Esse episódio virou o anime 360 graus para mim e sabe que eu adorei isso porque assim Ousama Ranking soube explorar algo para o qual já havia demonstrado potencial em seus dois primeiros episódios introdutórios, a aventura, e o caminho tortuoso dela para ser mais exato.

O rei morreu, o coitado já estava com um pé na cova mesmo, e deixou a coroa para seu primogênito, mas uma manobra política relegou o Bojji as sombras, tornando-o um belo candidato a aventureiro, aventura esta que virá para expandir os horizontes do herói e torná-lo digno do trono?

Antes de mais nada, o que diabos era aquele demônio que saiu de dentro do rei após sua morte? Será que foi ele quem ajudou o rei a se tornar o que ele era? E ele não se virou para o Bojji por acaso, né? O herdeiro de direito é o protagonista, mas havia uma surdez no caminho…

Na verdade, havia um preconceito, pois se o Bojji não é digno de assumir o trono, não acho que o Daida seja, a diferença é que uma das crianças é deficiente e a outra não, é mais fácil tratar com um e não com o outro, e ninguém quer ter muito trabalho com quem ainda não tem “poder”.

Há diversas formas de demonstrar esse poder e uma dessas com certeza foi o que a Hiling fez ao interceder em nome do filho biológico, mas também a fim de proteger o aditivo, um ato de boa intenção, mas pena nociva, afinal, ela quer proteger quem considera incapaz.

E por mais que a deficiência seja um ônus óbvio, entendo que ela ajudaria mais se o considerasse tão capaz quanto o próprio filho, ainda que mesmo assim tomasse a parte dele. Ela é mãe, afinal, não consigo demonizá-la pela votação questionável que ela propõe.

Na mesma medida, o Domas age como se não pensasse muito diferente da ex-rainha, o que me doeu demais ao ver o episódio, mas já estava no retrovisor para quem prestava atenção. Sabe o que seria legal mais a frente no anime? Ver essas pessoas mudando suas impressões do Bojji.

E sabe o que é ainda mais intrigante? Nenhuma das pessoas próximas ao príncipe parece rejeitá-lo completamente, o Bebin mesmo, mente para o garoto, mas manda o Kage em uma missão que duvido muito não tender a favorecer o Bojji, além de não ser apenas um fantoche do novo rei.

Ele pensa criticamente sobre o que vai fazer, suspeitava das intenções do Kage, mas parece tê-lo dado ouvidos quando a sombra tentou se explicar e lutou com o Apeas, mas caiu muito fácil, como se não estivesse lutando com tudo. Aliás, ele deve ter ido se recuperar com sua cobra.

O que quero dizer é que os personagens apresentados em Ousama Ranking aparentam mais complexidade do que o simples bem ou mal ou gostou ou não gosto. Até mesmo o Daida, que se porta como um rei prepotente logo de cara, mas me parece sob influência do espelho mágico.

E nisso temos a amizade feita pelo Bojji com a Matsumata (a cobra que tinha três cabeças e a ponta do rabo, mas agora só tem duas), que só foi mesmo possível por causa da Hiling, aí a verdadeira relação que ganha contornos muito mais interessantes do que aparentava até aqui.

A Hiling nunca quis ser má com o Bojji, pois apesar de ter sido dura com o garoto nos dois primeiros episódios, vemos que com contexto fica mais fácil de entender suas ações, não só o temor que sente pelo Bojji (ela vive o “consertando”, né), mas a predileção pelo filho (algo normal).

Hiling não é uma madrasta unidimensional (é má e pronto) como em algum momento pensei que pudesse ser, além disso, é ela quem intercede por ele em um primeiro momento, mas em um segundo o dá aquilo que ele quer, o que o novo rei quer também, será para matar o Bojji?

Não duvido. Duvido é que o Apeas não tenha percebido essa situação problemática e por isso tenha ido atrás de uma forma de levar o Bojji ao trono, alguém que não está sendo influenciado por uma figura suspeita, além de ser o herdeiro natural do trono, seguindo assim a tradição.

Mas para dar vez a essa tradição é preciso antes romper uma barreira mais forte que essa, que é a barreira do preconceito. Agora, como o Bojji faria isso no castelo, sem o Kage, sem aliados a provê-lo com experiências capazes de ajudá-lo a se tornar alguém cada vez mais capaz?

Porque ele, enquanto deficiente, vai ter que fazer mais, talvez o dobro, talvez o triplo, para convencer as pessoas de que ele é a pessoa mais adequada para ser o rei. Sendo assim, a solução é óbvia. Bojji precisa viver uma aventura, expandir seus horizontes, agregar coisas novas a si.

No castelo, sob a asa de um irmão que não quer nada com ele, o herói jamais seria capaz de se fortalecer e amadurecer. A realidade é cruel com pessoas diferentes do “padrão” e o anime retratou isso com muita inteligência, fazendo um contraponto com o quão cruel a gentileza pode ser.

Afinal, Hiling e Domas não querem o mal do Bojji, mas não se tocam que protegê-lo em demasia é fazer mal a ele, então para provas as pessoas que não acreditam que ele é capaz, ele tem que mostrar isso a elas. Bojji tem caráter para ser um rei, o falta “poder” e ele irá atrás de achar o seu.

Por fim, achei uma pena o Kage ter sumido tão rápido desse episódio, mas mal posso esperar para revê-lo, assim como entender em detalhes a missão que o Bebin o delegou. Aliás, que personagem legal é o Bebin, né? O anime mal começou e já me espanta o quão bem escrito ele é.

Quanto a Hiling, tem mesmo como não gostar dela depois desse episódio? O pior que a gentileza que prejudica é gentileza alguma e isso é algo do qual não podemos acusá-la. Além de que, ela pode até ter dado a chance ao filho, mas tudo que fez foi pensando no bem do garoto.

O Daida já não, esse deve querer matar o irmão e o mau presságio da mãe deve ter muito a ver com isso. Agora, eles realmente não vão se rever? Ela vai morrer antes do Bojji voltar ao reino? Vai demorar anos? Muitos anos? E quando o Kage vai se reencontrar com seu parceiro?

Acontece tanta coisa nesse episódio que parece que os anteriores foram apenas uma prequel bobinha, mas obviamente necessária a fim de dar base ao desenrolar que a situação toma, o qual para mim foi o melhor possível visto o estado de estagnação em que o Bojji se encontrava.

Não havia quem intercedesse por ele ao ponto de virar o jogo, e mesmo se isso acontecesse, o quão contestado e prejudicado seria o reinado do garoto? Não é melhor, e mais realista, jogá-lo no mundo e abrir um leque inexplorado de experiências para colocá-lo a prova?

O mesmo valeria para o Daida, mas é justamente por ele não ter feito isso e sim assumido o trono de cara que a jornada do Bojji se torna mais importante. A deficiência aqui acaba sendo a “desculpa” perfeita para construir esse rei como merecedor de sua coroa, não um simples herdeiro.

Até a próxima!

Zoeira e fofura

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