My Home Hero é um anime de drama e suspense do estúdio Tezuka Productions que adapta o mangá escrito por Naoki Yamakawa e ilustrado por Masashi Asaki. Segue abaixo a sinopse extraída da Crunchyroll (o streaming oficial do anime).

 

“Durante seus 47 anos de vida, Tetsuo Tosu nunca cometeu um crime sequer. Mas quando ele descobre que sua filha Reika está apanhando do namorado, ele começa a investigar ao rapaz e descobre que, não só ele possui laços com a yakuza, como tem um histórico de suspeitas de feminicídio em sua ficha. Determinado a proteger sua família, Tetsuo faz o impensável e mata o homem, mergulhando de cabeça no submundo da marginalidade e colocando em risco sua pacata vida burguesa.”

 

A montagem problemática desse anime me incomodou bastante, pois ela pecou em momentos-chave do drama, algo necessário para que o público conseguisse relativizar a ideia, que se equilibra em uma linha tênue, afinal, é possível aceitar um crime passional?

“Sim,” até porque isso é ficção, ainda mais nas circunstâncias que são apresentadas. O problema é tratar tudo de maneira tão maniqueísta, como a direção e o roteiro desse anime fazem ao nos apresentar um agressor caricato e reações quase artificiais de outros personagens.

O pai vê a filha com marcas de agressão e demora a agir ou não sabe como fazê-lo, a filha reage de maneira bizarramente tardia ao pedir colo a mãe e o pai, novamente ele, mata de maneira estranhamente fria para quem não sabia como lidar com a situação.

Felizmente a mãe age com sangue frio ao se deparar com a situação e entender que, se se virasse contra o próprio marido, o assassino, muito provavelmente não estaria ajudando a filha, a vítima. Nesse ponto acho que o anime foi mais crível, mais razoável.

Haviam outra alternativas a situação? Haviam. Elas seriam realmente eficientes para lidar com o problema? Não sei, mas seriam tão piores que um leigo cometer um assassinato e tentar encobri-lo? Pelo menos a estreia termina com um bom cliffhanger, não posso negar.

O meu ponto é, será que dá mesmo para levar a sério uma história dessas? Matar em animes não é nada demais quando envolve poderes fantásticos ou conflitos maiores, mas e quando é tudo baseado na nossa sociedade, ou melhor, na sociedade japonesa?

O problema reside em relativizar e justificar isso, o que me soaria menos problemático com uma construção narrativa mais madura, menos clichê e maniqueísta, que se apoiasse em situações mais críveis e, quem sabe, ainda mais “pressão.”

Sim, eu sei que a cena da ligação veio para isso, mas não é muito conveniente que ela anteceda o assassinato e seja a cereja do bolo do ponto de virada da obra? E o pior (melhor talvez, se pensarmos que tenta aprofundar a trama) é o paralelo traçado entre os dois pais.

Se a conclusão final for de que a reação do oprimido (a filha do protagonista) não for jamais o mesmo que a reação do opressor (o namorado), talvez essa construção se justifique, senão, será apenas uma forma esdruxula de tentar complicar algo mais simples.

Paternidade tem limites, ou devia, mas se você tenta dizer que um pai é um herói porque cometeu um assassinato (por mais que tenha sido para evitar o pior com a filha) ou que ele tem direito de vingar-se pela morte de um filho (um criminoso), então temos um problema…

Indico My Home Hero? Sim e não, sim se você é capaz de ir além da discussão da relativização do crime passional e entender que, por mais que possamos relativizar algo assim, o objetivo de uma sociedade é justamente encontrar formas de lidar com esses dilemas.

Por outro lado, se você não for capaz de entender isso, se for alguém que, por exemplo, achava que o Kira não fez nada de errado (ou que até fez, mas não por matar criminosos); talvez seja o caso de não chafurdar nesse seara para lá de questionável de My Home Hero.

Até a próxima!

Comentários