Nenhuma pista nova nesse episódio. Os detetives Moe e Souhei passaram o episódio discutindo sobre o que já sabem e sobre como proceder com relação à polícia. E além disso a Moe ficou andando pelo laboratório de biquíni e toalha também. Eles deduziram um ou dois pedaços de informação que, estando corretas, mudam a forma de encarar e tentar resolver o mistério, mas como são apenas conjecturas podem muito bem estar erradas. E nesse vazio de novas pistas, somado ao ruído ensurdecedor dos gritos dos suspeitos que não existem, uma hipótese antiga que eu já havia descartado porque não queria que estivesse correta pede para ser reexaminada.

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Eu tenho problemas, você tem problemas, todo mundo tem problemas! Tá bom, entendi, as pessoas têm problemas. Adolescentes em particular têm muitos problemas, e aqui temos a Tekkadan, em sua nave cheia de adolescentes, pilotada por adolescentes para atingir seus adolescentes objetivos de vida. É bom que seja assim, digo, se não tivessem problema nenhum sequer teríamos uma história, não é? O meu problema com esse episódio é que, na falta de coisa melhor para ganhar tempo enquanto tentam justificar os 25 episódios que o anime está programado para ter, tocaram de forma bem superficial no que incomoda os três personagens principais de Gundam Orphans e fizeram um enorme drama por causa disso. Melodrama. Mari Okada, alguém?

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Concrete Revolutio é uma espécie de anti-One Punch Man. O anime mais popular e engraçado e fácil de acompanhar constrói um mundo claramente dividido entre o bem e o mal, onde ou você é um herói e luta para salvar pessoas ou você é um vilão e considera-as ferramentas para seus objetivos, isso quando seu objetivo não é simplesmente matá-las. Ou preto ou branco. Mesmo no caso dos personagens moralmente questionáveis é possível dizer com precisão em que ponto da escala moral cada uma de suas ações está, e se são boas ou más. Pegue o exemplo do Snek: quando apareceu pela primeira vez, ele confrontou o Saitama apenas para se impôr sobre ele como um veterano universitário valentão se impõe sobre os calouros. Isso é uma atitude sem dúvida nenhuma errada. Noutra ocasião um vilão muito mais poderoso do que ele ameaçava massacrar a população abrigada em um refúgio e ele, podendo usar seu poder para fugir durante a confusão, escolheu ficar e lutar. Quem dirá que ele não foi um verdadeiro herói?

Concrete Revolutio é completamente o contrário disso. Não só ele nunca dá certeza sobre o que é certo ou errado, ou pelo menos mais certo ou mais errado, ele se recusa a admitir a existência de um bem e um mal absolutos. O maior exemplo de heroísmo que já existiu no mundo desse anime dizia claramente de si mesmo que não era um herói, mas sim que queria ser e se esforçava para isso. Inconscientemente ou nem tanto, eu estou aqui torcendo para que o Jirou esteja agindo de forma heroica após ter se separado por razões ainda misteriosas do Escritório de Super-Humanos, mas é prudente manter-me preparado para a hipótese desse não ser o caso. Ou, o mais provável, disso nunca ficar claro mesmo após o fim do anime.

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Depois de uma longa sequência de episódios amenos de apresentação de personagens Utawarerumono volta a ter ação de verdade. Mas me joga direto dentro dela, assim, sem nenhuma explicação, sem eu saber o que está acontecendo ou o que esperar, sem eu saber porque está acontecendo. Me senti como se estivesse conversando com um amigo no bar, e depois dele passar a tarde inteira falando de ex-namoradas, do tipo de mulher que ele gosta, comigo ali só fazendo cara de paisagem e ouvindo tudo com um sorriso (ele é meu amigo afinal), do nada ele muda de assunto para política internacional. Do nada mesmo, não tem nem um corte do tipo, “mudando de assunto, você viu o ISIS?” ou “mano, outro dia eu tava zapeando na TV e apareceu um cara falando do Obama…”. Seria algo mais parecido com: “e você lembra que te falei da Giselda? Achei puta injusto quando ela terminou comigo. Mas a Turquia que tá ferrada agora hein? Derrubaram o avião russo. Avião russo!!”.

E o pior é que do mesmo jeito que eu conheço meus amigos e sei o que esperar deles nessas conversas aleatórias, eu já tô pegando o jeito de Utawarerumono e sabia que não podia esperar nada desse caso pela forma como ele foi apresentado. Não parecia que seria divertido, não parecia que seria instigante, não parecia sequer que traria qualquer consequência para a história. E depois de assistir, eu tenho certeza que não foi divertido, não foi instigante e não vai trazer qualquer consequência para a história.

