Deca-Dence é um anime original do estúdio Nut (o mesmo de Youjo Senki), e na história acompanhamos a simpática Natsume, uma Tanker, alguém que trabalha dando apoio aos Gears, guerreiros que lutam na superfície contra os Gadolls, monstros que dizimaram quase toda a humanidade.

Os últimos sobreviventes desse mundo habitam uma fortaleza móvel chamada Deca-Dence, a única esperança da humanidade. Natsume sonha em se tornar uma Gear para acabar com a guerra, mas em seu caminho terá que lidar com muitas surpresas e adversidades.

A sinopse não é daora? O anime é mais e agora vamos falar sobre ele!

O trecho inicial quase que puxado para o drama pode ter parecido estranho em comparação ao tom mais cômico do anime, mas achei uma melhor introdução do que seria aquele pedacinho de aula explicando o mundo, um recurso cômodo, mas menos pior já que não houve mais nada tão didático assim na estreia.

A protagonista, Natsume, é órfã, perdeu o pai ainda na infância, morto por Gadolls, e também o braço, mas não fica claro se essa deficiência é um fator preponderante para sua não alocação como Gear. É fato que ela quer alçar voos maiores. Pelo que entendi o pai era um Gear, então quer ser como ele?

Natsume é esforçada, sonhadora e corajosa, além de não se vitimizar pela tragédia própria, não deve ser um caso raro nesse mundo pós-apocalíptico. Ela quer porque quer lutar, mas é relegada a um trabalho bem secundário e é legal a forma como mesmo assim acaba lançada no campo de batalha. Trabalhar na limpeza externa da fortaleza foi uma boa sacada.

Realmente não consigo lembrar de nada a reclamar da heroína de Deca-Dence. Inclusive, elogio a construção mais realista da heroína em comparação a protagonistas vingativos de anime.

Natsume não deixa o ódio subir a cabeça, sabe qual Gadoll é uma ameaça e qual não é, o que significa que a trama não deve se prender a vingança, até porque a forma como os humanos se relacionam com os Gadolls dá a entender uma compreensão bem clara do papel natural de ambos.

Gadolls são predadores e humanos suas presas, o que não impede os humanos de usarem a energia natural dos monstros como combustível e nem de comer suas carnes. Humanos fazem isso com outros animais há muitos séculos, a diferença reside na ameaça que essas criaturas representam.

Existem espécimes colossais, como mostrado no fim do episódio, e no geral pouco foi aprofundado sobre as criaturas, mas algo é certo, são uma ameaça real a sobrevivência dos poucos humanos que restaram.

Não à toa a fortaleza precisa mudar do modo “casa” para o modo “arma” a fim de lidar com um grandão. Imagina se dois ou três atacam em simultâneo, qual seria o protocolo de ação em um caso desses? Isso se houver algum…

Tem muita coisa interessante a ser explorada no anime e talvez o mais bacana seja como duas das mais importantes, a construção dos personagens e a construção de mundo, se conectam com harmonia.

Quem me fez enxergar isso com ainda mais clareza foi Kaburagi, o misterioso chefe da Natsume, que ao contrário da garota assume uma face bem mais desiludida sobre a vida, que pode muito bem ser uma fachada. Se não fosse, por que ele criaria um Gadoll escondido e seria um lutador tão habilidoso mesmo achando perda de tempo querer vencer a guerra?

Além disso, ele é um agente de correção de “bugs” do chefão de Deca-Dence. O que isso significa eu não tenho uma ideia clara, mas aposto que ele age com boa intenção, ainda que esteja sendo enganado. A correção de bugs pode ser algo benéfico para a humanidade, ou o que restou dela, mas aposto em uma motivação menos nobre, talvez mais complexa.

A única (quase) certeza que tenho é da relação desse mistério com a guerra. O anime fez um ótimo trabalho em conciliar frentes e acredito que mesmo a cena final, da qual não entendi bulhufas, tenha um significado e seja de alguma forma importante. Aliás, é muito provável que ele tenha tentado desestimular a garota por conhecer bem os podres desse mundo.

Não aposto em um romance entre os dois, até porque ele parece bem mais velho que ela, mas sim na formação de uma amizade edificante em que um vai aprender e mudar com o outro. Ele deve lutar, ela vai ajudar, só nos resta saber como exatamente vai se dar isso.

