Imagino que você tenha simpatizado com o irmão do Shin no início do episódio e ficado confuso no final, não vou dar spoilers, só garanto uma coisa, é uma treta cabulosa, que faz parte da construção do herói em aspectos que vão além de sua personalidade aparentemente fria.

Nada novo aí, o interessante é a forma como a situação é construída. Há muito o que comentar nesse episódio sobre a expansão de mundo que foi feita e o problema revelado (estava fácil demais “apenas” segurar uma guerra até um fim marcado, né?), então não percamos mais tempo!

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Por que heróis precisam evitar a destruição? Porque meio que são funcionários públicos, né, recebem do governo para proteger a população e se possível evitar o uso de recursos para fazer reparos na cidade. Não foi o que aconteceu no terceiro embate do treinamento em conjunto das turmas do primeiro ano, mas foi o que o Endeavor seguiu a risca no início da segunda parte desse episódio.

Em todo caso, mais relevante é que tivemos mais um embate entre classes, mas dessa vez acho que ele tende a ser ainda melhor não só por contemplar dois personagens um pouco mais relevantes, o Iida e o Todoroki, como também por fugir do básico para esse tipo de situação, que seria um duelo de estratégias bem elaboradas. É hora de Velozes e Heroicos no Anime21!

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Não sei se Fumetsu precisava justificar as ações da Parona para salvar a March, mas não acho essa uma escolha narrativa inválida, não mesmo, afinal, torna mais visceral o desejo da heroína de ir até as últimas instâncias para salvar a criança. Além disso, a lembrança da irmã é muito bem utilizada a fim de fazer uma correlação com o momento dela na trama, mais especificamente em seu ato de fugir e meio que recompensar o que a irmã fez por ela. Se ela foi salva por alguém, também conseguiu salvar, ou melhor, está tentando, pois o caminho das duas ainda é tortuoso…

Antes de chegar a cidade Yanome, tem duas coisas que acho necessário destacar, sendo a primeira delas as verdades que a velha prisioneira diz sobre a tradição dos Ninanna, e a segunda a relação da March com Fushi, e não só ela, pois no geral a aceitação com o fantasioso realmente é maior na sociedade em que se passa a trama. Inclusive, fiquei um pouco surpreso por ainda esperarem algo do urso branco, um resquício de vida que fosse, afinal, notar o vazio do receptáculo foi justamente um ponto de virada para a ação de fuga da Parona, o badalar final do relógio.

 

 

Enfim, não digo que a ganância por trás da tradição dos Ninanna estava na cara, mas, honestamente, em muitos detalhes esse apego falso a tradição se mostrou, e confesso que não percebi como deveria porque imaginava que a Hayase fosse realmente alguém que acreditasse na força da tradição, em seu misticismo, mas a verdade é que ela apenas agia em prol de beneficiar seu país, tanto que mesmo em face da queda do deus (eu diria suposto, mas um urso branco normal sobreviveria cheio de flechas?) dos Ninanna ela não se preocupou em desfazer o mal-entendido.

Pelo contrário, até porque para os Yanome o mais interessante era manter os Ninanna acreditando no sucesso do ritual enquanto vão se criando em seu território, aumentando sua influência e se apossando de seus recursos. Sacrificar uma criança em prol da ganância de um país é um crime hediondo e nunca vai deixar de ser mesmo com a gente sabendo que isso acontece o tempo todo na história da humanidade. De toda forma, se antes eu tentava ver o lado da Hayase, por outro agora ela não tem mais desculpa, apesar de não duvidar que tenha suas “circunstâncias”.

Em todo caso, isso acaba sendo uma questão secundária, e um ponto que acho um pouco mais interessante de comentar é a maneira como as pessoas, sejam de Yanome ou Ninanna, se relacionam com o sobrenatural. Dessa vez, vimos a Hayase tentando entender o Fushi para quem sabe usá-lo de maneira que beneficiasse sua nação, e por tabela ela mesma. A única coisa da qual senti falta foi de ver alguém mais importante que ela se inteirando da situação e até querendo tirar proveito. Isso significa que ela está agindo de forma a se resguardar ou é outra coisa?

Se esse contato com o sobrenatural, mesmo com um ser imortal, não for realmente algo de outro mundo para eles, então faz sentido que mesmo a descoberta bombástica dela não provoque todo esse rebuliço, né? Não sei o que vai acontecer no anime de agora em diante, ou só não lembro do que li no mangá, mas até pela abertura fica claro que uma quantidade ainda maior de criaturas e situações incomuns surgirão, então elogio essa construção da trama, desde cedo caracterizando bem a maneira como as pessoas se relacionam com o sobrenatural.

