O anime precisava de um episódio desses mostrando o grupo do Hijikata e reforçando as convicções dele, pois estava muito tomado pelo grupo do Sugimoto e o da Asirpa, os quais obviamente são os mais importantes, mas não os únicos na corrida pelo ouro. É hora de Golden Kamuy 3 no Anime21!

Abordar o código das tatuagens a essa altura é importante, porque vai dando pistas ao público do que os desenhos significam. Fica claro que não deve ser nada como um linguagem normal, afinal, a Asirpa não entenderia, nem algo complexo demais, porque precisa ser entendido justamente por ela.

De tal forma, tem grandes chances de ser algo envolvendo a cultura ainu ou algo que o Sugimoto viu com a Asirpa em suas aventuras, porque o imortal percebe algum padrão e não o revela. Como é do Sugimoto que estamos falando ninguém vai tirar a informação dele, ele só deve contar para a Asirpa.

Deixando ambos os núcleos principais de lado, focar no Hijikata e no Retalhador, Yoichiro, foi algo bacana por refrescar a memória do público sobre as verdadeiras intenções do antigo vice-comandante do Shinsengumi, além de mostrar claramente (usando muito bem as alucinações de um velho moribundo até a página 2) o impacto que os ideais têm nas pessoas que trabalham em prol deles.

E enquanto isso vale para o Yoichiro, que selou seu destino quando se tornou o Retalhador, por mais que tenha conseguido viver uma vida fora disso por um tempo, também vale para o Hijikata, que o mundo acha que morreu, mas na verdade estava nas sombras só esperando a oportunidade de se reerguer de novo em prol daquilo em que acredita e que também selou seu destino. Hijikata e Yoichiro são parecidos.

Voltando ao que ocorreu no episódio, respeito toda a licença poética da sequência, mas quando bati o olho no velinho devagar quase parando eu já esperava que alguma hora ele recuperasse a altivez e destreza da época de assassino. Foi o tipo de clichê que você pode processar bem por seu contexto (as alucinações, o último suspiro de adrenalina e de vida, etc), mas não levar para o lado do absurdo, afinal, não foi cômico.

Diria que o Hijikata salvar o velinho só para matá-lo depois seria tragicamente cômico, mas não foi, foi apenas trágico mesmo, e gostei de como a direção entendeu que nesse episódio não era necessário um drama exatamente grandioso, mas também não cabia muita comédia, apenas algo pontual como foi com a Asirpa e o missô do Sugimoto.

Enfim, a carnificina na casa dos pescadores rola solta e eu acho que, por mais forçado que a gente possa achar, a licença poética do final de vida do velho e seu último sopro de ação acabam se sustentando, é conveniente, mas é razoavelmente plausível. Os vários grupos atrás do velinho é que foi estranho, não porque seria anormal alguém querer vingança, mas justo agora, exatamente quando o Hijikata vai atrás dele?

Isso ficou bobo, mas em compensação a triste história de vida do Yoichiro e o quanto ela foi definida pelo Japão sob constantes e profundas mudanças compensaram qualquer escolha narrativa menos criativa, porque, repito, casou muito bem com a construção do Hijikata, quem ele é e naquilo em que acredita, que o faz matar sem hesitação e seguir sempre em frente rumo a um objetivo maior.

Por fim, ainda não foi a vez de resgatar a “mão de ouro”, mas vai ser próximo episódio e o plano do Kiroranke envolvendo explosivos e instaurar o caos social é a cara de um terrorista, ainda que isso tenha ficado no passado. E nem estou tentando ser preconceituoso aqui, a conotação de terrorista claramente é ruim hoje em dia, eu sei disso, mas naquela época (na verdade, ainda hoje) era mais uma questão de ponto de vista, né?

O título do próximo episódio trata disso e acho que qualquer revolução só pode vir a luz pelas mãos de quem tem a coragem para sujá-las. Essas pessoas, como aconteceu no caso do Retaliador, podem até sair anônimas da história, mas nunca saem impunes, elas pagam um preço, quer se provem certas ou tenham tido boas intenções. Essa é a crueldade da vida, que sela os destinos de homens por causa de seus ideais.

