Finalmente uma das últimas estreias faz a sua aparição e o seu enredo de mistérios e casos difíceis, oferecem a Fugou Keiji: Balance: Unlimited uma concorrência interessante, mas saudável – pela diferença em boa parte dos seus elementos. Se gosta de mistério, principalmente aqueles com um toque histórico e levemente realístico, eis aqui uma opção para você Sherlock.

A história de Takuboku Ishikawa e Kindaichi Kyousuke se passa no período correspondente a Era Meiji, onde a ocidentalização moderna tinha se instaurado e espalhado com força pelo território japonês. O primeiro protagonista é um poeta que agora abre um negócio para solucionar crimes, como um meio de ajudar sua família, carregando seu amigo consigo.

O anime já começa de uma forma que pessoalmente eu considero desanimadora, nos jogando em um presente onde Ishikawa havia morrido e seu amigo apenas seguia a vida se lembrando dele.

Curiosamente para quem notou a abertura, ali ainda tem uma outra pista disso, caso os primeiros minutos não fizessem o favor de denunciar o fato. Partindo desse momento voltamos mais de 10 anos no passado para conhecer quem foi essa pessoa tão importante para o Kyousuke – e para os mistérios.

O poeta é alguém cheio de vida, mulherengo e dono de uma personalidade única, como descrito por seu amigo. O achei muito simpático e a sua natureza energética amplia isso, de modo que se ele estivesse sozinho aqui, seria perfeitamente capaz de carregar a história nas costas sem problemas.

Kyousuke já é mais simples, mas não segue o tipo tapado, ele é apenas comum. Nisso a junção entre os dois ganha uma química interessante porque mesmo sendo diferentes, eles tem uma amizade bem estabelecida. A dupla não tem uma rivalidade entre si, não são opostos que se forçam a trabalhar juntos, ou qualquer coisa do gênero, eles são bons amigos que andam juntos e é isso.

No caso que foi trabalhado nesse episódio, Ishikawa tem oportunidade de se colocar a prova e mostrar a extensão de sua habilidade para ler as situações. De começo tudo pareceu muito fácil, mas aquele discurso sobre entender os desejos da carne e ir a fundo no ser humano, me fez dar crédito as hipóteses que ele lançava.

O anime meio que já busca apontar que o rapaz não é um gênio absurdo e que resolve tudo num piscar de olhos, mas ele se utiliza das suas armas e talentos, para fazer mais do que o óbvio com as provas do crime – diferente do investigador tosco. Por sinal gostei da encenação que ele promoveu para provar suas teorias, porque não só dá mais credibilidade a elas, mas também torna seus métodos mais divertidos de ver.

No mais a introdução se foca bastante em dar intensidade a amizade dos dois protagonistas, acredito que na intenção de dar profundidade a eles, já que é na intimidade que eles se revelam e mais uma vez, justificar a importância de um para o outro.

A cena em que o Kyousuke doa um pouco do dinheiro que tinha me deixou realmente comovido, principalmente quando o Ishikawa chorou e agradeceu o amigo. Isso me fez lembrar que ele morreria em breve e me deixou mais triste ainda para acompanhar as aventuras da dupla.

Para além de toda a condução serena e ao mesmo tempo movimentada do enredo, a obra conta com uma parte técnica bem afiada no quesito som e visual. Os personagens e cenários são bonitos e detalhados, sendo ressaltados pela coloração, que entende bem a atmosfera de cada cena e se molda, sendo mais sombria quando precisava e solar nos demais momentos.

Em sua maior parte a estreia é silenciosa e valoriza os diálogos, mas a trilha sonora permanece ali, sendo bem feita e precisa, contando com solos de vários instrumentos que ornam bem com o tema de época proposto. As músicas de abertura e encerramento merecem igual destaque e casaram bem com a dinâmica da animação.

Me julguem se quiser, mas penso que no meio de tanta coisa boa, a única coisa no anime que de fato me incomoda é a informação desnecessária do começo. Como disse antes, ela me tira o desejo de ver o desenrolar das coisas, me informando sempre que pode sobre a morte do protagonista que não me interessava saber e a alta probabilidade do anime vai abarcar esse momento. Só espero estar errado, porque gostei muito de ambos para presenciar essa hora indesejada já basta saber do ocorrido.

Antes que me esqueça, deixo uma curiosidade que descobri fuçando um pouco por aí, referente as datas utilizadas pelo anime. Para quem não sabe, a história da série se passa mais ou menos em 1909, já o Ishikawa real morreu no 13 de abril de 1912 (3 anos depois) e o anime começa quando? 13 de abril de 2020 – coincidência ou caso pensado? Fica a dúvida.

Resumindo tudo o que coloquei acima, acredito que essa foi uma boa estreia e o seu conjunto tem potencial para fazer bonito na temporada, ainda que eu veja essa peça passando despercebida por muitos olhos, porém para quem quiser tentar algo diferente, temos um candidato.

 

Agradeço a quem leu e até a próxima!

  1. Avatar

    O que dizer do primeiro episódio desse anime, gostei bastante o aspecto histórico, mas não gostei do pacing, em certos momentos ficou meio chato.

    Começando pela animação, tiro o chapéu aos responsáveis pelo desenho dos cenários e roupas, historicamente falando estão perfeitos. Tenho citar o quão bonitos eram os uniformes militares/policiais da era Meiji, e no anime até colocaram um personagem com esse mesmo uniforme e guntô (espada tipo sabre, que substituiu as katanas), esse momento foi o que mais gostei do episódio.
    Achei impressionante a parte do distrito vermelho, o detalhe com os penteados das gueixas, roupas e até a arquitectura das casas de chá. Uma curiosidade, a prostituição era proibida na Era Meiji já que era contra a moral e bons costumes ocidentais. ainda assim as casas de chá eram mais que muitas, tal como era na época do Shogunato Tokugawa.
    Por fim a última coisa que achei fascinante foi no contraste cultural, ver personagens com roupas estilo ocidental e com roupas tradicionais japonesas e claro os cigarros estilo ocidental.

    Passando às personagens, não fiquei grande fã do Ishikawa, ele me fez lembrar do Sukerou de Shouwa Genroku, só que em vez de ser Rakugoka é poeta. Já o Kindaichi ele não fede nem cheira, mas é muito fraco e permissivo. A amizade entre ele e o Ishikawa não é muito saudável, enquanto o Kindaichi continuar a pagar tudo ao Ishikawa, um poeta boémio e mulherengo, o Ishikawa não crescerá nem como pessoa nem mentalmente.

    Entre Kitsutsuki Tanteidokoro e Fugou Keiji prefiro mil vezes Kitsutsuki.

    Espero que este anime só vá melhorando e que mantenha a sua qualidade técnica.

    Como sempre, mais um excelente artigo de primeiras impressões JG.

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