Em seu segundo episódio Ousama Ranking nos contou o passado de seu co-protagonista, o simpático Kage. A sombra tinha uma história que em nada me surpreendeu, mas nem por isso menos me emocionou ou justificou a empatia dele com o Bojji, o valoroso herói dessa história.

Mesmo em um clã de assassinos por que não haveria amor entre uma mãe e seu filho? É com essa afirmação que começamos o episódio e vemos a mãe do pequeno Kage tentando protegê-lo de um extermínio que deve ter sua lógica, ela só não supera o crime de matar uma criança.

Não vou me alongar na fuga, só queria abordar dois tópicos. Primeiro, a natureza do clã das sombras, que existem apenas para matar quem lhes mandam matar. Segundo, a interferência da condessa Poise, uma menininha simpática, mas que é vendida como “peculiar”, estranha mesmo.

Espero vê-la de novo na trama, mas dessa vez um pouco maior, afinal, houve um time skip entre aquele momento e o presente da história. E com ela sendo uma condessa e tendo conhecido o Kage, será que não pode surgir aí uma aliança política dela com o Bojji para o futuro?

Voltando as sombras, gosto de como o anime não tenta passar pano para o ofício das sombras, que meio que justifica a perseguição a elas, ao menos no reino em que agiam. No fim, não tem ninguém certo nessa história, mas acho que as sombras forma mais “instrumentos”, hein.

Digo, elas me parecem instrumentos de assassinato pelo que a mãe conta, pois matam quem mandam eles matarem, não é uma agenda própria o que elas cumprem. Mas sim, é fato que isso não as isenta da culpa. Assassinos são assassinos e o Kage vem de uma família deles.

Porém, isso não significa que ele seja um assassino, ou ao menos não que mate indiscriminadamente (por proteção, por comida, pelo que for que matavam) feito seus descendentes. Aliás, o Kage aqui é mais representado como bandido pela marginalização que sofreu.

Após se separar da mãe e se ver sozinho não era difícil imaginar o caminho que trilharia, ainda mais sendo ele uma criaturinha tão inocente, tão pura. O Kage (em uma perspectiva reduzida, claro) foi usada mais ou menos como seu clã foi, e foi descartado como ele.

Por um vigarista burro demais porque só assim para o cara roubar tanto ouro e morrer na sarjeta como ele morreu. E o máximo que ele fez de “bom” foi dar migalhas ao Kage, aceitadas de bom grado por alguém que não tinha mais nada em que se apoiar.

Acho que no fundo ele sabia que estava sendo usado e que aquilo que o vigarista lhe dava era muito pouco, muito menos do que ele merecia de verdade, mas depois de ficar na miséria e perder tudo, como morder a mão de seu “benfeitor”? Entendo essa construção narrativa perfeitamente.

As únicas coisas que não gostei nesse episódio foram das ações dos “tutores” dos protagonistas, mas entendo que o bandido só queria se aproveitar do Kage e teve o fim merecido, então acaba que essa parte toda é boa sim. Infelizmente, me decepcionou um pouco o tutor do Bojji.

Ele manda o príncipe lutar diretamente e isso detona com o estilo de luta eficiente, ainda que supostamente indigno para um rei, do garoto, o que pode até ter sido uma ação para protegê-lo dos comentários ruins das pessoas, mas também minou a confiança do garoto.

No fim, o Domas pode querer o bem do príncipe que ensina, mas ainda o vê como um incapaz igual a todas as outras pessoas. Por outro lado, é até compreensível que pense assim vendo como o príncipe se desenvolve e as dificuldades dele, além disso, essa opinião pode mudar, né?

Se o Bojji cada vez mais mostrar seu valor e assim conseguir subverter as opiniões que as pessoas têm dele, acredito que uma das primeiras pessoas a apoiá-lo e até incentivá-lo será o Domas. E o Apeas também, ele me pareceu ter muita boa vontade com o primeiro príncipe.

Sobre o segundo, ele é ainda mais jovem que o Bojji, mas já está tomado pela ideia de ser rei. Deve ter sido influenciado pela mãe, mas também pela sombra no espelho, o tipo de companhia similar a do Bojji, mas não igual, afinal, não parece que ela faça parte do clã do Kage.

Além disso, escrever sobre essa sombra me fez lembrar do terceiro ponto que me preocupou nesse episodio, ainda que isso seja assunto para um momento posterior. Por que o segundo príncipe também tem seu “parceiro” de jornada? Eles precisavam ser semelhantes nesse aspecto?

Não queria correr o risco de simpatizar com o segundo príncipe ou conhecê-lo melhor, mas talvez isso seja preciso a fim de aprofundar o Bojji. Além disso, ele também ainda é apenas uma criança, não dá para a gente achar que essas influências sejam uma passada de pano para ele, né.

Então sim, fica minha temeridade com como isso será explorado na trama, mas por ora não é algo a temer, assim como não temo pela amizade que se forma entre o Bojji e o Kage porque, ainda que com histórias bem diferentes, é compreensível a empatia que o Kage tem por ele.

O Kage vê muito da sua própria vida na jornada tortuosa do Bojji e é ao admitir para si e para o garoto que não quer se aproveitar mais dele e sim ser seu amigo que essa história verdadeiramente começa, a história de dois desgarrados que vão mostrar ao mundo o valor que têm.

Por fim, fica uma última ressalva, a natureza do Bojji que o impede de ficar mais forte é só coisa dele ou também um reflexo das pessoas a sua volta? Se fosse uma luta real ele teria matado o irmão há muito, então olha, dane-se essa baboseira de forma de lutar indigna para um rei!

Porque nesse mundo o que importa não é o lugar no ranking? Se é assim, o meio para chegar a esse resultado não deveria ser algo secundário? E mais, será que teriam a mesma atitude caso fosse o segundo príncipe a dar um “jeitinho brasileiro” para lutar?

A sociedade é hipócrita, a verdadeira inimiga de Bojji, agora, isso será devidamente explorado ou tudo acabará parecendo apenas recurso de roteiro a fim de exaltar o herói pela superação de suas várias dificuldades? Veremos. Aposto no primeiro caso, não à toa tenho adorado o anime.

Até a próxima!

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