Até a próxima!

  1. Avatar

    Não esperava um episódio destes, a terceira temporada de Golden Kamuy tem sido pura qualidade e agora foi um episódio dedicado a um dos meus personagens históricos favoritos, o Hijikata Toshizou.

    Começando pelo Yoichiro, ele no passado foi um Ishi Ishi, assassinos ou representantes de facções pró-Imperador, que lutavam contra os oficiais e clãs apoiantes do Xogunato Tokugawa. Uma das facções que os Ishi Ishi lutavam era o Shinsengumi e no Shinsegumi estava o Hijikata, o Kondou Isami, Okita Souji entre outros que eram defensores de tudo o que o Xogunato significava. Não sei se assistiu Rurouni Kenshin/Samurai X, nele o protagonista (Kenshin) foi um assassino dos Ishi Ishi, tal como um dos vilões da história o Shishio Makoto. Uma coisa que o Yoichiro e o Shishio Makoto têm em comum é que ambos foram traídos pelas forças pró- Imperador, tal como em todas as guerras civis, nem sempre o lado que promete as mudanças para melhor irá cumprir com as promessas.
    Achei meio manjado o facto de todos os assassinos irem ao mesmo tempo atrás do Yoichiro e todos eles estarem no mesmo lugar à mesma hora. Teria sido mais interessante o Yoichiro ter lutado com todos eles de forma espaçada, para dar ainda mais aquele ar de tensão para o personagem. Mas isso não estragou em nada o aproveitamento do episódio para mim. A forma como o Yoichiro mesmo com sintomas bem presentes de demência e debilidade corporal, foi incrível como a memória muscular dele se activou pelo brilho da lâmina de um dos seus perseguidores, o velho entrou em modo full assassin. As mudanças entre a realidade e o passado deu azo ao melhores momentos do episódio, a transição entre o Yoichiro do passado e o Yoichiro do presente foram muito bem feitos, ver o sofrimento dele e o ódio que ele sentia do mestre dele por o ter traído humanizaram muito o personagem. No final o Yoichiro foi usado como uma ferramenta e no final quando ele não era mais necessário foi descartado por aqueles em qu ele mais confiava. Doeu quando o Hijikata cortou o abdómen o velho Yoichiro, de certa forma o Hijikata executou o seppuku que o Yoichiro não teve a coragem de fazer no passado, mas quando o velho começou a lembrar da esposa foi muito emocionante.

    Passando ao Hijikata, o velho está em outra liga, de todos os que estão a perseguir o ouro, ele deve ser o mais veterano no que se trata a lutar. A forma como o Hijikata maneja o rifle Winchester é de uma maestria assustadora, ele faz um headshot com o rifle apoiado no quadril, para meros humanos isso é uma façanha incrível. Gostei bastante do embate entre o Yoichiro e o Hijikata, o Yoichiro começou logo a atiçar a onça quando perguntou pelo Kondou e pelo Okita (estes dois eram praticamente família para o Hijikata. A perseguição que o Hijikata fez ao Yoichiro artisticamente falando foi muito bonita, ver Quioto sob o luar de sangue foi de arrepiar o sentidos. Gostei das transições entre o passado e o presente do Yoichiro, gostei mais ainda das transições do passado do Hijikata, vê-lo com o uniforme do Shinsengumi e até mostraram a bandeira do grupo, a bandeira da Sinceridade, pela qual muitos tombaram. O discurso do Hijikata sobre o estado do Japão naquele momento foi muito certeiro, eles ganharam a guerra contra os russos, mas não conquistaram praticamente nada e nem receberam as reparações de guerra, o Japão saiu mais a perder do que a ganhar. A ideia dele de uma Hokkaido independente e multicultural é muito interessante e era capaz de dar certo. Para doer ainda mais, o Hijikata real conseguiu fundar a República de Ezo em Hokkaido, esse era um sonho dele e dos companheiros dele que tombaram, mas no final essa República foi destruída pelas forças pró-Imperador e o Hijikata morto em batalha.

    Como sempre, mais um excelente artigo de Golden Kamuy Kakeru17.

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