Ademais, achei o ataque ao Gadoll colossal muito do legal, deu um belo vislumbre do que realmente é a fortaleza, de como os Gears lutam e “abastecem”. Lutar naquele campo gravitacional e com aquela desenvoltura me agradou bastante, porque faz jus à criatividade do anime e favorece as cenas de ação, fluídas e consistentes ainda que cheias de CG.

Inclusive, proponho uma reflexão, o CG já está tão encalacrado com a produção da mídia anime que me dei conta, finalmente, que a questão nem é mais ter ou não CG e sim se o CG é bom ou não.

O de Deca-Dence não me incomodou, penso que poderia ter ficado mais orgânico. Mas gourmet de CG não sou, se não ficar toscão, parecendo uma colagem, okay. A animação e a trilha sonora me agradaram também, assim como o design dos cenários e da fortaleza.

Eu me diverti bastante com o roteiro e a direção de qualidade, capazes de tanto apresentar personagens interessantes, quanto um conflito que pode parecer simplório à primeira vista (luta de seres inteligentes contra seres irracionais, só que mais fortes e em maior número), mas tem como ser mais complexo, ao menos se explorar diferentes interesses entre os humanos.

Deca-Dence teve uma estreia sólida, instigante e divertida que me empolgou, ainda que mantenha um pé atrás por já ter visto essa história algumas vezes: o anime começa bem e depois se perde, espero que não seja o público a sair derrotado dessa vez.

Até a próxima!

  1. Avatar

    Depois de ler tantas comparações entre Deca Dence e Shingeki no Kyojin, nem sabe como é um colírio para os olhos ler as suas primeiras impressões do anime.

    Logo de cara já gosto bastante com a Natsume, ela não se deixa guiar pela sede de vingança como um certo alguém chamado Eren. Pode ser impressão minha, mas a Natsume não só é aceite na força dos gears porque tem a falta de um braço (pelo que mostrou a prótese que ela usa também não é das melhores). A força de vontade e perseverança da Natsume fazem com que eu torça pela personagem. Achei bem maduro o facto dela saber discernir quais os Gadoll perigosos para aqueles que são inofensivos.
    Prevejo que o Kaburagi vai ser um personagem interessante, além de lutar melhor que muitos gear ele parece ser um assassino/colector de dados.

    Para terminar, a animação está bem feita, a sequência da luta contra o Gadoll gigante ficou muito melhor do que eu poderia imaginar.

    Excelente artigo de primeiras impressões Kakeru17.

  2. Kakeru17

    Como foi uma estreia (e de um estúdio ainda pouco testado) ainda fico com um pézinho atrás sobre a animação, pode piorar a qualquer hora, mas foi realmente bonitão de ver, e melhor, a história não ficou atrás, seja na forma de contar ou no que foi contado.
    A Natsume foi feita para torcermos por ela, não tem jeito, e é ainda mais legal que ela tenha essa figura amiga/quase que paterna para contracenar com ela, aprender com ela e também ensiná-la coisas. A interação dela com o Kaburagi avançou ao longo do episódio junto do desenvolvimento dos próprios personagens e mal posso esperar para vê-los serem ainda mais desenvolvidos, destrinchados.
    O mundo nem achei interessante pelos monstros, mas pela forma como se lida com eles e os mistérios da sociedade que habita a fortaleza móvel. Acho instigante como a história tem todos os elementos para crescer de baixo para cima, começar com uma heroína frágil, mas ao mesmo tempo muito forte, e desembocar em uma mudança de mundo significativa. É claro que isso tudo é só expectativa, mas não é para isso que estreias servem de toda forma? Ao menos se, claro, o anime der indícios de que pode mesmo torná-la possível. Deu. Vamos ver onde vai parar. E comparando a Shingeki Deca-Dence se saiu muito bem, mesmo.
    Ademais, foi talvez a melhor estreia da temporada até aqui, tanto pela qualidade, quanto pelo fator surpresa, e mal posso esperar pelos próximos episódios. Agradeço o comentário Kondou e nem preciso pedir para que fique ligado no blog, sei que vai ficar haha… Vlw!

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