Olá novamente, pessoal. Tudo Bem?

Como vocês podem ver, hoje eu vou dissertar um pouco sobre um anime erroneamente hypado e até um tanto ovacionado como sendo um clássico cyberpunk: Ergo Proxy.

Esse é um anime antigo que eu há muito tempo tinha interesse em assistir pelo fato de ser bastante elogiado e, principalmente, por ser cyberpunk, que é uma das minhas temáticas favoritas. Outra coisa que me chamava bastante a atenção era a obscuridade que a obra parecia ter, mas que, ao assistí-la, isso se mostrou como um ponto extremamente negativo.

Ergo Proxy apresenta o que todo cyberpunk possui: uma distopia ética, moral, política, social, tecnológica etc. Não há nada de novo nisso. O importante mesmo nessa temática é o que apresentar para o seu espectador e como desenvolver uma história coerente, lógica e cativante. Ergo Proxy seguiu esse esquema até o episódio 13. Dali em diante, o anime escambou de vez para uma obra extremamente experimental, o que contribuiu para gerar muitos defeitos na obra como um todo. Claro, na minha visão.

O anime começa com um primeiro episódio bom. Nada de mais ou muito surpreendente. Bem, pelo menos pra mim que sou bastante acostumado com a temática, logo fica naturalmente mais difícil me pegar de surpresa, por assim dizer. Daí em diante, o enredo vai sendo desenhado e bem construído, mostrando pontos que estimulam certas reflexões. O anime estava sendo desenvolvido de maneira consistente e estava muito bom. Contudo, lastimavelmente e repentinamente, decidiram transformar o anime em um laboratório de experimentos “enredísticos”, “roteirísticos”, filosóficos etc. Com isso, o anime mostrou uma pegada quase que completamente diferente da sua primeira “metade”. Por exemplo, as coisas ficaram mais confusas de se entender, pois a linearidade que o enredo possuía foi miseravelmente quebrada a partir do episódio 14. E a partir do episódio 18 mais ou menos, volta-se a mostrar um pouco de linearidade e sequência lógica de acontecimentos. Essa segunda “metade” de Ergo Proxy foi uma confusão generalizada. As coisas ficaram difíceis de absorver não exatamente porque eram coisas extremamente bem elaboradas, mas sim porque foi muito mal feito estruturalmente. Isoladamente, há sim coisas interessantes nessa segunda “metade”, mas no conjunto da obra não funciona, fica um enredo muito problemático. Fora que a atmosfera do anime mudou bastante nesses episódios; ficou mais chato de assistir; cheguei em muitos momentos a ficar com sonolência, pois quase nada ali me importava mais; eu só queria terminar o mais rápido possível…

O roteiro do anime foi outro ponto que caiu de qualidade de um jeito que eu nunca esperaria. Na primeira parte foi muito bom. Teve defeito, mas relevável. Agora, na segunda parte foi uma tentativa megalomaníaca de tornar a obra em um “berço filosófico” que certas coisas nem faziam sentido. No anime como um todo pôde-se ver momentos em que algumas falas dos personagens não só não faziam sentido como não deveriam existir, pois sentido de uma palavra chegava a ir contra o sentido da outra; e isso em uma única frase. Em Ergo Proxy, você precisa bastante de suspensão de descrença ou abstração, mas tem coisa que nem com isso dá pra resolver o significado do que foi dito.

Eu sinceramente nem tenho muito o que falar dos personagens. Nenhum personagem, exceto a Pino, que é uma androide, conseguiu me cativar muito. A opção pela experimentação quebrou a linearidade de desenvolvimento que os personagens necessitavam. Dessa forma, como ter uma boa experiência com uma obra que não trabalha bem os seus personagens? Não dá. Pior ainda quando param de desenvolvê-los de maneira lógica, coerente e consistente.