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No episódio anterior os habitantes da Cidade Z precisaram lidar com a força destrutiva da natureza. E “lidar” naquele caso significava fugir em desespero ou resignar-se com a morte iminente. A própria Associação de Heróis não tinha esperança alguma de evitar a tragédia e não enviaram ninguém para o local. Um herói babaca chamado Metal Knight enviou um robô operado à distância apenas para testar uma arma nova, porque nem mesmo ele, um dos mais poderosos heróis de classe S, tinha qualquer esperança de impedir a queda do meteoro. A natureza nos fornece tudo o que precisamos para viver e prosperar, mas ao mesmo tempo pode nos aniquilar em um instante com seu poder destrutivo colossal. Mas a natureza não é boa nem má. Nesse episódio a Cidade J enfrentou um outro tipo de inimigo. O Rei do Mar Profundo não é algo mundano como um simples vilão: seu objetivo é destruição e morte. Como uma destrutiva força da natureza, seu poder arrasa tudo pelo caminho. Ao contrário dela, contudo, ele tem plena consciência do que faz e escolheu esse caminho. Ele é uma Força do Mal.

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Incrível aquela apresentação no começo do episódio, mostrando o passado que não pareceu nem um pouco feliz da família Ayatsuji e seu dojô mas que mesmo assim a Ayase se tortura por ser um tempo já ido. Pra ficar melhor só se tivesse aparecido uns gráficos no meio demonstrando a queda de habilidade do pai dela ao longo do tempo bem como o seu próprio progresso, apontando os momentos cruciais que a permitiram avançar mais do que vinha conseguindo até então. Ou será que Rakudai Kishi tentou imitar um filme mudo, alternando cenas com legendas? Se tiver sido o caso, foi um filme mudo revolucionário no sentido de que ele não foi mudo ao mesmo tempo em que não foi um filme, porque exibia apenas imagens estáticas e fotos (também estáticas, porque a magia que existe em Rakudai Kishi não é tão avançada quanto a magia de Harry Potter).

De qualquer jeito, foi incrível. Incrivelmente horrível, sério, pra que aquilo?

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Imagino o seguinte diálogo no estúdio:

Produtor: – Roteirista-kun, está tudo muito divertido e coisa e tal, mas espero que você não tenha esquecido que Shomin Sample é um harém, não é?
Roteirista: – Eu sei Produtor-san, é que eu acho que … – o roteirista é cortado antes de terminar de falar.
Produtor: – Harém, Roteirista. Harém.
Roteirista: – Gomen nasai, Produtor-sama! Esse erro não irá se repetir!

Dado que é baseado em light novel, é possível que isso tenha ocorrido na editora. Aí troque Roteirista-kun por Autor-kun e Produtor-sama por Editor-sama, mas dá essencialmente na mesma.

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E de ignorar totalmente, teria dito Pascal. Durante a madrugada escrevo esse texto, apenas com as luzes do corredor e a da própria tela do notebook, ouço o canto de pássaros (que não deveriam ser) notívagos, gotejamento de algumas horas atrás, o som da ventoinha do notebook programada para resfriá-lo, e que no entanto é ineficiente e por isso há também um ventilador de chão em cima da mesa ligado, que também faz barulho e me deixa com frio nas mãos. Há o som da minha digitação, e meu reflexo no espelho atrás do notebook olhando para mim sorrateiramente por cima dele. Há várias outras coisas que estou vendo, ouvindo ou sentindo, mas não vem ao caso descrever todas. O que eu quero dizer é que enquanto tudo isso deve estar mesmo acontecendo, as minhas sensações não são mais do que a interpretação que meu próprio cérebro dá a elas. O que eu acho que estou vendo não é A Verdade. Não são meus olhos que enxergam, eles meramente captam a luz e a transformam em impulso elétrico. O cérebro interpreta essa informação, e é uma coisa muito louca, com coisas diferentes sendo interpretadas (e sentidas de forma consciente) por partes distintas desse órgão vital. Existe uma condição médica rara em que cegos reconhecem rostos. Bizarro? Ocorre que o cérebro recebe a imagem em uma parte, a transporta para a consciência em outra, e reconhece rostos numa terceira. Há outras partes envolvidas em várias outras operações relacionadas apenas à visão, mas concentre-se nessas. É possível que o dano em alguma parte muito específica prejudique ou impeça a formação da imagem, mas seu cérebro ainda a recebe corretamente e interpreta. Assim, a pessoa reconhece outros que estão a sua frente mas ela “não está enxergando”. É tudo muito louco.

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Depois de falar sobre Haikyuu, agora vem a vez do Haikyuu 2… dos episódios 1 ao 8!