 

 

Focando agora no Fushi, ele volta a sua forma humana e a March reassume sua faceta maternal que pode parecer mais brincadeira de criança a princípio, mas na verdade é uma forma bem bacana de manter e fortalecer o laço entre os dois, assim como dar vazão a evolução do Fushi que vai ocorrer perto ou longe dela. Dois exemplos disso foram ele ter aprendido a se alimentar como um Yanome (de maneira mais “civilizada”) e ter assimilado o conceito de dor, apesar dele ainda não ter a sagacidade necessária para sacar que não é normal dizer que sente dor o tempo todo.

No caso da comida, imagino que ele tenha observado e experimentado essa nova forma de se alimentar, que ele assimilou melhor por sua eficiência, mas também, é claro, pelo desconforto provocado pelo ferimento. A dor é um estímulo que ninguém pode negar e ter visto alguém em uma situação muito similar a sua reclamar de dor o levou a isso, o que pega é que ele ainda não sabe como lidar com esses estímulos, então é por isso que repetiu as coisas como uma copiadora doida, uma verdadeira matraca, mas isso não significa que esse seja seu limite, né?

Enfim, antes de acabarem sendo desacordados pela Hayase em um movimento que me fez perder as esperanças nela e estava na cara que aconteceria, até por toda sua gentileza até ali, gostaria de comentar justamente a palinha de diferenças culturais que foram mostradas entre os Yanome e os Ninanna. Não que soubéssemos em detalhes como viviam os Ninanna, mas as diferenças que foram apontadas e mostradas corroboram com o “segredo” contado pela velha, que Yanome está em “outro patamar” e por isso quer se aproveitar dos Ninanna.

Não que eles realmente sejam assim tão mais desenvolvidos, mas pela maneira como lidam com os Ninanna (enviando quatro ou cinco gatos pingados para garantir o sucesso de um ritual crucial para o projeto de expansão de poder da nação) dá para imaginar que ao menos pensem assim. Em todo caso, deixando os Yanome um pouco de lado e a sacana da Hayase, outra coisa que eu achei daora foi a carta que a March preparou para enviar aos pais em uma demonstração de presença de espírito e criatividade dignas de uma criança incrível como ela.

 

 

Aliás, a March mais uma vez esbanjou carisma, pois mesmo na prisão (e em uma situação desconfortável, para dizer o mínimo) ela assumiu a bronca que foi passada a ela e agiu bem, até com certa positividade. Por outro lado, a Parona convivia com seus receios do passado e tentava compensar ter sido salva na infância salvando a si mesma e a March, até porque não era razoável que apenas a criança se salvasse sabendo que para viver livre ela vai precisar de apoio. Não dá para contar com o Fushi como alguém responsável pela March e a Parona sabe disso.

Então, diferente do que acontece às vezes na ficção, a perspectiva dela não era de salvar outra pessoa e “pagar” com a própria vida como a irmã, mas também se salvar no processo, de certa forma até curando as cicatrizes psicológicas que ficaram com ela devido ao que sua irmã fez e a arrancou de seu convívio. Era isso ou era ela que morreria, coisa que a Parona entendeu e vivenciou intensamente ao tentar salvar a March. E por que ela só agiu com a March? Por proximidade certamente, mas imagino que antes ela não tinha tantas condições de fugir, né?

Ela não aparece treinando com arco e flecha logo quando é apresentada? Acredito que tenha se preparado para sobreviver na vida selvagem imaginando que um dia tomaria coragem e faria algo similar ao que a irmã fez. Repito, a Parona ter essa questão do passado não diminui a nobreza de seus atos, coisa que é fácil de crer na personagem até pela inocência que ela demonstra ao imaginar que bastaria levar “provas” da farsa para convencer os Ninanna e ser aceita. É sério, a gente sabe que se ela fizer isso com certeza vai dar errado, não vão acreditar nela não.

 

 

Por outro lado, eu consegui comprar a ideia de que essa vida prolongada do urso calhou para marcar o tempo certo de execução do plano de fuga, além, é claro, de ser um marco simbólico para a narrativa, afinal, com a partida do deus, ficaram as mulheres que não tiveram suas vidas levadas por ele no conchavo que o envolvia. O ciclo da violência e ganância humana foi quebrado muito pelo Fushi, é verdade, mas se nós pensarmos bem, sem a intromissão da Parona o encontro predestinado entre o protagonista e a criança provavelmente não teria ocorrido.