Um bom ponto positivo de Ergo é certamente a trilha sonora. A abertura é muito bacana, é um rock com uma sonoridade e significado que ilustra bem o anime. E a decisão de colocarem uma música de encerramento feita por uma banda alternativa ocidental como Radiohead foi perfeita. Ambas as músicas deram um ar sombrio e até um pouco inquietante que foi muito bom.

Lembra que lá no início da resenha eu falei sobre a obscuridade ter se mostrado um defeito no anime? Mais especificamente na animação. Minha nossa… acredite, o anime é predominantemente escuro. Muito escuro. Exageradamente escuro… Por que raios fazer uma animação com tanta utilização de preto e cinza??? Será que é aquele famoso motivo “orçamentário”??? Honestamente, os episódios são tão escuros que literalmente você não pode assistí-los com algum reflexo maior na sua tela. É quase impossível ver os detalhes das cenas muitas vezes. E na maior parte do anime há uma visível carência de finalização nos detalhamentos da animação.

Para terminar, o anime encerrou bem? Na minha opinião, nem de longe. Procurou-se responder a reflexões mostradas desde o início do anime, mas ficou tudo muito difícil de engolir, uma vez que fez-se uma bagunça terrível no enredo e no roteiro. Eu realmente gostaria de recomendar a primeira “metade” do anime, pois foi muito boa, mas do que adiantaria, se a segunda parte da obra destrói a sua experiência? Acreditem em mim, Ergo Proxy não vale a pena, se você for crítico. A complexidade de Ergo Proxy é uma falsa qualidade.

Bom, por aqui eu encerro. Espero não ter esquecido de expressar nada que eu queria falar.  E caso queira comentar algo sobre o anime ou sobre a minha resenha, vá em frente.

Grato por ter lido até aqui. Até a próxima!

  1. Então vamos em frente!!! Hehehehe…
    De Ergo Proxy o que tenho a dizer:
    Foi um anime legal, na verdade o cara que o criou tentou misturar a estetica dos quadrinhos de Neil Gaiman (aquele de Sandman que eu particularmente não gosto muito a ponto de ser fã) com o Matrix e mais algumas referências excelentes (como Alan Moore em Watchmen) em Sci-Fi e descobre-se que não é misturando coisas boas que deram certo em outras obras que vai ser uma obra a qual vc, com autor, nunca será esquecido. Um “magnus opus” desse só será lembrado como um panaché de legumes sem sal.

    Mas é assistivel (os primeiros capitulos são magistrais, mas são magistrais em manipular sua necessidade de ver o enredo resolvido) digo não é memorável como outros animes que foram rompedores de barreira (como Welcome to NHK ou Psycho Pass), mas tambem não o colocaria classificado como um “time waster” ele tem seus méritos….Como por exemplo, a qualidade da animação nunca cai de qualidade e a abertura inesquecível (para quem quer saber é só digitar Monoral no Youtube) sinceramente (e eu estou ouvindo essa abertura agora) é a MELHOR MÚSICA DE ABERTURA DA HISTÓRIA DO ANIME!!!!!!!!!!! EM TODOS OS TEMPOS!!! Não via uma musica tão boa (aquela que vc se obriga a buscar o MP3 para botar no seu Motorola veio) desde Serial Experiments Lain (aquele anime que dizem que “inspirou” os irmão Warchowski a fazer algo chamado “The Matrix” e que não tem – se tem me desculpe não localizei – resenha aqui).

    Pq eu digo isso? Pq vc não precisaria de uma abertura de anime para achar ela boa…Ela é boa por si só..A qualidade dos musicos fala por si só…Experimente…E eu duvido que alguém virá aqui dizer “James vc tá exagerando!!” Duvido-de-o-dó! (o mesmo vale para Serial Experiments Lain).
    No resto eu acho foi um grande anime, não foi um “Akira” não foi um dos Studios Ghibli não foi um Satoshi Kon, mas é aspiracional a um grande destino. Talvez não o teve destino que merecia devido ao acima descrito, mas quem procura um anime Sci-Fi de qualidade deve assisti-lo, depois faça as elucubrações que quiser.
    Vale a pena a experiência…Só aviso que vai ter um “filler” num episódio qualquer…Mas não me obrigo a dizer qual…Afinal, até em andar em montanha russa vai ter aquela “reta” que vc acha que tudo acabou, mas não…Não acabou…Ainda…
    Tem de ir até o final!

