Não só de inverno vive a estação, segue-se a primavera e então o verão. Sim, Babylon está de volta. Foram dias, semanas, e até mesmo um mês de espera mas aqui estamos de volta.

Depois de tudo o que aconteceu no último episódio, Seizaki não poderia estar lá muito bem mentalmente. Sim, o estrago foi grande. E no decorrer desse episódio ele pareceu piorar cada vez mais, pouco a pouco.

“Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”

É obvio que ele se culpa pelo que aconteceu com a Sekuro, mas ao mesmo tempo ele se deixou convencer pela Magase. Pelo menos até certo ponto. Isso é, ele aceitou suas incertezas. E agora ele está realmente pensando sobre coisas que antes nunca pensou. Suicídio.

É comovente ver como sua família está ao seu lado, em especial sua atenciosa esposa, o que permite que até certo ponto ele possa segurar a barra. É certeza que ele surtaria se não tivesse sua família ao seu lado. Pois se em um momento ele tem uma dúvida, em outro ele pode olhar para o rosto de sua esposa e ver todas elas se dissiparem. Ao menos por um tempo…

Tudo parece estar indo de mal a pior para ele. Até que um agente do FBI vem a seu encontro, isso é bem no meio do episódio, e depois disso não vemos mais o personagem pelo resto do episódio. Ele concordou em revelar tudo que sabe, porém, exigiu uma condição. Isso mostra como o Seizaki não está derrotado, ele ainda tem alguma ideia lá dentro daquela cachola.

No resto do episódio o anime apresentou um novo personagem rapidamente e de modo eficaz. Foram somente dez minutos, varinha na mão, feitiço conjurado, e abracadabra! Eis um novo personagem na trama, como se sempre estivesse lá.

Eu gostei de como o Alexander teve sua personalidade e vida apresentada. Além que a forma pensadora dele faz com que ele tenha uma visão sobre a lei do suicídio bem diferente. Um humano dificilmente consegue ter tanta calma na hora de adiar o julgamento de algo tão importante. E nisso eu também sou culpado.

Mas, uma coisa que ele nos mostra nesse episódio, é que embora muitas coisas nós não tenhamos as respostas, nós podemos sempre continuar buscando por elas. Claro, ele mesmo levanta o fato de nós não termos sempre o tempo necessário. Isso é obvio para a maioria das dúvidas, mas na verdade mal é possível para uma ou outra. E em muitas passaremos a vida inteira sem chegar a nenhuma conclusão.

No final nós descobrimos que esse cara é nada mais nada menos que o presidente dos Estados Unidos da América! É mole? O cara é o fodão dos fodões. Brincadeiras à parte, essa história está tomando um rumo bem interessante. O ritmo desse episódio foi muito agradável para mim, e a direção continua melhor do que nunca. Mas claro, nada como o episódio passado ou alguns anteriores.

Esse é dos meus!

Agora a lei do suicídio está se espalhando mundo a fora, algo muito próximo da intenção da Magase e do Itsuki. Aliás, isso foi rápido até demais. É de desconfiar que tenha dedo deles. Porém, para o que a obra está tentando passar, é bem possível que esse não seja o caso.

O suicídio não é algo simples, é algo muito complexo. Mas o suicídio é a morte de alguém, e isso não pode ser algo bom. Mas as pessoas não são livres para fazer isso se quiserem? Vêm aí novamente aquela discussão sobre a lei e a justiça.

A lei é somente uma ferramenta para se conseguir certa estabilidade social e a perpetuação da justiça até certo ponto. Mas não é algo justo em si mesma. E tudo bem, a lei é algo de extrema importância. O problema é quando pessoas mentalmente doentes tomam o controle dessa ferramenta e começam a usá-la para seus joguinhos doentios e ideologias corrompidas.

Ter um julgamento precipitado é tentador e quase inevitável. Mas o tempo continua correndo sempre, sem parar, e se você não tiver sua opinião então eles terão por você. E se você não sabe o que quer, saiba que eles sabem exatamente o que querem para você.

Este é o problema dá intervenção política na minha opinião. Há muitas coisas que um Estado pode fazer, e isso muito além de ideologias e correntes políticas. Há literalmente pessoas morrendo todos os dias por motivos objetivos e que podem sim ser evitados. Mas quando um cara em um terno começa a falar sobre o direito à morte daí sim nós temos uma pedra bem pontiaguda em nossos sapatos.

Enfim, Babylon nos traz discussões atrás de discussões como poucas obras fazem. Sinceramente, não vi nenhuma fazer algo do tipo. Esse foi um bom episódio, espero que Babylon possa ter uma reta final digna desses episódios mostrados até aqui.

 

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    Yeehaaa!!! E aí peopleeesss Feliz Ano Novo para todos!!! James, o chatinho com Babylon, dinooovooo na área!!!
    Primeiro, também pensei o Seizaki ficou loco, com os passarinhos fora da caixa…Mas também pelo que ele passou…E eu aqui não falo mais nada com medo de spoiler…
    E se confirmam coisas nesse episódio….Vamos a elas…
    Politicamente, socialmente, antropologicamente e outros “mentes” que se possam encontrar uma lei como essa é assustador para o “establishment” político dentro de uma democracia de modelo “ocidental”. A democracia como a conhecemos desde o séc. 18 em diante é um pacto entre o individuo e aqueles que o governam. E nesse pacto está delimitado até onde o individuo tem o seu poder de decisão e onde começa o poder de algo conhecido como seu “governo”. Bem, o pacto de proteger a vida de um individuo está lá desde os tempos priscos. Pq a questão simples: a moeda de troca (e aqui concordamos, o seu bem mais precioso) de um individuo é a sua VIDA na terra! E o bem mais precioso de um governo qual seria? A sua PERMANÊNCIA pelo mais longo periodo na terra! Então o individuo e governos trocam seus bens mais preciosos. Do tipo: Eu como individuo solicito aos poderes de um governo que proteja a minha vida e eu como individuo digo através de uma coisa chamada voto digo se um governo deve permanecer durante um periodo pré fixado.