Depois de perderem pro Oikawa, a segunda temporada, pelo menos no começo, é focada no desenvolvimento dos personagens. Enfim, não vou ficar falando o que rolou em cada episódio porque eu espero que vocês tenham assistido, e sim esse artigo tem spoiler até o episódio 8 do anime.

Em geral Haikyuu 2 começa nos mostrando quem realmente é Ushijima, ele é aquela pessoa que se acha por ser muito bom e é arrogante, e o pior que ele tem motivo pra se gabar e falar que os outros são piores que ele. Ele pode ter aparecido só no episódio 1, porém ele mostra o porquê dele ser o número 3 do Japão, treinando com pessoas da faculdade, representar o japão no U-18, considerar Aoba Jousai como um time de segunda categoria, e assim vai a lista. Obviamente nosso amigo Hinata fica bravo em saber disso e tenta mostrar pra ele quem ele realmente é, pulando alto pra carai feito um coelho. No final, Ushiwaka percebe que Hinata pode ser um oponente formidável.

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Atualização 03/12/2015: Fatos ocorridos no episódio 9.

Atualização 26/11/2015: Fatos ocorridos no episódio 8. Adicionalmente, resolvi fazer uma homenagem aos quadrinhos americanos de super-heróis e mudei os títulos das três divisões temporais de Concrete Revolutio para Era de Ouro, Era de Prata e Era Contemporânea, hehe.

Desenrolar os fatos de Concrete Revolutio, colocando-os em ordem alfabética, serviu para não apenas eu entender melhor o que aconteceu como para perceber as profundas ligações entre tudo o que aconteceu bem como as referências do anime ao mundo real e outros ícones da ficção. Foi possível por exemplo estabelecer com segurança que a Era Shinka, na qual o anime se passa, é apenas a Era Showa (1926 a 1989) com outro nome. O Japão segue o calendário geral, mas tem também um calendário tradicional baseado no reinado dos imperadores. A Era Showa corresponde ao reinado de Hirohito, o Imperador Showa (curiosidade: hoje estamos na Era Heisei).

Talvez você já tivesse lido isso por aí, ou talvez já suspeitasse, como eu suspeitava. Quero dizer, Concrete Revolutio tem tanta cara de década de 1960, não tem? Psicodélico, com a música dominando o cenário cultural, cheio de agitações sociais. Eu já mais ou menos imaginava que fosse o caso. Mas não é apenas mais ou menos o caso: é exatamente. O ano 1 Shinka é exatamente o ano 1 Showa. Assim, os anos mais relevantes até agora para o anime, Shinka 41 e 42, são na verdade Showa 41 e 42, ou 1966 e 1967. Em comentários na linha do tempo eu explico como cheguei a essa conclusão.

Concrete Revolutio é um anime de história alternativa fantástica, e saber disso é muito importante e interessante porque permite relacionar fatos do anime com fatos reais (ou fictícios de outras obras), e ajuda a prever o que possa vir a acontecer. O mais importante do anime é O Ponto de Inflexão, um fato ou sequência de fatos que aconteceram em algum momento que mudaram completamente a relação entre os personagens, sendo a diferença mais notável a saída do Jirou do Escritório de Super-Humanos. Até final de 1967 ele ainda estava no Escritório, mas em meados de 1969 não está mais. O que quer que tenha acontecido, ou foi em 1968 ou em 1969 até setembro. O que aconteceu no mundo real, nessa época? Apenas os Protestos de 1968, uma série de manifestações ocorridas no mundo inteiro, que no Japão se traduziram de forma mais feroz em manifestações estudantis contra a presença americana no país, intensificada naquela altura por causa da Guerra do Vietnã. Lembra-se das palavras de Raito: “Tantos jovens morreram”.

Uma fantasia contada sobre fatos reais torna Concrete Revolutio mais parecido com Watchmen, clássica HQ cuja história eu já vi vários relacionarem ao anime e que o próprio roteirista disse que tinha como inspiração. Não sei se vai fazer jus à Watchmen, e tendo a acreditar que não. São diferentes, no fim das contas. Concrete Revolutio possui referências demais e, apesar de tudo, ainda é possível identificar nele o que é certo e o que é errado, mesmo que seus personagens eventualmente se desesperem em dúvidas por causa disso. Além disso (ou por consequência disso tudo), Watchmen é muito mais focado. Diferente, mas não ruim. Concrete Revolutio é único e muito interessante por si só. Para descobrir mais coisas ou simplesmente conseguir entender alguma coisa, leia a linha do tempo que escrevi abaixo, e que manterei atualizada a cada novo episódio que for lançado!

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