    • Alyson Silva

      A primeira parte é muito boa? É sim. Só que a primeira “metade” do anime representa apenas a introdução e uma parte do desenvolvimento e a segunda “metade” do anime não dá o devido desenvolvimento, clímax e finalização que a primeira “metade” demandava, por causa dos vários problemas que eu falei no texto. Por isso eu não consigo ver Ergo Proxy valendo a pena ser assistido, já que o espectador verá algo provavelmente muito insatisfatório, se for alguém crítico.

      Sobre as músicas de abertura e encerramento, eu só a dizer que são excelentes, tanto dentro do anime como cada uma isoladamente.

      Desculpa a demora pra responder, James. O texto deveria ter sido publicado na sexta, mas saiu no domingo e eu só percebi ontem de noite que tinha saído no domingo kkkk

      • Nisso eu concordo plenamente…Mas a história do entretenimento está cheia dessas histórias…Quem viu “Duna” (o filme com o Sting de 1985 o livro pelo que me falavam era muito bom) foi a mesma sensação esperado como um “Star Wars” se deparou com “Flash Gordon” (de 1980) um pouquinho melhorado, mas uma lástima. Mas eu acho que ainda vale a pena a experiência pq dá mais gancho para nós analisarmos quando o cara “escapa” no roteiro ou não. Que o Dai Sato é um campeão na industria não há duvida, mas até Spielberg coleciona seus fracassos (Hook, p.ex., meu Deus o que foi aquilo?).

      • E não precisa se desculpar em nada, sabemos que vcs resenhistas fazem tudo isso aqui por prazer e tem uma vida civil complicada (quem não tem…) para cuidar. Sem problemas, bruv…

    • Alyson Silva

      Se você quis dizer no sentido de o Foo Fighter passar a música mais para o estilo próprio deles, não sei se ficaria legal no sentido de combinar com o anime. A música parece até que nasceu para compor o anime por se encaixar conceitualmente tão bem. Mas seria no mínimo interessante poder ver o Foo Fighter colocando as mãos nessa música e mostrando a pegada deles.

  2. E sim “Ergo Proxy” está no meu “Hall da Fama” pelo que eu falei…Só espero não levar chicotada de “pemba de boi” aqui…KKKKKK

  3. Só para constar Ergo Proxy foi de um carinha qualquer chamado Dai Sato só criou umas coisinhas chamadas “Cowboy Bebop” (meu amigo se vc for contra a isso vc é contra a industria do anime como um todo) “Ghost in the Shell” e “Samurai Champloo” só…Mas nem sempre gênios da industria tem seus dias bons…

      • Pra vc ver que quando o cara trabalha sozinho as coisas desandam um pouco…Em Eureka Seven ficou um gosto de remix de Neon Genesis Evangelion (tambem nada que desemereça a obra que tambem é legal e que ficou mas bem resolvida de que Ergo).

  4. Ergo Proxy é um dos meus Animes favoritos, mas não é um anime para qualquer um. A arte e trilha sonora do Anime são impecáveis. A grande graça do Anime é você desvendar o roteiro, o que ele dá algumas dicas, mas não explica. Quanto ao que você diz das falas dos personagens. Filosofia é contraditória amigo… E as legendas de algumas versões são horríveis, então isso dificulta a experiência já que o Anime tem falas complexas. Lendo pausadamente, dá para sacar que tá mal traduzido (versão de internet) a na real os personagens estão dizendo outra coisa. Acho que ele poderia ter menos episódios, e a forma como algumas informações chave para entender a trama são reveladas, deixa os menos atentos babando (tipo o cara que escreveu a crítica aqui, Kkkkkkkkk). É um Anime difícil, é. Mas é ótimo. O roteiro é muito bom! É uma obra ousada, porque pode trazer a tona esse tipo de crítica, que na minha opinião é superficial, é um trabalho diferente no sentido de que faz o expectador pensar e não explica o que está acontecendo, ou melhor… O que aconteceu antes mesmo do Anime começar. Como você pode criticar algo que não entendeu? Isso é dar sua opinião, e não fazer uma crítica. Aposto que é eleitor do Bolsonaro com esse intelecto Kkkkkkkk.

