Depois de uma longa sequência de episódios amenos de apresentação de personagens Utawarerumono volta a ter ação de verdade. Mas me joga direto dentro dela, assim, sem nenhuma explicação, sem eu saber o que está acontecendo ou o que esperar, sem eu saber porque está acontecendo. Me senti como se estivesse conversando com um amigo no bar, e depois dele passar a tarde inteira falando de ex-namoradas, do tipo de mulher que ele gosta, comigo ali só fazendo cara de paisagem e ouvindo tudo com um sorriso (ele é meu amigo afinal), do nada ele muda de assunto para política internacional. Do nada mesmo, não tem nem um corte do tipo, “mudando de assunto, você viu o ISIS?” ou “mano, outro dia eu tava zapeando na TV e apareceu um cara falando do Obama…”. Seria algo mais parecido com: “e você lembra que te falei da Giselda? Achei puta injusto quando ela terminou comigo. Mas a Turquia que tá ferrada agora hein? Derrubaram o avião russo. Avião russo!!”.

E o pior é que do mesmo jeito que eu conheço meus amigos e sei o que esperar deles nessas conversas aleatórias, eu já tô pegando o jeito de Utawarerumono e sabia que não podia esperar nada desse caso pela forma como ele foi apresentado. Não parecia que seria divertido, não parecia que seria instigante, não parecia sequer que traria qualquer consequência para a história. E depois de assistir, eu tenho certeza que não foi divertido, não foi instigante e não vai trazer qualquer consequência para a história.

Começando pelo vilão. O general Dekoponpo é caricato demais, a aparência dele, o comportamento dele, o nome dele, o lambe-saco pessoal dele, tudo isso é típico de vilão pequeno que serve só pra gastar o tempo dos heróis. Sua história não será uma total perda de tempo caso ele esteja trabalhando junto com outras pessoas e elas apareçam irritadas com a sua derrocada, mas isso é improvável. Pelo que entendi da hierarquia do poder de Yamato, ele está abaixo apenas da família real e dos dois grandes generais. Não precisa de ninguém para realizar algo tão pequeno quanto organizar uma rinha de insetos gigantes em um navio. O que não significa que não possa haver algum outro general ou nobre aliado a ele, apenas estou apontando para o óbvio: ele não precisa de aliados para o que apareceu fazendo nesse episódio. Se depois revelar-se parte de uma máfia maior, esse episódio terá contribuído apenas para apresentá-lo (Utawarerumono é bom em apresentar personagens), não para começar a desvendar essa hipotética rede criminosa.

E talvez não tenha consequência nenhuma mesmo porque esse caso todo serviu, afinal, para o Ukon usar de palanque para contar sua triste história de vida. É clichê sim, mas vá lá, é um começo, é algo com potencial e que eu posso passar a gostar, caso seja mais desenvolvido adiante. Contudo temo que não há de ser o caso afinal o próprio recrutamento do Haku serve para o mesmo propósito pelo qual o Ukon criou essa sua segunda persona afinal de contas – para ajudar as pessoas mais de perto, entre elas, coisa que como o nobre Oshutoru ele não consegue. Assim, temo que toda essa história do Ukon sirva apenas para responder a pergunta que há vários episódios aguardava resposta, e que francamente eu não esperava que fosse respondida jamais a essa altura: por que Ukon recrutou o Haku? Agora eu sei. Para ajudar o povo e blá blá blá.

A triste história do Ukon e fã-service pras mina. Pena que a Rurutie não estava lá para ver

A triste história do Ukon e fã-service pras mina. Pena que a Rurutie não estava lá para ver

Agora sobre a construção do caso em si, o seu conteúdo e desenvolvimento. Como eu disse, desde o começo estava claro que seria resolvido rapidamente e até mesmo com facilidade, mas ainda assim eu esperava que pudesse ser algo emocionante. A caçada aos insetos gigantes foi emocionante, a viagem para a capital e o conflito com os bandidos foi emocionante. Esse episódio foi … menos do que ok. Tecnicamente o Haku e o Ukon não resolveram nada: os insetos se soltaram sozinhos, causando o conflito. Pior: eles se expuseram ao perigo e expuseram uma princesa ao perigo (o que diabos a Atui estava fazendo lá?). Quem realmente lidou com os insetos foi o outro grande general, que estava esperando na margem. E quem encontrou os documentos que provam a corrupção do Dekoponpo (um bandido que assina documentos de suas bandidagens, que pateticamente amador!) foi a Nosuri.

Ah é, foi pra isso que a Atui estava no barco

Ah é, foi pra isso que a Atui estava no barco

Contudo, no final do episódio o Ukon lamentava não ter encontrado as tais provas, o que me faz questionar para quem Nosuri trabalha. Eu sempre assumi que ela trabalhasse para ele, afinal eles se aliaram para acabar com uma gangue de ladrões, mas parece que talvez eu tenha assumido coisas que não devia. O próximo vilão talvez seja a pessoa por trás da Nosuri, que vai ter o Dekoponpo do seu lado por força de chantagem. Mas não vou especular muito sobre esse anime não que é mais fácil eu me decepcionar do que qualquer outra coisa. A parte mais importante do episódio deve ter sido o final, quando o Haku foi misteriosamente levado para aquele lugar misterioso beber chá com o velho misterioso. Que depois de um close-up na orelha, suponho ser seguro assumir que seja humano. O que me leva a especular que a partir de agora a história da amnésia do Haku e seu passado finalmente serão desenvolvidos. Se eu fosse fazer uma especulação mais selvagem, diria que o velho deve ser o imperador. Mas não vou apostar nisso não, deixo só a ideia solta no ar, inspire-a quem quiser.

O sorriso da Nosuri é tão feliz que quase dei uma estrela a mais para esse episódio só por causa dela

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