A “skill” do Isagi é a inteligência espacial, que é a capacidade de ler os espaços do campo, adiantar as jogadas de acordo com um entendimento geral do jogo e otimizar resultados de acordo com as características do time. Isagi tem tudo para ser o Messi japonês? Vamos com calma!

Antes de mais nada, gosto bastante quando o anime dá mais espaço aos outros personagens, os colegas de time do Isagi. O Kunigami considera os jogadores verdadeiros heróis nacionais (br que curte futebol entende o sentimento), já o Chigiri teria jogado no Barça não fosse…

Zoeiras a parte, não é porque uma hora o Isagi deve ter que destruir o sonhos dos seus colegas de time que ele não pode brincar de amizade com eles, né? Além disso, como bem vimos nesses dois episódios, ninguém joga sozinho, mesmo o atacante mais egoísta do mundo.

Inclusive, a estratégia que eles adotaram, de revezamento de pontos fortes, foi bem interessante, pois deu margem a um antídoto quase que letal a ela. Como combater futebol com engrenagens minimamente complexas? Jogo reativo com contra-ataque eficiente.

O Time Y fez uma leitura correta da situação, definiu um plano de jogo extremamente simples focado em jogadores capazes de executar suas principais funções, o último passe e a finalização, o que ele não contava é com o “despertar” do Isagi no segundo tempo.

Sabe um jogador que é um mix dos dois principais jogadores do Time Y? O Harry Kane, o striker do Tottenham (meu time junto do Vozão), pois ele tanto é um exímio finalizador, quanto consegue sair da área para armar o jogo, pondo os companheiros a toda hora na cara do gol.

Sua parceria com o Son, um atacante leve e insinuante, é uma das mais frutíferas e mortais da atualidade e ver esses conceitos sendo usados para contrapor ideias mais complexas e malucas (revezamento é coisa de vôlei) foi bacana, até porque era compreensível que nem tudo desse certo.

Seja para o Time Z, seja para o Time Y, ter onze atacantes, pouco tempo e a necessidade de definir uma estratégia para vencer ou vencer condiciona planos de jogos falhos em essência, pois ainda que na teoria sejam ótimos, na prática falta treino e amadurecimento de ideias.

Em todo caso, o importante mesmo foi a reação do Isagi a isso, como ele conseguiu fazer a leitura correta do jogo a partir da observação das jogadas, de quem as executava e de como o time adversário se comportava no geral. Ele foi o verdadeiro MVP do jogo em todos os aspectos.

E não só isso, essa ideia dele combater seu eu do passado, que passaria a bola ao invés de finalizar a gol, também foi bem interessante, e muito porque uma coisa não anulou a outra, afinal, ele deu o passe para o primeiro gol, ele pode equilibrar as duas características em seu jogo.

Essa partida mostrou que é possível ser egoísta e agir em prol do coletivo simultaneamente, na mesma partida e sem comprometer o objetivo maior, que claramente era a vitória. Mas claro, essa percepção poderia ser tolhida se ele tivesse errado, para a gente ver a importância do gol.

Sem gols um atacante não vive, qualquer um deles, por mais que seja bom passador e consiga “controlar” o jogo. Aliás, o que significa controlar o jogo? Dominar a posse de bola ou tornar sua posse, ainda que ínfima, eficiente em prol do objetivo, que é o gol? Defendo a segunda ideia.

Não à toa o Nico declarou que controlava o jogo, o que era verdade porque a estratégia do seu time estava dando certo e tal estratégia passava pelo pé dele, tendo em seu passe um fio condutor. Se o Isagi não tivesse percebido isso, o Time Z teria perdido, a tendência era essa.

Foi interessante ver nosso jovem protagonista descobrindo o que é a marcação individual (o Bielsa vai ficar orgulho se um dia ver o anime), mas claro, ele se sobressaiu mesmo foi por ter iniciado a jogada e ter aparecido para marcar um gol que causou um aumento brutal em sua confiança.

A única ressalva que faço ao quanto episódio é a leitura de jogo do Messi, que é aquilo, mas não só aquilo. O Messi é um monstro da inteligência espacial, aliás, praticamente todos os maiores craques do mundo o são, até o CR7, ainda que seja mais para se posicionar e marcar gols.

Não estou dizendo que o Isagi vai virar o Messi, mas se polir o corpo e condicionar a mente, a leitura de jogo que o alçou ao “topo” do seu time fará desse ponto apenas a partida para conquistas maiores. Em todo caso, ele parte com a vantagem por ter a arma dos melhores ao seu lado.

Até a próxima!

P.S.: A cena dele saboreando o gostinho de ter destruído os sonhos de seus adversários foi cringe, mas de arrepiar, o tipo de coisa que esse anime faz de melhor, que é florear o egoísmo humano. E se os jogos em si não têm entregado tanto, pelo menos os momentos-chave empolgam.

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