciais, o tempo em que tudo acontece. Está tudo milimetricamente calculado para maximizar os efeitos dramáticos da história, de modo que sequer a alternância entre cenários parece afetar o andamento do episódio ou mudar o clima do ponto em que o cenário anterior parou. E deixando o espectador mais arrebatado pelo anime menos atento para eventuais furos no enredo – e para algumas cenas com animação de pior qualidade.

Além disso e conectado a isso Kabaneri está usando e abusando da simbologia visual. Vou citar alguns exemplos nesse artigo, e creio que o principal do episódio seja esse que citei no título.

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Ela chamar o Ikoma nessa cena aflitiva foi bonitinho

Episódio forte e visualmente impactante. Eu gostei dele. Gostei bastante até. Mas Kabaneri é um anime curto e em um anime curto de ação espera-se algo novo todo em todo episódio – ou em todo arco. Eu já entendi ao assistir o episódio anterior que o Biba não vale os restos alimentares não digeridos que evacua. Ele é mal, ele é cruel, ele é inteligente, ele tem um plano maligno e um exército de fanáticos. Naturalmente nossos protagonistas do Koutetsujou não iriam deixar isso barato, iriam?

Não sou injusto, tem coisa nova nesse episódio sim, só não é tanto quanto se espera nem é nada realmente imprevisível. E certamente o conflito do episódio deve ter sido necessário para estabelecer algum nível de animosidade na relação entre os Libertadores e o Koutetsujou que apenas sequestrá-los e usá-los de reféns para chantagear a Ayame a colaborar com o Biba não seria suficiente. Mas não consigo me livrar da sensação de que esse episódio foi só uma continuação do anterior sem no entanto formar um arco de verdade com ele.

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Meu-Anime-n-17

Mais uma edição atrasada da coluna e eu realmente quase não consegui assistir anime nenhum essa semana. A coisa está tensa, mas estão aí os comentários do pouco que assisti e por favor comente tudo o que você viu, conforme eu for recuperando o tempo perdido eu respondo!

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Aposto que "Biba" em japonês significa "Hitler"

Alguém me disse que o Biba é louco. Mas não acho que o Biba seja louco, antes fosse, daria para aproveitar um de seus arroubos de insanidade para frustrá-lo. O Biba é apenas cruel, vil, e, principalmente, inteligente. Muito inteligente. Capaz de preparar rapidamente planos complexos com várias fases e atores que, no entanto, se encaixam perfeitamente como os blocos das Grandes Pirâmides. E é tanta inteligência direcionada a motivos tão vis, mesquinhos. Biba é capaz de sacrificar sem remorso até aqueles que estão ao seu lado.

Os nossos heróis do Koutetsujou, todos os habitantes inocentes de uma cidade-estação, até mesmo a Mumei, todos são apenas peças em seu jogo muito particular de, tudo indica, vingança. E um homem assim conseguiu conquistar uma legião de seguidores fanáticos. Um verdadeiro messias, mas um messias da morte.

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