    SPOILER ALERT!

    A maior parte das pessoas não entende Ergo Proxy. O roteiro é ótimo, só que ele não procura se explicar em momento nenhum. A humanidade saiu do planeta Terra. Todos que vivem no Domo são robôs inteligentes que acham que são humanos, e tem até escravos robôs. A Detetive, filha do governador, é um projeto de desenvolvimento de vida real, é uma tentativa de criar vida orgânica. Os proxys são mistos entre humano e máquina, e mais forte que os dois, são os tutores desse mundo, enquanto os humanos estão no espaço esperando a Terra recuperar seus recursos. Só que os proxy se revoltam contra seus criadores humanos, percebem o próprio poder, e elegem a si mesmos como Deuses. Nada do que eu disse aqui é explicado no Anime, você tem que sacar por você mesmo. O anime termina com os humanos voltando para o Planeta, e o Ergo Proxy aceitando seu fardo de destruidor, ou seja, se revoltou contra os humanos. É um anime absolutamente genial. Achei a crítica muito ruim. Pesquisa mais antes de sair falando abobrinha.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Crítica é opinião. Uma opinião fundamentada, mas uma opinião. Senão poderiam os próprios produtores de qualquer material artístico publicar a “crítica oficial” logo depois de lançar a obra, não é? Não, não é. É opinião, é subjetivo, é diferente para cada um. Essa é a graça.

      “Se fala mal do que eu gosto, não entendeu, deve ser burro mesmo” é um péssimo argumento.

      Eu gostei do anime, ao contrário do redator, e concordo que o suspense é interessante. Mas e daí? Isso é suficiente?

      “Filosofia é contraditória”, o que isso deveria querer dizer?

      Problema de tradução vários animes sofrem, inclusive alguns com traduções oficiais. De todo modo, isso não vem ao caso.

      Enfim, obrigado pela visita, mas por favor evite atacar o redator ou qualquer outra pessoa. Se discorda dos argumentos apresentados, responda com contra-argumentos.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Olá Smith!

      Mas é claro que filosofia permite contradições. Só depende de qual filosofia você está falando.

      Se estiver falando da filosofia aristotélica, da qual deriva a lógica aristotélica, que tem como um de seus pilares a lei da não contradição, então sim, contradições não são permitidas.

      Se estiver falando de qualquer outra lógica aí a gente vê =)

      E esclareço, para eu mesmo não correr o risco de soar “contraditório” (vide minha resposta ao FreeLand acima), que uma filosofia permitir contradições não implica que a própria filosofia seja contraditória.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

  5. Muito legal as considerações de vocês sobre o anime, e eu não queria me meter na conversa mas não resisti, desculpa, queria acrescentar apenas uma observação: Ergo Proxi está na lista dos 100 melhores animes para os brasileiros, na frente de Monster e Basilisk, por exemplo. Achei um despautério. e quanto a opening, gostaria de perguntar aos amigos: Já viram as aberturas de a Lenda dos Heróis Galácticos(remake) e de Muchishi? são minhas preferidas. Aliás, A de Ergon Proxi também me agradou muito.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Apelo à popularidade de lado, deixa eu te perguntar: quantos animes você acha que o “brasileiro” médio assistiu? Quero dizer, uma lista de 100 animes é uma lista bastante grande.

      Obrigado pela visita e pelo comentário 😁

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