Sendo assim, as histórias desses personagens se cruzaram, precisando de um vazio (que a gente pode encontrar na figura do corpanzil do urso) para serem preenchidas (para saírem de lugar). Outra coisa que queria escrever é que adoro o fato da líder desse grupo ser uma mulher tão obstinada, corajosa (a cena dela escalando a muralha foi tensa a beça) e bondosa que decidiu ir contra o status quo antes mesmo de conhecer a verdade, e mal posso esperar para ver aonde essa história nos levará quando eles conseguirem superar esse momento turbulento em que estão.

Até a próxima!

 

Extras

Como a deusa Soshizaki bem diz, “jogadores de futebol fazem dinheiro com as pernas”, e eu não poderia concordar mais, afinal, essa ideia de que você pode conquistar as coisas através de seu esforço próprio é um dos baratos mais legais do esporte, e nesse caso específico, era bom consertar a burrada da professa gentil, mas sem noção, a qual elas admiram.

Apesar de ainda ter um ou outro ponto questionável, esse episódio me deixou com uma impressão melhor que o anterior, sendo assim, irei defendê-lo ferrenhamente, como, aliás, sempre tento fazer com esse anime. #meteliogol

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Por que o Theo ficou tão desconfortável com o que falou mesmo tendo a razão? Pela maneira como ele se comunicou, e se tem um sinal de caráter em uma pessoa é a preocupação que ela tem com a forma como transmite algo, com as palavras que usa, a altura de sua voz e os sentimentos que deixa transparecer através dela. Theo foi ríspido demais com a Lena, isso é verdade, mas o desabafo não foi maldoso e sim sincero, diria até que necessário, afinal, sem choque de realidade como mudar, como sair da acomodação em que ela se encontrava, não é mesmo?

E pelo que vimos nesse episódio a Lena buscou sair de sua acomodação hipócrita, mas não sem antes refletir sobre suas ações e ideias, a dissonância que havia entre elas, na verdade. Ela precisava ouvir opiniões de pessoas próximas também, para compreender melhor o peso das palavras do Theo e se incomodar o suficiente para tomar uma atitude, que a longo prazo pode só chafurdar na hipocrisia, mas também pode expandir os horizontes da garota e aproximá-la de seus ideais infantis. Veremos onde a Lena vai chegar, é hora de Eighty-Six no Anime21!

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Como MHA enrola para encaixar arcos em cours, né? Já é o sexto episódio e tenho a impressão de que quatro ou cinco seriam mais que o suficiente para chegar ao mesmo ponto da história, sem qualquer dano. A questão é, querem enrolar para fechar esse arco no meio da temporada, adaptando no ritmo que é mais interessante para o macro, mas inevitavelmente desprivilegia o micro, pois os episódios perdem força com isso, como esse daqui perdeu.

Ainda assim, é inegável que as ideias como um todo não foram tão consistentes quanto as do primeiro embate e isso não mudaria com uma outra dinâmica, é questão de escrita mesmo, e apesar de ter curtido a ideia de que a Yayorozu vê dois, três passos a frente, ao mesmo tempo achei meio zoado elogiá-la tanto quando ela precisava vencer no presente. Pelo menos há alguma perspectiva de melhora e o mesmo vale para o anime. Vamos nessa?

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A Beako é uma fofa, né? E eu sou horrível por ter demorado mais de um mês para acabar a cobertura de Re: Zero, eu sei. De toda forma, o importante é que o anime acabou bem, concluindo um arco narrativo essencial para alçar voos maiores, afinal, ficou claro como o Subaru tem uma verdadeira equipe do seu lado agora, ou melhor, a favor da Emilia se tornar a chefe de Lugunica. Sem mais delongas, vamos nos despedir!

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Gostaria de dizer um “Obrigado” a todos os responsáveis por este belo anime que é To Your Eternity após ter assistido mais um excelente episódio. Dessa vez, vimos a pequena evolução do protagonista prometida na prévia do episódio anterior, mas não só isso, um problema foi resolvido e deu origem a outro, assim encaminhando a continuidade da aventura de nosso herói, sempre em busca de algum estímulo. Obrigado a você que está aqui!

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“Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser uma jogadora de futebol?”

 

Imagina uma versão para o futebol feminino de “É Uma Partida de Futebol” do Skank? Seria bacana, não? Foi meio que parafraseando a canção que pensei no título deste artigo e se por um lado fiquei frustrado com a anulação do gol antológico da Onda, por outro acabei gostando do “meio-termo” que ela proporcionou. Sem mais delongas, quão emocionante é um anime sobre futebol?

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