    E eu acho que é por isso que o Secretário de Estado (já falarei dele) dos EUA ficou, digamos, “incomodado” com a facilidade e velocidade que a tal “lei” estava tendo aceitação… Pq pelo que vimos neste ep. Shiniki (que agora mundo percebeu foi grandississima cagada por ser levada adiante…) com a “lei” criou um escritório de assistência ao suícidio. Parecia que (e isso foi bem de leve) se vc decidisse ir ao céu dos passarinhos por sua vontade haveria um guichê na prefeitura para cuidar das suas coisas aqui na terra (tipo: herança, direitos difusos, criminal, tributária, etc…etc…) o drive-thru da “muerte”…

    Só que…Como dito no mundo que vivemos é um “pacto”…Pq…
    Ora, a sua nacionalidade é reconhecida por quem? Por um serviço de governo, o seu registro como individuo começa com um documento emitido por um…A sua identificação como cidadão tem de ser reconhecida por algo chamado “governo” a sua liberdade de ir e vir desde documentado também, quando vc vai ao exterior a sua CIDADANIA é reconhecida por algo e é protegida por um serviço do seu (e qualquer outro) “governo”…O seu óbito é registrado também por um.

    O esforço perpetuo de erradicação da criminalidade, atraves de um sistema de punições penais, mais conhecido como “polícia e tribunais”…São os “governos” que são os monopolistas de uma coisinha chamada “violência de estado”.

    A sua propriedade…Tem de ser reconhecida por terceira parte e quem é? Algo chamado “governo” pois não adianta vc dizer que é dono de tal coisa (tão vendo que o individuo não tem esse poder…)…Fora…

    Os seus DIREITOS a saúde e educação, aquele pacote basiquinho que todo mundo mais ou menos tem nesse mundão de Nosso Senhor…
    Eu ruminei, ruminei…E sim agora vem a “punch line”…Que é…

    …Se vc como individuo decidir acabar com o seu bem mais precioso, a sua “moeda de troca” mais valiosa que é a sua vida. Oras, pq eu como “governo” tenho de garantir tudo isso acima que citei?

    Se vc como individuo decidiu acabar sua existencia nesta terra dos vivos (e acreditem é o melhor lugar para se comer um filé mignon com batatinhas fritas) pq tenho de custear: a sua existência legal, reconhecer sua propriedade, a proteção contra a criminalidade, o reconhecimento de sua cidadania no exterior, fiscalizar seus impostos, garantir que sua herança irá a pessoa que vc quer deixar (aviso: testamento de suicidas pela lei são objeto de contestação legal em qualquer parte do mundo) e por aí vai…Pq por uma lógica (bem da rasa) se vc como individuo abre mão da sua vida vc abriu mão da sua cidadania e abrindo mão da sua cidadania eu como “governo” não me sinto mais obrigado a lhe fornecer os serviços provindos da mesma. Punto!

    E voltamos ao Secretario de Estado no anime, o cara deve ter percebido o furdunço que citei acima e estava bem preocupado com a situação quando a “tendência de moda” saiu do Japão e chegou ao Canadá e França.

    E vamos as bordoadas juridicas factuais nesse episodio que não faltaram e essa chamou a atenção:
    K7! Agentes do FBI em serviço no exterior não fazem diligências!! Eles são chamados de Legal Attachés (Legats) e NÃO BATEM NA SUA PORTA PARA CONVERSAR! Seja quaisquer cidadão ou procurador do Imperador. A pessoa é convidada a depor em uma instalação diplomatica do pais emissor do Attaché, por motivos obvios de segurança do Agente (vai que o Seizaki surta e enfia uma faca Ginso no bucho do agente…) Não existe isso!!

    Mas que a aparição do Honourable Elected Mr, Presidente Alex W. Wood (o nerd thinker) foi até interessante e mais interessante vai ser o que ele vai decidir quanto ao caso (só não gostei da Biblia para auxilia-lo na decisão, nestes momentos acho mais apropriado os escritos de Santo Agostinho ou Espinoza) e vamos ao ep 09!

    E esse é James Mays direto de um bunker em algum lugar entre Capão Redondo e Serra da Cantareira se preparando para o armagedon que outro (desta vez real) Honourable Elected está a aprontar…Desligando…

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      Grande análise, James. Não tenho nada a acrescentar. Mas é maravilhoso ver como esse anime tem conteúdo, muito conteúdo. Ele tem tanto uma parte política, sociológica,filosófica, legislativa, psicológica em certos pontos, e até tentou dar uma pitadinha teológica nesse episódio. Enfim, Babylon é a minha grande surpresa do ano passado.

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    Grande Vitor K17! Grato pelas elogiosas palavras!!
    Com Babylon eu sigo no meu pacto, desta vez, fiz um “pacto ficcional” com a obra. Poderia ser melhor, com certeza, mas como thrillers em anime são meio raros (de ficar agarrado na trama só me lembro quando vi os 75 eps de Monster) vou seguir até o fim…Abçus!!

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